terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

OUTRAS "OPERAÇÕES" NO CUITO

Porque nem só de operações militares era feita a nossa estadia, temos o relato de outra mais ou menos usual, a caça...
Carlos Sequeira com o Pescador

Quanto à noite da caçada...
À ida para lá, ainda de dia, o Pescador, qual guia turístico, ia dizendo: "Aqui há pacaça."; "Aqui há leão."; "Aqui há leopardo."
Bem olhámos mas não vimos um único animal.

À medida que avançavamos, o tempo ía ficando negro e não era só porque a noite se aproximava. Quando ficámos enterrados na "chana", com o carro todo inclinado para o charco e em zona de guerra, já era noite cerrada e chovia a cântaros. Depois das tentativas, infrutíferas, de safar o carro, foi decidido que era preciso ir ao Cuito pedir ajuda.Lá fui eu atrás do Pescador, pela mata fora, enquanto os outros ficaram no carro atolado. 
Para demorar menos fomos em "linha recta" em vez de fazer a longa volta pela orla da mata, por onde tinhamos ido. 
Como nessa altura a noite já ia adiantada e chovia muito, não se via absolutamente nada. Eu seguia o ruído dos botins de borracha do Pescador - chomp, chomp, chomp - que seguia um pouco á minha frente. 
De vez em quando um relâmpago dava para reconhecer a figura do Pescador a abrir caminho entre as folhagens. 
Escusado será dizer, que foi nessa altura que me lembrei das palavras do Pescador - "Aqui há leão." ; "Aqui há..." 
Porra, mais valia que não tivesse dito nada. Só ouvia leões e leopardos atrás de cada moita. E eu que nem as moitas conseguia ver!!! 
Se me aproximava do Pescador levava com os ramos que ele ia deixando para trás à medida que avançava, se ficava para trás só ouvia leões. Bolas, mais valia levar com os ramos encharcados na cara!... 
Não sei a que distância nos enterrámos, mas lembro-me perfeitamente de avistar pela primeira vez as (poucas) luzes do Cuito, ao longe. Estaríamos então a uns 2 Km da povoação, num ponto alto que ficava mais ou menos no rumo 060 quando se olhava da pista. 
Foi aí que passei para a frente do Pescador. Agora que eu já sabia o caminho, ele que ficasse com os leões! 
Na subida da ponte para a povoação eu já levava uns 200 metros de avanço em relação ao Pescador.
A ponte do Cuito
Até me esqueci de que estava cansado e encharcado. 
O resto já foi bem descrito pelo nosso amigo Ribeiro da Selva. 
Acabou tudo em bem.

Um abraço,