quinta-feira, 13 de agosto de 2026

MEMÓRIAS QUE A ESPUMA DOS TEMPOS NÃO APAGA


Aeródromo Base nº. 5 - ESQª. INDIOS - AM 51 - MUEDA 1971/73

Memórias que a espuma dos tempos não apaga.
Faz hoje 54 anos que numa operação de assalto à base Nampula da FRELIMO, com a companhia de paraquedistas do BCP 32 do meu amigo Barroca Monteiro. A base dos guerrilheiros, estava localizada, não muito distante do rio Litinguinhas, no Planalto dos Macondes.
Éramos 5 helicópteros e um heli canhão, eu voava a número três da formação dos Índios, na última leva, em direção da base dos guerrilheiros, o meu helicóptero o 9362, foi atingido no radiador de óleo da BTP (caixa de transmissão principal), deixando atrás de si uma rasto de fumo branco. Em gíria aeronáutica militar quer dizer “fui abatido”. O Iko que voava imediatamente atras de mim, disse-me com uma voz grave e ansiosa “estás a arder”. De imediato a luz vermelha da BTP acendeu-se no painel, só me restou aterrar de emergência numa “langua”. Por minha sorte e felicidade, era larga a permitiu a aterragem, dos outros 4 helicópteros.
Largámos os paraquedistas, que ficaram a guardar o helicóptero, fui recuperado e todos regressámos a Mueda.
As duas horas seguintes foram de um caos absoluto, era imperativo recuperar o helicóptero abatido. Uma equipa da manutenção liderada pelo meu grande amigo, o cabo mecânico Cláudio Costa, foram colocados no local e mudaram o radiador de óleo em pouco mais de 20 minutos, sempre com música ambiente, isto é, sob um ataque de morteiradas. No fim tudo correu bem passado um pouco mais de 2 horas, recuperei o helicóptero e estava de volta a Mueda “são e salvo”.
Uma data que jamais esquecerei.

Por: Gen. Alfredo Cruz