sexta-feira, 6 de maio de 2016

BA2 OTA - JURAMENTO DE BANDEIRA DA ER 2ª./70 - ACONTECIMENTOS NA NOSSA GERAÇÃO


JURARAM BANDEIRA 412 SOLDADOS RECRUTAS
B.A. Nº. 2 – OTA – 02/AGOSTO/1970
Juramento de Bandeira da Escola de Recrutas 2/70


Na Base Aérea nº.2 (OTA) realizou-se no dia 02 de Agosto (1970) o juramento de Bandeira de 412 soldados recrutas especialistas. Presidiu à cerimónia o Subchefe do Estado-Maior da Força Aérea, general Dias Costa. Presente também o Director do Serviço de Material, brigadeiro Sousa Oliveira e outros oficiais superiores.
Depois de ter passado revista à guarda de honra, comandada pelo capitão Sengo, o general Dias Costa, acompanhado pelas individualidades presentes, dirigiu-se para a tribuna de honra.
A iniciar as cerimónias, usou da palavra o comandante da Unidade, coronel Brochado de Miranda.
Em seguida, o alferes António José Monteiro Valente dirigiu uma exortação aos soldados alunos recrutas.
Procedeu-se, em seguida, ao acto solene do juramento perante a Bandeira.
Um aspecto da demonstração de manejo de arma a pé firme
Antes da entrega de prémios aos soldados alunos que mais se distinguiram durante a recruta, foram entregues diplomas a quatro oficiais pilotos aviadores que terminaram o curso de instrução complementar de pilotagem de aviões de caça, a 69 soldados cadetes que completaram cursos de formação de oficiais milicianos técnicos de abastecimentos e do serviço geral e a 301 soldados alunos que completaram cursos de formação de operadores ou de mecânicos de várias especialidades.
Seguiu-se o desfile das forças em parada, num total de 1.300 homens, comandados pelo tenente-coronel Raul Tomás, tendo como comandantes do Grupo de Instrução o major Noronha Botelho e da Escola de Recrutas o major Calheiros.
Findo o desfile fizeram-se demonstrações de manejo de armas a pé firme e em marcha, terminando as cerimónias com demonstrações de treino físico-militar e luta individual de aplicação militar”.

ALOCUÇÃO PROFERIDA PELO COMANDANTE DA B.A.2 – CORONEL BROCHADO DE MIRANDA

Coronel Brochado de Miranda
Tem a Base Aérea nº.2 merecido um apoio generoso no estímulo que sempre nos traz a presença, em cerimónias como a que acaba de iniciar-se, que tem vindo a decorrer três vezes em cada ano, dos mais autorizados expoentes da Força Aérea. E uma vez mais é meu privilégio saudar V. Exªs e apresentar-lhes cumprimentos de boas-vindas e ainda revelar a importância dessa presença no testemunho do Juramento que dentro de momentos se realizará. 
As palavras graves e solenes que lhe dão forma, plenas de significado, brotarão certamente com maior vibração, dignidade e emoção, calando mais profundamente no coração de quem as profere.
É bem sabido, mas não me parece inoportuno repetir, que nada é mais estimulante que o sentirmos que os chefes são sensíveis ao trabalho que produzimos e descem até nós para o apreciar. Podemos não ouvir palavras de apreço. É a sua presença o que sobretudo nos conforta.
Os Oficiais, Sargentos e Cabos responsáveis pela instrução dos soldados que farão esse Juramento e todos aqueles que nela intervieram de alguma forma, ficam recompensados pelo esforço dispendido que ultrapassou de muito o que vulgarmente é considerado como o normal cumprimento do dever.
Perante Vª. Exªs, formados em parada, estão 1.273 homens.
Prestam Juramento de fidelidade, subordinação e obediência à Pátria, à Lei e aos Chefes 412 soldados recrutas que terminaram um período intensivo de treino básico militar.
Foram submetidos a duras provas em que se procurou desenvolver a capacidade de resistência ao esforço físico, estimular a vontade para vencer dificuldades e despertar virtudes militares fundamentais.
Nesta parada irão executar alguns exercícios com que se pretende colorir a cerimónia e simultaneamente dar uma imagem do que foi parte da sua actividade durante 10 semanas de instrução.
Entrega de diplomas
O alinhamento das fileiras em marcha, o sincronismo do manejo de armas, o correcto uso do uniforme, o aprumo, etc, são manifestações de tradição militar que no conjunto constituem um veículo de motivação cujos resultados práticos são o desenvolvimento do espírito de corpo, a elevação do moral e a observância conscienciosa da disciplina. 
É com a maior alegria que hoje recebemos os seus mais próximos familiares e amigos. Será certamente com emoção e orgulho que dentro de momentos assistirão ao acto significativo em que adolescentes, com quem até agora se usou de complacência ao julgar um comportamento infantil ou atitude irresponsável, assumirão perante a Bandeira, com o nosso testemunho, um compromisso de homens responsáveis; em que jovens amantes da vida se comprometem publicamente a sacrificá-la se os interesses da Pátria assim o exigirem. 
Aproveita-se esta ocasião para se proceder à entrega de diplomas a quatro oficiais pilotos aviadores que terminaram o curso de instrução complementar de pilotagem de aviões de caça, a 69 soldados cadetes que completaram cursos de formação de oficiais milicianos técnicos de abastecimentos e do serviço geral e a 301 soldados alunos que completaram cursos de formação de operadores ou de mecânicos, de várias especialidades.
Vão agora ser distribuídos pelas unidades da Força Aérea na Metrópole e serão chamados dentro em breve a servir no Ultramar. 
Os conhecimentos que aqui adquiriram pouco mais são do que noções gerais e básicas para posterior aperfeiçoamento.
Um aspecto de luta corpo a corpo de aplicação militar
Sabendo-se que é na sua competência técnica e aprumo militar e moral que se apoia o sucesso das missões, de paz ou de guerra, para que lhes forem confiadas, não podem limitar-se a um indiferente cumprimento do dever mas sim colaborar com entusiasmo e combater a apatia, o desânimo e a descrença.
O sangue já derramado pelos que deram a vida pela Pátria exige de cada um a mais completa e incondicional dedicação e sacrifício.
Que deles se possa dizer o que Mouzinho de Albuquerque disse dos soldados do seu tempo: “essas poucas páginas consoladoras que há na História de Portugal contemporâneo escrevemo-las nós: os soldados, lá pelos sertões da África…Alguma coisa sofremos é certo; corremos perigos, passámos fomes e sedes…mas tudo suportámos de boa mente porque servíamos a Pátria e para outra coisa não anda neste mundo quem tem a honra de vestir uma farda”.

ALOCUÇÃO PROFERIDA PELO ALFERES ANTÓNIO JOSÉ MONTEIRO VALENTE

Alf. Antônio José M.Valente
Recrutas: 
O dia de hoje ficará, por certo, gravado para sempre na vossa memória, porquanto, dentro de poucos momentos, os vossos lábios irão pronunciar o sagrado Juramento que decisivamente unirá os vossos destinos ao da sagrada causa da Pátria; com ele, deixareis de pertencer exclusivamente à limitada família a que até agora tendes exclusivamente pertencido, e passareis a fazer parte também desta grande e valorosa Família, que são as Forças Armadas, devotadas desde sempre à defesa, ao progresso, ao bem-estar, e à tranquilidade da Nação. 
E quando vos alistastes como voluntários nas Forças Armadas, conseguistes um privilégio e uma honra que muitos acalentariam: servir na Força Aérea, onde tereis a melhor oportunidade de pôr o vosso esforço, a vossa inteligência, e os vossos conhecimentos ao serviço da Nação. 
Iniciastes há pouco na instrução de recrutas a vossa preparação militar, que hoje terminais; dentro de dias, iniciareis a segunda fase da vossa instrução, já mais técnica e complexa, e, não muitos meses volvidos, sereis considerados aptos, para, nas diversas Unidades da Força Aérea, quer da Metrópole, quer do Ultramar, para onde sereis nomeados, desempenhar as missões de que vos incumbirem, e pôr em prática os conhecimentos que aqui vos foram ministrados. Mais tarde, alguns anos volvidos, chegará a vez da rendição, e deixareis de ser militares; no entanto, a Nação espera que vós, como civis, a continueis a servir dentro dos mesmos princípios de dedicação, lealdade, e desinteresse, que aqui vos ensinamos. 
A Nação necessita, que vós sejais sempre elementos válidos e activos quer na sua defesa, quer no seu progresso; ela espera assim, que não seja em vão o vosso juramento, mas sim que saibais sempre ser fiéis cumpridores das palavras que, dentro de momentos, de braço estendido para a Bandeira, que é seu símbolo, ireis pronunciar. 
Ireis jurar defendê-la, numa altura em que, talvez como nunca na sua história, ela necessita de ser defendida à custa do esforço, do trabalho, do sacrifício, e até mesmo do sangue dos seus filhos; ireis jurar defender os seus interesses, onde quer que eles sejam lesados, nos pântanos da Guiné, nas acidentadas matas de Angola, ou nos agrestes e secos planaltos de Moçambique.
Não será, provavelmente, de armas na mão, que vós a ireis defender; no entanto, a vossa missão não deixará de ser mais importante, porquanto, sem o produto do vosso trabalho e do vosso saber, essas armas não poderão ser utilizadas. 
Ireis ainda, jurar ser bons cidadãos, uma vez cumprido o vosso serviço militar; cidadãos cumpridores das leis que pautam as relações entre os seus filhos, cidadãos que com o seu trabalho virão a contribuir para o seu progresso e segurança. 
É tudo isto, recrutas, que implica o solene Juramento que em breve fareis. Que o saibais cumprir, e que, de vós, também um dia se possa dizer: “DITOSA A PÁTRIA QUE TAIS FILHOS TEM”.

Notas: Recolha de informação na Revista “Mais Alto” nº. 137 – Setembro 1970
           

Até breve, o amigo :                                                                                    


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