quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

BA2 OTA - JURAMENTO DE BANDEIRA DA ER 1ª./72 e BREVETAMENTO DO P4/71


JURAMENTO DE BANDEIRA E ENTREGA DE DIPLOMAS
B.A. Nº. 2 – OTA – MAIO/1972
Juramento de Bandeira da Escola de Recrutas 1/72

Presidida pelo Secretário de Estado da Aeronáutica, brigadeiro Pereira do Nascimento, realizou-se na Base Aérea nº. 2, na Ota, a cerimónia do Juramento de Bandeira dos cursos de oficiais milicianos pilotos aviadores, oficiais milicianos técnicos, sargentos milicianos pilotos e soldados alunos especialistas da Escola de Instrução de recrutas 1/72.
Presentes, também, o vice-chefe e o subchefe do Estado Maior da Força Aérea, general Armando Mera e brigadeiro Braz de Oliveira; o Director do Serviço de Instrução, brigadeiro Diogo Neto; O Presidente da Câmara Municipal de Alenquer e muitos oficiais comantes de Unidades da Força Aérea.
Depois de passar revista à guarda de honra, o Secretário de Estado da Aeronáutica e as restantes individualidades presentes dirigiram-se para a tribuna.
A iniciar as cerimónias, usou da palavra o comandante da Base Aérea nº. 2, coronel piloto aviador Brochado de Miranda, cujas palavras que noutro local inserimos.
A preceder o acto de juramento, o comandante do Grupo de Instrução, tenente-coronel Raul Tomás, leu uma exortação dirigida aos soldados cadetes e aos soldados recrutas, que terminou com as seguintes palavras:
“O amor à Pátria é a primeira virtude de um homem civilizado, e para ti, militar, essa virtude é um imperativo de consciência, um princípio indefectível de lealdade, perante a defesa de um povo, das suas instituições e do bem-estar das gerações que se sucedem na eternidade dos tempos.
Glória aos heróis, paz aos mortos e respeito pelos vivos. Que o seu exemplo seja uma estrela que ilumine o caminho de um Portugal eterno, na difícil hora que o Mundo atravessa. E que todos nós, se, marcado pelos chefes responsáveis, vier o dia em que é também necessário marcar atitudes de sacrifício, estejamos com Eles preparados e prontos a actuar respondendo sem hesitação: Presente. Aqui é Portugal.”

Finda a leitura da exortação procedeu-se ao acto do juramento, cuja fórmula foi lida pelo tenente-coronel Raul Tomás.
Seguiu-se a entrega de diplomas e prémios feita pelo Secretário de Estado da Aeronáutica e pelos vice-chefe e subchefe do Estado Maior da Força Aérea, finda a qual se realizaram demonstrações de manejo de arma a pé firme e em marcha.
Antes do desfile perante a tribuna que se encerraram as cerimónias, a Banda de Música da Força Aérea, sob a direcção do capitão Silvério de Campos, exibiu-se em alguns números que irá apresentar em Agosto próximo no Festival de Bandas Militares dos países da NATO, na Alemanha, em representação de Portugal.

ALOCUÇÃO PROFERIDA PELO COMANDANTE DA UNIDADE

Estamos uma vez mais preparados para recolher palavras solenes e admirar posturas altivas e aprumadas de um grupo de rapazes que voluntariamente se decidiu a prestar serviço na Força Aérea.
A instrução militar básica que receberam nas últimas semanas culmina hoje com as formalidades que acabamos de iniciar e que se destaca o acto do Juramento de Bandeira.
A repetição periódica de tantas idênticas cerimónias, enquadradas no mesmo cenário, pode sugerir o desvanecimento do seu alto significado. Mas só aparentemente, pois que o soldado recruta que hoje está no centro das nossas atenções tem o direito de considerar esta cerimónia como maior que todas as outras e até de a considerar única. É que esta é uma hora chave na vida de cada um. Uma hora de transição: de adolescente com quem se vinha usando de benevolência complacente para homem consciente e responsável.
Dentro de momentos estará perante todos vós a Bandeira Nacional, emblema sagrado, expressão máxima da alma de um povo livre e soberano, eloquente síntese de feitos heroicos e símbolo de esperança e de inquebrantável tenacidade e coragem.
É perante esta Bandeira que o soldado recruta vai em consciência afirmar a sua dedicação à Pátria e às suas instituições e comprometer-se a lutar por uma causa que a todos sobreleva e que é a defesa do património físico e moral da Nação.

A sua participação na luta traduzir-se-á, não tanto pela intervenção directa em acções de combate, mas, principalmente e para já, buscando a cultura geral e técnica que conduza ao aperfeiçoamento individual e de que resulte aptidão e eficiência na produção de trabalho útil; opondo-se com a verdade a argumentos especiosos desmoralizadores; contrariando a apatia, o desânimo, a descrença; colaborando com entusiasmo e com fervor patriótico.
Em resumo e usando palavras do Papa Paulo VI, o soldado deve dar à vida da Nação a que pertence “a energia, a fidelidade e o patriotismo de que o serviço militar é escola nobre e severa”.

A presença entre nós de Sua Excelência o Secretário de Estado da Aeronáutica, a quem saúdo em meu nome e de todo o pessoal que presta serviço na BA2, seria sempre um acontecimento de relevo pelo que significa de interesse pelo nossa actividade e de incentivo ao nosso esforço. No dia de hoje é todavia mais do que isso, pois terá projecção incisiva no espírito de cada recruta.
Também nos é particularmente grata a comparência a este acto de outras altas entidades oficiais, civis e militares, responsáveis por vários níveis de direcção ou chefia, a quem igualmente saúdo e afirmo a nossa muita satisfação pela honra de os receber nesta casa.
São bem-vindos os pais, outros familiares e demais convidados dos soldados que juram Bandeira. Além do colorido e calor humano com que enriquecem a cerimónia, serão também testemunhas válidas de um Juramento cuja quebra equivaleria à desonra de quem o profere. Jamais o soldado recruta poderá esquecer que os seus entes mais queridos e amigos mais dedicados o ouviram pronunciar a fórmula categórica que o vincula a mais amplas responsabilidades que vão desde o engrandecer a Pátria pelo seu trabalho profícuo até oferecer a vida na defesa dos seus direitos sagrados e honrosa sobrevivência.
Integrada também nesta cerimónia, temos ainda a oportunidade de proceder à entrega de diplomas a soldados alunos que completaram cursos de várias especialidades e de prémios aos que mais se distinguiram, em actividades de cultura intelectual e física-militar.
Quanto aos primeiros, a satisfação de terem completado o seu curso supera bem as canseiras e preocupações com que ultrapassaram as dificuldades que porventura tenham encontrado.

Nas Unidades onde serão colocados, primeiro na Metrópole e depois no Ultramar, vão aplicar os conhecimentos adquiridos, embora não possam esquecer que o muito que já sabem é só uma base de partida.
A estabilização dos conhecimentos adquiridos e a integração de mais ricos elementos virão com a prática, seguindo o conselho e a orientação daqueles que mais sabem, mas não deixando, todavia, perder o hábito de folhear os compêndios da ciência e da técnica, a fim de ascenderem continuadamente a um nível de cultura mais elevado.
De facto só é verdadeiramente um militar aquele que assume uma atitude mental permanente orientada no sentido do aperfeiçoamento de forma a que quando chegue a sua vez de desempenhar cargos de responsabilidade – e esse tempo chegará, na vida militar ou civil – seja idóneo para ocupar o seu lugar com dignidade.
Quanto àqueles que se distinguiram já e recebem hoje, por intermédio de um simbólico prémio, a manifestação da nossa simpatia e admiração, nada mais há a dizer-lhes senão que continuem, pois nos parece terem encontrado o verdadeiro caminho de bem servir e Grei e a si próprios.



Notas: Recolha de informação na Revista “Mais Alto” nº. 157 – MAIO DE 1972
           


Até breve                                                                                   
O amigo



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