sexta-feira, 31 de março de 2017

O C 45 – BEECHCRAFT, PELO CAP. FERNANDO MOUTINHO

O 2520 na BA9
C-45 – Beechcraft ou carinhosamente o BC.
Aqui está um caso especial na minha experiência.
Este avião era conhecido como o avião dos “coronéis”. Era um avião pacifico e simples de voar. Só a aterragem era mais sensível.
Totalizei neste avião 391:15 horas. A maioria foram as efectuadas em Angola entre 1968 a 1972. Antes tinha efectuado alguns voos a 2º. piloto mas sem conhecimentos do avião. Ia lá só para ocupar o lugar. Como parodiávamos, “a saco de batatas”.
Em Angola, o Comandante da Região Aérea Gen. Almeida Viana gostava de pilotar o BC mas, como dizia que já era velho, precisava de alguém com experiência para o acompanhar. Daí, terem sido largados 2 pilotos. 
Acabei por ser eu o preferido.
Após ser largado comecei a tentar conhecer o avião - “vícios” do passado. Consegui obter uma T.O. (Livro de Instruções) na Delegação das OGMA e comecei a ler e a tentar aplicar o que lia. Com o tempo arranjei 4 livros de origens diferentes. 
A minha primeira surpresa deu-se com a potência de cruzeiro. 
Sempre vi ser utilizada: 25 HG pressão de admissão e 2.000 rotações. Ora o Livro não dizia nada disto mas sim: 28 a 30 HG e 1700/1800 rpm dependendo do peso. Mal comparado, isto significava mais ou menos, utilizarmos sempre a 3ª. velocidade num automóvel. O resultado era que o avião andava menos e gastava muito mais.
Exemplo: normalmente, para se ir de Luanda a Henrique de Carvalho ou Luso fazia-se escala em Malange para reabastecimento.
Comecei a fazer um trabalho de aperfeiçoamento que incluiu mexer em tudo que possibilitasse aumentar o alcance, desde mistura, persianas do motor, verificação da fiabilidade dos indicadores de combustível – para isso sequei os depósitos para saber quando tempo após o “zero” realmente faltava o “petróleo”. E, uma coisa muito importante – a altitude de voo. Era normal fazerem-se voos entre 3.000 a 5.000 pés. Passei a voar, para distâncias mais longas, a altitudes entre 10.000 e 12.000 pés. A esta altitude, a velocidade ao solo era bastante mais elevada e o consumo bastante mais reduzido. 
Consegui…optimizar a máquina.
Quando se ia a Cabinda abastecia-se lá. Pouco depois ia e regressava sem o fazer. Ir a Henrique de Carvalho ou Luso passaram a ser voos directos. Idem para Silva Porto, Serpa Pinto, etc. O troço mais longo que fiz sem reabastecer foi Luanda/Cazombo (saliência junto à Zâmbia).
O sucesso foi tal que os pilotos que voavam o BC no Negage, vieram encontrar-se comigo para saber o “segredo”. Eu disse-lhes: muito simples, sigo a T.O.
A maioria dos voos que fazia era com o Gen. Almeida Viana que entretanto foi nomeado Comandante-Chefe de Angola. Na prática era o seu piloto particular. 
Todos os voos eram importantes. Eram missões especiais e quase sempre diferentes. Há um voo que ficou profundamente gravado na memória.
A 31 de Dezembro de 1969, o Gen. Almeida Viana resolveu ir passar a noite de Fim do Ano
Mucusso
com os militares que estavam aquartelados, na Coutada do Mucusso, no extremo sudeste de Angola junto à fronteira da África do Sul.
Saímos de Luanda, reabastecemos em Silva Porto, confraternizamos com os marinheiros em Vila Nova do Armada (sul do Cuito Cuanavale) e daí para a Coutada do Mucusso. Tempo de voo 5:10.
No dia seguinte: descolagem do Mucusso, com paragens em locais onde havia destacamentos militares, a saber: Luenge, daqui para o Cuito Cuanavale, Gago Coutinho e Luso. Mais 4:05 horas.
Esta Missão de Fim de Ano, teve por finalidade, confraternizar com os que mais longe e mais isolados estavam. Foi um êxito.
Os Voos com o Gen. Almeida Viana nunca foram voos fastidiosos. Até foram empolgantes em várias ocasiões.
Vivemos aventuras interessantes.
Excelente “máquina”. 
Nunca me deu problemas.
Tenho saudades dela. Vaidades….

Por especial deferência do
Sr.Cap.Pil.Fernando Moutinho





sexta-feira, 24 de março de 2017

TRINITÁ


Verdade, este capacete pertenceu ao grande piloto Alfredo Anacleto dos Santos, que fez o favor de ser meu amigo. 
Uns meses atrás um nosso camarada do AB4 entrou em contacto comigo para eu ficar com o capacete, voei algumas vezes com o Alfredo. 
Na primeira vez o T6 não quis bloquear o trem lado direito. Naquela tarde de Agosto 1974, tudo parecia ir correr mal, mas com tipos de fibra como o Alfredo tudo se resolve. Ainda hoje lembro, quando me perguntou como achava que devíamos aterrar, com o trem esquerdo ou sem trem. 
A resposta minha foi: aterra esta m...... e vamos ao bar virar umas canecas, tu decides e vamos a isto, ok! Vai só com lado esquerdo bloqueado.
Mensagem passada á Torre tudo apostos na pista e já está, avião no chão eu a cavar do cockpit não fosse aquilo incendiar e o Alfredo nas calmas a escrever no livro do avião, uma pequena amolgadela no flap lado direito.
Dia seguinte avião reparado. Há anilhas de chapa pequeninas mas muito perigosas, com as acrobacias uma encaixou-se no mecanismo de bloqueamento do trem, era impossível bloquear em voo. De novo a mesma equipa, Alfredo e mecânico para testar em voo se estava tudo a funcionar, mais uma dúzia de acrobacias e trabalho feito.

Dia 1 de Fevereiro quarta-feira passada, o CAPACETE foi entregue á família do Alfredo, por mim, em Torres Vedras. Foi com um nó na garganta que falei sobre ele e a nossa amizade, os bons nunca morrem, obrigado Anacleto serás eterno na minha recordação. 

Por:


quarta-feira, 15 de março de 2017

VISITA A ANGOLA DO SECRETÁRIO DE ESTADO DA AERONÁUTICA - JULHO DE 1971


VISITA A ANGOLA DO SECRETÁRIO DE ESTADO DA AERONÁUTICA

 Julho de 1971

Em visita às instalações da Força Aérea, em Angola, esteve naquela Província, de 12 a 21 de Julho de 1971, o Secretário de Estado da Aeronáutica, brigadeiro Pereira do Nascimento.

PALAVRAS PROFERIDAS PELO SECRETÁRIO DE ESTADO DA AERONÁUTICA À CHEGADA A LUANDA

SEA cumprimenta os oficiais da FAP 
presentes à sua chegada a Luanda
“De há muito que tinha o desejo de visitar os Comandos e Unidades Ultramarinas da FA.
No entanto só agora foi possível dar-lhe concretização, começando por esta maravilhosa Angola, onde irei permanecer alguns dias em visita de trabalho para conhecer directamente o desenvolvimento, estado operacional, implementação dos planos gerais e as medidas a tomar para que a Força Aérea continue a melhorar a sua eficácia e rendimento.
Mas esta visita quer ser também uma demonstração de apreço, admiração e confiança a todo o pessoal da Força Aérea em Angola, oficiais, sargentos, praças e civis, que com tanto entusiasmo, generosidade, abnegação, espírito de bem servir e valor cumpre de forma tão destacada a missão que lhe incumbe.
Ao iniciar esta minha visita a Angola lhes endereço as mais cordiais saudações.
O SEA na BA9 – LUANDA, acompanhado pelo general Simão Portugal, pelo comandante da Unidade e oficiais que ali prestavam serviço


Também saúdo com muito afecto o pessoal dos outros ramos das Forças Armadas e das Forças militarizadas que com igual abnegação e patriotismo se dão à defesa da integridade da Nação.
Quero ainda englobar nesta minha saudação toda a população da Província, de todas as raças, cores e religiões que tão proficuamente labutam para o progresso social e económico desta bela e portuguesa Angola, contribuindo para manter mais coesa e mais forte a unidade da Pátria.
Finalmente aos órgãos de informação da Província nas pessoas dos seus representantes aqui presentes, eu quero deixar uma saudação de simpatia pelo vosso árduo labor no difícil empenho de informar sempre correcta e objectivamente.
No AB3 Negage, passando revista á guarda de honra






















Visitando a enfermaria e na messe de oficiais

DISCURSO PROFERIDO PELO SECRETÁRIO DE ESTADO DA AERONÁUTICA NO BANQUETE OFERECIDO PELO GOVERNADOR-GERAL DE ANGOLA

Parece-me interessante fazer notar que a história da Aeronáutica Militar desde os seus primórdios está muito ligada a Angola.
Desde o princípio do século, sempre que nas fronteiras de Angola o inimigo fomentou rebeliões tribais ou, nos tempos actuais, a eclosão do terrorismo os meios aéreos foram reconhecidos como indispensáveis.
Assim já em 1905 foi decidido comprar material de aerostação para acompanhar a expedição ao Cunene.
Com a entrada de Portugal na 2ª Grande Guerra, de novo sul de Angola se encontrava ameaçada.
Com decisão e rapidez assinaláveis foi criada e organizada uma esquadrilha de aviação destinada ao serviço de ocupação e reconhecimento na província de Angola.
Foi a Esquadrilha de Lubango que não chegou a actuar.
AB4 – HENRIQUE DE CARVALO – Brigadeiro Pereira do Nascimento, cumprimenta o comandante da Base Ten.Cor. Wilton Pereira, o Governador da Lunda Ten.Cor. Soares Carneiro e o Comandante interino do sector


Três anos mais tarde (1921) foi transferida para o Huambo (Nova Lisboa), vindo a transformar-se nos serviços de aviação militar de Angola, também de vida efémera, pois em 26 de Fevereiro de 1924 foi provisoriamente extinto por circunstâncias inteiramente estranhas à aviação militar.
É desse tempo, no entanto, a ideia da criação de carreiras aéreas regulares que ligassem os centros mais distantes de Angola e mesmo até Moçambique.
De todo o pessoal expedicionário apenas ficou voluntariamente o tenente Emílio de Carvalho com um único objectivo: conseguir o ressurgimento da aviação militar na Província, concorrer para a aproximação de todos os portugueses espalhados em Angola.
Visitando as oficinas de rádio do AB4


Morreu voando num voo nocturno em Luanda a 13 de Novembro de 1924.
Creio haver uma dívida de gratidão em aberto para com o tenente piloto aviador Emílio de Carvalho.
A partir de 1958 sob a esclarecida visão do Subsecretário de Estado da Aeronáutica, coronel Kaúlza de Arriaga, começou a estruturar-se a implantação da Força Aérea em Angola.
Quando em 13 de Abril de 1961, o Presidente Salazar declarava em alocução célebre:
“Andar rapidamente e em força é o objectivo que vai pôr à prova a nossa capacidade de decisão”.
A Força Aérea poderia sentir-se legitimamente satisfeita pois estava desde o eclodir do terrorismo, contribuindo de forma essencial para a sua neutralização.
E Vossa Excelência, Senhor Governador-Geral, pôde assinalá-lo pessoalmente.
Chegada ao destacamento do Cuito Cuanavale, cumprimentando o pessoal


Reporto-me ao dia 2 de Abril de 1961, domingo de Páscoa, em que Vossa Excelência, Governador de Uíge, comandava um batalhão na serra do Encoge. Entre Vila Viçosa e Cólua tropas suas tinham sofrido fortes emboscadas.
A Força Aérea deu o apoio que lhe foi possível. Às 11 h da noite os seus homens estão novamente em Vila Viçosa depois de 14 h de esforço desgastante em marchas e empenhamentos de combate e vão finalmente comer uma refeição quente.
Vossa Excelência aproxima-se e entrega-lhes um dos volumes que os aviões da Força Aérea lançaram.
Eram doces e amêndoas de Páscoa que a Força Aérea trouxera aos bravos camaradas do Exército como lembrança sugestiva das terras e famílias distantes.
Chegada ao destacamento do Cazombo, cumprimentando o Governador do Moxico e visitando a central elétrica.


Duma carta de Vossa Excelência sobre os acontecimentos desse dia permita-me que a leia:
“Lamento não poder transmitir a grande emoção e sentimento de apoio que sentimos quando após a emboscada e já na povoação de Cólua vimos aparecer a Força Aérea. Só quem realmente viveu o transe poderá sentir emoção tão viva e consoladora”.
Não quis deixar de recordar, pormenor que muito sensibilizou, o apreço que nessa ocasião merecemos do então governador do Uíge.
E é de elementar justiça referir o apoio incondicional que Vossa Excelência sempre tem continuado a conceder aos assuntos relacionados com a Força Aérea e que muito nos desvanece.
Em visita do destacamento do Luso, passando revista á guarda de honra


Senhor Governador Geral, a acção extraordinária de Vossa Excelência como Governador do Uíge, durante 5 anos desde a eclosão do terrorismo e a partir de Outubro de 1966 como Governador-geral deixará o seu nome indelevelmente ligado à história de Portugal.
A promoção social das populações, o fomento da educação, a criação de riquezas, a saúde, a assistência a par do robustecimento da unidade nacional, tem merecido da Vossa Excelência interesse desvelado, intenso e profícuo.
Não é tarefa fácil a elevadíssima função em que Vossa Excelência está investido, uma vez que a subversão fomentada, alimentada e apoiada além-fronteiras não permite abrandamento nos cuidados e vigilância.
Mas do mesmo modo que nos alvores da nacionalidade as fronteiras vigiavam e davam luta sem quartel aos que se infiltravam para raziar, enquanto as restantes gentes se ocupavam nos misteres pacíficos que contribuíam para o progresso e bem-estar da Nação. Assim agora as Forças Armadas estão atentas para que esta portentosa e portuguesíssima Angola se desenvolva e progrida para bem-estar e prosperidade de todos os seus filhos. 
Senhor Governador-geral
Minhas Senhoras. Senhores:
Sinto que tenho abusado da vossa paciência, mas vou terminar com um hino de fé e de confiança no futuro de Angola, de Portugal, transcrevendo palavras de um discurso do senhor presidente do Conselho, professor Marcello Caetano, na sua histórica visita de Abril de 1969:
 “ O segredo do triunfo está no vigor da vontade de vencer. Angola, a Angola-portuguesa, o Portugal-angolano tem um futuro radioso na sua frente: é um futuro que está à vista e que todos juntos os portugueses havemos de conquistar para lição do mundo, para bem da África, para glória e exaltação de Portugal”.
Elevo a minha taça e peço para que me acompanhem num duplo brinde:
- Pela nossa Pátria una e pelo seu venerando Chefe de Estado.
- Por Vossa Excelência, Senhor Governador-geral, por todos os seus, pelas suas felicidades pessoais e de Governo.
Cumprimentos á despedida de Luanda












PALAVRAS PROFERIDAS PELO SECRETÁRIO DE ESTADO DA AERONÁUTICA À SUA CHEGADA A LISBOA













Percorri todos os quadrantes da Província em visita às instalações da Força Aérea e por toda a parte pude verificar com muita satisfação o excelente espírito de corpo, elevado moral, apurado sentido de disciplina e consciente determinação de bem servir de todo o pessoal, bem como a forma rigorosa e exacta como os programas vão sendo cumpridos, segundo os planeamentos previamente elaborados.
Pude também verificar e apraz-me manifestá-lo publicamente o excelente ritmo de desenvolvimento económico e social de Angola.
A promoção social das populações, o fomento da educação, a criação de riqueza, a saúde, a assistência a par do robustecimento da unidade nacional são as linhas mestras e já bem visíveis desse desenvolvimento para bem-estar e prosperidade de todas as gentes em referir quanto me sensibilizaram as inultrapassáveis provas de simpatia, amizade, hospitalidade e gentileza da parte de Sua Excelência o Governador-geral, os governadores de distrito, altas entidades civis, militares e religiosas, restantes forças vivas e populações que contactei. De novo lhes reitero o mais sincero agradecimento.

Notas: Recolha de informação na Revista “Mais Alto” nº. 148 – Agosto 1971
           

Até breve                                                                                    
O amigo


Da Série:




sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

COSMONAUTICA 4

                                     A ILUSÃO DA HARMONIA CÓSMICA
                         Regressemos ao princípio, para aquilo que chamarei harmonia e ilusão cósmica.


                                                     Se o vácuo no espaço fosse perfeito



  Vista panorâmica de todo o céu no infravermelho próximo revela a distribuição de galáxias além da Via Láctea. A imagem foi obtida do catálogo 2MASS, com mais de 1,5 milhões de galáxias e o Point Source Catalog (PSC), com cera de 500 milhões de estrelas na Via Láctea. As galáxias estão representadas por cores associadas a seu desvio. As azuis  são as de fontes mais próximas, as verdes estão a distâncias mais moderadas e as vermelhas são as mais distantes.

Se não existissem no espaço exterior infinitas extensões de resíduos aquando da fase caótica do Universo (aerólitos, meteoritos, poeiras cósmicas, etc.) que constantemente foram chocando com os astros e os sobrecarregaram pouco a pouco. Quando colidem com a atmosfera terrestre tornam-se incandescentes, por causa do atrito, e são chamadas de “estrelas candentes”.

Se os astros, especialmente as estrelas, não estivessem permanentemente em estado de actividade, tanto química como física, interna, o que lhes modifica a massa e provoca a rotura do seu equilíbrio dando lugar ao fenómeno, por exemplo de uma “NOVA” que é a explosão de uma estrela, isto é um novo sol...

SE complexos fenómenos termodinâmicos não estivessem sempre alterando o estado energético global do Universo, provocando a degradação da energia, segundo um processo designado em Física por entropia.


 Para medir o grau de desordem de um sistema, foi definida a grandeza termodinâmica.

Unidade de grandeza termodinâmica(J/K-joules por kelvin) usada para medir a parcela de energia que não pode mais ser transformada em trabalho à dada temperatura e pressão. O melhor exemplo é o do gelo que derrete e passa de sólido a liquido num copo.

Para melhor se entender, analisemos estes recipientes
 

   






Recipiente 1: mais organizado, menor entropia; Recipiente 2: menos organizado, maior entropia

Se....se....se.. etc..

Se não fossem todos estes “SES”, o Universo encontrava-se num estado perfeito de equilíbrio e seria ETERNO.
Porém, nesta situação, a Vida não seria possível.Num Universo perfeitamente equilibrado não haveria produção de energia, e sem energia não é possível a Vida.
Por paradoxal que pareça, temos de chegar à conclusão de que a Vida só é viável num Universo que morre lentamente.

A Vida e a Eternidade são, obviamente, factos completamente antagónicos.
Contudo, aparentemente, tivemos o cuidado de dar ênfase à aparente harmonia que apresenta o Cosmos em que existimos, reina a maior ordem entre os astros, no espaço cósmico.
A Terra por exemplo, vai sofrendo a sobrecarga de aerólitos, meteoritos, poeiras cósmicas que vai recolhendo durante o seu imenso percurso sideral.Pouco a pouco os astrónomos foram-se apercebendo de discrepâncias reveladoras nos movimentos dos astros que observavam.
As marés exercem um efeito de travagem no movimento de rotação do nosso planeta.

Por estas e muitas outras razões,muito "lentamente" a órbita da Terra, em relação ao Sol,vai-se modificando.
Podemos pois, ver o Universo em duas perspectivas:

CAOS  E HARMONIA.
Outra, a de que o Tempo é relativo à escala do "Observador", modificando aparentemente o estado do Universo em que existimos.Uma das perspectivas é da imensidão do tempo passado até surgir a vida e o arranjo, relativo,que fatalmente se deu por obra do acaso e das forças "cegas" em presença.
Se tivéssemos a possibilidade entabular um dialogo  com um "Observador"de dimensões colossais, com muitos milhões de milhões de anos, com uma percepção temporal muito diferente da nossa,e lhe disséssemos da perfeita  harmonia do universo, ele chamar-nos-ia loucos e diria que era perfeitamente o contrário, pois o Universo é um autentico Caos, com todos os astros a precipitarem-se uns sobre outros,num autentico turbilhão de destruição.

Mas se pelo contrário, se conseguíssemos falar com um indivíduo que vivesse num átomo, e como tal nessa escala, durasse  uma fracção de segundo, ele afirmaria que os astros, depois de observados atentamente por poderosos telescópios,que poderia dispor, que o Cosmos é estático, invariável e como tal,  ETERNO.
É pois através de duas perspectivas que poderemos compreender melhor o significado, em última análise, a harmonia do Universo, que tanto surpreendeu John Glenn, assim como um número imenso de pessoas ao longo de várias gerações.


O Tempo foi para nós a varinha de condão que ilusoriamente transformou o Caos em Cosmos.

E a Vida só foi possível numa escala tal, temporal e espacial, que conferisse ao Universo uma harmonia relativa, suficiente à sua viabilidade.

Por: Aníbal de Oliveira




segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

BA2 OTA - JURAMENTO DE BANDEIRA DA ER 1ª./71





B.A. Nº. 2 – OTA – 30/ABRIL/1971
Juramento de Bandeira da Escola de Recrutas 1/71

Em 30 de Abril de 1971 realizou-se na Base Aérea nº. 2 a cerimónia do Juramento de Bandeira da Escola de Recrutas 1/71.
Individualidades presentes na tribuna
Presidiu o Secretário de Estado da Aeronáutica, brigadeiro Pereira do Nascimento. Presentes também o Chefe do Estado Maior da Força Aérea, general Tello Polleri; o subchefe do Estado Maior da Força Aérea, general Norton Brandão; o director do Serviço de Instrução, brigadeiro Diogo Neto; o chefe do Gabinete do Secretário de Estado da Aeronáutica, brigadeiro Alberto Bastos e outros oficiais.
Depois de prestadas as honras militares pela esquadra de Instruendos, as cerimónias iniciaram-se com o discurso proferido pelo comandante da Unidade, que noutro local transcrevemos. A proceder o acto do juramento o aspirante Avelar Pinho leu a alocução que reproduzimos adiante.
Seguiu-se a distribuição de prémios aos soldados alunos recrutas e de diplomas e prémios aos cursos de formação de soldados alunos de todas as especialidades que terminaram os respectivos cursos.
Depois da demonstração de manejo de arma a pé firme e em marcha, as forças em parada desfilaram sob o comando do tenente-coronel piloto aviador Silva Araújo.
A encerrar o programa houve demonstrações de luta individual.

DISCURSO PROFERIDO PELO COMANDANTE DA BA 2, CORONEL PILOTO AVIADOR JORGE MANUEL BROCHADO DE MIRANDA:
As paredes e amplos espaços que nos envolvem servem hoje uma vez mais de cenário ao cerimonial colorido e solene de um Juramento de Bandeira.
A Base Aérea Nº. 2 engalanou-se e os seus filhos ataviaram-se para participar num conjunto de formalidades cujo simbolismo é mais profundo do que deixa imaginar o ambiente alegre e afectuoso em que se desenrolam.
Mas pretende-se que assim seja.
Cor.PilAv. Brochado de Miranda
Uma festividade solene e ao mesmo tempo alegre e colorida para que fique bem gravada na memória de cada um dos soldado-recrutas que temos à nossa frente… Porque são eles a essência desta cerimónia.
Dentro de momentos, perante a Bandeira Nacional, ratificam publicamente o Juramento que prestaram quando voluntariamente se propuseram a servir na Força Aérea. Os braços direitos estendidos convergem para a Bandeira, a cuja sombra os nossos avós combateram e morreram, por séculos, para defender Portugal. Que foi o estímulo que instantaneamente levou os portugueses de ontem e de hoje a escreverem com sangue páginas gloriosas da nossa história. Que é aqui o símbolo e a imagem da Pátria, testemunha de um Juramento que jamais poderá ser quebrado.
Como sempre a Força Aérea concede uma atenção especial a esta cerimónia. Pela presença dos seus mais ilustres dignatários pode o soldado-recruta avaliar da importância que se dá ao seu Juramento e ainda observar o facto de que é já parte de um conjunto onde cada elemento, por menos graduado ou mais jovem, ocupa um lugar relevante e fundamental.
A sua Excelência o Secretário de Estado da Aeronáutica, que de novo se digna presidir a uma cerimónia como esta, ao Exmo. Sr. Chefe do Estado Maior da Força Aérea que pela primeira vez aqui se desloca depois de assumir as funções do cargo que recentemente foi investido, aos Exmos. Srs. Oficiais Generais, Directores de Serviço, Comandantes de Unidades e demais convidados oficiais dirijo as mais efusivas saudações e melhores cumprimentos, afirmo a nossa muita satisfação pela honra de os receber na Base Aérea Nº. 2 e destaco o estímulo que para todos representa o haver a oportunidade de apresentar alguma coisa, embora limitada no âmbito e no volume da nossa actividade dos últimos dias.
A V. Exas. minhas senhoras e meus senhores, que hoje temos o privilégio de acolher, agradecemos o calor afectuoso que trouxeram a esta cerimónia. Os vossos filhos, parentes ou amigos que para aqui vieram de livre vontade há poucos meses, certamente que se sentirão orgulhosos por, na vossa presença, assumirem um compromisso de homens responsáveis.
Sec. Estado Brig. Pereira do Nascimento
A transformação que sofreram neste curto espaço de tempo talvez não tenha sido ainda notada por vós. Nem mesmo eles, por certo, de tal se aperceberam. Saíram das vossas casas provavelmente receosos, tímidos, egoístas, irreverentes, individualistas. São hoje elementos activos e disciplinados de um conjunto, deixando transparecer nitidamente sentimentos vincados de solidariedade humana, terreno preparado onde cultivar as virtudes militares. 
Embora alguns, mais fracos, tenham cedo desistido, quiçá porque não encontraram a vida fácil que supuseram, outros em compensação revelaram magníficas qualidades e são já tidos como elementos valiosos, essenciais ao cumprimento das tarefas que incumbem à Força Aérea. Não esperem todavia comodidades que isso não é vida de militar. Quem à carreira das armas entregou os seus destinos poderá dizer-lhe, por experiência de muitos anos, que a vida do militar é feita de sacrifícios e de renúncias onde o interesse individual cede lugar ao da colectividade.
Chefe Estado Maior - Gen.Tello Polleri    
Após a consumação do acto mais expressivo desta cerimónia, proceder-se-á à entrega de diplomas a soldado-alunos que terminaram cursos de formação de várias especialidades e prémios àqueles que mais se distinguiram quer em actividades puramente militares, quer físicas, quer culturais.
São homens que assim completam a preparação básica para ingressarem nas diversas Unidades da Força Aérea. Ainda que não estejam plenamente aptos a desempenhar as funções inerentes à especialidade que escolheram ou a qeu foram destinados, pois terão que viver um período de estágio na própria Unidade onde forem colocados, o certo é que à sua preparação se concedeu o melhor do nosso esforço e saber, dentro das limitações que nos são impostas, bem conhecidas de todos e que portanto não vem a propósito salientar. É por isso que, embora insatisfeitos por não fazermos mais e melhor, reconhecemos com serena alegria que trabalhamos esforçadamente e a tranquilidade de consciência compensa-nos dos sacrifícios que suportamos.
Da dedicação de todos estes homens, da sua boa vontade, do seu espírito construtivo e empreendedor, dinâmico e entusiástico dependerá o êxito ou insucesso de muitas missões. A segurança de muitas vidas estará em suas mãos.
É isto forte motivo para os incentivar a que se não limitem a um indiferente cumprimento do dever mas que colaborem com entusiasmo e dedicação em todas as circunstâncias.
 A todos, incluindo as respectivas famílias, desejo as maiores venturas.

ALOCUÇÃO PROFERIDA PELO ASPIRANTE AVELAR PINHO:

Soldado aluno recruta: Hoje é o vosso dia de festa. Um dia de alegria. Em vós, e naqueles que aqui presentes vos acompanham, um sentimento comum.
Há poucos meses começou a vossa vida militar. Hoje se completa a fase inicial – a mais pequena e, talvez, a mais importante para uma consciencialização futura. As marchas, o treino físico, a iniciação na topografia, no armamento, no combate, na educação moral e cívica, etc. não pretenderam se não criar em vós as condições básicas para uma estruturação perfeita.  
Hoje podeis dizer que tudo o que a princípio se apresentou difícil se tornou fácil; podeis dizer mesmo que dum áspero isolamento nasceu pouco a pouco a mais reconfortante camaradagem, a mais harmoniosa disciplina.
O obrigado dos vossos chefes não chegaria para que ficasse bem expresso toda a vossa dedicação, todo o vosso empenho no cumprimento do dever.
Ides agora entrar, após merecidos dias de repouso, na fase de especialização. Atrás de vós um pré esboço duma obra que se espera promissora; à vossa frente, a Bandeira Nacional símbolo duma Pátria ciente da vossa inteligência, das vossas acções e, mais que tudo, companheira de bons e maus momentos.
E se dizemos que vos consideramos prontos a prosseguir e porque sentimos o vosso sentir e cremos, convosco, nos mesmos ideais de defesa, engrandecimento e glória de Pátria-Mãe, imortalizada nesse extraordinário pavilhão verde rubro que nos orientará no futuro assim como nos propõe um presente e nos engrandeceu num heroico passado.
Em cada um de vós a força da juventude crente dos seus desejos e das suas infinitas potencialidades. Uma juventude capaz de construir um futuro, esse que começa aqui. Mais do que nunca, cada um de vós deve sentir então a responsabilidade de se realizar como homem bem como militar. Que o vosso querer, após este juramento solene, não se deixe abalar frente às dificuldades que se vos apresentem, para que todo o fulgor edificado pelos nossos antepassados possa ter em vós os continuadores virtuosos que estarão aptos a fazer refulgir, mais ainda, a nobreza de Portugal.
Nada vos preocupe!
Quanto maior a responsabilidade, maior a honra de a vencer, maior a glória nas obras que, dia a dia, tereis de erguer.
Recrutas! Por serdes Portugueses e dignos militares duma Força Aérea rica de tradições, sois continuadores duma Pátria imortal com séculos de história brilhante, que os vossos antepassados escreveram e honrosamente vos legaram.
Olhai em frente – o futuro que vos comprometeste construir já floresce.
Que cada um colha nele, pelo menos, tanto quanto semeou.


Notas: Recolha de informação na Revista “Mais Alto” nº. 145 – Maio 1971
           


Até breve                                                                                   
O amigo