sexta-feira, 16 de agosto de 2013

OS CROCODILOS DO ALTO CUITO


Ali, no rio do Alto Cuito, havia uma espécie de prancha que saía sobre o rio. Quando havia alguém que vinha ao rio mas não tomava banho, faziam-lhe a partida do crocodilo.
Os brincalhões do exército começavam a apontar para a água a dizer: "Lá vai ele! Lá vai ele!", "Olha, parou ali!", e mencionavam o tamanho "enorme" do bicho. Claro que não havia qualquer crocodilo naquela zona do rio. Havia mais acima e mais abaixo mas ali, com tanta gente todos os dias, os bichos ficavam o mais longe possível (sob pena de se transformarem em cintos, carteiras ou sapatos).
Ora, os curiosos visitantes que permaneciam na margem, ficavam em pulgas para avistar "o enorme crocodilo". "Onde? Onde?".
- "Ali, na outra margem. Perto das ervas."
Não era fácil de avistar o animal que... não existia.
E lá vinha a partida...
- "Sobe à prancha que já vez!"
O resto já se adivinha. Ainda os incautos não tinham chegado à ponta da prancha e já um dos brincalhões vinha sobre ele a grande velocidade e acabava tudo no rio. Um banho forçado, a provocar a galhofa geral.


Mas... e o crocodilo? Era ver os forçados banhistas a esbracejar, em grande velocidade, em direcção à margem, não fosse o crocodilo estar com fome.
Talvez fosse aqui imaginado o truque dos ilusionistas que caminham sobre a água. Os nossos... corriam !
 Eu corri ! (agora, rio...de riso!)

Texto e fotos de

EH-101 MERLIN



O AgustaWestland EH-101 é um dos helicópteros que surgiu do esforço de dois países, já que foi desenvolvido entre a Westland Heicopters, no Reino Unido e a Agusta, na Itália, para aplicações militares embora também seja usado no contexto civil. Em Novembro de 1979 formou-se uma empresa,a EHIndustries-para a gestão do projecto.
EH é uma abreviatura para Elicottero Helicopter, incorporando as palavras inglesa e italiana para o termo helicóptero. 
O nome EH101 tem uma história curiosa: inicialmente chamava-se EH-101, como referência ao facto de ser o primeiro projecto da empresa. Numa comunicação interna, uma secretária trocou o I por um1 e o nome ficou.
Este helicóptero de transporte médio, trimotor, com trem de aterragem triciclo, semi-retráctil, com rodas duplas em cada unidade e rotor principal de cinco pás.

A Força Aérea adquiriu 12 unidades deste EH-101 em três variantes distinta, com o objectivo de aplica-las a três tipos de missões diferentes. A frota consiste em seis unidades vocacionadas para busca e salvamento, duas dirigidas para a fiscalização das pescas e quatro para busca e o salvamento em combate.

O EH-101 possui flutuadores de emergência, dois barcos internos para 20 pessoas, um guincho secundário e é equipado com um radar de busca da Galileo, com a capacidade de identificar e monitorizar 32 alvos de superfície em simultâneo.
A recepção oficial deste helicóptero em Portugal decorreu a 24 de Fevereiro de 2005, na Base Aérea nº6 (B.A.6) no Montijo, sendo o culminar de um longo processo iniciado em 1992, com vista á passagem de testemunho do SA-330 Puma, uma aeronave que voou 36 anos ao serviço da Força Aérea nacional.
A grande exigência da Força Aérea, para helicóptero substituto do PUMA, dizia respeito à capacidade para atingir as ilhas atlânticas, Madeira e Açores, a partir do continente português.
Assim limitou-se logo a concorrência ao helicóptero norte – americano Sikorsky-S-92.
Embora se trate de um helicóptero naval, característica identificável pela capacidade de dobrar os rotores para facilmente caber num, hangar, consegue tanto ser utilizado sobre o mar, para operações de busca e salvamento, como servir de meio de transporte para o Exército. 
Os EH-101 portugueses têm a particularidade de serem as únicas aeronaves deste modelo pintadas com uma camuflagem táctica, em tons de verde e castanho.
São utilizados em missões de busca e salvamento, mantendo-se dois sempre em alerta de 30 minutos, a partir das bases aéreas do Montijo e das Lages, e um, em alerta de uma hora, a partir do aeroporto de Porto Santo.
Características da aeronave e tripulação:
A Tripulação é composta entre 3 a 5 homens

Comprimento…. 19,30 m
Altura …………   ....6,61 m
Envergadura…..18,60 m
Velocidade Máxima ....277 Km/h
Velocidade Cruzeiro    240 Km/h
Alcance Máximo.       740 Km
Autonomia Máxima   08H30
Tecto Máximo.15.000 ft
Tecto Serviço  10.000 ft
Potência5100 HP
Capacidade para 30 Passageiros
Capacidade de levar até 16Macas

Crédito: Euro Impala/Força Aérea Portuguesa

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

UMA HISTÓRIA QUE ME MARCOU - A MORTE DO FIALHO


Aeródromo-Base nº 4, tarde do dia 3 ou 4 de Outubro de 1969.
Ao balcão do bar do nosso Clube dos Especialistas, eu e o Carlos Fialho, mecânico de avião também. Conversámos e bebemos umas cervejas. No dia 5, feriado nacional também em Angola e por maioria de razão, passava-se o dia, relaxadamente, conversas, leituras, ou simplesmente deitados a olhar para o tecto da camarata.
             


A notícia caiu de chofre: o T-6 1792 despenhara-se perto de Teixeira de Sousa, com os ocupantes: o piloto e o mecânico.
Este era o Carlos Fialho, morto, completamente carbonizado, vi fotografias. Nunca mais fui o mesmo. Houve dias em que o álcool começou a ser um refúgio.


 



© João Tomaz Parreira

COSMONAUTICA 2

Os astros percorrem as suas órbitas no espaço por força de factores mecânicos que agem movimentando-as e orientando-as sobre as cosmonaves. Como sempre também neste caso, o homem limita-se a imitar a natureza.
             A perplexidade de John Glenn, um pioneiro do espaço
Como todo o mundo se recorda Johm Glenn foi o primeiro astronauta americano a tripular um satélite em voo órbital.

A profunda impressão que a fantástica aventura suscitou no espirito deste valoroso pioneiro, inspiram-lhe comentários, de elevado significado místico, entre os quais, por motivos que a seguir se explica, escolhemos o seguinte trecho, cuja tradução diz:

“Quando fui escolhido para o programa espacial, uma das primeiras coisas que me deram foi um folheto, contendo imensa informação sobre o espaço. Dois parágrafos, referentes à imensidão do Universo, deixaram-me muito impressionado. Para compreender esses parágrafos é preciso saber o que é um ano-luz. A luz viaja a 300.000 quilómetros por segundo, o que corresponde a cerca de sete voltas à Terra em cada segundo. Se orientarmos um raio de luz em linha recta e continuar a sua trajectória por um ano, a distância percorrida será de um ano-luz- o equivalente a nove triliões e meio de quilómetros.
Citarei agora um trecho sobre o nosso Universo.” Quando nos lembramos de que a nossa galáxia tem um diâmetro de cerca de 100.000 anos-luz e o Sol é uma estrela insignificante, a cerca de 30.000 anos-luz do centro da galáxia, demorando esta a efectuar uma rotação de conjunto sobre si mesma, de 200 milhões de anos, veremos como é difícil conceber a fabulosa escala do Universo para além do nosso sistema solar.
O Universo não acaba no espaço interestelar, pois há para além de milhões de outras galáxias, todas parecendo afastar-se umas das outras a velocidades fantásticas. Os limites do Universo, telescopicamente observáveis, estendem-se no mínimo a dois triliões de anos-luz de distância da Terra, em todas as direcções.”
Estes números mostram as fantásticas dimensões do universo em relação a nós.
Como se sabe os átomos são as menores partículas conhecidas, e têm também eles uma enorme semelhança como sistema solar e com o Universo: possuem electrões que giram em torno de um núcleo em ordens regulares.
Vejamos pois aonde quero chegar. É à ordem de todo o Universo, desde a menos estrutura atómica até à coisa mais gigantesca que se possa conceber: galáxias a milhões de anos-luz de distancia, viajando em orbitas exactamente determinadas, umas em relação às outras

Poderia tudo isto ter acontecido apenas por acaso?  
Teria sido por acidente que um punhado de refugo e destroços começou de repente a formar órbitas por conta própria?
Não posso acreditar.
Houve um plano definido. Essa é uma das grandes coisas do espaço que me prova que há  um Deus. 
Algum "Poder" colocou tudo isso em órbita e assim ficou.
Continua....

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

CACIMBADOS DO CAZOMBO


Eram dois bons companheiros do Norte, tripeiros de gema: sei que trazer esta história a público, identificando-os pelos próprios nomes, não os molesto em nada. Conhecedor que sou, dos seus humildes, mas nobres sentimentos, nunca me levariam a mal. Prefiro no entanto tratá-los por Zé Tó e Tó Zé, pois espicaço a vossa curiosidade para tentar identificá-los. Não andam por estes lados do FB, mas o Antonino já me deu os seus contactos. Quero um dia abraçá-los com aquele abraço que só os cazombeiros sabem dar. Cazombo, Julho de 72.

Depois do almoço e não tendo qualquer voo previsto, resolvi fazer uma “siesta” no alojamento reservado aos pilotos. Quem conheceu, deve lembrar-se que havia umas pequenas janelas altas, protegidas com rede anti-melga. Nas traseiras havia três , quatro cadeiras de esplanada, onde a malta se sentava a beber uma“cervejolas” e cavaquear um pouco. Enquanto passava pelas brasas, ia escutando a conversa entre os dois companheiros que referi.
Tó Zé:- tens umas botas porreiras pá!
Zé Tó;- pois tenho…
Tó Zé:- era gajo para “tas” comprar! Queres vender?
Zé Tó:-baah! Querias!!!
Tó Zé:-são porreiras vendes?
Zé Tó:-baah! Querias!!!
Tó Zé:-mas vendes ou não?
Zé Tó:-baah! Querias!!!

Acabei por adormecer: acordei cerca de uma hora depois. Enquanto passava um pouco de água pela cara ouvi:
Zé Tó:- querias!!!
Tó Zé:- anda lá pá, vende-me lá essa merda!
Zé Tó:- querias!!!
Sorri, vesti os calções e circundei o edifício para me juntar aos “bacanos”.
Boas, pessoal!
Oi, responderam em uníssono.
Tó Zé:- já viste que botas porreiras tem o Zé Tó?
Eu:- já! Se ele quisesse eu comprava!
Zé Tó:- também tu com a mesma conversa deste azeiteiro?
Querias!!!
Eu:- bom, vou lá dentro buscar uma cervejinha…
Zé Tó:- traz uma “pra” mim…
Eu:- Querias!!!
                     
Cinco e meia da tarde: O Sol já de tom alaranjado beijava o horizonte para lá do Cavungo, envergonhado e confundido com o cacimbo. O Zambeze na sua mansidão preparava-se para adormecer nos meandros, para lá da pista.
Nas mesas “jaziam” dezasseis garrafas de nocal prontas para ajudar o Natálio Parola a repor o vasilhame extraviado.
Á noite, depois do jantar, continuou o baile da cerveja no bar do meu amigo e conterrâneo Nogueira.
Caros Tó Zé e Zé Tó: sei que me perdoam esta “inconfidência”. Um dia destes, numa qualquer esplanada da Foz, havemos de nos rir um pouco. ABRAÇO



quarta-feira, 31 de julho de 2013

COSMONAUTICA 1

                                     HERÓIS DO ESPAÇO

O primeiro homem a viajar pelo espaço

Yuri Aleksevitch Gagarin 


O primeiro cosmonauta do Mundo a voar em voo orbital foi o russo Yuri  Gagarin, como nos recordamos.Era então um Major de 27 anos, quando no dia 12 de Abril de 1961, tripulando a cosmonave “Vostok 1”, impelida por um poderoso foguete RD 107 (de 5.200kg) que circulou o globo terrestre em 1 hora e 48 minutos.

John Herschel Glenn
John Glenn aos 77 anos, quando foi pela segunda vez ao espaço, como tripulante do ônibus espacial Discovery.
Foi o tenente- coronel John Glenn, que no dia 20 de Fevereiro de 1962, tripulando uma nava “Mercury” – baptizada de “Friendship 7” (Amizade 7), realizou um voo orbital, efectuando três voltas em torno da Terra, acabando por pousar 250 quilómetros da ilhMalcolma do Grande Turco, nas Bahamas.
John Glenn esteve no espaço 9 dias2 horas e 39 minutos
Malcolm Scott Carpenter

O Comandante Scott Carpenter no dia 24 de Maio de 1962, também efectuou um voo orbital de três voltas em torno da Terra.
Scott Carpenter permaneceu no espaço 4horas e 56 minutos

Walter 'Wally' Marty Schirra Jr
No mesmo ano ainda, no dia 3 de Outubro 1962 O comandante ‘Wally’ Schirra foi ao espaço pela primeira vez na nave Sigma 7, para uma missão de seis órbitas em volta de Terra
Walter Schirra esteve no espaço 9 horas e 13 minutos

Alan Barlett Shepard, Jr

Já anteriormente os americanos haviam realizado dois voos sub -orbitais: um a 5 de Maio de 1961, na cosmonave “Mercury”, a- “Freedom 7”( Liberdade 7),tripuladada pelo comandante, Alan Shepard.
Alan Shepard esteve no espaço 216 horas e 57 minutos


Virgil Ivan Grissom

O outro voo foi efectuado pelo capitão Virgil Grisson no dia 21 de Julho do mesmo ano, numa cosmonave também “Mercury”, o “Liberty Bell 7 (Sino da Liberdade)
Virgil Grisson esteve no espaço 5 horas e 7 minuto Note-se todavia, que o voo suborbital não é, propriamente, um voo cosmonáutico. O voo suborbital assemelha-se a trajectória balística clássica. O satélite é lançado a grande altura por um foguete, e volta a cair sem chegar a completar uma volta em torno da Terra. A NASA serviu-se deste tipo de experiencia para adquirir o domínio necessário para a seguir, lançar cosmonautas em voo orbital.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

ALOUETTE III, COMBATENTE INCANSÁVEL


Alouette III, transportador incansável, digo isto por, no ano de 1972, um camarada piloto de helicópteros, por muito que rebusque não dou com o rosto, e, confesso, muito me agradaria lembrar-me, mas recordo a situação que era de fome futura no AM 44 - Cazombo.
A urgência aconselhou-me o pedido de socorro. 
Saímos, dinheiro no bolso, um grande saco de sal, vinho branco, e G3 na mão.
Encontrámos umas vacas e o respectivo vaqueiro e o negócio fez-se, financeiramente não correu mal, o sal e o vinho bastaram, um tiro acalmou a transportada e tornou o transporte mais seguro. Pendurada no patim, embora sem certificação sanitária, acabou no nosso prato, graças à disponibilidade de um camarada piloto e da sua máquina.
Não me lembro, talvez este tenha sido o último helicóptero sediado no Cazombo em regime de destacamento. 
Tenho alguns amigos entre o pessoal dos helicópteros, do P2 de 69, foram muitos os escolhidos para esta aeronave, daí a inserção desta recordação nada heróica, porém meritória - HELI não era só transporte de guerreiros, evacuação de feridos, transporte de VIPs, apoio de Heli canhão às tropas em terra, foi também transporte de viandas. 

Abraço a todos.




         

sexta-feira, 19 de julho de 2013

O ACIDENTE DOS HELIS 9255 e 9361, DE 28 DE MARÇO DE 1974

Hermínio Baptista, Comandante dos Saltimbancos, amigo do Restelo desde 1955, vivíamos a cerca de 50 metros, janelas com janelas.
 Foto de Benjamim Almeida da C.Art. 6551
Desse dia, 28 de Março de 1974, fica esta dor maior, mais profunda por ter aterrado no meio da mata para recuperar os dois corpos e levá-los para o Hospital do Luso.
Depois, e porque o Passos Cruz ficou abalado e incapaz de voar, foi preciso que o Vasco Torre do Vale, que já tinha mais de 50 horas nesse mês - dia 28 - e o Zé Ramos, com as malas de fim de comissão já feitas, pegassem em duas máquinas e se juntassem ao João Cavaleiro, ao Flávio Llorent e a mim, com apoio dos T6, e fôssemos tirar da mata a companhia de comandos que já não tinha comida e andava às voltas com a UNITA.
Tudo começou 2 ou 3 dias antes, quando, em operação, e com uma formação semelhante, se acendeu a luz de temperatura da BTP. Aterrei, o MMA viu que não havia fuga de óleo e prossegui até ao Luso.
Num dos dois dias seguintes a máquina foi dada como pronta e fui fazer o voo de experiência, puxei até não poder mais e a luz não acendeu novamente.
No dia 28 descolámos à 06:00h e às 06:20h a luz acendeu novamente, o Hermínio Baptista disse, "já estava a espera"; aterrei para fazer a verificação. Eu ia a 1 por ser o mais antigo na zona e o Moutinho, que ia a 2, ficou a 1, o Hermínio Baptista, na "fisga"(canhão), deu instruções para 360º. pela esquerda.

Ouvi um "atenção!" e depois silêncio geral.
Um dos outros reportou que parecia que tinha havido um acidente, descolei do buraco e não vi ninguém, só depois percebi que os três - Cavaleiro, Llorent e Passos Cruz - iam em direcção ao caminho de ferro, tendo aterrado.
Juntei-me a eles, que ficaram no solo a comunicar o sucedido e fui, com o MMA, recuperar os corpos do Baptista e julgo que do Martinez, pois os outros três estavam em local inacessível. Levei-os directamente para o hospital.
Àquela hora o sol estava baixo, e voávamos de Leste para Oeste, quando fizeram os 360º, o Moutinho ficou com o sol de frente e não viu o Baptista, que ainda não tinha iniciado a volta, pois vinha a fechar a formação.

Por:



 




Nota dos editores, neste acidente faleceram os seguintes companheiros: 


Descansem em paz !

sexta-feira, 12 de julho de 2013

O FESTIVAL ÁEREO DE BRAGA


Uns dias antes, fui designado para fazer acrobacia "solo", pelo então Ten.Pil.Nav. António José Alves Pereira(O thef). 
Fui de S.Jacinto a Palmeira no 1375, novinho, (a quem eu tinha "tirado a virgindade"), para "reconhecer" o Aeródromo...hihihihihihi eu estava fartinho, mais o Manelito Caridade, de ir lá, "comer os malmequeres e partir os penicos de barro"...o Caridade ficava em Vila Verde e eu ia uns 3Kms mais a norte - ao Pico de Regalados - "voar debaixo das árvores"...depois regressávamos à BA7. 
No "reconhecimento" a Palmeira, conheci lá o Maj. Pil. Nav. Canavilhas, um "bom garfo e melhor copo" (pai da Canavilhas pianista, ex-ministra da educação), que me aconselhou a não "entornar muito verdasco", porque fazia mal...diz o roto ao nu...eu fui criado a mamar tintol verdasco das tetas da minha velhota (que Deus a tenha lá, à minha espera até um dia destes...) e tive logo um "professor a dar lições"...hihihihihihi.*


No dia 23Jun1960 (Chipça, como isso já vai tão longe!!!), 5 "chikapuns" da BA7 arribam ao Aeródromo de Palmeira, fazem várias passagens, saio da formação e começa a "cena"...estava um calor do caneco, fiz as figuras com mais "pastilha" (à cause des mouches...) do que o normal mas, num dado momento, ao querer enrolar um "tonneau" baixo prà direita, o passarinho não quis e eu não tive outro remédio senão reenrolá-lo prà "escanherda" e o bicho lá obedeceu; voltei a subir, fiz mais umas piruetas e aterrei.
O pior estava para vir: o Cor.Pil.Av. Magro, comandante da BA7, chamou-me e mandou-me agradecer os aplausos (eu que não tinha ouvido nada...nem tinha jeito para papagaio, lá consegui dizer meia dúzia de "pópós seguidos") mas, confesso, a coisa não saiu lá muito janota...enfim, entre mortos e feridos, lá escapei...
A seguir, fomos todos para a farra em Braga: foi de tal ordem que ficámos todos com as velas encharcadas, a malta na cidade não nos largava e só sei que fomos dormir, bem "entornados"(?), num lar, na Rua dos Capelistas, até à saída para S. Jacinto; estava toda a malta com os "olhos cheios de teias de aranha" e não dava com o rumo para a Base...valeu-nos a Zanaga de Paços de Ferreira !!! O pessoal da "Bracara Augusta"(Gente Fina, claro!!!) não teve mais o que nos fazer!!! Nunca mais esquecerei essa façanha!!!
Eis aqui, ao fim de 50 anos, o relato das façanhas deste jovem de quase 73 primaveras...éramos todos novos, cheios de sangue na guelra, mas com uma carola do caneco, própria de quem no inverno, com 4 "Chips" em coluna, se metia, voando abaixo das copas dos amieiros, no Rio Novo do Príncipe, a tocar com as rodas na água (eu era sempre o nº.4, a levar com o óleo do nº.3 no focinho...), só para pregar um valente cagaço às mulheres que estavam a lavar, com a água pelos joelhos, no açude (pesqueira) mais adiante...já alguém imaginou estar a lavar e, de repente, aparecem 4 malucos, às 8:30 da manhã, a rapar-lhes a cabeça? E as molhas que elas apanhavam ao cair à água gelada?...coitadas das nossas mãezinhas, foram tão insultadas...enfim, eu hoje NUNCA faria isso, claro!!!
Abraços deste "aeronauta malfeitor" que um dia se "curou" destas maldades... 
Se a minha memória não falha, os "abuadores" eram: Pinho, Hélio Moura, Malheiros e Lima (Ten. Acabado e Ten. Alves Pereira não entraram nas "figurinhas", mas o "Thef" esteve em contacto-rádio comigo durante as mesmas) 
Fomos até à cidade e depois foi uma "desgraça"...hihihihihihihihihi
Bons velhos tempos !!!

A BA7 deu-nos muita experiência; serviu-nos muito para, em 1964, andarmos a "guerrear" nas matas de Angola...mas, isso é outra história!!!

Abraços do Anibal Pinho
Piloto 60/70, na FAP; de 71 a 2000 na TAP(em 97 reintegrado na FAP)
 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

FOI HÁ QUASE 38 ANOS - O FIM DO AB4 I


O AB4 fecharia as suas "portas portuguesas" daí a dias/semanas: esta fotografia foi tirada exactamente em fins de Julho75, já a Base/arredores era um imenso acampamento civil-militar, com problemas mil e uma confusão que só Deus sabe.
Quem se lembra deste "mercedes": o do comando, dos comandantes, Pereira, Sachetti, Negrão, Sampaio, Oliveira…!
Coube-me em ‘sortes’ nas últimas semanas de AB4.
Um luxo ao lado das desgraças. 
O "take" foi feito dentro da Base a nascente do Comd/CA/Secretaria e lá atrás está o Cap. SG….. não consigo recordar e que coordenou a secretaria nos últimos dias-AB4.
O Maj. Fermeiro preferia o "seu" Jeep e, daí, depois de me ter desfeito do meu carocha VW, branco-irrepreensível, ter direito a esta "preciosidade" alemã.
O Fermeiro Pilav, foi o último "comandante". Tenho algures uma fotografia com ele .Virá a seguir.
Os dias e noites eram de instabilidade permanente e as "directas" eram normais, apesar de prolongados serões com cerveja e algumas iguarias restantes..
O princípio-do-fim do AB4 foi exactamente em 12 de Junho noite de Santo António. 28 horas ininterruptas de "fogo" que de artifício nada tinham. 
Foram horas, semanas, por vezes dramáticas e assustadoras; não mais a malta se pôde "ir à cidade" de Henrique Carvalho…Só pontualmente mas em coluna militar com pré–aviso aos senhores da Fnla, Mpla e Unita.
Até breve.