sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

MEMÓRIAS DO INICIO DO AB4

Algumas recordações "trocadas" no Facebook, entre alguns dos pioneiros do AB4.

Manuel Flórido Bem-Haja: Lembro-me bem da primeira intervenção do PV2, assim como do pessoal que fazia parte do destacamento, segue foto.
Manuel Flórido Bem-Haja: Na foto sou o que está desfardado. A mesma foi tirada junto do edifício que a FAP tinha à entrada da cidade de Henrique de Carvalho. Belos tempos!!!


Bernardes Neves: Tens ideia da data do primeiro destacamento ?
Manuel Flórido Bem-Haja: Neste momento não o poderei dizer, pois não tenho junto de mim o álbum com as fotos e elas têm a data em que foram tiradas, quando verificar enviarei. Mas é muito antes da data em que essa foto do PV2 foi tirada, pois nessa data ainda não estavam instaladas as barracas e a torre que se veem na foto. O estacionamento do PV2 era na pista antiga, mais conhecida como pista da DTA. A primeira torre era móvel, mais conhecida por GUIDA (não sei donde veio o nome). Para quem não a conheceu envio foto.
Manuel Flórido Bem-Haja: Depois de consultar alguns elementos o puxar um pouco pela memória direi que o primeiro destacamento do PV 2 foi em Dezembro de 1962.
Samuel Girão: É possível que tenha sido em Dezembro de 62, pois eu fiz em Março de 63 um destacamento.
Joaquim Araújo Gomes: Passei por HC em 63 e 64 como Furriel 2º. piloto do PV2. Dormia-se em tendas o que não era mau !
Mário Arteiro: Uma pequena achega. Tanto quanto o Alemão permite recordo que havia quando cheguei, uma pista de laterite (DTA) com estacionamento para viaturas junto da aerogare de alvenaria com uma parede de tijolo e cobertura inclinada, e uma pista já aberta e em processo de asfaltagem que seria a pista do AB4. Quando "desaguamos" por volta do dia 25/26 de Dezembro de 1962 não havia ninguém no AB4. Só Havia pessoal das infraestruturas sob o comando do Capitão Horta, que tinha uma bela horta! O DO27 em Agosto de 1963 transportou minha filha do Dundo para HC talvez no dia 20! O PV2 e os T6 estavam lá ao tempo dos fogos reais em 1963, já com o Comando Agrupamento 11 pois tirei fotos durante os treinos das guarnições voando como pendura nos-T-6, que também ajudaram a definir rotas de aproximação a evitar. As fotos das posições tiradas do ar foram todas tiradas de bordo de T-6. Na altura dos fogos reais já havia a Torre no AB4 e estavam dois T-6 e um PV2 que participaram numa das sessões de fogos de Artilharia Antiaérea.
Manuel Flórido Bem-Haja: Amigo Arteiro em Dezembro 62, na verdade não havia ninguém no AB4. Eu cheguei a Henrique de Carvalho em Novembro 62 e apresentei-me ao Capitão Horta, instalei a Torre Movél e logo em seguida em Dezembro o primeiro PV2, muito antes do DO27 esses sim só começaram em 63 e também em destacamento. O pessoal ficava alojado no edificio das Infras e tomava as refeições numa casa particular do Sr. Vitor de Sá. Os primeiros voos ainda foram feitos na pista da DTA. Os primeiros T6 e DO 27 pertencentes ao AB4 só começaram a chegar em Abril/Maio, se a memória não me falha, nessa altura já estavam instaladas as barracas e as tendas, a Torre também já existia mas ainda não funcionava, o controlo era feito na Torre Móvel (GUIDA).
Mário Arteiro: Os nossos aviões apareceram depois dos aviões do Katanga, que aterraram no princípio do ano. recordo que falei para o Chefe do EM Major António Hermínio Monteny quando apanhamos as primeiras aeronaves no radar, ele não sabia de nada e juntou-se de imediato vindo em Jeep. As guarnições estavam prevenidas e aguardavam instruções e logo que o primeiro T6 da FAKA apareceu a abanar as asas, resolvemos deixá-lo aterrar por ser esse um sinal que considerávamos de "amigo".
Para além destes episódios recordo vagamente, que um dia apareceu no AB4 um Oficial Superior da FAP com um Auster e fui com ele dar uma volta para fazermos um reconhecimento numa zona onde havia caça... Não me recordo do nome. Fixei o episódio!
Manuel Flórido Bem-Haja: Recordo perfeitamente o episódio dos aviões do Katanga que lá aterraram, nessa altura não conseguimos entrar em contacto com eles (o que de principio nos assustou um pouco). Eram três T6 totalmente camuflados, uma Auster e um de passageiros mas que não sei o modelo, todos eles pilotados por mercenários. Quando os nossos pilotos foram buscar os ditos aviões o da Auster despenhou-se, mesmo ao cimo da pista da DTA tendo falecido.
Em relação ao Capitão Horta e pouco tempo depois Major, não posso deixar passar sem dizer que era uma excelente pessoa.
Joaquim Araújo Gomes: Os T6s vindos do Katanga teriam sido cedidos, ou vendidos, pelo governo Português, foi o que nessa altura entendi. Não me recordo da Auster acidentada. Nós recusamos servir de alvo com uma manga num PV2 para a artilharia treinar... No entanto, os pilotos mercenários, voluntariaram-se para com os T6s fazerem a «brincadeira». O Comando recusou.
Mário Arteiro: Mais uns "toques" do meu lado. Relativamente ao Manuel Flórido Bem-Haja os aviões que aterraram para além dos
T-6 "camuflados" ou mal pintados foram o Moineau Flyer DC-3 do Lider Katanguês pilotado pelo Jimmy Hedges, e um " primo" dos PV2 (PV1-Loadstar), um Dove e um Cessna. O DC3 depois de "conversa" ao ouvido levantou par ir buscar armamento e munições que tinham sido deixados do outro lado e podiam vir a ser usados contra nós. Entre outras armas havia mausers egícias, lança rockets italianos, pistolas- metralhadoras Berettas, Franhchi Brescia e britânicas Sterling de carregador lateral.
Manuel Flórido Bem-Haja: Boa memória Mário Arteiro, eram esses mesmo.
Mário Arteiro: Relativamente às afirmações de Joaquim Araújo Gomes, sobre os T6 abstenho-me de comentar quem os terá cedido aos Katangueses. Apenas sei, que aterraram e depois de ter aparecido um equipe da FAP, vinda de Luanda foram transferidos para a BA9. Os pilotos eram europeus, sendo um deles polaco. A Auster acidentada foi fotografada por mim e eu vi a sua queda, pois vinha a descer no sentido Norte Sul, ao longo da pista de laterite quando o acidente se deu. O piloto levantou voo e tentou flectir para a esquerda mas a aeronave entrou em perda e afocinhou. Não houve incêndio sequer mas quando chegamos perto já o piloto estava morto. Quanto aos exercícios de fogos reais por nós efectiados não houve mangas. Houve erros introduzidos nas alças das peças e os disparos foram feitos para os T6 da FAP. Eu ia bordo de um dos T6. Também houve um PV2 que participou mas não tenho ideia de ter sido considerado como "alvo". tenho apenas uma foto de passagem a baixa altura penso que para largar uns mimos perto da posição. Não recordo se o fez ou se apenas simolou.
Existe um livro escrito por um oficial de carreira sobre Salazar e Tschombé com informaçãos sobre as aeronaves que estiveram no AB4 (início) mas nem sequer se refere à sua passagem por lá.

Mário Arteiro: O 1º. Cabo César Portugal Alves da Cruz tinha brevet Civil há pouco tempo. O Capitão da FAP, que comandava o destacamento para transferir as aeronaves para Luanda, não se encontrava junto ao local do acidente no momento em que ocorreu. Ou estava no edifício das infraestruturas ou na Povoação talvez no Comando da ZIL. Apareceu pouco tempo depois.

Nota: As fotos, cedidas ao Blog pelo Mário Arteiro, referentes a alguns factos relatados podem ser vistas no álbum :
https://photos.google.com/share/AF1QipOcfJkwaNOXFwjVAfQ7jmxeqJ8Cu5ulLxWLM0Zkb-D0CGmgXBNPghudYVtVYlouSQ?key=WjdERFpkanVFOFlESzV0ZmNXRXlnSHRWVXppZTdn

1 comentário:

  1. Fatima Brandão26 dezembro, 2014

    É interessante vir a saber tudo o que se passou 10 anos de me meterem nessas andanças! Depreendo que o pior tinha sido feito (em termos de infraestruturas) e continuo a "sentir-me em casa" com a conversa. Não perita mas em conssonancia com o espaço e principalmente com os nomes dos aviões. Interessante

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