quinta-feira, 25 de agosto de 2022

CHEGADA A ALCANTARILHA PARA O PRIMEIRO CURSO DE TROPAS-PARAQUEDISTAS



Embarcados na Base Aérea de Sintra, em Abril de 1955, chegam a Alcantarilla (Múrcia) onde iniciam o curso num ambiente de sã camaradagem e de muito boas relações com os espanhóis, adaptando-se rapidamente ao ritmo da instrução, (pouco exigente quer física quer técnica) e à vida social da região.
E tanto assim foi que alguns militares portugueses acabaram por contrair matrimónio com jovens espanholas.


A 27 de Maio de 1955, pelas 11:00h, efectua-se o primeiro lançamento na presença de altas individualidades militares espanholas e também do Adido Militar junto da Embaixada de Portugal em Madrid, assim como de uma delegação de oficiais do Ministério da Defesa vinda expressamente de Portugal para esse fim.
Tendo saltado em primeiro lugar os já pára-quedistas, Capitão Armindo Videira e Monteiro Robalo, seguiram-se os alunos, sem qualquer tipo de problemas e com o maior desembaraço. Como demonstração de elevada estima e consideração pelo contingente nacional, saltaram na mesma ocasião o Director da Escuela, Comandante Sarrazabal e os instrutores, Tenentes Piñon, Rituesto e Garcia. A terminar esta jornada saltaram também pára-quedistas espanhóis do Exército e da Força Aérea, vindos propositadamente das suas unidades para participar neste acontecimento.
No dia 9 de Julho efectua-se o último salto do curso, o 22º. ministrado na Escuela “Mendez Parada”, sendo “brevetados” 188 militares portugueses. Para assistir a este salto e participar na cerimonio de entrega dos distintivos de pára-quedista, estiveram presentes as mais altas individualidades militares portuguesas, simbolizando bem a atenção e importância que na época teve o facto de Portugal passar a dispor de um corpo militar com características especiais.
Só assim se justifica a presença em Espanha, do Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, General Botelho Moniz, do Chefe do Estado Maior do Exército, General Barros Rodrigues e do Chefe do Estado Maior da Força Aérea interino, Brigadeiro Frederico Costa.

Nesse mesmo dia, os recém “brevetados”, bem como os anteriormente formados em França e Espanha, receberam aquele que viria a ser o símbolo mais querido de todos os pára-quedistas portugueses, a Boina Verde.
Pela primeira vez na história das Forças Armadas Portuguesas, uma boina era atribuída como artigo de fardamento, não como mais uma peça, mas sim como elemento identificador de algo que, como escreveria mais tarde o Tenente pára-quedista Fausto Marques, "…nem todos podem alcançar (a invejada Boina Verde) por isso os que a conseguem terão que defender o seu prestígio e honrá-la, sempre e em toda a
parte.”

Por: Joaquim Correia, em HUFAP (Facebook)

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

QUANDO MANCEBO NA OTA


Memórias de um passado saudoso

Recuamos a Maio de 1969, naquela época em que éramos mancebos, “teen age”, idade irreverente, Beatles, Rock, movimentação estudantil, guerras coloniais...
Alistado em 12 de Maio e incorporado em 21 do mesmo mês com o número de ordem 683 assim, percorro o caminho da Ota até 1 de Maio de 1970, para prosseguir a minha luta por mais cinco anos por terras Açorianas e Angolanas, separado dos meus 23 colegas de curso, por longos e imensos anos...
Nesta minha primeira parte de narração descreverei as vivências longínquas de 1969 depois, na segunda a publicar posteriormente, contarei as emoções dum reencontro que teve evidência em 23 de Maio de 2009 - precisamente na BA 2 - com quatro décadas de separação e, com muito esforço por encontrar o paradeiro de cada um, num percurso de pesquisa que demorou dois anos e em busca por todo o Mundo.
Parto de casa na madrugada de 21 de Maio de 1969, de comboio, com destino a Lisboa e para me apresentar nas delegações da FAP, após ter sido chumbado em finais de 1968, nos testes para a pilotagem.
De imediato, sigo de autocarro para a Ota, juntamente com outros companheiros e, no mesmo banco, deparo-me com um companheiro com o qual travo conversa.
Rosis, qual o curso que desejas tirar? Circulação Aérea... Também eu, já que chumbei nos testes para pilotagem. Certezas?!... Não havia nenhumas...
Recruta severa com instrutores como o Ten. Dias e Alf. José Cid. Passagens por canais de esgoto no fundo das pistas, caminhadas por terras inóspitas no longo verão desse ano, percursos pelo rio da Ota, noitadas de marcha – um horror de tropelias, atitude firmada pela tropa para nos tornarem adultos...


Tivemos uma das piores recrutas pois, estavam a preparar um longo documentário nesta fase, para apresentarem como acto de bravura, nos ecrãs do cinema.
Quem não roubou uns cachos de uvas pelas quintas vizinhas?
Para nos livrarem do corte de fins de semana, valeu-nos o tio (Brigadeiro) do Charolês. Sempre haviam cunhas!...
Os reforços surgiam em número para nos descontrolarem o sono. Faziam-se junto ás instalações dos Sargentos, paióis, pistas, junto à Torre de Controlo, padaria, etc, etc...
Na padaria, montei uma artimanha para o meu substituto Foncheca. Maliciosamente, coloquei a tampa da arca de forma que quando se sentasse, caísse no fundo. Não caiu logo. Deixou-me seguir a rota da camarata para iniciar o meu sono quando, ao longe, ouvi um enorme estrondo. Caiu fundo e, por todos estes anos, mantenho um sorriso de franca malvadez...
Vamos para a parada, travamos o combate de boxe e, a mim, calha-me o Vinhas, o doido varrido.


Os meses passam sem que ande de avião - sim, estou na Força Aérea e, com tantos aviões... Interrogo um outro colega, Bada-Bada, e, ele promete fazer-me voar. Sócio dum aeroclube nas Beiras, mete influências a um comandante da TAP e, num fim de semana parto para o aeródromo de Viseu para fazer o meu baptismo de voo numa Auster. Sensacional a aventura! Tinha o meu primeiro voo no papo.
O Hércules dormia com a arma por debaixo da cabeceira, prelúdio duma doença que se estava a avizinhar. Percursor duma rádio pirata, mais parecia o engenhocas “pardal”.
O Papa-léguas propôs-se casar, ainda na Ota. Altura em que eu começava a namorar... Marchava com passada longa daí, o Papa-léguas.
O Pinóquio, rapaz pacato, oriundo de Pinhel, fazia parelha com um colega da Guarda. Dois irmãos não se dariam tão bem ao longo da vida...
O Lapaduços, companheiro de camarata, raramente se deitava sóbrio. Com quinta em Alenquer, matava a sede a toda a Secção, nas adegas do avô. Endiabrado, aluno que não se via a estudar, noctívago. Passou à tangente, na última posição.
Outros, perfazendo os 23, tais como o Delta, Gordo, Clávulas, Bispo, Pipas, Mike, Mil, Patrik, Romeu e Selva ... faziam por cumprir o seu caminho nestes meses iniciais da Ota.
Lembro-me de cada um, tanto na imagem, na voz como, nas acções tidas na altura e, se hoje ainda mantenho o bigode, foi para imitar o Bigodes que já o usava em conformidade com o do Dr. Jivago.
Para o Tex, vem a recordação de lhe ter partido uma bilha cheia de água, que ele segurava pela asa e, que nos atormentava em molhar na caserna.
O Raf, rapaz calado, estudioso e, por fim, o Salteador, o único eliminado da conjura, por namoriscar maliciosamente a secretária do Gen. SP!..
Todos fizemos parte do célebre campo de concentração, malhados na eira de cimento, a comer a sopa feita no caldeirão do lixo e, os pães rijos de vários dias.
E o cinema, sala tão grande e que eu já tinha esquecido!... Parada, igreja, paióis, turbinas que era o terror dos reforços à noite...
E as deslocações para a Ota após os curtos fins de semana?!
Para quem vinha do Norte, tínhamos a “Ponderosa”, Bombas das Marés, o monte “Chapéu de Coco”, as meninas da Espinheira e, o velho café da aldeia da Ota.
Cortávamos para a recta final que nos dirigia para a Porta de Armas e, logo no início, localizava-se outra Bomba de gasolina.
Recta infinda que nos conduzia ao martírio de mais uma, várias semanas de loucura.
Chega o primeiro de Maio de 1970, terminámos os cursos e, nesta altura, seguimos outros rumos - rumos de separação quase eterna – não fosse eu, com outro companheiro, procurarmos a pista de cada um.
Nesta descrição, que muito se alongou, vamos deixar os companheiros do meu curso a hibernar nas várias Unidades, espalhadas pelo Continente e Açores. À posteriori, em Angola (6); Moçambique (14); Guiné (1); Continente (2) e, (1) eliminado no curso.
A seguir, noutra maré, retratarei o reencontro dos “Asas”, em 23 de Maio do ano em curso, na Ota, nos fugidos quarenta anos.
Lágrimas de saudades!... agruras para alguns familiares já enlutados!...

Por: Vitor Oliveira


quinta-feira, 28 de julho de 2022

A SÉ CATEDRAL DE NOSSA SENHORA DA ASSUNÇÃO - SÉ CATEDRAL DE HENRIQUE DE CARVALHO/SAURIMO



A Catedral de Nossa Senhora da Assunção (Sé Catedral de Nossa Senhora da Assunção também chamada Catedral de Saurimo), é o nome dado a um edifício religioso afiliado à Igreja Católica que está localizado na cidade de Saurimo na província da Lunda Sul no nordeste do país africano de Angola.
A estrutura atual foi construída entre 1958 e 1959 e recebeu a benção oficial apenas em 1961 quando Angola ainda era uma província ultramarina de Portugal.


A catedral segue o rito romano ou latino e é a igreja principal ou matriz da Arquidiocese Metropolitana de Saurimo (Archidioecesis Saurimoënsis), que foi criada como diocese pelo Papa Paulo VI em 1975 e foi elevada ao seu status atual em 2011 através da bula "Quandoquidem accepimus" do Papa Bento XVI.

Enquadramento Histórico e Urbanismo

Saurimo era, na última fase colonial, a capital do distrito da Lundatendo sido elevada à categoria de cidade no fim dos anos 50 do século XX. 
Em 1923, o governador‐geral Norton de Matos alterou o nome da cidade para Henrique de Carvalho, em homenagem ao militar que, no final do século XIX, foi encarregado de uma missão junto do imperador da Lunda, para obter conhecimento das populações do interior e das condições físicas do sítio. 
Concluído o seu trabalho, Henrique de Carvalho propôs a criação do distrito da Lunda, tendo ocupado o lugar de primeiro governador do jovem distrito em 1895.
A cidade beneficiou da localização geográfica, ligada à estrutura viária inter‐regional, com uma posição geoestratégica dentro do distrito da Lunda. Assim desempenhou o seu papel de centro de comércio, quer pelo facto de estar na rota de Luanda, Malange, Portugália e Dundo (sede da Diamang), quer por se localizar junto à ligação ao Luso. 
Com uma ocupação recente, já no século XX, a cidade surgiu num planalto, estruturada em quadrícula, com os edifícios oficiais e públicos sempre isolados, ganhando destaque, quer na sua relação com a morfologia do espaço público, quer pelo carácter do seu desenho.



Em agosto de 1973, foi apresentado um Plano de Zonas de Ocupação Imediata, do arquiteto Adérito de Barros, que veio enfatizar os princípios urbanos já absorvidos anteriormente, trazendo no entanto algumas novidades, como o estabelecimento de zonas de expansão e as suas vocações, a criação de novas zonas residenciais para populações economicamente menos estabilizadas, a reorganização da estrutura viária e a criação de novos acessos, especialmente com a consolidação de grandes rotundas (pre‐existentes) que, de forma monumental, conferiam uma nova escala à cidade.


Monumentos e Estatuária Frente ao Palácio do Governo, foi implantada, antes de 1963, a estátua a Henrique Dias de Carvalho, que no final do século XIX explorou a região e foi o primeiro governador da província da Lunda, a nova criação administrativa por ele proposta.


Texto By hpip.org 
José Manuel Fernandes 
Maria Manuela Fonte

quinta-feira, 14 de julho de 2022

E DEPOIS...CUNENE !



Percorri centenas de quilómetros numa carrinha, sobre estradas escaldantes que se estiram através de florestas inóspitas ou de planuras selváticas, cobertas de capim, para chegar ao Forte-Roçadas.
Este povoado encontra-se a sul da província de Huila, uma das cinco em que se divide a vasta Angola.
Banhado pela margem esquerda do rio Cunene, o seu nome fala-nos do excelente militar Alves Roçadas que em 1907, tendo o comando de dois mil homens, derrotou os povos guerreiros de Além-Cunene…
É um povoado distante, erguido no cimo de um outeiro…

Calquei pela primeira vez o seu solo ardente, numa noite fantástica de escuridão, em que o brilho das estrelas tinha reflexos angustiosos. Levava o coração oprimido por certo temor, pois de alguns citadinos pessimistas, eu tinha ouvido as piores informações a respeito do Forte-Roçadas, tanto pelo seu clima insalubre como pela imensa variedade de animais selvagens que circundavam a sua vizinhança. Talvez por isso, apoderou-se de mim uma intensa emoção naquela hora.
Após ter atravessado o rio Cunene, numa jangada que pretos vigorosos conduziam, subi a uma pequena encosta.
E sob o negrume da noite eu apenas distinguia o lugar onde pisava. O mais, eram sombras e mistério…
De longe chegavam até mim gritos estranhos acompanhados de um tan-tan dolente - Era a sinfonia do batuque! Já tinha ouvido tais sons em outras latitudes, mas aqui, ao ouvi-lo, surgiu na minha mente uma visão trágica desta África misteriosa que eu tanto gostava e que que me pareceu quase desconhecida, apesar de tantos anos por lá vividos, tanto em Moçambique (aqui menino e moço) como em Angola, já como militar.
E tive algum receio.
Já lá vão alguns anos após aquela noite, e hoje passado tanto tempo, reconheço como eram exagerados os meus medos que se fundamentavam em perigos duvidosos e fantasiados. Na verdade, nós muitas vezes fazemos uma má impressão desses povoados longe do bulício das cidades, perdidos no isolamento da selva do Continente Negro.
E, contudo, lá vive-se bem. Tudo é tão simples, tudo é tão natural. Existem, é certo, as doenças tropicais, mas a assistência médica até não era má e com bastantes elementos preventivos para as combater. E se pensarmos um pouco, concordamos que não é só nos lugares mais recônditos de África que há doenças malignas. Elas existem em todo o mundo.
Quanto aos animais ferozes, não vi neles grande perigo a que muita gente se referia. As feras só quando estão feridas ou, em casos muito excepcionais quando têm fome, pois de contrário fogem do homem, como algumas vezes tive a ocasião de verificar. Se assim não fosse o que seria desses negros que ainda hoje caminham quase meio despidos, durante quilómetros e quilómetros por caminhos sinuosos através da selva.
Forte Roçadas
A principio experimentei uma profunda saudade do meu Portugal distante, mas também conhecia a Lunda, no Leste de Angola,onde cumpria o serviço militar como Especialista da FAP e acabei de sentir-me feliz naquela terra ardente!
Naquela solidão imensa interrompida só pelo vento da floresta e o ribombar dos trovões e o som inexplicável dos silêncios da noite, havia uma magia que nos prende e nos obriga a gostar desta misteriosa África.
Os dias ali iam decorriam calmos, (poucos) pondo em êxtase contemplativo os temperamentos românticos e sonhadores dos nossos poucos ainda anos.
Realmente o Forte Roçadas oferecia-nos panoramas lindíssimos. Muitas vezes ao pôr do Sol eu fui colocar-me num dos pontos mais elevados, experimentando a grandiosidade da paisagem. Lá para baixo para as bandas do poente, longos espaços cobertos de capim, substituídos em alguns pontos por bosques limitado. Onde predominava o embondeiro, essa árvore gigantesca que é como que a sentinela do sul.
E as horas decorriam serenamente…
O Sol, qual enorme globo de fogo movia-se com grande velocidade e à medida que se aproximava da linha do horizonte aumentava de diâmetro, espalhando colorações que iam do vermelho e amarelo ao roxo esbatido.


Que quadro maravilhoso…

Por: Aníbal Oliveira



quinta-feira, 30 de junho de 2022

HÁ 99 ANOS ERA REALIZADO O PRIMEIRO REABASTECIMENTO EM VOO.

Os tenentes Virgil Hine, Frank Seifert, Lowell Smith e John Richter, do Serviço Aéreo do Exército dos EUA, fizeram o primeiro reabastecimento em voo em 27/06/1923 com dois biplanos Airco DH.4B. Foto: USAF.


Há quase 100 anos, quatro aviadores norte-americanos entraram para a história da aviação ao realizarem o primeiro reabastecimento em voo. O que começou como uma experiência se tornou uma capacidade muito importante para diversas forças aéreas no mundo todo.
O acontecimento ocorreu em 27 de junho de 1923 em San Diego, Califórnia, e envolveu dois biplanos Airco DH.4B do Serviço Aéreo do Exército dos EUA — que mais tarde se tornou Corpo Aéreo, depois Força Aérea do Exército e finalmente, em 1947, a Força Aérea dos EUA (USAF) como uma instituição independente — tripulados pelos tenentes Virgil Hine, Frank Seifert, Lowell Smith e John Richter.
As duas aeronaves foram modificadas com base em estudos do engenheiro e aviador russo-estadodoniense Alexander de Seversky. De maneira simplificada, o DH.4B de Hine e Seifert seria o avião-tanque, estendendo uma mangueira de 15,24 metros até o DH.4B de Smith e Richter, que voava logo abaixo.


Enquanto Hine e Smith pilotavam suas aeronaves, Seifert e Richter ficaram responsáveis pela transferência de combustível entre os aviões. Com as aeronaves conectadas, os pioneiros foram capazes de transferir 284 litros de gasolina de um avião para a outro, marcando o primeiro reabastecimento em voo na história.
O voo todo teve uma duração de 6 horas e 38 minutos, só não indo além por conta de um problema no motor do DH.4 de Smith e Richter.
Dois meses depois, os mesmos aviadores voaram por 37 horas e quinze minutos em mais uma demonstração onde foram realizadas 16 transferências de combustível. Na ocasião, dois DH.4B serviram como aviões-tanque para outro biplano do mesmo modelo.


Por

Gabriel Centeno, em Aeroflap

quinta-feira, 16 de junho de 2022

O PASSADO QUE NOS MAGOA


Ainda hoje carrego na alma a tristeza das feridas dos meus amigos!
Anos de juventude, em brincadeira, trabalho duro, com frieza, tempos idos de amores perdidos que nem sempre terminaram da melhor maneira!
Amizades cimentadas pela refrega, calor imenso que encharcava, importante era “sacar” os feridos, camaradagem que tudo entrega, nem saudade, nem lembrança, disfarçado tremer quando no copo pega!
Os Mig’s pegaram comigo por acaso, três ou quatro minutos de diversão, bailados de diferentes velocidades, bruma espessa de areia fina feita, que me pareceram Fiat’s nas suas habilidades! Nas matas de Gandembel e Cantanhês o meu encontro do primeiro grau!
Porque não escrevi? A memória fui aliviando, por desgosto e desilusão, o peso descarregando para não contar muito do que vi! Alguns, idos, merecem-me compaixão, outros, vaidosos que nem pavão, fazem-me sorrir, por respeito á sua idade deixo-os acabar absolutamente convencidos que a todos conseguiram enganar!
Vi antiaéreas a vomitar, suores frios no abrasador cokpit, subida rápida a 2.500 terminar, sol de costas para apontador encandear, picada louca para a 2.000 as bombas largar, saída á esquerda para rapar, uff, não foi desta e, com fé, assim me hei-de safar!
Bombas e foguetes, não, não é, da minha terra o Carnaval, á entrada ouço nos auscultadores do capacete a voz preocupada do Tubarão, Tigre abatido nas antiaéreas de Gandembel, velocidade aproveitada e ainda vi o paraquedas a entrar pelo matagal; Melro dois, não faz fogo, siga-me; O paraquedas era do, na altura, Ten. Cor. Costa Gomes, comandante do grupo operacional, o seu asa era o, também na altura, Capitão Vasquez, hoje, os dois, Generais.
Vislumbrei-o no meio do arvoredo e, para o galvanizar, pus, á sua frente, as minhas metralhadoras a vomitar! O seu asa, com quem, ainda ontem, estive a falar, em mínimos de combustível regressou a Bissalanca, dizendo-se confortado por eu ali estar! O Gomes da Silva chegou de Dornier, pois andava na missão de distribuir o correio, ficou, aos círculos, em cima do “quartel”, enquanto eu, em passagens baixas, indicava a direcção do aquartelamento, fazendo, de seguida, mais umas rajadinhas, boa maneira de festejar o momento!
O nosso comandante de grupo entrou, triunfalmente, pela “porta de armas” da força no terreno, com o espanto do plantão de serviço!
História séria contada a sorrir, sem qualquer glória, há outras versões, poetas da minha terra, que bom ficar na memória quando se passou o tempo a dormir!
O helicóptero transportou o comandante, á tardinha sou chamado ao seu gabinete e, com dois copos na mão, ele quis oferecer-me um beberete!
- Diga-me cá uma coisa, para onde foi quando me deixou?
- Bom, fui largar os bombons que o senhor não largou.

Por: Jaime Marinho de Moura - Piloto


quinta-feira, 9 de junho de 2022

TER OU NÃO TER CARA DE PILOTO



Estava nesse tempo – já lá vão cinquenta e dois anos! – a fazer o curso operacional de F-84 na Base da Ota e só ia a casa dos meus pais muito raramente. A viagem era longa e bastante cara para as minhas possibilidades nessa época.
O que vou contar aconteceu numa dessas viagens.
Quando o comboio chegou, entrei e procurei um lugar para me instalar... Olhei os diversos compartimentos da carruagem, procurando escolher os companheiros da longa viagem até ao Porto. Num dos compartimentos vi um individuo da FAP e, pela insígnia que usava, compreendi que era rádio-telegrafista (op. de comunicações). Sentadas do lado oposto, estavam duas jovens e uma senhora de idade avançada. Decidi instalar-me ali e entrei. Arrumei o meu saco de viagem, sentei-me e acendi um cigarro, disposto a esperar uma oportunidade para entrar na conversa. Entretanto, fui ouvindo.
À medida que o jovem aluno R/T ia desenvolvendo o seu tema, o meu espanto ia subindo gradualmente e tive mesmo que fazer um certo esforço para não me rir à gargalhada!
Perante o olhar de admiração, e algumas vezes de terror, das suas ouvintes, o nosso amigo aviador fazia passagens baixas na sua terra, entrando em volta entre as torres da igreja, - explicou que o avião não cabia direito - e passando em “looping” por baixo da ponte! As palavras eram acompanhadas por gestos elucidativos, que melhor expressavam a dificuldade da ação. Depois subia na vertical, para logo descer em “parafuso”, saindo em vôo invertido sobre o largo da aldeia! Quando se cansou de “esmagar” toda a acrobacia deixando a velha senhora à beira de um colapso cardíaco, resolvi intervir, não da maneira que gostava, mas apenas para “entrar” e ver no que aquilo dava.
- Desculpe interromper, mas depois do que acabei de ouvir, o desejo que já existia em mim de ser piloto, intensificou-se.
Olhou para mim franzindo as sobrancelhas e eu continuei:
- Como é que eu poderei ir para piloto?
O olhar de superioridade com que me contemplou, deixou-me petrificado! Mais do que as próprias palavras, ofendeu-me o ar de desdém com que as pronunciou:
- Sabe, - disse esticando o pescoço esguio – isto de ser piloto não é para toda a gente. Primeiro, é preciso ter habilitações para isso, depois...
Interrompi-o, dizendo-lhe as minhas habilitações literárias, mas ele não me ouviu e continuou:
- Depois são as inspeções, rigorosíssimas, passam dois ou três por cento.
Não me dei por vencido e retorqui:
- Bem, eu posso ficar nos dois ou três por cento!
- Nem pense nisso! - e perante a minha estupefação, concluiu: - A mim basta-me olhar para um tipo para saber se dá ou não para piloto. E você não tem cara disso!
Fiquei completamente esmagado! A minha vontade era desmascará-lo, ali imediatamente, mas consegui controlar-me.
Durante longos minutos permanecemos silenciosos. O mal estar era visível e ele próprio deve ter compreendido que se excedeu. Levantou-se e saiu para o corredor. Levantei-me também e segui-lhe os passos. Encontrei-o junto ao wc, aguardando que este ficasse livre. Era a oportunidade desejada. Toquei-lhe no ombro para que me olhasse.
- Com que então eu não tenho cara de piloto, hem? E você, seu pilantra, tem a lata, o descaramento de se fazer passar por piloto! Lá que você enfiasse as “galgas” que quisesse às meninas, ainda vai que não vai, mas dizer-me a mim, que até sou piloto, que não tenho cara de piloto, é demais!
O rapaz ficou completamente enfiado. Torcia e retorcia o bivaque nas mãos, murmurando desculpas ininteligíveis.
A casa de banho ficou livre e ele fez-me sinal para entrar, o que fiz. Quando saí já não o vi. Tão pouco estava no compartimento. As moças comentavam entre si a saída rápida e inesperada do aviador.
- Mas ele disse que ia para o Porto e, além disso, o comboio não parou em nenhuma estação!
Uma delas dirigiu-se a mim:
- O senhor sabe o que se passou com aquele aviador que ia connosco?
- Não! - respondi - Eu apenas lhe disse que era da polícia aérea e, com tantas infrações, nem o ordenado de um ano lhe chegava para pagar as multas!


Por: Abílio Alves Ferreira


quinta-feira, 26 de maio de 2022

CARLOS SEQUEIRA "MAMBO" RELEMBRA NETO PORTUGAL

O Coronel César Neto Portugal, já fez a última descolagem em Junho de 2020. Grande Aviador e Patriota.
Tive o prazer de voar com ele, numa tarde de Verão, pois como sabeis a minha "casa" foram as Bases por onde passei. Já éramos conhecidos de outras paragens, do Leste de Angola, onde eu residia ao tempo que ele por lá passou como Ten. Pil. Aviador e, onde teve um acidente "feio" em T-6 quando fazia destacamento no AM Cazombo. Numa descolagem para uma missão de ataque ao solo, o T-6 por falha de algo, não foi para o ar e embateu no arame farpado da vedação.
Estava municiado com bombas e plenos feitos. Pegou fogo e, o nosso amigo inanimado jazia lá dentro amarrado aos cintos...
Um civil, de nome Manuel das "Pedras", homem mestiço, dos seus 30 anos, que trabalhava na sua oficina de artífice de pedra de Calunda, com que fazia tabuleiros de xadrez, conjuntos de copos, cinzeiros, etc, eu ainda tenho um deste objectos. Estando no seu alpendre ao fim da tarde, pois a rua de sua casa, era paralela à pista do destacamento, assistia à descolagem da parelha de T-6 e, qual não é o seu espanto vê o triste acontecimento...não sabendo quem estava em tão difícil situação, desata a correr em direcção ao avião que já ardia e, num acto de puro altruísmo, sobe à asa libertando o Ten. Neto Portugal dos cintos e puxando-o para fora do aparelho condenado a um eminente rebentamento do material bélico que transportava...
Nota: neste destacamentos havia apenas extintores de placa. O pessoal do destacamento temia o rebentamento iminente e hesitavam na manobra de salvamento. O Manuel das "Pedras", assim chamado por trabalhar a dita pedra de Calunda, não hesitou e salvou a vida ao intrépido Aviador, correndo o risco de se sublimar na explosão que se deu a seguir...ele era um Amigo de todos os militares que por ali passavam, uma vez que frequentava as instalações e, particularmente do aviador Neto Portugal, que como sabemos cantava fado nas tertúlias das noites mais folgadas.
Também, em Tancos, nos cantava o fado no alojamento de Pilotos. Quando entrava para o serão de fados, dizia: agora sou o César, tudo à vontade...quando acabava a "farra", antes de sair, dizia, a festa acabou, agora sou o Capitão Neto Portugal!
Quando da ida do meu curso para Angola, mandou-me chamar ao seu gabinete, pois ele foi o oficial das académicas do meu curso e como sabia, pois já tínhamos falado várias vezes nisso, que eu iria voluntário para o Leste, embora por qualificação tivesse preferência de escolha e, se quisesse ficava em Luanda, incumbiu-me de levar uma salva de prata gravada com uma estrofes dos Lusíadas para, no primeiro destacamento que fizesse no Cazombo a entregasse ao Manuel das Pedras.
Enquanto os outros companheiros, ficaram em Luanda a fazer a normalização e ambientarem-se à nova realidade, eu fiz a apresentação no dia da chegada de manhã e pedi colocação no AB 4 - AR - Luso e nesse mesmo dia, segui num avião Beechkraft C-45 pilotado pelo Ten. Nav. Renato, que me levou para CASA.
Dois dias depois estava a voar num T-6, com o Amigo Fonseca que ia ao Cazombo levar este para substituir um outro que vinha para inspecção, aí fui entregar a homenagem de gratidão do nosso Amigo, César António Duarte Neto Portugal ao Manuel das "Pedras", pelo seu acto de coragem e amizade pelo rapazes da Aviação. 
Este é um pequeno trecho da minha passagem pela instituição que nos abriu outros horizonte...
Forte abraço, Xará!

quinta-feira, 12 de maio de 2022

RUI JOFRE



Nasceu, a 21 de Junho de 1942, em São Lourenço, Portalegre, onde passou a infância.
BA7 - S. Jacinto
Aos 18 anos ingressou na Força Aérea Portuguesa onde completou o curso elementar de pilotagem, em Aveiro, passou por Sintra e foi colocado na BA3, de Tancos, em Maio de 1962.
Em 1964, foi destacado para Angola, com a patente de Furriel. Em Luanda, na Base Aérea 9 pilotou uns aviões bombardeiros bimotores que, afirmava, "tossiam por todos os lados", os PV-2.
BA9 - Luanda
Também lá tirou o curso de helicópteros e foi um dos pioneiros do Curso de Pára-quedismo Civil, o primeiro curso em território português, em 1965, chegando mesmo a ser o vencedor do 1º. Torneio de pára-quedismo desportivo em Angola.
Durante a guerra, era dos pouco que arriscava voar à noite para evacuar os feridos na mata, o que o fez salvar algumas vidas. Uma vez, vários anos após a guerra, enquanto passeava nas ruas de Lisboa, um homem aproximou-se dele e abraçou-o, mas ao perceber o desconforto o homem disse: então não se lembra de mim? Você salvou-me a vida em Angola.
De volta a Tancos, em 1967 leu num panfleto que a banda filarmónica de Portalegre ia actuar numa festa nas Limeiras e decidiu ir lá matar saudades. Nesse dia em que actuava também a acordeonista de Constância Tina Pereira e ali se conheceram.
Casaram, na Igreja Matriz de Constância, a 27 de Julho de 1968.
Regressou a Angola mas, em 1970, estava em Portugal para o nascimento da primeira filha, Elsa Dias Ferreira. Tendo regressado a Angola, com a família, de seguida.
Luanda, 1971

Em 1974, foi promovido a oficial. Devido a vários actos de coragem foi condecorado com a Cruz de Guerra de 1ª. Classe pelo General Spí­nola.
No dia em que fazia 32 anos, nasceu, em Tomar, a segunda filha, Sara Dias Ferreira.
Em 1975, fundou o Clube Estrela Verde de Constância, sendo seu dirigente durante 10 anos.
E foi um dos fundadores do esquadrão acrobático de helicópteros, Alouette III, "Rotores de Portugal". Começaram com apenas dois helicópteros, AL III, e em 93/94 passam a ter três.
BA3-Tancos, 1982

Em 1983, na época de verão, ano em que combatia incêndios na Sertã, salvou diversos bombeiros, incluindo o comandante, ao resgatá-los, com o helicóptero do meio das chamas.
Por esse feito recebeu uma alta condecoração, a Medalha de Ouro por Serviços Distintos, pela Liga dos Bombeiros Portugueses.
Em 1984, ao fim de 26 anos de serviço em que desempenhou funções como Comandante de Esquadra, Oficial de Operações de Esquadra e Oficial de Operações de Grupo Operacional, entrou na reserva territorial, mas continuou a pilotar helicópteros no combate a incêndios. Emigrou depois para Angola onde desempenhou funções como Piloto Chefe na Diamang, Director de Instrução da Força Aérea Angolana, Director de Operações de Voo na Acro-norte.
Lobito - 1989, instrutor dos pilotos de helicópteros da FAN

Nos anos 90 integrou um livro da Câmara Municipal de Constância de poetas populares.
Em 1993 entrou na Universidade Internacional de Abrantes para tirar o curso de gestão. Faleceu a 21 Abril de 1999, com 56 anos, num acidente de aviação em S. João da Madeira.
Está enterrado no cemitério de Portalegre, terra que o viu nascer.
(Preito de Elsa Dias Ferreira à memória do seu pai)

quinta-feira, 5 de maio de 2022

FLORIANO HENRIQUES SILVA - UM MURTOSEIRO NA FAP



DT - Chegaste à Força Aérea em 3 de Maio de 1966. Quando aplicaste para o Curso de Amanuenses uma pequena mentira na aplicação ia estragando tudo. Podes falar deste pormenor?

FS - Sim, estava a preencher o formulário inicial para provas físicas e testes de avaliação na BA3 em Tancos e tinha feito amizade com um indivíduo de Barcelos, que me disse que pusesse que tinha experiência de escritório e contabilidade e eu assim fiz. Depressa descobriram que não era verdade, despacharam-me para outro lado. Ali a maioria sabia tudo, alguns escreviam à máquina quase de olhos fechados.
Mas havia a possibilidade de um tempo de aprendizagem na arte de escrever à máquina, fiz por isso. Na parte física não havia problema, agora o resto tinha de conquistar e dediquei-me. Aprendi a escrever à máquina. Nas provas de avaliação quem tivesse menos de 10, passava pelo barbeiro e recebia guia de marcha para o Exército. Não passei por essa vergonha, a minha nota foi 13.5 e o máximo era 15.

Entretanto tirei um curso rápido de "Intendência de Messes" e comecei, na Esquadra de Radar nº.12 em Paços de Ferreira, a ser responsável pelas compras para o abastecimento da Messe.
Transformei aquilo num ‘super hotel’ e ainda houve tempo para jogar no Paços de Ferreira até à altura de um acidente me mandar durante um mês para o Hospital Militar no Porto, após um treino no Estádio das Antas, a pedido de Virgílio Mendes, antigo jogador do Porto e ao tempo meu treinador no Paços.
Depois mudei de ideias e pedi para sair da Esquadra de Radar em Paços de Ferreira. Mandaram-me para a Secretaria de Estado da Aeronáutica em Lisboa, mas aquartelado em Monsanto, fartei-me depressa…
DT - E surgiu-te a ideia de te aventurares a ir para Angola onde passaste a ter outras responsabilidades, não foi?
FS - Pois foi assim mesmo. Ofereci-me para ir para Angola. Cheguei à base do AB4 a 25 de Abril de 1967. Decidi-me pelo AB4 a conselho de alguns companheiros. O AB4 era um Aeródromo pequeno, com muito pouco pessoal, em Henrique de Carvalho, na zona leste nas chamadas terras da Lunda.
Deram-me a possibilidade de amoldar a secção de Tesouraria e Vencimentos, com a responsabilidade de Cantinas, Messes, pagamentos de Subvenções para familiares na Metrópole, descontos para os Serviços Sociais das Forças Armadas e mais uma data de coisas. O serviço era feito antes por dois indivíduos da Polícia Aérea, havia para ali montes de problemas. O chefe daquilo era um Capitão ainda novo formado em economia que me disse: “tu vais separar esses dossiês e organizá-los”. Fiz o que podia e o que sabia, que já nessa altura sabia muito, e assim fiquei à frente da secção de Tesouraria. Depois rebentou a guerrilha na Zona Leste, começaram a aparecer reforços, em pouco tempo já éramos uns seiscentos. No meu serviço de vencimentos e tesouraria entraram mais seis elementos, dois oficiais e quatro sargentos. Os meus chefes, o Capitão Lobo da Fonseca e o Segundo Comandante Aníbal Pinho Freire, fizeram notar que ali não havia postos mas sim a qualidade do trabalho, mas os tipos não queriam responsabilidade, eu estava cansado, era muito trabalho, em certos dias obrigavam-me a dirigir toda a organização de defesa da base e às vezes os paióis, foi assim no 10 de Junho, Natal, Ano Novo e Reis. Mas, a verdade é que aqueles gajos pouco se importavam e iam dormir sempre descansados…


DT - E há um facto curioso, tu fizeste parte de uma equipa que fez a primeira investigação à corrupção na Força Aérea. Podes recordar?
FS - Foi um trabalho exaustivo e eu participei nele com o Coronel João da Cruz Novo, que era o Comandante da Base, o Cap. Lobo da Fonseca e o segundo Comendante Major Aníbal de Pinho Freire, mais tarde General Freire, e que terminou com sete anos de prisão para os tipos que chefiavam as compras para a Cantina e para as Messes. Sinto-me orgulhoso por ter feito parte desta investigação.
Foi na Força Aérea que a minha auto-estima veio ao de cima e aprendi que os sonhos são possíveis se corrermos atrás deles, se nos dedicarmos.
Vim de Angola em 27 de Abril de 1969. Por:Floriano Henriques Silva


Excerto de uma entrevista de David Timóteo, em "Série de histórias de vida de Murtoseiros"