sexta-feira, 20 de novembro de 2015

BA2 OTA JURAMENTO DE BANDEIRA DA ER 1ª./70 - ACONTECIMENTOS NA NOSSA GERAÇÃO


JURARAM BANDEIRA 469 SOLDADOS RECRUTAS
B.A. Nº. 2 – OTA – 24/ABRIL/1970
Juramento de Bandeira da Escola de Recrutas 1/70

Tribuna de honra com as individualidades presentes
SEA entrega diplomas
“Na Base Aérea nº.2 (OTA) realizou-se no dia 24 de Abril (1970) o juramento de bandeira dos soldados cadetes do curso de oficiais milicianos pilotos aviadores 1/70, dos soldados do curso de sargentos milicianos 1/70 e dos soldados alunos recrutas especialistas 1/70.
Presidiu à cerimónia o Secretário de Estado da Aeronáutica, brigadeiro Pereira do Nascimento, com a presença do Director do Serviço de Instrução, brigadeiro Krus Abecassis, do Director do Serviço de Pessoal, brigadeiro Braz de Oliveira, do Director de Serviço de Saúde, brigadeiro Lemos de Meneses, e outros oficiais.
Depois de ter passado revista à guarda de honra, comandada pelo capitão Sengo, o Secretário de Estado da Aeronáutica, acompanhado pelas individualidades presentes, dirigiu-se para a tribuna de honra.
A iniciar as cerimónias, usou da palavra o comandante da Unidade, coronel piloto aviador Brochado de Miranda que pronunciou o discurso que adiante publicamos.
Em seguida, o aspirante miliciano Elídio Martinez Paramés Fortes dirigiu uma exortação aos soldados alunos recrutas.
Procedeu-se depois ao acto solene do juramento perante a bandeira. A fórmula do juramento foi lida pelo 2º. Comandante da Unidade, tenente-coronel piloto aviador Vargas de Matos, que comandava as forças em parada.
JURO !
Em seguida, o Secretário de Estado da Aeronáutica e os Directores dos Serviços de Instrução e de Pessoal procederam à entrega de diplomas e prémios aos soldados alunos que mais se distinguiram, após o que as forças em parada desfilaram em continência.
Seguiu-se a demonstração de manejo de arma a pé firme e em marcha dos soldados dos cursos de oficiais e sargentos milicianos sob as ordens do tenente Máximo, tendo, logo após, feito a mesma demonstração os soldados alunos recrutas, sob a orientação do major para-quedista Calheiros.
A terminar, os soldados alunos recrutas fizeram demonstrações de treino físico militar e de luta individual, e disputaram jogos de voleibol e basquetebol. 
O comandante da B.A.2, coronel Brochado de Miranda, pronunciando o seu discurso.
Realiza-se hoje mais uma cerimónia de Juramento de Bandeira, facto que, com ligeiras alterações, se vem a repetir de quatro em quatro meses.
Poderá pensar-se que por este motivo havemos caído em formalidades de rotina. Tal não acontece, porém. É nossa constante preocupação que cada uma se desenrole com a maior perfeição, dignidade e solenidade, de forma a criar o ambiente próprio para que os graves termos do Juramento sejam pronunciados e ouvidos com a necessária seriedade.
Senhor Secretário de Estado – A presença de Vª. Exª, que mais uma vez se digna presidir a uma cerimónia como esta, é para nós motivo de muita satisfação pois que, além de exaltar a sua mais solene expressão, mostra-nos um estimulante interesse pelas nossas actividades. Em meu nome e no de todo o pessoal desta Base Aérea eu dirijo a Vª. Exª. as mais efusivas saudações.
Saúdo igualmente os Exmos. Senhores Directores de Serviços e Comandantes de Unidades cuja presença interpretamos também como uma manifestação de apreço pelo trabalho aqui produzido, o que nos revigora a vontade de prosseguir contra todas as dificuldades e contrariedades, que não são poucas, nem pequenas.
Perante V. Exª., estão 1517 homens, 469 dos quais são soldados recrutas. Destes, 60 destinam-se a pilotos de aviões e helicópteros e os restantes às diversas especialidades de operadores e mecânicos.
Banda da FAP - Maestro Silvério de Campos
O dia de hoje é para eles uma confirmação de liberdade e de responsabilidade. Quando se alistaram voluntariamente, com o assentimento paterno, passaram a ser inteiramente responsáveis pelos seus actos. Em plena função dessa responsabilidade, vão, dentro de breves momentos, perante a Bandeira Nacional e de todos nós aqui presentes, comprometer-se a cumprir obrigações que os ligam à Pátria e às Instituições Militares.
Compete à Base Aérea nº. 2 a ingente tarefa de instruir, através de cursos de formação ou de promoção, a quase totalidade do pessoal técnico da FA, dos quadros permanente e não permanente, bem como a preparação final dos pilotos que se destinam às Bases equipadas com aviões de caça de reacção.
Como é sabido, e sempre oportuno repetir, uma boa instrução infere a presença de instrutores bem qualificados – sabedores, entusiastas e sinceros – bem como de instalações e equipamentos adequados.
Uma boa instrução significa maior rendimento do trabalho, maior segurança, maios eficiência operacional.
Uma má instrução é causa de erros, insegurança, perda de vidas, destruição de material, desperdício, baixo rendimento.
Exibição de voleibol e demonstração de boxe
 A situação neste sector é bem conhecida pelo que me dispenso de quaisquer considerações. Quero simplesmente afirmar o interesse e o esforço desenvolvido pelas Sub-Unidades directamente responsáveis pela instrução, de cuja obra esta cerimónia é um ténue reflexo, que se tem aplicado com total dedicação e até sacrifício, a tirar o melhor rendimento dos meios humanos e materiais postos à sua disposição para cumprir programas superiormente determinados.
Familiares dos mancebos assistindo á cerimónia
Vão receber o diploma de fim de curso 282 soldados-alunos que terminaram cursos de formação de várias especialidades. Brevemente serão distribuídos pelas unidades da FA, na Metrópole e no Ultramar. Após 11 meses de instrução irão pôr em prática alguma coisa do que aprenderam e que é a base do muito que ainda terão de aprender.
De facto, aos militares exigem-se aptidões para o desempenho das tarefas mais variadas: pede-se-lhes que empunhem armas, que sacrifiquem a sua vida se necessário, que defendam a autoridade constituída, que sejam um modelo de virtudes, que cultivem o espírito, o intelecto e o vigor físico.
Só será pois verdadeiramente um militar aquele que assumir uma atitude mental permanentemente orientada no sentido do aperfeiçoamento.
Por outro lado, mesmo o mais individualista não pode esquecer que agora faz parte de um todo.
À palavra “Unidade” que frequentemente se usa para designar o estabelecimento onde o militar presta serviço, não perdeu a sua verdadeira significação etimológica. Unidade é coesão, sinónimo de força. Sá há coesão, onde houver disciplina. 
Os assistentes mais novos.
É esta uma das virtudes fundamentais que o militar deve cultivar e a que, por vezes, por ignorância ou má intenção se atribui o significado menos dignificante de obediência cega e despersonalizante.
Ora disciplina não é tal.
“É aceitação da hierarquia e da autoridade sem ideia de submissão ou humilhação”.
“É reconhecimento espontâneo e consciente da autoridade dos chefes sem excluir a mútua união, estima, compreensão e respeito”.
“É obediência a uma regra de comportamento, comum aos que fazem parte de uma corporação”.
A disciplina não mata a personalidade mas harmoniza os homens coordenando-lhes os esforços. Um militar disciplinado cumpre as ordens e os deveres que lhes impõe os regulamentos, ou as circunstâncias de ocasião, por ponto de honra, não com receio de castigo.
Sobre a juventude presente nesta parada irá recair, na altura própria, parte do esforço que se desenvolve no Ultramar.
Devo salientar-lhe, todavia, que não é verdadeiramente militar só porque fez um juramento, por mais solene, ou veste uma farda, por mais esplendorosa.
É necessário que cumpra o Juramento, em qualquer circunstância.
É necessário que dentro de cada uniforme esteja um homem que o saiba dignificar: pelo saber, pelas atitudes e pelos sacrifícios.

Notas: Recolha de informação na Revista “Mais Alto” nº. 133 – Maio 1970

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