quinta-feira, 31 de maio de 2018

DESPEDIDA EM NORATLAS


Aterragem surpresa
A Esquadra 92 (BA9-Luanda) efectuava missões de transporte com maior frequência para o Norte de Angola. Um dos locais mais assíduos era o AB3 – Negage.

Um dia ao chegar ao destino, num dia de sol esplendoroso, o aeródromo estava tapado com uma camada de nuvens, tipo nevoeiro, teimosamente agarrado ao solo. 

Já estava para seguir outro destino, quando descubro a ponta da pista a descoberto – quando muito 100 metros mesmo no início da pista. 
Informo a Torre que vou tentar.
Assim fiz. Mal toquei na pista, fiquei dentro do nevoeiro, mas com a iluminação ligada, a rolagem  foi normal. Segui para o estacionamento.
Aí a surpresa era geral – ninguém se tinha apercebido da aterragem e ainda menos que fosse possível naquelas condições.
Julgo que me consideraram um “herói”… Mas a pista estava lá e … visível.

Nossa Senhora do Ar

Em 2 de novembro de 1975, ainda na BA9-Luanda, estou encarregado de trazer o último Noratlas - 6415 - de regresso a Portugal.
A Base está praticamente deserta. Resolvo dar uma volta pelas instalações da Esquadra, despedindo-me daquela casa e, quem sabe, encontrar alguma recordação.
Fui bafejado pela "sorte".Na parede do bar da Esquadra encontrava-se uma imagem que diz alguma coisa aos aviadores e, ainda hoje, se encontra no meu quarto.
Legenda acrescentada à mão: "Perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem…"

Tenham atenção à legenda que alguém teve a liberdade de escrever e que sempre teve muito de verdade...
Assim, permito-me, apelando a Nª Sª do Ar, desejar felicidades a todos.



Por especial deferância do Sr.
Cap. Pil. (Ref) Fernando Moutinho

quinta-feira, 24 de maio de 2018

VOANDO NO NARIZ DE UM P2V5 NEPTUNE


Ora, é apenas uma historieta. 
Voar no nariz envidraçado do P2V5 Neptune é uma experiência única e inesquecível. 
Quase no fim dos meus 6 anos como cabo OMET, em Novembro de 1973, surgiu a oportunidade de voar num P2V5 que ia fazer um vôo de treino. 
A oportunidade surgiu durante a travessia no barco da Base, da Praça do Comércio para o Montijo (BA6), em que à conversa com um piloto (muito jovem, não me lembro do nome dele) eu lhe disse que adoraria a experiência de voar no nariz de um P2V5. 
Tudo bem, disse ele, vai ter à pista às 3 da tarde que vens comigo. 
E assim foi, lá fui, parecia um puto de tanta excitação. Lá me sentei numa cadeira no nariz, que permitia ver até verticalmente para baixo. Arrancámos e começamos a sobrevoar as localidades ali perto, Montijo, Samouco, e o Mar da Palha, bem baixo, talvez a uns 15 metros da água, e às tantas o avião passou exactamente por cima da fragata D. Fernando II e Glória (que eu na altura desconhecia). 
Era um escombro total, nada acima do convés, só madeiras queimadas e retorcidas e um montão de gaivotas que tinham tomado o barco como poiso. Fiquei impressionado com a desgraça em que estava o barco. 
Enfim, acabou por ser totalmente recuperada e esteve em exposição atracada junto da EXPO98, lindíssima. 
Hoje está assim:




Por:


quinta-feira, 17 de maio de 2018

C 130 EM S. TOMÉ














Antes da FAP ter aviões C-130 Hercules, já os nossos cabos MMA, que prestavam serviço no AT2, em São Tomé e Príncipe, nos finais de 1973 princípios de 1974, assistiam e controlavam na placa, estas aeronaves. Os controladores de trafego aéreo também faziam a sua parte.

Como?
Sim, aviões C-130 de uma companhia estatal sul-africana, aviões com pintura civil, faziam escala na ilha, e era a Força Aérea Portuguesa, que tinha acordo com a Força Aérea Sul- Africana, que assistia o trânsito destas aeronaves por ali passavam.
Até aqui pode parecer normal, até porque o governo sul-africano dava apoio ao governo português no leste e sul de Angola. Quem por lá esteve, sabe que foi assim.
O que se calhar muitos não sabem é que estes aviões vindos da África do sul vazios e com destino desconhecido, voltavam uns dias depois da Europa, dizia-se que da Itália e traziam a bordo dois Mirage III desmontados. Seriam aviões para equipar a SAAF. Comigo passaram pelo menos 2 aviões. Fuselagens no meio e asas junto a fuselagem. É o que me lembro.

O curioso é que as tripulações ofereciam fruta trazida da África do Sul, como forma de agradecer o serviço que lhes estávamos a prestar. Portugal não cobrava pela passagem destas aeronaves.
Numa terra em que a fruta andava à volta das bananas, ananases, mamões e papaias, aparecerem umas laranjas, umas maçãs, uma pêras umas uvas, era algo de muito bom.
O problema é que o Sr. comandante entendeu que a fruta era para ele e não dava nada ao pessoal.
O Sargento Ramalho, CTA que falava muito bem inglês, lamentou aos tripulantes a situação.
Estes acharam a coisa estranha pois tinham dito claramente que a fruta era para o pessoal. Provavelmente o comandante não entendia bem inglês!
O que é certo, é que, nos voos seguintes, a mercadoria era passada à socapa directamente ao pessoal, que fazia a distribuição ainda no aeródromo, democraticamente, e divertíamo-nos a ver o Sr. comandante rodear os tripulantes na esperança de receber o seu pagamento. Eles faziam-se desentendidos cooperando com a malta que efectivamente lhes prestava assistência.

Por Carlos Gato




quinta-feira, 10 de maio de 2018

A ARMADA NO LESTE DE ANGOLA

Transporte de lancha de Serpa Pinto para o rio Cuíto  


Com a abertura da frente leste, em 1966, tornou-se necessário aproveitar os extensos rios para apoiar a manobra logística das forças e reforçar os meios de fiscalização junto às fronteiras. 
A partir desse ano, colocaram-se três lanchas nesta vasta área. A primeira, uma LDP, foi transferida, nos finais de 1966, de Santo António do Zaire, no Norte de Angola, para Lumbala, junto ao rio Zambeze, no saliente do Cazombo, percorrendo 1300 km por caminho de ferro e 350 por estrada. 
Para o seu transporte a lancha foi cortada ao meio, sendo reconstituída no local de destino. Ainda nesta zona, enviou-se uma lancha de transporte para Caripande.
Em Maio de 1967, calhou a vez a outra LDP ser já transportada por estrada, de Luanda até ao Chiume, no rio Guando, num percurso de 1800 km. Em Maio de 1968, foi levada, por terra, a LDP 105, de Moçâmedes para o rio Cuíto, no Sudeste de Angola.

Entre o porto de Moçâmedes e Serpa Pinto, o transporte fez-se por via férrea, e daqui em diante, na distância de 220 km, em coluna militar especialmente organizada para esse fim.
A missão foi confiada a uma companhia de engenharia, que disponibilizou os homens e os meios necessários, entre os quais, tractor e plataforma adequados, máquina de terraplanagem, viatura basculante e motoniveladora. Entre pessoal do Exército e da Marinha, seguiram na coluna cerca de 30 homens.
Vila Nova da Armada

A marcha fez-se pela picada já existente, tendo demorado três dias e duas noites, e a passagem da plataforma carregada com a lancha obrigou ao reforço de seis pontes de madeira, com especial destaque para a do rio Cuatiri. A velocidade média da progressão da coluna cifrou-se, no final, em quatro km/h, o que dá ideia das dificuldades e dos obstáculos que foi necessário vencer. Ainda assim, não ocorreu qualquer contacto com guerrilheiros, apesar das expectativas criadas com a invulgar coluna de transporte.
Após a chegada ao Cuíto Cuanavale, a lancha foi posta a flutuar no rio Cuíto, guarnecida por pessoal de Marinha, constituindo um destacamento avançado da companhia de fuzileiros que, depois, ficou sedeada em Vila Nova da Armada, junto ao mesmo rio.  

quinta-feira, 3 de maio de 2018

BA3 TANCOS E BA7 S.JACINTO - BREVETAMENTO DE PILOTOS


BREVETAMENTO DE PILOTOS DE HELICÓPTEROS

B.A. Nº. 3 – TANCOS – 17/NOV/1972


Em 17 de Novembro de 1972 efectuou-se na Base Aérea Nº. 3 a cerimónia de brevetamento dos alunos dos cursos de pilotagem de helicópteros, PH/OF SARG 1/72 FE e PH/OF SARG 3/71. 
Terminaram este curso 15 soldados cadetes e 14 soldados alunos. Presidiu ao acto o comandante da base, tenente-coronel piloto aviador Orlando Amaral, tendo o capitão piloto aviador Costa Braga proferido uma exortação em que a dado passo afirmou:
“As “asas” que ireis receber são a realização de um sonho de jovem, e a compensação de um esforço de homem. A vossa promoção traz-nos responsabilidades: preparai-vos para elas.
Ser militar não exige homens diferentes, nem melhores nem piores, pois todas as virtudes humanas são, também, todas as virtudes militares.
A disciplina claramente compreendida e sãmente praticada não diminuí o homem, não lhe reduz a capacidade de decisão, não lhe retira a dignidade, encaminha-o na procura de ideias, ajuda-o a saber respeitar o próximo, concede-lhe a alegria de triunfar sobre si próprio”.
A encerrar a sessão, o comandante da unidade, em breve improviso, agradeceu a presença dos familiares dos alunos, e exortou os jovens pilotos à prática das virtudes militares e do amor à Pátria.

BREVETAMENTO DE PILOTOS

B.A. Nº. 7 – S. JACINTO – 18/JAN/1973


Na Base Aérea Nº. 7 (S. Jacinto) realizou-se em 18 de Janeiro de 1973 a cerimónia do brevetamento do curso P 5/72, sob a presidência do comandante da Unidade, coronel piloto aviador José Ferreira Valente. Receberam o “brevet” três aspirantes a oficial miliciano piloto aviador e onze primeiros-cabos tirocinantes pilotos. Antes da entrega dos “brevets” o coronel José Ferreira Valente proferiu algumas palavras alusivas ao acto. A terminar as cerimónias, os alunos desfilaram em continência.


Notas: Recolha de informação nas Revistas “Mais Alto” nº. 164 – Dezembro de 1972 e 166 de Fevereiro de 1973          

Até breve                                                                                    
O amigo