sábado, 27 de novembro de 2010

OS "SALTIMBANCOS", A ORIGEM DO NOME E DO EMBLEMA



"HISTÓRIAS SOLTAS"
A origem do nome e do emblema.

1969, no decorrer duma operação com os Comandos, algures no Leste, para os lados do Luvuei ou Lucusse, durante uma pausa, depois das colocações, petiscávamos as saborosas rações de campanha. 
Depois e para animar a malta, música, saltava então um gira-discos portátil, que eu sempre levava para os destacamentos (ficou o Leite da carrinha com ele) e um disco de fados do João Ferreira Rosa. 

https://youtu.be/jABViTSkaFU

Um dos fados preferidos era o fado dos Saltimbancos, que passava vezes a fio. 
Lembrei-me que seria um bom nome para a nossa esquadrilha. Foi aceite a sugestão e foi o Ten. Afonso Pinheiro da Costa que ficou de fazer o emblema que ainda hoje existe.
O disco ainda o tenho, (um 45 rotações).
1969, alguns "saltimbancos" no Marco 25

O grupo inicial era composto por: pilotos - Rafael, Braga, Costa, Antolin, Lopes e Vidal; especialistas - Pires, Cabeleira, Simões, Ferreira (gazela), Carvalho, Neves, Jorge, Jeremias, Sargentos: -  Sadio, Anjos, Ramos, Bragança, e outros de quem não me lembro do nome, neste momento.


Por: Carlos Antolin Pil







sexta-feira, 12 de novembro de 2010

AVIÕES DA AERONÁUTICA MILITAR - FARMAN MF 11


Em 4 de Agosto de 1917 chegaram dois aviões Maurice Farman tipo MF 11, modelo derivado do tipo 1911/12 (e do seu sucessor MF 7 que não existiu em Portugal) que depois de montados na E.A.M. foram experimentados nos dias 7 e 10 pelos tenentes Santos Leite e guarda marinha Caseiro. Eram equipados com motores Renault de 80 CV, com velocidade máxima de 100 km/hm e receberam as matrículas 2 e 3. A 23 de Agosto realizaram a primeira viagem com aterragem fora da pista Vila Nova-Santarém e depois em Setembro fizeram voos para escolha de viagens triangulares - provas exigidas para a obtenção do diploma - com aterragem em Vendas Novas e Tancos. Com os três Maurice Farman, o tipo 1911/12 e os dois MF 11, deu-se início ao primeiro curso de pilotagem em Portugal, sendo em 1/10/1916 recebidos mais cinco Farman F 40, dois Caudron G-3 e um monolano Morane-Salnier tipo H, chegados ao Tejo a bordo do navio francês «Garonne». (Crédito: "Os Aviões da Cruz de Cristo")
Biplano Maurice Farman MF 11, um dos dois recebidos para Escola da Aeronautica Militar de Vila Nova da Rainha em Agosto de 1916, onde deu instrução a partir de Outubro desse ano. De notar as «cocardes» verde/vermelho nas asas superiores. (Crédito: Maj. Ribeiro Saraiva)
Maquetes e réplica do Farman MF 11.
Créditos: jfs -ex-ogma.blogspot.com

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

ROCHA MARQUES, RAZÕES PARA UMA EVOCAÇÃO

 Joao Manuel Rocha Marques - (P3_58) - PIL 67 69
Se voltarmos o olhar para o passado, tentando compreender o tempo que todos nós passámos a contas com a «guerra do ultramar», por mais que tentemos aparece sempre uma espécie de sombra a toldar as possíveis justificações. Afinal, o que é que fazíamos ali, e em nome de quê?
E, se as respostas aparecem através de todos os tipos de argumentos, porém, a questão continua a manter-se em aberto, porque essa sombra esquiva-se às lucubrações mais sofisticadas que a razão possa engendrar. Haverá sempre algo de ilógico, de fugidio, repregado nos âmbitos sombrios do sentido das palavras que possamos articular.
Apesar de tudo, podemos argumentar que fomos lá parar porque estávamos vinculados a um estado que, contra a conjuntura internacional, obrigava a sua juventude a fazer a guerra, «orgulhosamente sós». E porque não havia saída (nem todos podiam emigrar clandestinamente, ou podiam aguentar anos e anos «atrás das grades»), então, lá se ia para as «colónias» (transformadas à pressa em províncias) à sombra de um ramo militar que oferecia mais garantias de sobrevivência e qualidade de vida. Sem eufemismos: por isso fomos para a Força Aérea.
Esta seria a razão de fundo da maioria, pese ainda o fascínio que sentíamos pelos aviões, como é vulgar acontecer nos anos sonhadores de quase toda a juventude.
Que fique claro: não temos porque nos envergonhar. Vivemos, historicamente, a conjuntura desse tempo. Porque a máquina duma Pátria impõe-se, inexoravelmente, contra a vontade singular (do cidadão isolado) cilindrando, com os seus argumentos de conteúdo histórico e de interesse nacional, quaisquer justificações baseadas na consciencialização do problema. Coreia, Vietname e Iraque são exemplos notáveis de uma questão ainda maior: será que pode haver uma guerra justa, em absoluto?
Mas nós estivemos lá, e poucos o fizeram por gosto. Só que a esmagadora maioria foi para lá e tentou sobreviver, como é justo, sentindo-se impotente perante a força da máquina e do espírito do tempo. Todavia, essa experiência não foi inócua. De todo. Ao longo do tempo, desde o longínquo 61, uma espécie de «mal-estar» foi-se apoderando das consciências, a pouco e pouco, encontrando-se indícios disso nos pormenores mais banais, como o consumo desenfreado de álcool, sob o qual se escondia o medo de se estar demasiado consciente nas tarefas menos claras do dia-a-dia. Mesmo assim, as vivências foram tão ricas que é vulgar dizer-se ter sido esse tempo de guerra o melhor período, talvez, das nossas vidas: dado o carácter terminal das circunstâncias que marcaram as nossas vivências. Foram tempos verdadeiramente excepcionais, durante os quais as amizades mais sólidas foram forjadas à luz do ritualizado «pacto de sangue» imposto pelas leis da sobrevivência. Que nos exigiam vivermos no fio dos nossos limites, balanceando entre o fulgor estonteante da vida jovem e o pavor espectral de uma morte eminente.
Houve um companheiro nosso que deixou testemunho disso. Refiro-me ao piloto-aviador Rocha Marques e à sua «Balada a Henrique de Carvalho» ou «Balada do Desterro», autêntico canto de cisne que, em forma simbólica, descreve a nossa experiência de guerra vivida numa terra que soube conquistar-nos, tal é a nostalgia que sentimos quando recordamos os dias vividos nessas planuras do «fim do mundo» perdidas no mítico leste angolano.
Com ele, Rocha Marques, cantámos o significado oculto da nossa passagem por lá, resignados ao peso da sorte e minados pela saudade daqueles que amávamos à distância tão grande que nos separava e sufocava. Mas ele nunca chegou a saber das consequências que a sua Balada teve na vida de tantos que por lá passaram, a partir de 68 ou 69, datas possíveis da sua criação. Ele nunca soube que fizemos dela o nosso hino. Porque nos sentíamos retratados ali. Porque as suas palavras queriam dizer aquilo que, inconscientemente, nos ia na alma e no coração. Sem darmos por isso, aceitámo-la de tal forma que não podemos imaginar que não seja verdadeiramente nossa. Por isso, a Balada teve e tem o condão de nos unir. Não à volta dos valorosos feitos militares, manifestamente muitos, e que podiam ser celebrados também. Pois há tantas histórias de contornos inquestionavelmente épicos, centradas nas façanhas dos nossos magníficos pilotos e à espera de verem a luz do dia. Sobretudo aquelas que falam dos valores humanos, em entrega passional total e derradeira, evidenciando-se pelo contraste estabelecido com a violência dos cenários bélicos desumanos.
Aqui, a história é outra, apresenta-se carregada de espiritualidade. Trata-se de alguém que nos deixou em herança uma canção destinada a cauterizar as feridas abertas pela saudade e pelo desespero de «uma vida amargurada». Ou que nos legou uma música onde a alma colectiva soube ganhar forças para exorcizar os fantasmas que, indelevelmente, ensombravam as nossas consciências. Por ser um hino à paz e a expressão sincera daquilo que sentíamos em tempo de guerra. E até quando nos íamos convencendo de que a guerra era justificável, mesmo aí, a Balada trazia à superfície uma espécie de verdade oculta, profundamente disfarçada ou imersa nos subterrâneos da razão. Verdade que, embora jazendo em leitos subliminares, estava à espera de saltar cá para fora, testemunhando o direito indeclinável à paz e à vida. Ou não era isto que todos nós queríamos e continuamos a querer?
Foi este o grande mérito do piloto Rocha Marques. A sua Balada, desassossegando-nos sossegou as nossas consciências interrogantes. Ao testemunhar, da forma mais simples, que, embora estivéssemos lá, sentíamos que estávamos a incubar algo que, como vírus, haveria de transformar-se em pandemia libertadora. Que haveria de culminar num certo Abril.
É que, mesmo fazendo a guerra, pode-se estar contra ela. Assim está expresso na Balada. Nela sentimos que, em vez da abulia intelectual com que nos rotulam em termos de consciência política, afinal, mesmo na Força Aérea, a rapaziada, aparentemente despreocupada, estava bem atenta em relação a alguns outros valores que incomodavam o poder vigente. E era por isso que nos sentíamos impelidos a cantá-la. Às escondidas, no princípio, como acontecia, em Coimbra, com as baladas do Zeca ou do Adriano, durante a crise académica de 69, cujas vozes deram o impulso maior a uma juventude inquieta que se interrogava e exigia o direito à liberdade de expressão e de ser ouvida sobre as opções dos seus percursos académicos e existenciais.
 A Balada, ao ser composta nesta altura, é portadora de significados próprios não só da poesia coimbrã como pode integrar-se, na perfeição, no género musical da canção de intervenção que, nesses tempos se expandia como rastilho aceso contestando os poderes instituídos na velha Europa e nos Estados Unidos da América. A «Balada a Henrique de Carvalho» ou «Balada do Desterro» não pode ser isolada deste contexto de contestação social e ideológica que abalava os povos ocidentais. E foi a juventude que deu asas e poder ao movimento que tão profundamente alterou o pensamento e o agir da época.
Talvez isto baste para que a memória do seu autor possa e deva ser evocada. Porque foi um precursor do Portugal que agora somos. Em termos de vontade de liberdade e de amor à paz. E, nos momentos difíceis que infelizmente vivemos, as palavras do Rocha Marques parecem soar tão oportunas e sábias como dantes. Será que não continuamos a ser seus companheiros de viagem? Numa viagem onde o canto se ergue contra a violência e a injustiça entre os povos? Ou será que já não há «desterros» de espécie alguma?
Definitivamente, não. Agora, se a «mordaça» a nível da expressão não existe, ou é apenas menos visível, já o «garrote» económico faz da esmagadora maioria verdadeiros «desterrados» da vala comum, herdeiros de uma vida de sufoco e de infelicidade permanentes, enquanto uma reduzidíssima minoria continua a empanturrar-se cada vez mais de poder e de dinheiro. Sem haver quaisquer limites de pudor, quanto mais de ética ou de justiça social, em doses mínimas que fosse.
A nova realidade social aí está, globalizada, mostrando um modelo tão injusto quanto imoral, narcotizando a esmagadora maioria com miragens utópicas de «El Dorados» que se sabe já terem de antemão aquela meia dúzia de donos certos. Esta é a propalada nova realidade onde quase já não há dia. E «quando a noite veste de sombras o mundo», os espectros dos deserdados, como sombras de miséria sinistra, arrastam-se, peregrinando erraticamente por aí, à procura de uma nesga de felicidade a que têm direito, pomposamente negada à luz dos discursos de uma liberdade enganosa, falseada. E neste cenário também há espaço para as «asas infernais» dos demónios travestidos de anjos que, lá do alto das esferas do poder, vão controlando os destinos dos deserdados, «zelando» para que não haja qualquer tentativa de desvio no caminho superiormente traçado. Quem denuncia «o peso desta vida amargurada»? Quem é que se sente minado por este «desterro»? Ou será que já não vemos as metafóricas cidades-desterro, ou as outras cidades de Henrique de Carvalho do país ou do mundo? Será que já não vale a pena querer «ser da paz, eterno companheiro»?
Afinal, o que é que queria dizer o Rocha Marques nas palavras da sua Balada?
As interpretações podem ser aquelas que nós quisermos, mesmo as que não foram pensadas pelo autor. Como se sabe, a polissemia abre imensas portas e rumos de sentido. Pelo que o poeta utiliza as palavras em arremesso simbólico para zonas de transcendência onde não tem acesso a lógica racional.
Só haverá verdadeira paz onde houver liberdade, compaixão, conhecimento e justiça. Estas são as marcas de uma visão humanista da vida e da sociedade. Que nós, um dia, herdámos de um piloto visionário, demasiado avançado no tempo e no pensamento. Ao deixar-nos numa Balada as palavras certas, carregadas de significados simbólicos camuflados, através dos quais perscrutava os arcanos do sagrado na tentativa de introduzir, no meio frio e brutal da guerra, um breve instante que fosse para que cada um se interrogasse acerca dos destinos assumidos ou impostos e do significado da vida que levava. Mesmo que isso implicasse gritar a Deus na angústia de saber-se que «o silêncio não diz nada» como resposta.

Como veio, assim partiu: apressado nas asas do vento e de um velho T6, em voo misterioso. Deixando muitas saudades entre os seus, entre os amigos, e entre uns quantos companheiros de viagem de outrora, algures no leste de Angola, que sentem ser chegada a hora de recordar, de agradecer e de não deixar esquecer o testemunho herdado. Pela grandeza do homem, do companheiro, e do amigo.

Forjães, 8 de Junho de 2010



(PS. Estas poucas linhas têm o propósito de levar àqueles companheiros, que não conheceram nem o piloto nem a Balada, alguns argumentos que possam ajudar na compreensão das razões da homenagem que se pretende prestar ao saudoso Rocha Marques. As razões invocadas não são as únicas, obviamente. Apenas apresentam uma perspectiva, entre muitas e variadíssimas. E que nasceram de uma conversa havida, no encontro de Fátima, no sentido de ajudar a situar, nomeadamente, alguns companheiros mais antigos sobre as causas que estão na origem do processo.)  

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

AEROPORTO DE SAURIMO FOI REABERTO

REABERTURA DOS VOOS PARA SAURIMO

A Governadora Provincial da Lunda Sul Dr.ª Cândida Maria G. Narciso, disse em Saurimo no acto de reinauguração da pista da cidade diamante pelo Ministro das Obras Públicas, General Higino Carneiro, dia 16 de Setembro, que, com a reinauguração da pista de Saurimo e a retomada dos voos da companhia aérea de bandeira nacional (TAAG), vai permitir com que os turistas e empresários nacionais e estrangeiros visitem a província no sentido de localizar e explorarem as áreas a investir para o desenvolvimento e progresso da Lunda Sul.
Um tapete asfáltico sólido, conservado, devidamente sinalizado ao longo dos cerca de 3 mil e 400 metros de cumprimento por 45 de largura, ressalta às vistas de qualquer visitante no local, sugerindo conforto e segurança ao passageiro e tripulação.
Em gesto de muita satisfação, a dirigente máxima da província das terras do Mwa Txissengue Wa Tembo, convidou outras companhias aéreas a retomarem os seus voos para a cidade diamante.

Excerto de notícia publicada no site do Governo Provincial da Lunda Sul

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

AVIÕES DA AERONÁUTICA MILITAR - FARMAN MF4


O Maurice Farman Modelo 1911-1912 (MF4) adquirido através de fundos recolhidos pelo jornal "O Comércio do Porto" em Agosto de 1912 era uma avião biplano de 15 m de envergadura, com motor Renault de 70 CV e com uma velocidade máxima de 80 km/h. Veio para Lisboa com o aviador Trescartes, que com ele fez vários voos em Lisboa e Porto, tendo sido depois oferecido ao Exército, recolhendo à E.M.A. na Vila Nova da Rainha. No periodo 1912 a 1914 esteve à carga da Companhia de Aerosteiros. Foi nesse avião, que era conhecido por "Casta Suzana", titulo de uma peça de teatro muito em voga na época, que Sacadura Cabral deu ao seu futuro companheiro de glória, almirante Gago Coutinho, o baptismo de voo, na manhã de 23 de Fevereiro de 1917. (Crédito: História da FAP vol I)
 
Réplica do Farman MF4 no Museu do Ar em Alverca, construída nas OGMA em 1971. (Foto: André Garcez)
Créditos: jfs -ex-ogma.blogspot.com

Por:




terça-feira, 5 de outubro de 2010

RECORDANDO O COMPANHEIRO CARLOS FIALHO


Carlos Alberto Fialho – MMA (ABR 69 a OUT 69)

FAZ HOJE PRECISAMENTE 41 ANOS QUE SOBRE A PISCINA DE TEIXEIRA DE SOUSA OCORREU O ACIDENTE QUE LHE ROUBOU A VIDA

Sabemos do estado de desespero que se abateu em  tantos “Especialistas” que com ele privaram, naqueles curtos 6 meses que esteve em Angola.  
Companheiro solidário, não merecia este golpe de infortúnio, recordá-lo é um dever de honra de todos nós.  
Carlos Joaquim (QUIM) 

COMENTÁRIOS
ESTAVA EU COMO MECÂNICO DE DIA, QUANDO O SARGENTO DE DIA ME FOI AVISAR, PARA IR COM MAIS 2 COLEGAS NOSSOS NA MANHÃ DO DIA SEGUINTE A TEIXEIRA DE SOUSA À MISSA DE CORPO PRESENTE DO FIALHO.
FOMOS, E LÁ ESTIVEMOS OS TRÊS, EM NOME DE TODOS. 
DIGO-VOS QUE TODOS NÓS CHORÁMOS, E AINDA HOJE ME COMOVO QUANDO ME LEMBRO DESSA DESGRAÇA. PARECE QUE FOI ONTEM, NEM SABIA QUE FAZIA HOJE 41 ANOS, PAZ À SUA ALMA, QUE ERA UM BOM COLEGA E AMIGO. 
ANTES DELE IR PARA O CAZOMBO (FOI DE LÁ QUE ELE PARTIU PARA ESSA VIAGEM FATÍDICA), FIZ MUITAS PARCERIAS COM ELE EM MUITAS REVISÕES NOS HANGARES DE HENRIQUE CARVALHO, ÉRAMOS BASTANTE CHEGADOS NA NOSSA AMIZADE. FOI A COISA QUE MAIS ME CHOCOU EM TODA A MINHA ESTADIA EM HENRIQUE CARVALHO. 
OBRIGADO QUIM PELO TEU E-MAIL, E UM MUITO OBRIGADO POR TERES O CUIDADO DE NÃO DEIXARES CAIR NO ESQUECIMENTO OS NOSSOS CAMARADAS QUE JÁ NÃO ESTÃO ENTRE NÓS.
UM ABRAÇO, GUALTER.

Presto-lhe a minha homenagem. 
Obg, Quim, pela lembrança. Abraço
Obrigado Quim...

Lembro-me perfeitamente do FIALHO...
Que ele esteja em Paz e na Luz... é o que eu peço ao Senhor...
Também faz hoje 39 anos que fui atacado junto da ponte do Rio Chicapa... quando seguia sozinho na minha Honda 175cc, para a Praia Fluvial onde costumávamos ir, naquela onde o Agante ia morrendo, na estrada da Diamang que dá para as Minas do Catoka.
Após eu ter feito a curva e a contra curva, e já a descer para a ponte, vi dois angolanos parados na esquerda, e mesmo sendo visto por eles, apitei...
De nada valeu... um deles correu para a mota... enrolando-se comigo...
Valeu-me o capacete que levava amarrado... mas mesmo assim sofri um forte traumatismo craniano... que me obrigou a fazer duas operações à cabeça no HML.
Abraços e tudo em PAZ!
Jesus

Amigo e Companheiro Carlos,
Ontem falei do Fialho cá por casa, passados estes anos jamais me saiu da mente. Fui, como sabes, um dos angustiados com essa Morte inútil. No dia anterior, se a memória me não falha dia 4, no nosso Clube tinha estado ao lado dele, falamos e com as "nossas" brincadeiras, penso que ou eu ou ele atiramos cerveja um ao outro.....
Um abraço e um comovido obrigado pela tua lembrança para todos nós que ainda por Cá andamos............
João Parreira
O assunto do poema é a poesia

domingo, 26 de setembro de 2010

ENCONTRÃO DE LISBOA


F
inalmente chegou o dia 18 de Setembro de 2010, dirigi-me à capital “ Lisboa “, direcção Parque Expo, estacionei  a lambreta na rua das musas e pé ante pé dirigi-me pelo passeio de Neptuno rumo à Cervejaria – Snack Bar “Imperial da Marina”.
Quando cheguei, já se encontravam cinco camaradas nossos, surgiram os cumprimentos de quem já não se via há muito tempo e iniciámos a preparação do espaço mais adequado para sentar os especiais presentes. Com o passar do tempo começamos por verificar que o local já não comportava mais pessoal, o que nos levou a procurar outro poiso; a satisfação aumentou ao verificarmos que surgiam novos elementos, atingimos um número de presenças satisfatório.
Um momento também importante nestes encontros, consta da presença de dois bons fotógrafos, o José Aníbal Oliveira e o Raminhos, a quem agradecemos as belas fotos dos elementos presentes que nos enviaram, que com a permissão dos nossos amigos vou anexar:

AS FOTOS ESTÃO VISÍVEIS NO ÁLBUM ENCONTROS DIVERSOS

LISTA DOS PRESENTES:
ANTONIO BRAGA                               
JOSÉ ANIBAL
ANTONIO CAMPANIÇO                    
JOSÉ CHARRINHO
AZUIL JACINTO                                  
JOSÉ JESUS GARCIA
CARLOS JOAQUIM                            
JOSÉ RAMINHOS
CARLOS MENDES MARTINS          
JOSÉ GASPAR RIBEIRO
DAMIANO GIL                                     
MANUEL FONSECA
JACINTO BRAVO                                
MORAIS BAPTISTA
JOÃO CORDEIRO                               
PEDRO GARCIA (BA9)
JOAQUIM COELHO                            
RUI NEVES
JOAQUIM LEÃO                                  
RUI PIRES
JORGE CARDOSO                              
SAMUEL GIRÃO
JORGE MORGADO

Assim se passou uma tarde de sábado agradável, cheia de sol num ambiente caloroso, recordando os bons velhos tempos. Passados quase quarenta anos, continuamos com o espírito de grande camaradagem. Na nossa opinião o encontro decorreu maravilhosamente bem embora um pouco ruidoso, porque nestes momentos é difícil conter as alegrias do reviver do passado.
Estamos receptivos para os vossos comentários, e se alguma coisa não esteve bem ficamos gratos que nos indiquem, pois só assim se poderá corrigir o que está mal de modo a podermos melhorar no próximo encontro.

Bem-haja!


COMPANHEIROS
A vossa participação no convívio trouxe-nos grande alegria. Revivemos os bons tempos de uma pequena parcela da nossa juventude. Conversámos, brincámos, mas a principal finalidade foi promover o reencontro de VELHAS AMIZADES.

UM GRANDE ABRAÇO
ATÉ AO PRÓXIMO
OS EDITORES DO BLOG

terça-feira, 21 de setembro de 2010

AVIÕES DA AERONÁUTICA MILITAR - DEPERDUSSIN

Aviões da AM - Deperdussin B

Deperdussin Tipo B, fabricado pela companhia francesa SPAD, o primeiro avião militar português, colocado na Escola da Aeronáutica Militar, Vila Nova da Rainha em 1916. Com uma envergadura de 8,53m, comprimento total 7,30m, altura total 2,65m, hélice normal com 2,4m diâmetro, era equipado com um motor Gnome de 7 cilindros e 50 CV e tinha uma velocidade máxima de 170 km/h. (Crédito Revista ACP)
 
O Deperdussin tipo B oferecido ao Governo Português pelo Albino da Costa, Coronel do Exército Brasileiro, através do Século, fotografado em Junho de 1913, quando concorreu ao Concurso Internacional de Lisboa, tripulado pelo piloto francês Alexandre Sallés (na foto). (Crédito: Ilustração Portuguesa)
 
Após ter realizado o primeiro voo oficial na E.A.M. em 17 de Julho de 1916, tripulado por Santos Leite, o Deperdussin foi utilizado como avião «rolador» (ou «pinguim») para treino no solo, com os extremos das asas cortados. 
.  
 (Crédito:E.M.A.F)
O mesmo avião com as asas desmontadas, na Companhia de Aerosteiros, onde ficaria dado à carga em 16 de Novembro de 1913, antes de transitar para a Escola de Aeronautica Militar de Vila Nova da Rainha, 3 anos depois.
   
Detalhe do Deperdussin tipo B. Ver história do Deperdussin nos seus vários modelos.
(Crédito: Cor. Pinheiro Correia)
 
Algumas fotos de aviões Deperdussin. (Crédito: Hargrave-The Pioneers)  
Cópia de um Deperdussin efectuada na Florida por Cole 
e Rita em 1974
  
Algumas fotos de um monoplano Deperdussin reconstruído, da Shuttleworth Collection

Com especial agradecimentos a José Fernandes dos Santos -Ex-OGMA pelas facilidades concedidas neste trabalho da história da aviação militar.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

JUNKERS 52 NO MUSEU DA FAP

Devem lembrar-se de um avião Junkers 52 (três motores) que esteve muito tempo no Portugal dos Pequenitos...
Pois bem, esse avião foi retirado de lá porque, como é hábito neste nosso Portugalzinho, os senhores presidentes de câmaras (e não só) gostam de ter coisas mas não cuidam delas. 
Esse avião, já estava num estado muito deplorável quando o Museu do Ar resolveu retirá-lo.
A curiosidade é esta: esse mesmo avião foi restaurado na Noruega, (como contrapartida da cedência pelo Museu do Ar de um avião igual), e hoje o velhinho que estava em Coimbra está em exposição no novo Museu do Ar, em Sintra, e do qual vos envio estas fotos.







Remetido por José CarvalhoPIL

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

OVNIS NO AB4



O tempo vai passando e cada vez mais nos vamos esquecendo de algumas coisas que em tempos nos chamaram a atenção e que a memória (já não é o que era) nos vai pregando partidas.
Nos anos 70, que não consigo precisar concretamente se foi 70 ou 71 ou quem sabe 72, passou-se algo de insólito, nos céus de Henrique de Carvalho (A.B.4) que me tem trazido á memória imagens tão reais como se as estivesse agora a ver, imagens essas que queria corroboradas por mais camaradas que também as tivessem presenciado.
Como disse, não consigo lembrar-me da data, mas o que se passou foi o seguinte: Certa noite, pelas 23 horas, mais coisa menos coisa, pois penso que tinha chegado da cidade no transporte da Base, havia imensos camaradas de olhos postos no céu, a que se juntou mais um (eu), pois realmente algo de estranho se passava.
O que vi, foram quatro luzes, “objectos” posicionadas nos quatro pontos cardeais, que emitiam por sua vez, tonalidades de luz, penso que passando por todas a que conhecemos, e parecendo que se comunicavam entre si. No firmamento, evoluíam outros dois pontos de luz, ”objectos”, a grande altitude de forma quase paralela entre si, parecendo que se deslocavam fazendo com que um V.
Lembro-me que nessa altura, os pequenos rádios que quase todos nós tínhamos, faziam imenso ruído e que nada se percebia da emissão que estava no ar. Penso que este período de tempo foi “talvez” de meia hora, apesar de ter parecido uma eternidade, a confusão que gerou tal fenómeno. Estas “luzes” estimava-se que estivessem estacionadas a cerca de 40mil/pés, isto, para quem pela linha do horizonte, conseguia ler distâncias, sendo que as outras duas estivessem bem lá no “cimo”. Recordo, ainda que de forma menos clara, do pedido feito por H.C. ao Luso, para o envio de um PV2 para intercepção dos referidos “objectos”.
Mais tarde, porque para isso não tive acesso, foi falado à boca cheia, que teria sido enviado um PV2 para tal efeito e que em aproximação a H.C. teria dito que, estaria nessa estação em poucos minutos. Após esta informação, teriam os respectivos ”objectos” subido para um tecto de cerca de 80mil/pés, impossível de atingir para o PV2.
Também nessa altura, creio ter sido solicitado o envio de apoio Sul-Africano dos aviões Camberra, que teriam tecto para a possível perseguição. Quando o PV2 indica que não tem qualquer possibilidade de atingir aquele tecto, ”penso” que depois de tentar atingir o máximo da sua possibilidade e é obrigado a descer, os ditos “objectos” efectuam uma manobra de segundos, até atingirem as mesmas posições ,onde originalmente se encontravam. Quanto aos Camberra não sei o que se passou com eles.
Nota: Estas informações sobre o pedido de intervenção de meios aéreos foram-me transmitidas posteriormente, pelo que é apenas relato do que ouvi.
Após a situação descrita, ainda houve um período de tempo em que os “objectos” pareciam “falar” entre si, com a evolução de troca de sinais de luzes (seria?).
Lembro-me também, como se fosse no presente, que antes de este estranho fenómeno desaparecer, se criou uma neblina, tão intensa que não nos permitiu ver o desaparecimento do “objectos”. Quando se dissipou a neblina, mais um estranho acaso se verificou. Os rádios voltaram a funcionar normalmente. 
Como é normal, troquei impressões com outros camaradas que também se recordam de algumas coisas, deste episódio. Mas que a memória não traz tudo (40 anos é muito tempo). Para alguns, isto nada dirá, a outros que porventura tenham tido esta vivência desencadeará se calhar, memórias á muito esquecidas. Pensei que pudesse avivar e trazer este alguns destes “farripas “ e se possa escrever mais uma página da nossa memória colectiva.
Todas e quaisquer informações que houver deste “cenário” agradecemos que nos seja enviado.
OBS.Tive conhecimento que este fenómeno foi relatado por um avião da TAP, mas não tenho confirmação
Durante o tempo que mediou este escrito e a sua posterior edição, foi solicitado através de e-mail enviado pelo nosso companheiro A. Neves, a todos os ex-camaradas (que constam da nossa base de dados) e tivessem também assistido ao fenómeno, o favor de enviar o seu comentário para que também fosse inserido neste espaço.
Recebemos vários testemunhos a seguir transcritos.

Testemunhos:
Eu recordo-me desse acontecimento.
Para mim foi em finais de 71, princípio de 72.
De facto, naquela noite algo de anormal se passou nos cèus de HC, não tenho a certeza da quantidade, eram vários com a tal luminosidade diferente das estrelas, com mutação de cores.
Houve períodos em que se movimentavam e depois voltavam a fixar.
Recordo--me também, do que relatas quanto ao PV2 e das várias opiniões que a malta expressava, que eram helicópteros experimentais, etc.
Estás a ver aquelas cenas do costume em que todo o pessoal dá o seu palpite e para mais àquela hora !!!
Certo, é que motivou uma noitada diferente e razão para se beber mais umas Nocais, que aquela coisa de estar muito tempo a olhar para o céu a ver estrelas e ovnis enquanto se aguardava por PV2s e Camberras, fazia uma sede do caraças!
A.NevesEABT
+++++***+++++
Caros
O meu testemunho
Em 1970, estava destacado no AM44 ( Luso, destacamento de H.C.) com mais dois colegas que não me recordo o nome.
Todos os dias pelas 21h00, era obrigatório fazermos o QRX com o A.B.4 (XXR34) endereço radiotelegráfico.
Liguei a fonia e a grafia
Qual o meu espanto, que o circuito (fonia) estava um autentico delírio; o Controlador de serviço em H.C. era um individuo baixo com uns grandes bigodes e quando chegava ao circuito o seu grito de guerra era “AIKAMOCA AIKAMOCA chama chama”. Não me recordo do nome, mas lembro-me que o meteorologista Helder Guedelha de Castelo Branco era amigo dele.
Bem, como já disse, o circuito estava um delírio e todos gozavam com o AIKAMOCA pois pensavam que o homem estava na torre de controle com uma grande piela, o que não era difícil…
Lembro-me, que a narrativa aqui feita pelo Aníbal de Oliveira, é precisa. Melhor, é impossível.
O que se passou nessa noite foi fantástico, acontece que no Luso, nessa altura, não havia nenhum PV2 , lembro-me que estava em missão (???)
O que acontece é que o AIKAMOCA nessa noite devia estar histérico e pedia tudo e mais alguma coisa, inclusive os F´s que estavam na BA9 em Luanda.
Dizia, que eram três OVNIS e que vinham atacar o A.B.4, baixavam e levantavam e ainda se deslocavam para a direita e esquerda.
Depois, eram todos os RT´s que estavam em QRX, lembro-me do destacamento em Gago Coutinho, penso que seria o Gaspar que lá estava, que metiam a sua “colher” a gozar com o AIKAMOCA, isto foi um pouco longe de mais, uma vez que, como todas as pessoas sabem, as ondas Hertzianas de noite propagam-se com mais facilidade e com o tecto (céu) limpo ainda se propagam melhor e a comunicação chega mais longe e limpa.
Entretanto, um RT de Moçambique, e que estava em Lourenço Marques, apanhou toda esta conversa e meteu-se na frequência a dizer que fazia parte da tripulação do OVNI, foi um pandemónio… e este queria falar com o AIKAMOCA através de morse, aí, resolvi entrar em contacto com ele, e pediu-me para escutar (QAP) em (CW) morse, o qual me informou ser o Modesto. (Seria mesmo o Modesto??) O Modesto era Alentejano e este não tinha voz Alentejana. Informei-o que isto estava a ir longe demais e que o meu Comandante estava presente (o que era mentira), então ele teve receio, calou-se e saiu do circuito.
Para agravar a situação, entrou em cena um outro operador, que dizia ser de um voo da TAP, e confirmava tudo o que o AIKAMOCA dizia, e via perfeitamente a movimentação dos OVNIS, e que a F.A. tinha de tomar uma posição o mais rapidamente possível.
O AIKAMOCA delirava, e já não sabia o que fazer mais, mandou chamar o Oficial de Dia para ir à Torre de Controle. Esta não posso testemunhar, mas ele disse que o ia fazer.
Um episódio próprio do RECAMBOLL.
Bem, nessa noite foi uma tourada, só regressei com o motorista e outro colega (?) Casca??, já passava das 22h30, viemos para a cidade, e já não fomos ao cinema como estava previsto.
Já na esplanada dos gelados em frente ao Hotel Luso, e depois de ter narrado o romance a todos os presentes, estes não acreditaram no que estava a contar e que era invenção minha. Calei-me, e esqueci esse EPISÓDIO DELIRANTE , que só veio agora a lume, por ter lido este inóspito incidente cuja acção narrativa é de uma obra literária ou artística, de factos verdadeiros e notáveis.
P.S.: Fiquei sempre na dúvida se isto aconteceu mesmo, ou se o AIKAMOCA, com o seu liberalismo quis desestabilizar um pouco o sistema.
Não sei se ele foi chamado á atenção, o que sei é que ele com o seu saber a sua frontalidade e a sua veia artística e revoltada, era bem capaz de fazer um romance numa noite inolvidável em HENRIQUE DE CARVALHO.
Um abraço a todos
J.D.ErnestoOPC
Nota: O Aikamoca é o José Félix
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*Também me lembro desse acontecimento, poderá ter sido outro mas sendo 71/72 deve de ser o mesmo. Estava de serviço em Luanda, no Comando da Região Aérea, quando chegou a informação dos OVNIS que estariam á vertical de Henrique de Carvalho. Recordo-me que, de Luanda, foram enviadas instruções para descolarem meios aéreos, a partir do Luso, a fim de observarem e interceptarem esses ovnis. Creio que esses meios não chegaram a descolar. Mais tarde veio a informação que os ovnis tinham desaparecido e tudo voltou ao normal.
Um abraço
Pedro GarciaOPC
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*Aníbal eu recordo isso e segundo me parece, antecedeu a crise de doença quase colectiva, que se instalou em que poucos não caíram á cama e um dia ou dois depois foi enviada uma equipa de médicos de Luanda com medicamentos e alguns de nós (lembro-me do falecido Bilinhos que não largou a cadela durante esses dias) íamos com os médicos visitar todos os acamados e distribuir medicamentos. Tenho a ideia que a manutenção não abriu e os outros serviços também não funcionaram
Um Abraço
Raposeiro "Jesu"MMA
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*Pois amigos eu penso que isso se passou antes de Fevereiro de 1971, pois foi nessa data que os PV´s passaram de Luanda para H.C., e eu fui com eles, portanto se chamaram o PV do Luso, era porque ainda não estavam baseados em H.C.
Manuel PratesMRAD
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*Nada vi do que contais, pois decerto já estaria casado e a viver na cidade...
O que vos posso relatar é que, estando eu numa noite com o Félix na Torre de Controlo... apareceu-nos um gringo qualquer a chamar-nos em 'Sierra 2', dando-nos bailarico...
Naturalmente o Félix pediu que se identificasse, nada logrando com isso...
FAP Luanda que estava, como nós, à escuta, também entrou no ar, já que tudo se ouvia 5/5, por todos...
O dito cujo, fosse ele quem fosse, às tantas calou-se...
O estranho é ter ele entrado numa nossa frequência classificada.
Dir-vos-ei, para terminar, que estou à vontade sobre UFO's ou OVNIS, pois tais Naves sempre existiram...e, hoje em dia, apesar de vibrarem na Quinta Dimensão, andam por aí em grandes Grupos... sob o Comando de ASHTAR SHERAN.
Quem quiser analisar e desenvolver este Tema, pode ir ao
www.google.com
Colocar em busca: 'Comando Ashtar Sheran'.
Uma Boa Navegação, por instrumentos, vos desejo!
Abraços e tudo em PAZ!
JesusOPC
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Também me recordo dum acontecimento parecido. Não sei se foi o mesmo, mas aquele que me apercebi deu-se em princípios de 1972. Relatei-o na minha Crónica "Leste de Angola nº. 5", Episódio 2. Aqui vai a cópia do extracto:
2 - Noutra ocasião, encontrava-se um companheiro meu, (Rui Silva), de serviço à Torre. Ao escurecer, notou que havia uma luz que pairava no céu, mas que teimosamente não queria fazer-se à pista!... Tentou contactar com a suposta aeronave, mas esta não dava sinais de vida. Disparou um “very light” verde, para permissão de aterragem e, a luz da aeronave continuava a circular em volta da pista sem se aperceber de qualquer intenção. Intrigado, pensando que pudesse ser algum disco voador, telefonou para o Bar de sargentos a fim de solicitar a ajuda dum outro controlador mais experiente.
Lá vou eu ter com o Rui Silva para indagar da situação.
Conclusão, houve “ilusão de óptica”, “miragem pura”. A aeronave não existia! Porém, já tinha sido avisado o oficial de dia, iluminado as pistas com os candeeiros a petróleo e, chamado um bombardeiro que se encontrava ocasionalmente no Luso (Douglas B-26), para ajudar no combate… Para mais informações, só se contactarmos o Rui Silva. Ele foi o maior protagonista dessa cena. Encontrava-se de serviço na Torre de Controlo e, era um maçarico, na altura.
Um abraço
Vítor OliveiraOPCART
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Envio-vos a minha visão da tal noite dos OVNIS no AB4. 
Cito nomes, mas acho que não poderia deixar de o fazer e a história não teria interesse sem os citar. O "Pilas" (Vitor Faria) era meteorologista e tu deves lembrar-te dele muito bem. O capitão Acabado era de facto o comandante do PV2 que foi "combater" os OVNIS. Datas certas posso dizer-te, mas estão num livro de apontamentos que conservo, mas está no meio da papelada antiga que preciso de procurar.
Aqui vai o que me lembro dessa memorável noite dos OVNIS em HC.
O facto aconteceu pouco tempo depois de ter chegado ao AB4, já que ainda não estava na Linha da Frente. Lembro-me bem de ter voltado da cidade de uma jantarada, ou bailarico e subitamente me deparar ali no descampado que rodeava a torre de controlo com um relativo ajuntamento de especialistas e quejandos que olhavam para o ar com ar interessadíssimo.
E lá estavam nos céus as tais luzes nos quatro cantos do horizonte. Perguntei o que se passava e foi-me dito (creio que pelo Terrinha MMA) que havia OVNIS postados sobre a base. Para mim OVNIS não eram aviões inimigos, mas sim, obviamente, discos voadores. E lá estavam eles. Um estático no zénite. Brilhante como um pequeno astro-rei nocturno a fazer horas extraordinárias. O outro de cor fulva junto à linha do horizonte para o lado da porta de armas. Dos outros não me recordo, não por causa da Nocal, mas porque já lá vão quase quatro décadas. Mas concedo que a Nocal tenha contribuído para exacerbar a situação e a imaginação também. "Rádio Moscovo” a estação que mais gostava de sintonizar a seguir à South Africa Broadcasting... qualquer assunto: - O OVNI principal encontrava-se a 60 mil pés de altitude! Declarou!
Nesse momento houve um àh... de admiração a toda a roda dos circunstantes iluminados pelos holofotes da torre de controlo onde se encontravam os camaradas “controladores” que sabiam de facto o que estava a acontecer, pensávamos nós. Ainda hoje não faço a mínima ideia de como é que o ”Pilas” fez os cálculos, já que os operou de cabeça perante mim e mais não sei quantos (uma dezena, dezena e meia, sem auxílio de qualquer instrumento, nomeadamente sextante, ou coisa que o valha. Sextantes e Teodolitos são instrumentos necessário para tais observações, julgava eu.
Certo é que os 60 mil pés do “Pilas” pegaram, já que o controlador aéreo de turno (um camarada de que me não lembro o nome, que tinha descido da torre e estava connosco, subiu de novo à dita e comunicou a “sentença” do meteorologista de serviço de HC para o Luso:- O OVNI encontra-se à vertical da base a 60 mil pés de altitude.
Finda a mensagem, em vez de responder a torre do Luso, responde o capitão Acabado, a partir de um PV2 que dali tinha descolado uns 20, ou 30 minutos antes: - 60 mil pés? Como é que eu vou interceptar um OVNI a 60 mil pés se esta caranguejola foi feita para a luta contra os submarinos no Pacífico na Segunda Guerra Mundial, poucos pés acima do nível do mar. Nem sequer temos máscaras de oxigénio! Terá sido mais ou menos assim a mensagem do simpático capitão Acabado, excelente chefe de família, de que me recordo bem de várias missões, acordado a meio da noite para combater OVNIS, enquanto o resto de Angola dormia pacificamente sem cuidar de mais nada a não ser acordar no dia seguinte para os seus afazeres quotidianos.
Nesse momento de “stress de guerra” (stress de guerra?) o mistério adensou-se.
A torre de HC começava a receber uma mensagem em 5 por 5: - “papá, papá, palhota”. “papá, papá palhota”. Consultados os manuais coisa... (creio que era “Sistems”, já que a conhecíamos pela sigla SABS) e que transmitia os últimos êxitos do rock internacional, nomeadamente os “Osy Bisa”, “Janis Joplin” e “Melanie” já para não falar de Bob Dilan e Donovan. O Macedo tinha sempre a última e mais preciosa informação sobre qualquer coisa. Fosse o que fosse, mas em matéria política especialmente. O Macedo era do contra por natureza. Um grande amigo e companheiro. No entanto, nesse ponto, achei que estaria a exagerar.
Mas enfim... era possível! Que “raio”. Tinha 19 anos e estava no meio da guerra. O melhor era acreditar em tudo nomeadamente num ataque da URSS sobre a ignota base de Saurimo (HC). 

Penso, hoje, que na altura Moscovo se preocuparia mais com uma qualquer base de muito menores dimensões do Vietname onde a guerra-fria se decidia de facto e onde as coisas andavam muito, mas muito mais acirradas do que alguma vez em Angola estariam. Muito menos no nosso perímetro, mais, ou menos anónimo do Leste de Angola.
Nesse momento de cogitação técnico política surge o “Pilas” (outro camarada e amigo). Tão camarada e amigo que não lhe recordo o apelido, nem o nome próprio, mas sim a alcunha porque todos os tratavam assim. E ele fazia gala desse epíteto. Afinal “Pilas” fazia jus à virilidade da nossa juventude. Estive com ele uns anos depois já na vida civil em Lisboa, na Av. Da Igreja em Alvalade. Tinha então deixado as ciências herméticas dos cúmulos-nimbos e dos estratos e dos higrómetros, enfim... Depois disso nunca mais dele tive notícia.
O “Pilas” meteorologista de lei, que estava de serviço, veio pôr ponto de ordem à mesa, ou melhor, ao ajuntamento a esmo que se tinha reunido. E depois de reflectir longamente (meia dúzia de segundos, na verdade, creio eu, se a memória não me falha quatro décadas depois) esclareceu o as de tudo isso me lembro como se fosse hoje. Nesse intróito de cogitação pessoal, comecei a ouvir os “sound bites" (como se diz hoje) dos circunstantes. Ao pequeno grupo inicial foi-se juntando o pessoal que vinha do Clube, da Cidade, ou sabe-se lá de onde. Enfim...
Todos pontificavam. O Terrinha que era dos PV2 fazia cálculos e declarava que os OVNIS pairavam muito alto. Achei que o que dizia era correcto. Pairavam alto de facto. Faltava no entanto saber a que nível pairavam como se requeria. Quantos pés, que ângulo?
O Macedo que entendia que tudo no mundo pertencia ao domínio da política, afirmava que o regime e a guerra estavam por um fio porque os OVNIS não eram mais do que aeronaves inimigas altamente sofisticadas que só podiam ser soviéticas. Se calhar tinha ouvido alguma coisa no assunto: - O OVNI principal encontrava-se a 60 mil pés de altitude! Declarou !
Nesse momento houve um àh... de admiração a toda a roda dos circunstantes iluminados pelos holofotes da torre de controlo onde se encontravam os camaradas “controladores” que sabiam de facto o que estava a acontecer, pensávamos nós.
Nessa altura, Luanda decidiu assumir o controlo da situação ordenando à torre de HC que se calasse. A partir dali era o comando da 2ª Região Aérea que tomava conta da situação. O alto comando achava que a situação era grave. Era o momento dos generais tomarem conta da situação. Tratava-se de um caso de segurança nacional e assim foi. 

Provavelmente terá sido nessa altura que Luanda (algum general zeloso) terá pensado em pedir auxílio aos “primos” (sul-africanos) que com os seus Camberra detinham a tecnologia de ponta que nos faltava para detectar o inusitado ataque.
Ouvi dizer que os F84, da BA9 terão sido postos em alerta, mas não sei se chegaram a descolar. Acho que não. O que sei é que nesse entre tempo o OVNI alaranjado que pairava no horizonte baixo sobre a porta de armas foi subitamente ofuscado por uma névoa que se levantou e dissipou em pouco menos de meia hora. Finda a dita, a tal luz alaranjada desapareceu mais subitamente do que tinha aparecido. Simultaneamente o OVNI que pairava (segundo o Pilas) a 60 mil pés à vertical da base perdeu o fulgor. Os outros dois OVNIS em que não reparei de todo devem ter desaparecido igualmente. Devo dizer neste ponto da história que só me lembro de dois OVNIS, embora me recorde esparsamente, de que no murmúrio do ajuntamento se falar em quatro. 

Entretanto as horas foram-se passando. Seriam já uma onze da noite, ou mais e perante o desvanecimento dos céus e das luzes cada um foi à sua vida. Afinal o ataque dos marcianos não se tinha concretizado. Que chatice!...
Entretanto, vim a saber mais tarde, que o OVNI que pairava à vertical de HC, não era mais do que Canopus, uma estrela da constelação do Cão Maior que pairava bem mais alto do que os cálculos do “Pilas”. Estava não a 60 mil pés, mas provavelmente a 60 mil anos-luz. Bem mais distante do que a nossa imaginação dos 19 anos de idade pensaria possível. O facto de a humidade relativa na altura ser maior do que o usual, funcionou como lente fazendo com que Canopus se apresentasse aos nossos olhos inexperientes e sempre expectantes perante maravilhas nocturnas. 

Por seu turno o flamejante OVNI que surgiu e desapareceu no horizonte sobre a porta de armas não era mais do que o planeta Marte que nessa época do ano faz uma órbita baixa surgindo pouco depois do sol-pôr e desaparecendo a seguir. O mesmo efeito de lente provocado pela humidade fora do usual fez com que “planeta vermelho” brilhasse mais e consequentemente captasse a atenção sobre um astro que surgia diariamente, mas em que nenhum de nós reparava. 
A bruma que se levantou fez com que o planeta vermelho desaparecesse dos nossos olhos ainda mais depressa do que o costume. O facto foi anómalo, mas não passou de uma super coincidência de fenómenos atmosféricos. Finalmente o último mistério, que era a estação de rádio chamando “palhota”, também se resolveu. Afinal tratava-se da torre de controlo da Beira (Papá) que chamava um outro posto qualquer em Moçambique designado “palhota”. As mesmas condições meteorológicas que tinham ampliado o brilho de Canopus e Marte, igualmente tinham ampliado as condições de recepção rádio em Angola das comunicações do lado oriental de África. 
Quarenta anos depois irrita-me que Canopus e Marte não fossem os helicópteros experimentais do Aníbal, ou as armas secretas de Moscovo do Macedo, a pairar sobre nós. Por isso devo dizer a terminar que o que continua a bailar sobre a minha imaginação são os inexplicáveis OVNIS que de facto pairaram nessa noite indelével sobre o Aeródromo Base Nº. 4, algures nos céus extraordinários do Leste de Angola dos idos da década de 70. 
Não sabia que esse auxílio tinha sido pedido, mas não me custa acreditar já que o Aníbal (MMA), que diz ter ouvido que os OVNIS seriam helicópteros experimentais o afirma. E o Anibal não discorria em vão, nem o repetiria hoje sem citar fonte credível. Deixem-me dizer que o Aníbal, para além de exímio xadrezista, que se confrontava comigo nesta matéria e ganhava muitas vezes (eu também ganhava algumas, diga-se de passagem) era já veterano da guerra nessa altura e lia muito, que não só os jornais. Sabia como estava situação em Angola e no resto do mundo, porque também lia a “Vida Mundial”.
PS – Continuo a não saber bem em que ano foi, mas vou confirmar à minha caderneta militar que tem tudo.
João GuedesMMA
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No tempo em permaneci no AB4, fui sempre o responsável pela linha da frente como mecânico de radio, ficando depois o Prates, quando vim para o "Puto" .(nunca fiz destacamentos, só algumas operações e recolha de aviões que caíram, como o do Anibal)
Isto para vos dizer, que confirmo tudo o que a ANÍBAL descreve, não me recordo é da data mas recordo como fosse hoje o desassossego que houve nessa noite e nos dias seguintes.
Ainda hoje, não sei de facto o que realmente era aquele brilhar.
Também me lembro, que foi pedido auxilio, não me recordo se a Luanda se ao Luso, pelo peri-pi-pi. auxilio esse que nunca chegou pois com o passar das horas o tal brilhar desapareceu.
BaptistaMRAD


A todos os camaradas que contribuíram com a sua visão sobre o assunto um obrigado.


Por: