sexta-feira, 27 de maio de 2016

NICK NAME... CACIMBO


Aos mais novos, que decerto vão ler esta mensagem devo a obrigação de fazer aqui, uma pequena apresentação.
O meu "nick name Cacimbo" que carrego com orgulho, é de um dos fundadores dos Saltimbancos, também conhecido por José Neves, é tão só devido à grande amizade e companheirismo dos meus amigos assim como à minha juventude e irreverência desses tempos.
Fui mecânico MMA e lembro os meus parceiros de altura: Carvalho, Zeca, Jeremias, Inácio Pires, Os pilotos com quem fiz parceria: Rui Jofre, Costa Santos (o autor do emblema do canguru), Costa Braga, Rafael, Carlos Antolini (este chamava-me o macaco gargalheiro), Lopes, Vidal, Sales, os nossos queridos sorjas o Anjos, o Leal... entre outros, que não me levem a mal não recordar. Ah! Estou-me a lembrar ainda do Américo, do Lino, do Pereirinha, o meu grande amigo algarvio Ferreirinha, da minha lavadeira (e da filha "Maria”) da nossa república no Luso. Daquela lição de comportamento militar e cívico, aquando da representação da peça "A flor do cacto", com a Laura Alves, no Cine Teatro Luena, no Luso... Lembram-se?!
E daquele funeral, que fizemos com um caixão da agência funerária que ficava ao lado da república, em que pusemos um polícia a fugir de medo ?!
Lembro também, o nosso querido "reizinho" D. Duarte Nuno, que também por lá passou uns dias, como tenente, na operação "Siroco II", e o gajo da pensão que era monárquico e que ficou babado por lá estar o Rei!!! Lembram-se?!
A todos de quem eu não referi as minhas desculpas pela omissão, mas é culpa da PI (porra da idade).
Agora e é justo salientar, que todos aqueles de que aqui falo, foram os fundadores dos Saltimbancos. Por isso amigos, um pouco de história não faz mal a ninguém. 
Cinco hora da manhãeeeee 
Sai os pissoal dos Luso 
Pindurado nos helicóptero...vai e vem 
Cinco hora da manhãeeeeee.. 
Assim dizia a nossa música. Estão lembrados ? 
Quero aqui prestar as minhas homenagens àquelas equipas que em plena operação Siroco, disputaram um renhido jogo de Ragby em que a bola era um garrafa de Whisky Dimple (3 socos) e em que cada ensaio dava direito a um gol a sério. 

Foram figuras de destaque neste encontro, o Cabeleira, o Antolini, o Zeca, o Carvalho, o Jeremias (talvez a maior bebedeira da sua vida… estávamos a ver que morria), e até eu... ! 
Esqueci-me do nosso querido sargento Nabais. 
Não é escova acreditem.
Na altura eu chamava-lhe nomes, mas agora à distância e com os anos em cima, ele era mesmo um "querido" senão vejam esta: 
Estávamos nós em acção de reparação de emergência dum héli em pleno "mato", senão quando, um soldado do exército, caiu num buraco e ao tropeçar a sua G3 disparou uma rajada de balas. Logo outras rajadas se fizeram ouvir e como é óbvio, perante tal tiroteio, toda a malta tomou de imediato posições defensivas. 
Então um camarada nosso, de quem não me lembro o nome, virou-se para o nosso sargento Nabais e disse-lhe: 
- Ó chefe, que merda é esta? 
E o nosso Nabais respondeu assim: (atenção que esta ficou na história) 
- Foda-se, não me chamem CHEFE senão os gajos atiram em mim !!!!!!!!! 

Aquele abraço .
O vosso amigo “Cacimbo”










Nota: Esta publicação, de Abril de 2009,  foi recuperada do extinto site dos Saltimbancos.
Ao publicá-la aqui, pretende-se tão só “salvar” este relato do “Cacimbo”, que seria uma pena ser perdido.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

AIR TASK

ESTÓRIAS DE MISSÃO DE UM OFICIAL DA FORÇA AÉREA: ANGOLA – 1992

Cartoon do autor
Na missão ONU para as eleições de Angola, de todos os tripulantes russos que tinha em Luena, só um falava Inglês. Quando aquele elemento estava a voar, eu tinha de um desafio extra para comunicar com os restantes russos. Acabei por instituir umas folhas com uns bonequinhos desenhados - que simbolizavam passageiros - uns cubos - que simbolizavam carga - e umas setas com os nomes das localidades - que indicavam para onde eles deveriam de voar. Desta forma, um papelinho com o se...guinte grafismo:
- “ UN#05 21/09/92 - 10 X (desenho de um) boneco + 5 X (desenho de um) cubo = 150 kg- Luena 08H10 ↑ (seta) NgugiLuena↓// ”
Significava:
- “O helicóptero UN número 05 deverá embarcar dez passageiros e cinco volumes de carga com 150 quilos, descolando de Luena para a cidade de Ngugi, com uma descolagem prevista para as oito horas e dez minutos, da manhã do dia 21 de Setembro de 1992. Regressa depois a Luena onde faz aterragem final.”
Eram as nossas AirTasks [ordem de missão]. Para os trajetos mais complicados, com várias paragens e embarques/desembarques, o plano de voo parecia uma obra do abstracionista Volpi, mas funcionava.
Uma das dificuldades com que nos debatíamos era encontrar os locais nos mapas. Os russos tinham cartas de navegação magnificamente atualizadas, com muito detalhe, mas estavam escritas em cirílico. Por exemplo, a aldeia de Ngugi, em cirílico, escrevia-se Hгущи. Isto constituía uma dificuldade para correlacionar o que era coordenado nas reuniões com a Comissão Eleitoral, com o planeamento de voo para as tripulações. Tivemos de construir uma tabela de conversão dos sistemas de escrita Latino/Cirílico, com os nomes das principais as localidades da Província. Nem sempre batia certo mas as aproximações fonéticas também contavam. Em seguida tiravam-se as coordenadas do local, metia-as no GPS e lá iam eles. Em 90% dos casos tivemos sucesso com este processo e os passageiros também ajudavam. Para os outros 10% tínhamos de lá voltar, comigo a servir de navegador e interprete. Primeiro voávamos para uma população que se pensava ser próxima do destino; aterrávamos; e eu ia perguntar, em Português onde ficava o local:
- “Olhe, desculpe, podia-me dizer para onde fica a Comuna do Malundo?”
Era a maravilha de se voar em helicóptero; com respostas do tipo:
- “Depois daquele bananal, lá ao longe, siga o rio pela direita. A comuna que procura fica ao pé de um monte com três imbondeiros”.
De referir que os diálogos não eram tão fáceis quanto possam parecer, porque os angolanos coloriram a Língua Portuguesa com as sonoridades das línguas locais, dificultando o meu entendimento das suas mensagens. Mas era melhor do que um Russo a tentar falar Português.



(O texto e os desenhos são extratos de um projeto de livro, da autoria de Paulo Gonçalves – Tenente-Coronel TOCART – sobre “Estórias de missão ao serviço da ONU”)




Os editores do Blog agradecem ao Sr.Ten.Coronel Paulo Gonçalves, a cedência das suas estórias vividas em terras do Moxico. Vinte e poucos anos após, representando uma nova geração da FAP, os seus relatos fazem-nos retroceder no tempo e recordar algumas das vivências, que marcaram a nossa geração. Bem Haja.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

CAXIPEMBE



ESTÓRIAS DE MISSÃO DE UM OFICIAL DA FORÇA AÉREA: ANGOLA – 1992

Numa certa manhã, após os nossos meios aéreos terem partido como um bando de pássaros, sentei-me para descansar e liguei o meu leitor de cassetes para ouvir uma música suave. Nessa altura verifiquei que as pilhas estavam gastas. Abri o aparelho e iniciei o procedimento de troca das pilhas. Um miúdo que andava por ali, a tentar catar os desperdícios de combustível de avião Jet A-1, aproximou-se observando cuidadosamente todos os meus movimentos. Quando eu me preparava para guardar as pilhas velhas, a criança dirigiu-me a palavra:
- “Sôr, dá-me essas pilhas.” - Pediu ele.
- “Companheiro, estas pilhas estão gastas, já não funcionam, perderam a eletricidade. Entendes?” – Respondi-lhe.
- “Não faz mal, Sôr. Dá-me as pilhas, por favor”. – Insistiu o miúdo.
- “Ho rapaz, eu dou-te as pilhas mas elas não te vão servir de nada. Não consegues tirar nada daí de dentro” – retorqui enquanto lhe dava as três pilhas AA do leitor de cassetes portátil.
- “Consigo, consigo“ – disse ele – “abro-as com uma catana e meto-as dentro de um panelo com fruta e farelo de milho a fermentar, para fazer a Caxipembe [aguardente de milho]. O ácido das pilhas apressa as coisas e amanhã o Caxipembe já está pronto para eu vender no bazar!”
- “Ora toma” - pensei eu em voz alta – “acabaste de receber uma aula de química aplicada, de um puto com 12 anos! Então é assim que vocês fazem Caxipembe Expresso?” – Perguntei.
Mas a criança já tinha descolado em direção aos portões do aeródromo, com as três pilhas na mão direita e uma lata com Jet A-1 na outra. Fiquei apreensivo com a qualidade da poderosa aguardente que tinha estado a beber, com os meus amigos Russos, numa das serenatas dessa semana. Seria feita à base de aceleradores de fermentação do tipo: ácido sulfúrico? Pela forma como os Russos a consumiam à noite, quando chegarem a Moscovo vão ter de trocar de fígado! A partir desse dia passei a beber só bebidas estrangeiras, engarrafadas no exterior.


(O texto e os desenhos são extratos de um projeto de livro, da autoria de Paulo Gonçalves – Tenente-Coronel TOCART – sobre “Estórias de missão ao serviço da ONU”)




Os editores do Blog agradecem ao Sr.Ten.Coronel Paulo Gonçalves, a cedência das suas estórias vividas em terras do Moxico. Vinte e poucos anos após, representando uma nova geração da FAP, os seus relatos fazem-nos retroceder no tempo e recordar algumas das vivências, que marcaram a nossa geração. Bem Haja.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

BA2 OTA - JURAMENTO DE BANDEIRA DA ER 2ª./70


                       JURARAM BANDEIRA 412 SOLDADOS RECRUTAS
B.A. Nº. 2 – OTA – 02/AGOSTO/1970
Juramento de Bandeira da Escola de Recrutas 2/70

Na Base Aérea nº.2 (OTA) realizou-se no dia 02 de Agosto (1970) o juramento de Bandeira de 412 soldados recrutas especialistas. Presidiu à cerimónia o Subchefe do Estado-Maior da Força Aérea, general Dias Costa. Presente também o Director do Serviço de Material, brigadeiro Sousa Oliveira e outros oficiais superiores.
Depois de ter passado revista à guarda de honra, comandada pelo capitão Sengo, o general Dias Costa, acompanhado pelas individualidades presentes, dirigiu-se para a tribuna de honra.
A iniciar as cerimónias, usou da palavra o comandante da Unidade, coronel Brochado de Miranda.
Em seguida, o alferes António José Monteiro Valente dirigiu uma exortação aos soldados alunos recrutas.
Procedeu-se, em seguida, ao acto solene do juramento perante a Bandeira.
Um aspecto da demonstração de manejo de arma a pé firme
Antes da entrega de prémios aos soldados alunos que mais se distinguiram durante a recruta, foram entregues diplomas a quatro oficiais pilotos aviadores que terminaram o curso de instrução complementar de pilotagem de aviões de caça, a 69 soldados cadetes que completaram cursos de formação de oficiais milicianos técnicos de abastecimentos e do serviço geral e a 301 soldados alunos que completaram cursos de formação de operadores ou de mecânicos de várias especialidades.
Seguiu-se o desfile das forças em parada, num total de 1.300 homens, comandados pelo tenente-coronel Raul Tomás, tendo como comandantes do Grupo de Instrução o major Noronha Botelho e da Escola de Recrutas o major Calheiros.
Findo o desfile fizeram-se demonstrações de manejo de armas a pé firme e em marcha, terminando as cerimónias com demonstrações de treino físico-militar e luta individual de aplicação militar”.

ALOCUÇÃO PROFERIDA PELO COMANDANTE DA B.A.2 – CORONEL BROCHADO DE MIRANDA

Coronel Brochado de Miranda
Tem a Base Aérea nº.2 merecido um apoio generoso no estímulo que sempre nos traz a presença, em cerimónias como a que acaba de iniciar-se, que tem vindo a decorrer três vezes em cada ano, dos mais autorizados expoentes da Força Aérea. E uma vez mais é meu privilégio saudar V. Exªs e apresentar-lhes cumprimentos de boas-vindas e ainda revelar a importância dessa presença no testemunho do Juramento que dentro de momentos se realizará. 
As palavras graves e solenes que lhe dão forma, plenas de significado, brotarão certamente com maior vibração, dignidade e emoção, calando mais profundamente no coração de quem as profere.
É bem sabido, mas não me parece inoportuno repetir, que nada é mais estimulante que o sentirmos que os chefes são sensíveis ao trabalho que produzimos e descem até nós para o apreciar. Podemos não ouvir palavras de apreço. É a sua presença o que sobretudo nos conforta.
Os Oficiais, Sargentos e Cabos responsáveis pela instrução dos soldados que farão esse Juramento e todos aqueles que nela intervieram de alguma forma, ficam recompensados pelo esforço dispendido que ultrapassou de muito o que vulgarmente é considerado como o normal cumprimento do dever.
Perante Vª. Exªs, formados em parada, estão 1.273 homens.
Prestam Juramento de fidelidade, subordinação e obediência à Pátria, à Lei e aos Chefes 412 soldados recrutas que terminaram um período intensivo de treino básico militar.
Foram submetidos a duras provas em que se procurou desenvolver a capacidade de resistência ao esforço físico, estimular a vontade para vencer dificuldades e despertar virtudes militares fundamentais.
Nesta parada irão executar alguns exercícios com que se pretende colorir a cerimónia e simultaneamente dar uma imagem do que foi parte da sua actividade durante 10 semanas de instrução.
Entrega de diplomas
O alinhamento das fileiras em marcha, o sincronismo do manejo de armas, o correcto uso do uniforme, o aprumo, etc, são manifestações de tradição militar que no conjunto constituem um veículo de motivação cujos resultados práticos são o desenvolvimento do espírito de corpo, a elevação do moral e a observância conscienciosa da disciplina. 
É com a maior alegria que hoje recebemos os seus mais próximos familiares e amigos. Será certamente com emoção e orgulho que dentro de momentos assistirão ao acto significativo em que adolescentes, com quem até agora se usou de complacência ao julgar um comportamento infantil ou atitude irresponsável, assumirão perante a Bandeira, com o nosso testemunho, um compromisso de homens responsáveis; em que jovens amantes da vida se comprometem publicamente a sacrificá-la se os interesses da Pátria assim o exigirem. 
Aproveita-se esta ocasião para se proceder à entrega de diplomas a quatro oficiais pilotos aviadores que terminaram o curso de instrução complementar de pilotagem de aviões de caça, a 69 soldados cadetes que completaram cursos de formação de oficiais milicianos técnicos de abastecimentos e do serviço geral e a 301 soldados alunos que completaram cursos de formação de operadores ou de mecânicos, de várias especialidades.
Vão agora ser distribuídos pelas unidades da Força Aérea na Metrópole e serão chamados dentro em breve a servir no Ultramar. 
Os conhecimentos que aqui adquiriram pouco mais são do que noções gerais e básicas para posterior aperfeiçoamento.
Um aspecto de luta corpo a corpo de aplicação militar
Sabendo-se que é na sua competência técnica e aprumo militar e moral que se apoia o sucesso das missões, de paz ou de guerra, para que lhes forem confiadas, não podem limitar-se a um indiferente cumprimento do dever mas sim colaborar com entusiasmo e combater a apatia, o desânimo e a descrença.
O sangue já derramado pelos que deram a vida pela Pátria exige de cada um a mais completa e incondicional dedicação e sacrifício.
Que deles se possa dizer o que Mouzinho de Albuquerque disse dos soldados do seu tempo: “essas poucas páginas consoladoras que há na História de Portugal contemporâneo escrevemo-las nós: os soldados, lá pelos sertões da África…Alguma coisa sofremos é certo; corremos perigos, passámos fomes e sedes…mas tudo suportámos de boa mente porque servíamos a Pátria e para outra coisa não anda neste mundo quem tem a honra de vestir uma farda”.

ALOCUÇÃO PROFERIDA PELO ALFERES ANTÓNIO JOSÉ MONTEIRO VALENTE

Alf. Antônio José M.Valente
Recrutas: 
O dia de hoje ficará, por certo, gravado para sempre na vossa memória, porquanto, dentro de poucos momentos, os vossos lábios irão pronunciar o sagrado Juramento que decisivamente unirá os vossos destinos ao da sagrada causa da Pátria; com ele, deixareis de pertencer exclusivamente à limitada família a que até agora tendes exclusivamente pertencido, e passareis a fazer parte também desta grande e valorosa Família, que são as Forças Armadas, devotadas desde sempre à defesa, ao progresso, ao bem-estar, e à tranquilidade da Nação. 
E quando vos alistastes como voluntários nas Forças Armadas, conseguistes um privilégio e uma honra que muitos acalentariam: servir na Força Aérea, onde tereis a melhor oportunidade de pôr o vosso esforço, a vossa inteligência, e os vossos conhecimentos ao serviço da Nação. 
Iniciastes há pouco na instrução de recrutas a vossa preparação militar, que hoje terminais; dentro de dias, iniciareis a segunda fase da vossa instrução, já mais técnica e complexa, e, não muitos meses volvidos, sereis considerados aptos, para, nas diversas Unidades da Força Aérea, quer da Metrópole, quer do Ultramar, para onde sereis nomeados, desempenhar as missões de que vos incumbirem, e pôr em prática os conhecimentos que aqui vos foram ministrados. Mais tarde, alguns anos volvidos, chegará a vez da rendição, e deixareis de ser militares; no entanto, a Nação espera que vós, como civis, a continueis a servir dentro dos mesmos princípios de dedicação, lealdade, e desinteresse, que aqui vos ensinamos. 
A Nação necessita, que vós sejais sempre elementos válidos e activos quer na sua defesa, quer no seu progresso; ela espera assim, que não seja em vão o vosso juramento, mas sim que saibais sempre ser fiéis cumpridores das palavras que, dentro de momentos, de braço estendido para a Bandeira, que é seu símbolo, ireis pronunciar. 
Ireis jurar defendê-la, numa altura em que, talvez como nunca na sua história, ela necessita de ser defendida à custa do esforço, do trabalho, do sacrifício, e até mesmo do sangue dos seus filhos; ireis jurar defender os seus interesses, onde quer que eles sejam lesados, nos pântanos da Guiné, nas acidentadas matas de Angola, ou nos agrestes e secos planaltos de Moçambique.
Não será, provavelmente, de armas na mão, que vós a ireis defender; no entanto, a vossa missão não deixará de ser mais importante, porquanto, sem o produto do vosso trabalho e do vosso saber, essas armas não poderão ser utilizadas. 
Ireis ainda, jurar ser bons cidadãos, uma vez cumprido o vosso serviço militar; cidadãos cumpridores das leis que pautam as relações entre os seus filhos, cidadãos que com o seu trabalho virão a contribuir para o seu progresso e segurança. 
É tudo isto, recrutas, que implica o solene Juramento que em breve fareis. Que o saibais cumprir, e que, de vós, também um dia se possa dizer: “DITOSA A PÁTRIA QUE TAIS FILHOS TEM”.

Notas: Recolha de informação na Revista “Mais Alto” nº. 137 – Setembro 1970
           

Até breve, o amigo :                                                                                    


sexta-feira, 29 de abril de 2016

REPELENTE DE CROCODILO

ESTÓRIAS DE MISSÃO DE UM OFICIAL DA FORÇA AÉREA: ANGOLA – 1992

Cartoon do Autor
A situação de segurança em Luena estava complicada. Explicaram-me que havia um aquartelamento da UNITA e outro das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) pertencentes ao MPLA fora da cidade. Cada força opositora tinha cerca de 8.000 homens, devidamente armados e municiados, o que incluía armamento pesado. As feridas da guerra civil estavam longe de terem cicatrizado em Luena e as escaramuças eram constantes. No dia em que cheguei, morreram 15 civis em Luena, vítimas colaterais destes incidentes que, em certas alturas, tinham dimensão de confronto aberto.
Pista de Luena ex AM44 Luso

No antigo AM 44 esperava-me uma pequena frota de aeronaves, constituída por três helicópteros russos modelo MI 17 e um Cessna Caravan (namibiano). Dois dos helicópteros estavam caracterizados como UN mas eram alugados à Aeroflot, o terceiro era militar e mantinha a camuflagem original do Exército Vermelho. Contava ainda com apoio pontual – a pedido – de um C-130 alugado à TransAfrik. No chão, aguardavam-me 11 tripulantes de aeronaves (10 russos e um namibiano) e 5 funcionários do PNUD (dois internacionais e três angolanos). Um dos MI 17 haveria
Cazombo AM43 em 1973,
foto de Ribeiro da Silva
depois de destacar para o Cazombo, no extremo Este de Angola (anteriormente conhecido pela tropa portuguesa como o “Quadrado da Morte”) com um oficial controlador da FA, para cobrir as necessidades eleitorais daquela remota região.
Normalmente, as tarefas de um operacional da ONU vão muito para além da descrição de funções (job description), se quiser sobreviver com o mínimo de qualidade. Os títulos pomposos que me atribuíam não me dispensavam de executar funções de apoio básico à missão. Na delegação do PNUD de Luena todos nós tínhamos uma segunda tarefa que executar para o bem comum. Enquanto uns cozinhavam e outros faziam a manutenção das instalações e aeronaves, e quem não estava a fazer nada disso tinha a nobre tarefa de buscar água para a higiene do pessoal.
Recordo a primeira vez que o fizemos. Dirigimo-nos a uma zona na margem do Rio Luena que permitia o acesso a carros. Previamente, tínhamos instalado um depósito para recolher a água na nossa carrinha de caixa aberta. Com o recurso a uma pequena bomba de extração, abastecemos o depósito. Depois dirigimo-nos a uma área mais frequentada pela população local, e decidimos dar um mergulho no rio. Fui logo avisado:
- “Comandante, isto é tudo gente boa. Se você deixar a carteira na margem do rio provavelmente não vai acontecer nada. Mas se deixar o sabão, de certeza que não vai lá estar, quando você sair da água.”
Rio Luena - foto de Armando Monteiro
A longa guerra civil tinha dificultado abastecimento de mercadorias para o interior do país, dando-se prioridade aos produtos considerados essenciais. Os artigos não essenciais pagavam-se a preços elevadíssimos Incompreensivelmente, os artigos de higiene não eram considerados de primeira necessidade, pelo que um bom sabonete era particularmente cobiçado na região. Escondi o sabonete numas ervas da margem e tomei banho de olho posto no capim. Foi um sucesso.
Meses mais tarde, já em Portugal, soube que num dos locais onde havíamos tomado banho, tinha ocorrido um incidente envolvendo um elemento ao serviço da ONU e um crocodilo. Alegadamente, durante a estação das chuvas, que estava prestes a começar em Outubro, o nível das águas aumenta bastante e entra dentro das tocas onde os crocodilos estão a hibernar, nas margens dos rios, despertando-os. Nós tínhamos estado a banhar-nos no limite entre as duas épocas, seguindo o exemplo das crianças e adultos locais. O outro indivíduo atuou isoladamente e não terá tido a mesma sorte.


(O texto e os desenhos são extratos de um projeto de livro, da autoria de Paulo Gonçalves – Tenente-Coronel TOCART – sobre “Estórias de missão ao serviço da ONU”)




Os editores do Blog agradecem ao Sr.Ten.Coronel Paulo Gonçalves, a cedência das suas estórias vividas em terras do Moxico. Vinte e poucos anos após, representando uma nova geração da FAP, os seus relatos fazem-nos retroceder no tempo e recordar algumas das vivências, que marcaram a nossa geração.Bem Haja.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

ANTES DE FAZERES O QUE QUER QUE SEJA, PERGUNTA !

ESTÓRIAS DE MISSÃO DE UM OFICIAL DA FORÇA AÉREA: ANGOLA – 1992
Cartoon original do autor


Era ainda madrugada quando chegámos à parte militar do aeroporto de Luanda, na parte da antiga Base Aérea 9 (BA-9) da FAP. O voo da ONU seria longo, de modo a distribuir seis ALO portugueses pelos diferentes aeródromos
Para além dos militares portugueses, seguiam a bordo do bimotor King Air outras personalidades importantes para o processo eleitoral.
A primeira aterragem foi em Lubango ex Sá da Bandeira, onde saiu o tenente Santos. Deixámos o homem literalmente no meio da placa sem ninguém à vista.
-”Não se preocupe “mate” [companheiro].” - Disse-lhe o piloto num Inglês com forte sotaque australiano. - “Em breve irá aparecer alguém do PNUD para o recolher. É o procedimento normal, você só tem de estar aqui sossegadinho e não ir a lado nenhum!”
O aeródromo de Lubango era uma base militar, com vários abrigos protetores para aeronaves de combate. Alguns abrigos tinham as portas semiabertas, denunciando as silhuetas dos MIG-21 no seu interior. Tal como em Luanda, as áreas entre as pistas e os caminhos de rolagem de aeronaves, tinham fortificações toscas, num formato de espiral, feitas por altas paredes de terra batida. No centro desses recintos, havia antenas radar com vários formatos, montados em viaturas. Quase todos os sistemas, bem como a generalidade das aeronaves, tinham aspeto de estarem fora de serviço.
Menongue - foto de Revista Militar
De Lubango voámos para Xangongo, onde saiu o capitão Selmo. De Xangongo voámos para Menongue ex-Serpa Pinto, onde saíram o capitão Silva e um Juiz angolano.
De Menongue voámos para Luena, onde eu deveria sair com o capitão Salvares.
Luena fica a cerca de 1 250 quilómetros de Luanda.
Devido às paragens intermédias, o voo já durava há mais de cinco horas. O piloto cumpriu o procedimento normal, fazendo uma passagem baixa sobre a pista antes de aterrar. Embora o aeródromo fosse controlado, os aviadores gostavam sempre de se certificar das condições da pista, antes de aterrar. Aquele procedimento permitiu-me estudar o meu novo local de trabalho. A paisagem que nos rodeava era plana e verdejante, de um verde muito aberto, quase alface. As zonas de mata não eram particularmente densas, com lençol de árvores pouco mais altas do que grandes arbustos, ocasionalmente interrompido por grandes imbondeiros – uma árvore típica de Angola. Entre as árvores havia muita erva alta – capim. Pontualmente via-se um rio, por vezes de dimensões generosas, com as margens invadidas de juncos e ervas altas. Onde a vegetação era mais escassa via-se a terra avermelhada, numa cor muito característica daquela região.

A cidade do Luso e o AM 44 em 1969 , foto de Gonçalo de Carvalho
O aeroporto de Luena era a herança do antigo Aeródromo de Manobra 44 – AM 44 - construído pela Força Aérea Portuguesa no tempo colonial.
A infraestrutura aeronáutica ficava a cerca de três quilómetros a Sul da Cidade. Tinha uma pista era pavimentada; com uns generosos 2800 metros de comprimento por 50 metros de largura; a orientação magnética 290° ou 110°; e estava dotada de iluminação para voo noturno.
Embora não estivesse em bom estado de conservação, era aceitável para o tipo de aeronaves que iríamos operar. Seguindo o exemplo do aeródromo do Lubango, a sul da pista de Luena havia trincheiras elevadas, em espiral, com o objetivo de proteger equipamentos de radar e ajudas rádio à navegação aérea. Contudo, os equipamentos tinham sido abandonados há muito tempo, não restando dúvidas quanto à sua total ruina.
Na altura, Luena não tinha qualquer tipo de ajuda rádio que indicasse aos pilotos a localização do aeródromo. Para além da placa principal, havia também algumas placas individuais de dispersão para aviões de combate, em forma de raquete. No entanto, as placas de dispersão tinham o pavimento muito degradado, com pedras soltas que podiam ser aspiradas pelas turbinas dos aviões, não podendo ser utilizadas. Saindo da pista, havia dois caminhos de rolagem para as aeronaves terem acesso à placa principal. Do lado Norte da placa estava o pequeno edifício da torre de controlo, o qual também servia de terminal de passageiros. À direita da torre existiam dois hangares cujo conteúdo era desconhecido e que permaneciam fechados.
A pista de Luena


Em suma, para o efeito pretendido, era um bom aeródromo.
Saímos do avião, com a nossa bagagem, e o piloto repetiu a mesma mensagem:
- “Aguardem tranquilos que já vos virão recolher.”
Ato contínuo fechou a porta do King Air, rolou para a pista e descolou. O capitão Moita seguiria para Saurimo e o capitão Morgado para o Cafunfo.
Enquanto esperávamos na placa por alguém da ONU, foram aparecendo algumas crianças que deambulavam por ali. O Salvares decidiu ir até ao edifício do terminal, para ver se estava lá alguém à nossa espera. Eu aguardei na placa para não nos desencontrarmos. Resolvi aliviar a pressão na bexiga.
Cumprindo o procedimento aeronáutico mundialmente conhecido, voltei as costas á zona dos edifícios; afastei-me das pessoas e da área pavimentada da placa; entrei nas bermas, bem para dentro da zona de terra; abri o fecho do fato de voo e urinei.
Foi nessa altura que tive a minha primeira experiência de zona de guerra. Um miúdo, que por ali andava, veio até à berma da zona pavimentada e gritou, gesticulando muito aflito:
- “Sôr, sôr sai daí, mas vem sempre em cima das ervas”.
Eu estaria a pouco menos de 20 metros da criança. Compus-me, voltei-me e, sorrindo, perguntei-lhe:
- “Então porquê é que eu tenho de ir sempre por cima das ervas?”
- “Tché?! Porque essas ervas não crescem em cima das minas!” – Respondeu o garoto, estupefacto com a minha ignorância.
Nessa altura caiu-me o sorriso, idiota, ao chão e tive outra vez muita vontade de urinar. Eu estava na zona minada de proteção ao aeródromo, a 20 metros da zona pavimentada. De repente, regressar aqueles 20 metros tinha ficado mais distante do que à vinda. Parecia que os tufos de ervas se tinham afastado entre si no meio da terra avermelhada. Senti um suor frio escorrer pela coluna vertebral e um nó na boca do estomago. Respirei fundo, olhei em redor e reconheci umas pegadas com o desenho das solas das minhas botas. Regressei à placa saltando entre tufos e pegadas. Quando, finalmente, pulei para cima do betão, ganhei nova vida. O coração batia descompassadamente e tinha a respiração muito acelerada. Estava a agradecer ao rapaz quando apareceu o Salvares. Vinha acompanhado por um brasileiro muito simpático, chamado Jorge, que funcionava como o “faz-tudo” do PNUD em Luena. Jorge era a nossa boleia para a cidade.
Tentei explicar aos recém-chegados o que me acabara de acontecer, mas o brasileiro não se mostrou particularmente impressionado e limitou-se a comentar:
-“Pois é “cara” … devia ter umas placas, informando essas coisas, por aí.”
Lição número um, em ambiente de conflito – “Antes de fazeres o que quer que seja, pergunta !


(O texto e os desenhos são extratos de um projeto de livro, da autoria de Paulo Gonçalves – Tenente-Coronel TOCART – sobre “Estórias de missão ao serviço da ONU”)




Os editores do Blog agradecem ao Sr.Ten.Coronel Paulo Gonçalves, a cedência das suas estórias vividas em terras do Moxico. Vinte e poucos anos após, representando uma nova geração da FAP, os seus relatos fazem-nos retroceder no tempo e recordar algumas das vivências, que marcaram a nossa geração.Bem Haja.


sexta-feira, 15 de abril de 2016

PRIMEIRAS ELEIÇÕES LIVRES ANGOLANAS

ESTÓRIAS DE MISSÃO DE UM OFICIAL DA FORÇA AÉREA: ANGOLA – 1992
Mapa do autor, com a localização onde operavam todos os oficiais da FAP

O diálogo político entre os dois maiores partidos políticos angolanos sempre foi difícil. O partido que detém o poder desde a independência – Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA) – e o maior partido da oposição – União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) - recorreram à confrontação armada, envolvendo-se numa guerra civil que durou cerca de 27 anos.
A UNITA, liderada por Jonas Savimbi, alegava que o MPLA, liderado por Eduardo dos Santos, tinha recebido o poder directamente da potência colonial (Portugal) e não por sufrágio livre e universal do povo Angolano. Desta forma, para a UNITA, o MPLA estava a usurpar o poder. Por seu turno, Eduardo dos Santos afirmava que a UNITA nunca tinha evoluído de uma força insurgente anticolonialista, com métodos terroristas, pelo que não era um interlocutor político credível.
Contudo, em 1992 houve um entendimento entre os dois partidos, que tentou transferir esta confrontação do campo de batalha militar para a arena do debate político. Para o efeito, as Nações Unidas (ONU) ficaram encarregues de liderar e apoiar um processo eleitoral, que colocasse no poder um Governo eleito pela vontade popular. Este processo recebeu o nome de “Primeiras Eleições Livres Angolanas”.
Em Angola, as Nações Unidas estavam representadas pela missão United Nations Angola Verification Mission (UNAVEM II). Esta missão tinha a liderança política dos assuntos angolanos na comunidade internacional. Contudo, como acontece noutras partes do mundo, as questões técnicas eleitorais são conduzidas pelo Programa da Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Ciente da dimensão territorial de Angola e de o país constava na lista dos territórios mais minados do mundo, o PNUD iniciou a maior campanha aérea que a ONU alguma vez havia lançado, para um ato eleitoral.
Sob a tutela da UNAVEM II, o PNUD contratou 40 helicópteros M-17 e 10 aviões (Antonov-26, Hércules C-130, Beechcraft e King Air), maioritariamente operados por tripulações russas. Os custos, rondando os 40 milhões de dólares (preços de 1992), foram suportados por doadores internacionais. Tudo isto a somar aos já existentes 14 helicópteros e dos 2 aviões que a UNAVEM II operava normalmente em Angola.
Contudo, o planeamento e gestão da actividade de todos estes meios aéreos era um sério desafio, pelo que o PNUD solicitou a Portugal o envio de uma equipa de 10 gestores de operações aéreas para Angola.
É aqui que começa esta estória de missão, que levou dez oficiais da Força Aérea Portuguesa, ao serviço da ONU, a participar no apoio ao ato eleitoral angolano.
Às 18H20 do dia 16 de Setembro de 1992, um C-130 da Força Aérea descolou do aeroporto militar de Figo Maduro (Aeródromo de Trânsito N.º1), com destino a Luanda. Levava como passageiros um grupo de 5 Pilotos Aviadores e 5 Controladores de Tráfego Aéreo, com a finalidade de apoiar o PNUD na organização da campanha aérea para as eleições angolanas. A viagem irá durar 21 horas, com duas paragens, de uma hora cada, para reabastecimento, em Cabo Verde e em São Tome e Príncipe.
Aeroporto de Luanda

Quando chegámos a Luanda, o C-130 manobrou sobre a Cidade, a fim de se posicionar melhor para a aterragem, permitindo-nos observar a verdadeira dimensão da urbe. Para além da zona da baía e do centro da Cidade, com os seus edifícios altos, avenidas amplas e bairros de bonitas vivendas coloniais, a grande Luanda estendia-se a perder de vista num enorme musseque.
Era naquele caos, constituído por trilhos sinuosos de construções térreas feitas de barro, que viviam mais de 70% dos 2 milhões de habitantes de Luanda. Sob a nossa asa esquerda apareceram os restos queimados de uma refinaria, testemunhos da recente guerra civil. 
Cartoon do autor
Durante a aterragem conseguiu-se observar que o aeroporto estava militarizado, com muitas antenas de radar, e outros equipamentos com aspecto bélico distribuídos entre as placas e as pistas. Contudo, aquilo que mais atraiu a atenção, foi um conjunto de três veículos enferrujados que jaziam para além da soleira da pista. Eu reconhecia aquelas máquinas, mas não conseguia ligar o objecto com o local ou a função.
Quando desembarcámos, éramos gentilmente aguardados por uma delegação da Embaixada Portuguesa em Luanda. Perguntei-lhes o que eram aqueles equipamentos estranhos no final da faixa. Foi-me respondido que eram “limpa-neves”, oferecidos pela ajuda Soviética.
-“Limpa neves? Em Luanda?” - Perguntei contendo o riso, para não ofender os presentes.
Alegadamente, para os Soviéticos, qualquer aeroporto que se preze teria de estar dotado com limpa-neves. A localização geográfica era um mero detalhe.
Claro que aquelas máquinas nunca foram usadas e apodreceram no local onde tinham sido descarregadas.
Durante uma curta, estadia em Luanda, recebemos a explicação um pouco mais detalhada sobre o que nos era solicitado. Iríamos operar isolados uns dos outros, cobrindo a maior quantidade de território angolano possível.
Calhou-me em sortes a (enorme) Província do Moxico, no extremo Leste do País, com sede em Luena (a antiga cidade do Luso).
No dia seguinte, fomos enviados aos nossos destinos. 




(O texto e os desenhos são extratos de um projeto de livro, da autoria de Paulo Gonçalves – Tenente-Coronel TOCART – sobre “Estórias de missão ao serviço da ONU”)




Os editores do Blog agradecem ao Sr.Ten.Coronel Paulo Gonçalves, a cedência das suas estórias vividas em terras do Moxico. Vinte e poucos anos após, representando uma nova geração da FAP, os seus relatos fazem-nos retroceder no tempo e recordar algumas das vivências, que marcaram a nossa geração.
Bem Haja.