sexta-feira, 30 de setembro de 2016

BA2 OTA - JURAMENTO DE BANDEIRA DA ER 3ª./70 E NOVOS PILOTOS DE HELICÓPTERO

















JURAMENTO DE BANDEIRA E ENTREGA DE DIPLOMAS

B.A. Nº. 2 – OTA – 18/DEZEMBRO/1970
Juramento de Bandeira da Escola de Recrutas 3/70
De braço erguido, os soldados recrutas repetem a fórmula do juramento

Na Base Aérea nº. 2 (Ota), realizou-se no dia 18 de Dezembro de 1970 o juramento de bandeira dos cursos de oficiais e sargentos e de soldados alunos recrutas especialistas.Presidiu à cerimónia o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea interino, general Almeida Viana, com a presença do Subchefe do Estado-Maior da Força Aérea, general Dias Costa, e dos directores dos Serviços de Pessoal e de Instrução da Força Aérea, brigadeiros Braz de Oliveira e Diogo Neto, e outros oficiais. 
Depois de ter passado revista à guarda de honra, comandada pelo capitão Fausto da Cruz, o general Almeida Viana, acompanhado pelas individualidades presentes, dirigiu-se para a tribuna de honra.
A iniciar as cerimónias, usou da palavra o comandante da Unidade, coronel piloto aviador Jorge Manuel Brochado de Miranda, de cujas palavras arquivamos abaixo algumas passagens.
Em seguida, o alferes Ribeiro Santos dirigiu uma exortação aos soldados recrutas.
Procedeu-se depois ao acto solene do juramento de bandeira, a que se seguiu a entrega de prémios e diplomas. No final as forças em parada, sob o comando do tenente-coronel Vargas, desfilaram em continência perante a tribuna de honra.
As altas individualidades presentes em continência à Bandeira

Ao encerrar as cerimónias os soldados recrutas fizeram demonstrações de manejo de armas a pé firme e em marcha, a que se seguiram demonstrações de treino físico-militar e luta individual”.

ALOCUÇÃO PROFERIDA PELO COMANDANTE DA B.A.2 – CORONEL BROCHADO DE MIRANDA
“Perante nós temos também 301 soldados alunos que se encontram a meio de um curso de formação e 268 outros que já o completaram e vão dentro de instantes receber o respectivo diploma, consagração oficial e pública do seu êxito. Serão em breve lançados nas unidades da Força Aérea onde irão participar de forma mais ou menos activa e directa no esforço nacional de defesa da Pátria.   
Não é todavia por terem terminado um curso e recebido um diploma que estão preparados para tal. Defender a Pátria é algo mais do que repelir pela violência as agressões que contra ela se cometam. É também trabalhar sob todos os aspectos para a engrandecer e fortalecer. Todo aquele que se cultiva e adquire conhecimentos e experiência contribui para essa finalidade.
Há pois que continuar sem desfalecimentos ou limitações em trabalho de aperfeiçoamento permanente tendo sempre presente que, para o militar, tudo o que não for um êxito completo pode constituir um fracasso total.
Compete à BA2 a ingente tarefa de instruir, através de cursos de formação, de promoção ou de sub-especialização, a quase totalidade do pessoal técnico da Força Aérea, dos quadros permanente e não permanente, bem como a preparação final dos pilotos destinados às bases equipadas com aviões de caça.
Por decisão superior aproveita-se este dia para se proceder à distribuição de prémios relativos ao campeonato de tiro da Força Aérea, recentemente realizado, nas três modalidades de pistola de guerra, espingarda de guerra e tiro aos pratos.
Distribuição de diplomas e prémios


A Base Aérea Nº.2 orgulha-se de ter alcançado uma classificação honrosa para o que aliás pertinazmente trabalhou.  
A selecção que a representou nasceu de um aproveitamento final de valores que emergiram após o cumprimento de um programa de tiro anual, que depois receberam o treino suplementar adequado, e não do exclusivo chamamento de atiradores consagrados já do anterior conhecidos.” 
Pormenor da demonstração da luta corpo-a-corpo


ALOCUÇÃO PROFERIDA PELO ALFERES RIBEIRO DOS SANTOS

Da exortação patriótica proferida pelo alferes Ribeiro dos Santos, transcrevemos algumas passagens:
“Dentro de instantes e frente à gloriosa Bandeira, augusto símbolo da Pátria, dareis por realizado o primeiro passo para a meta que a vós próprios já jurastes atingir: honrar a Pátria que vos viu nascer e honrar a Força Aérea a que pertenceis, com a generosidade e a grandeza que emerge da vossa juventude e do facto de serdes Portugueses.
A vida não é tempo que passa, mas sim obra que fica. Como tal, tem que ter um conteúdo e ser realização tão perfeita quanto possível de um ideal.
Os valores em qualquer profissão erguem altivamente a cabeça para se ufanarem da sua actividade: um grande médico, um bom advogado, um juiz sabedor e íntegro, um engenheiro competente, um agricultor ou um industrial empreendedor, um perfeito militar revelam amor à carreira, denotam orgulho pela sua profissão.
A consciência de serdes um valor positivo, integrado na utilidade social de uma função, eis o que se espera de vós.
Valor, Lealdade e Patriotismo são virtudes de que não vos podeis alhear. 
Não estão connosco os que buscam uma vantagem em vez de um posto desinteressado de combate, os que não sentem em si nem dedicação para servir a Pátria nem disposição para sacrificar-se pelo bem comum.” 



BASE AÉREA Nº. 3 – NOVOS PILOTOS DE HELICÓPTERO




Na Base Aérea nº.3 (Tancos) efectuou-se no dia 15 de Janeiro de 1971 a entrega de “brevets” a 16 novos pilotos de helicópteros.
Brigadeiro Diogo Neto e Com. da BA3     
Na sala de reuniões do Comando realizou-se uma sessão presidida pelo Director do Serviço de Instrução, brigadeiro Diogo Neto, ladeado pelos 1º e 2º. Comandantes da Unidade, tenentes-coronéis Gomes dos Santos e Orlando Amaral.
Abriu a sessão o comandante da BA3 que agradeceu a presença do Director do Serviço de Instrução e enalteceu o significado do dia para os novos pilotos.
Usou depois da palavra o Comandante da Esquadra 33, capitão Vellez Caldas que pronunciou uma patriótica exortação, terminando por afirmar estar certo de que os novos pilotos continuariam a demonstrar que a juventude portuguesa mantem intactas as qualidades que fizeram de Portugal um país orgulhoso da sua história e serenamente confiante no futuro.
Seguiu-se a cerimónia da colocação dos “brevets” ao peito dos novos pilotos, acto a que procederam os seus instrutores, como é já tradicional na Força Aérea.
A encerrar, o brigadeiro Diogo Neto dirigiu palavras de muito apreço aos novos pilotos, desejando que as suas acções no Ultramar fossem coroadas dos melhores êxitos.
O Comandante da BA3 


     VOO SEM REDE…
Alocução do Asp. Alf. Pil. Av. José Manuel Leite de Sá

José Manuel Leite Sá recebendo o brevet
“Torre de Tancos: Tenha atenção ao Hotel 9285, que prossegue com aluno em V.S.”.
“Nabo 85 descola”!
Mais leve que inicialmente, o helicóptero sobe à vertical e, em breve, não é mais que uma mancha, emoldurada de luzes, na noite escura.
Lá dentro, agarrado aos comandos, vai um aluno piloto. Na subida, sente que lhe falta qualquer coisa. Sim, aquele disco monocórdio que o instrutor lhe martelava aos ouvidos, deixou de se ouvir.
Agora, este silêncio pouco habitual fá-lo recordar-se desses conselhos: “Olhe a velocidade!...Olhe o pranchamento!...Meta passo!...Olhe para fora!...Concentre-se!      Descontraia-se!!!”.
Entretanto o voo vai prosseguindo, impecável, os instrumentos “colados”, o aluno quer demonstrar a si próprio que é capaz de manter os parâmetros de voo correctamente. O olhar, ora perscrutando a noite à procura de outros pontos luminosos em movimento, ora fixando os instrumentos e as luzes avisadoras: ele sabe que “há sempre uma emergência desconhecida que espera por si”, mas está completamente seguro, confia no aparelho e na instrução que lhe foi tão cuidadosamente ministrada.
Tem confiança, mas não alimenta excessos perniciosos, usa mas não abusa da sua proficiência na máquina.
Quando tinha o instrutor ao lado, e não respondia imediatamente a qualquer pergunta, pagava “ventoinhas”, agora, por qualquer hesitação pagará um tributo bem mais elevado!
Cada voo é o complemento de uma actividade solidária em que todos, sem discriminação de postos, desempenhando cabalmente as funções que lhe estão confiadas, contribuem para a segurança e bom rendimento da pilotagem.
A disciplina é a mola propulsora de todo este trabalho interdependente onde a capacidade de dirigir e a de obedecer se fundem para a consecução de um fim: a maior rentabilidade do trabalho comum.
E o aluno vai voando, concentrado na sua tarefa, sem esquecer que ele é também um elo dessa cadeia. Se alguma anomalia se verificar durante o voo, deve registá-la no livro, não vá o próximo utente da máquina sofrer algum percalço.
Estas cogitações não impedem contudo, que o voo vá seguindo com a mesma eficiência, mas, numa volta, a velocidade desce ligeiramente, e então, o subconsciente, pressuroso, faz ouvir o tal disco que o instrutor conseguiu gravar ao longo de cada voo: “Olhe a velocidade!...Olhe o pranchamneto !...”
Com suavidade e coordenação absoluta o aluno vai avançando cada vez mais, já sente o voo e, inebriado pelo espectáculo maravilhoso que lhe é dado contemplar, aquela sincronização de movimentos que patenteia em cada manobra, dão-lhe a impressão de ser uma peça, a peça que falta à máquina para voar sozinha!...
Já no final, acende o farol e fá-lo incidir no local de aterragem. Está prestes a tocar, actua com esmero. Lá ao fundo está um instrutor que diz: “aquele é o meu craque”!
E, quando o instrutor mostra confiança no aluno, este faz tudo para não desmerecer dela.
Agora, já depois de tudo desligado, faz a autocrítica do voo e sente-se satisfeito!
O teste aproxima-se e o Cap. Caldas não é nenhuma “pera-doce”. Mas ele está apto a enfrentar todas as situações e o teste não é meta final, é apenas uma barreira que se transpõe, nesta dura maratona que é o dia de um piloto! “

Notas: Recolha de informação na Revista “Mais Alto” nº. 141 – Janeiro 1971

Até breve                                                                                   
O amigo 

3 comentários:

  1. Já nem me recordava disto! bons tempos...

    jose manuel figueiredo leite de sá

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  2. Esta é a FAP que eu conheci e Amei,e continuo .

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