sexta-feira, 25 de maio de 2012

A SABOTAGEM...

Posto de rádio
Estava a ver o álbum de fotos Acidentes, do Blog e como já lá vão cerca de 40 anos, não deve haver problemas nesta divulgação.
Penso que foi em 1971, não sei precisar a altura do ano, durante dois ou 3 meses , várias aeronaves sofreram acidentes e até o Cmt. Wilton Pereira , quando vinha do Luso para HC, o motor do DO "soluçou" e teve de regressar ao Luso onde aterrou já com o barrote parado.
Enviou uma mensagem secreta para as OGMA, porque desconfiava que era sabotagem do pessoal, e pedia uma peritagem.
Ora nós, OPC, que sabíamos da situação da MSG, que não podíamos falar, se o fizéssemos dava uma grande bronca, e sabíamos que o pessoal MMA, estava a trabalhar noite e dia, era verdade, faziam turnos de noite, andavam todos estoirados, sabíamos que não era verdade, mas não podíamos dizer nada.
Era um dilema terrível.
Para mim foi das piores alturas, tinha que estar calado, não podia falar.
Passados 4 ou 5 dias, chegou pessoal das OGMA de Alverca, analisaram todo o material, das aeronaves acidentadas e foram-se embora .
Veio depois a confirmação, que não havia sabotagem, era cansaço de material.
Com toda a certeza, que esta "peritagem", da hipotética sabotagem, passou despercebida à maioria do pessoal. Provavelmente muitos companheiros MMA, se lembrarão da ida do pessoal das OGMA, mas desconheciam a "justificação" de tão pouca usual presença.

Hangar com muito trabalho !


























Um abraço de um OPC, devidamente identificado.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A MOLA...

(Para não melindrar ninguém, não vou dizer nomes de pessoas nem de locais.)

Uma ideia simples pode dar origem a um sistema muito prático. 
É o caso da mola que levanta o banco de trás do ALIII. Como todos se devem lembrar, quando os bancos de trás não tinham peso em cima, sob o efeito da mola, levantavam-se e ficavam na vertical, encostados à “parede” de trás, deixando livre todo o espaço para trás das costas dos bancos da frente. Esse espaço poderia então ser ocupado por todo o tipo de “carga”: macas para feridos, o canhão, sacos de correio, víveres para um destacamento isolado, etc. O ALIII era, assim, um veículo muito versátil e adaptado às diferentes necessidades da guerra. Toda esta versatilidade devia-se, em boa parte àquela simples... mola!
A imaginação (e atrevimento!) do Jofre mostrou-me, um dia, ainda mais uma utilidade para a dita mola.
Eu era um “maçarico” e o Jofre estava a “largar-me em destacamento”. Naquele princípio de manhã reinava a calma no pequeno destacamento da FAP, encostado ao aquartelamento a que dava apoio aéreo e que era a sede da Companhia do exército. O pequeno-almoço tinha acabado havia pouco e da sala de rádio vinham os sons próprios de todas as manhãs. No entanto a calma estava prestes a acabar...


Chegando com passo decidido, entrou pela pequena sala de refeições o Sr. Major do exército. Sem mesmo dizer bom dia “disparou” em direcção ao Jofre: “Preciso que me leve, de helicóptero, ao destacamento “xis”. Quando a frase chegou ao fim ainda o Jofre não tinha chegado à posição vertical que o posto do visitante exigia. Aprumando-se mas pondo os pontos nos is, o Jofre respondeu-lhe: “Não é assim, Sr. Major. Nós estamos aqui para dar apoio à sua Companhia mas isto obedece a normas. A Companhia deve fazer um pedido de apoio e eu analiso se o posso satisfazer ou não. Neste caso digo-lhe já que não posso. O helicóptero não é um táxi. Estamos aqui para satisfazer as necessidades operacionais como, por exemplo, evacuações sanitárias”. 
O Major não se deu por vencido e disse: “Então vá preparando o helicóptero porque daqui a dez minutos vai receber um pedido de evacuação.” E saiu.
“Lá vamos nós levar este gajo.” – disse o Jofre, consciente do que se seguiria. E saímos todos em direcção ao helicóptero para o preparar para sair.
Eu, maçarico, fiquei espantado com o à vontade do Jofre perante um... Senhor Major.
Pouco tempo depois reapareceu o Major, com um pedido (escrito) de evacuação. E lá fomos! O Jofre aos comandos. O mecânico e eu nos lugares da frente e o Major no banco de trás. A viagem duraria cerca de 20 minutos.
Pelo caminho o Jofre foi-me mostrando algumas referências no terreno e dando alguns conselhos. Ao mesmo tempo ia comentando a prepotência e falta de respeito de alguns militares que usavam os galões para impor a sua vontade. Aquela situação tinha, visivelmente, incomodado o Jofre. Claro que o Major não tinha auscultadores e não podia ouvir a conversa. Aliás, em “grande operacional”, nem o cinto tinha posto.
A curta viagem correu bem e o destino já se avistava ao longe quando o Jofre se agitou no banco e se voltou para o painel de instrumentos ao mesmo tempo que nos dizia para não nos assustarmos mas que iria pregar uma partida ao Major. E que partida!...


Bruscamente, o Jofre pôs o passo em baixo e, sem o cinto, o Major foi “disparado” contra o teto enquanto que a mola fez aquilo para que foi desenhada: levantou o banco que se encostou à parede de trás. Quando, quase de imediato, o Jofre repôs o passo, o Major bateu estrondosamente no “chão”. 
Durante o resto do percurso o Jofre, simulando uma grande preocupação, continuou a mexer em tudo no painel de instrumentos. O Major, muito assustado e sem entender o que se passava, nem se levantou mais até à chegada ao destino.
Aterrámos junto ao destacamento e o mecânico foi abrir a porta ao Major que saiu imediatamente.
Como previsto, não havia ninguém para evacuar. O Major, embora o Jofre lhe tivesse garantido que seria capaz de voltar “sem problemas”, decidiu fazer a viagem de regresso em viatura.
O Jofre tinha razão: embora tivéssemos rido bastante, a viagem de regresso passou-se “sem problemas”. Quanto a mim, aprendi que uma simples mola pode ter um papel importante na demonstração de quem é quem.

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sábado, 5 de maio de 2012

CONVERSAS NA CIDADE Nº.1


Nota Introdutória

     Repuxando o nosso passado, aquele que se inseriu nas décadas de sessenta e setenta, já do século “ido”, … há “c´anos”!... vou tentar transportar para os   “especiais”, as famigeradas conversas da “treta” tidas em família sobre temas tão diversos que marcarem a nossa estadia por terras do outro Mundo – terras do Leste de Angola.
     Certamente que todos quererão relembrar a época dourada dos nossos “vintage” e, talvez duma forma interessante e maliciosa!... Pois, sendo assim, irei apelar para três personagens por mim criadas para darem a viva voz e “palrarem” sobre nossos briosos feitos.
     Entrarão nas “peças cantantes”, o “Marrador”- aquele que marra, e não narra, o “Vito”, aquele que canta de cor, e o “Joca”, aquele que escuta e consente. Todos eles terão licença para “serrar”, “morder”, “trincar”, com moderação – e fazem convite aos leitores da “aérea nação” para intervirem, procurando nos recônditos da memória já nutrida de fluidos de “alzeimer”, formas de criticarem, corrigirem, inventando ou, desmentindo o que bem lhes aprouverem. 
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Marrador – Da Toca da Base, saem dois “coelhos” desejosos de liberdade. Fardados ou, não, eis que deixam os bares internos, a Torre, as casernas, a cidade militar, toda a sua estrutura “fedorenta”, as “gaivota de chapa batida” no seu “vai vem” rotineiro, as “paladas” de cumprimentos, capitães, disciplina a matar, o remoer que perdura diariamente…
Querem ver as “garinas” de saias aladas na belíssima Saurimo, as “black” sanzaleiras despertas nos seus “gungungos” enfim, o desejo de pronunciarem o “Moio” … para com os valentaços “batedores”.
     O Vito e o Joca já se estatelaram junto à Porta de Armas aguardando pelo transporte que os encaminhará para os lados de “Las Vegas”.
     Vou deixá-los “cantar” por longos minutos… Será uma estadia para cansar!
VITO – Ehhh pá… ao encontrar-me aqui, à beirinha da Porta de Armas, fez-me lembrar uma situação que me afrontou há meses atrás, na altura em que cheguei a esta “guerra”.
JOCA – Conta, conta. Mas fala baixo porque está ali… malta graduada.
VITO – Depois da minha aterragem nestas bandas, andei mais de quinze dias sem “arrear”. Estava tão “empedernido” que até pensei em deixar de comer, receando que pudesse vir a rebentar. Isto, de mudanças de ares, deixa-me sempre apreensivo, mas desta vez receei pela minha vida!
JOCA - E depois? Desanuviaste?
VITO – Calma. Com este receio… acabei por resolver a situação porém, acagacei-me novamente!
       Pensei em exercitar o corpo, e para tal,  vesti-me a rigor com o fato de treino – calçãozinho branco, ténis à maneira, camisola de manga cavada, e nos bolsos – metade dum rolo de papel higiénico. Tudo branquinho a marchar pelas matas ou, savana. Já me esquecia que estava em África e tomei as árvores como se fosse o “Pinhal do Rei”…
     O “raso” da Porta de Armas bateu-me a “pala”, abriu a cancela, e deixou passar o pombinho branco
     Lá saltitei pela “cangosta”, pela picada a fora, aquela que seguia em frente da Porta de Armas. Andei, andei, corri, saltitei para ver se “desmoía” os “ingredientes” já amorfos, mas sinais?!... só de azoto!
     A meio caminho, já sem avistar o arame farpado das “borboletas voadoras”, oiço um ruído na medonha floresta que até me causou arrepios. O pinhal do rei, deixou de ser savana para passar a floresta pois, aqui não haviam melros a cantar… Barulho? Seria algum leão?!  leopardo?! crocodilo?! E para maior temor meu, ainda pensei confusamente se o mesmo teria asas!...
     Ohhh menino, fiz um rodopio, coloquei o acelerador a fundo, e só parei na “cagadeira” da rendição. Não houve tempo para chegar à minha “caserninha”.
JOCA – Tanta pressa?
VITO – Duas pressas… O medo e o “bombardeamento” resultante da ginástica forçada e dos leões…

JOCA – Ou de alguma ratazana!... Enfim, ficaste curado!...
Marrador – A conversa era da “treta” – tal qual as conversas dos “especiais”.
Prontos para tomarem a carrinha “mercedes” a caminho da cidade, retomam o seu “falório” já em andamento.
Não esqueçam que são apenas cinco quilómetros de percurso, mas havia muito para “palrar”.

VITO – Já eram horas de partir. Decerto que o condutor adormeceu.
JOCA – Nahhh…. Há oficiais no grupo!
VITO – Ei-la. Entramos. Bem, se não viesse, iríamos de “kinga”
JOCA – De “kinga”, a pé, de mota ou, numa “mini Onda 50”.
VITO – Transportes que já utilizei. A pé, pela “picada” de terra batida e que marginaliza a estrada asfaltada pelo lado direito. De “kinga”,  naquela que comprei ao João para me deslocar pela Base. De vez em quando monto nela e faço as minhas explorações etnológicas e sanzaleiras…
Na “mini 50”…. Essa é que me assustou redondamente!...
JOCA – Só sustos? Inicialmente, com os intestinos a darem-te volta, agora, a mota?
VITO – Pois, tinha pedido essa “motita” ao Girão para efectuar um “rally” à vilaça, e quando regressei no lusco-fusco, o farol “piscou-se”. Enquanto deslizava pela recta, mesmo sem lua, lá ia… Quando cheguei às curvas próximas da Base…fui a  atalhar. Embrenhei-me na floresta. Afirmo, não era mata, era a floresta virgem e na total escuridão. E os “cagaços” que senti na estrada sem nada ver? Já imaginava os “turras” em cada canto. Catana daqui para ali e a prisão de ventre ficava-me curada…
JOCA – “Cagaceiro”. Nem há “turras” nestas  paragens.
Calor, isso sim. Vês ali aquele caminho paralelo? Há uma semana atrás resolvi sair para tirar umas fotografias. Como não ia ninguém comigo, utilizei o “temporizador” assentando a máquina na terra batida. Quando levantei a máquina fotográfica, a correia que jazia no chão, estava separada. Tinha derretido!
VITO – Olha, olha… o Rádio Farol. Deve estar ali o Raimundo!...
JOCA – Ele, e as suas turistas… Estão sempre a “espraiar”, e ele a versejar. Poetas que eles são! 

VITO – Atrás do Rádio Farol, segue uma picada estreita que se embrenha pelas silveiras abaixo. Tive uma aventura para aquelas bandas!...
JOCA – Puxa pela língua. Mataste uma “surucucu”?
VITO – Fui visitar a Rosa, aquela boneca negra, meiguinha de encantar.
JOCA – Visitar? Fazes-me rir!...
VITO – Maldoso!... Fui visitá-la e levar-lhe cumprimentos do Júlio que partiu para o “puto” e que me recomendou protecção. Levei-lhe umas lembranças para o filho de ambos…Afinal, foi mais uma das sacrificadas da guerra e acabou com mais um encargo para a vida!
JOCA – Seria esta a Rosa que é referida nos versos do “farolista”?
VITO – Parece-me que sim. Por alguns versos carregados de tristeza, tudo indica ser a mesma. Ora escuta…
…,…           
Chama-se ROSA!     
E a ROSA tem de humano,
A posição vertical.
O resto…
O resto
É de animal irracional.
Não tem ódio no olhar,
Nem rancor pelos tiranos;      
Ambições também não tem,
Que a vida
Sempre lhe deu desenganos,
E ela deixou de ambicionar.
…,…     …,…
Aquela é uma rosa
Que não se encontra nos rosais!
Pétalas negras,
Pistilo de marfim.
E dois estigmas dardejantes de pureza,
Que beleza!        
Nunca vi outra assim.
…,… …,…
JOCA – Acredito na tua “bondade”. Não dormiste nessa noite, mas…
VITO – Nem nessa, nem em mais alguma pois, quando tentava seguir a “picada”, pela noite, errava o caminho e emaranhava-me no “silveirado”. A cubata ficava distante do povoado, isolada…naquela mata sadia!
JOCA – Sadia…
Marrador - Como a distância da viagem era tão curta, não deu para dar largas “cuspidelas” às nossas “cuscas”. Encontramo-nos na grande Rotunda, entrada na cidade. Na nossa margem esquerda, encontra-se o grande depósito de água, pintado a branco. Toma-se a Avenida principal que nos encaminha em direcção à Capela, voltamos à esquerda, passamos pelo bairro dos Sargentos, roçamos o Bar Quioco, Hospital, e terminamos o circuito em frente do Hotel “Pereira Rodrigues”, no cruzamento que dá para o cinema “Chikapa”, o novo, - local dos “mirones”
     Caros leitores, puxem pelos vossos “neurónios”. Relembrem as vossas peripécias para aconchegarem os textos do Vito e do Joca. O Marrador, suaviza a coisa… 

Até Atébreve
O Amigo 








sábado, 28 de abril de 2012

ÉRAMOS TODOS UNS MIÚDOS !

 

O Tex, bom amigo, levava as suas missões muito a peito. E tinha muito mais juizo do que eu.

Há tempos encontrei-me com ele em Braga e, à volta de um almoço, vimos velhas fotografias e falámos de tempos idos. Ele trouxe-me à memória um acontecimento que eu tinha esquecido há muito.

Decorria uma operação lá para os lados do Cuito Cuanavale e eu saí para fazer uma evacuação na mata. O Tex, qual anjo-da-guarda, acompanhou-me com um T-6 para dar protecção.
Como os helicópteros voavam, por norma, mais baixos que os T-6, ao fim de algum tempo de voo, camuflado pelo terreno, o Tex tinha-me perdido de vista.
Consciente da sua missão o Tex quiz localizar-me para o caso de...
"Como é que eu podia proteger-te se não sabia onde tu estavas?" - disse o Tex, com toda a razão.
A conversa no rádio foi rápida e sucinta:
- "Cafre, Tex." 
- "À escuta."
- "Posição?"
- "Sentado!"
...

Diz o Tex que, naquele momento, teve vontade de me bater mas...
Eu conheço bem o Tex e a grande preocupação que tinha pelos companheiros. Por todos os seus companheiros. Ele queria dizer que precisava de saber onde é que eu estava para me dar uma boa... protecção.
Éramos todos uns miúdos, mas o Tex era menos miúdo que alguns de nós. Grande Tex!
Tex, Ribeiro da Silva, José Ramos e José Carvalho


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segunda-feira, 23 de abril de 2012

CAPINAR COM HÉLICE

DO 27 Para a descolagem 
Decorria o ano de 1969, quando o comandante da esquadra, capitão Cóias, me incumbiu de acompanhar o fur. Piloto Abecassis no voo de adaptação do DO 27, com a viva recomendação de não permitir brincadeiras.
Após a preparação do avião, lá nos dirigimos para a pista, após um bom aquecimento do motor, com todos os procedimentos, pois o Abecassis era “maçarico”, descolamos e subimos até 3000 pés de altitude, a normal para voo de cruzeiro.
Eis que nos depara uma maravilhosa vista do rio Chicapa serpenteando através de uma “chana” com o capim bem crescido, ultrapassando os 2 metros de altura naquela época do ano, e o nosso amigo Abecassis disse: - É pá, e se fizéssemos uma “rapada”? – o que respondi – não te esqueças o que disse o capitão! – ao qual ele retorquiu – só se fores fazeres queixinhas! – e eu atingido em cheio no meu orgulho, repliquei – claro que não!
Então o nosso “herói” empurrando o manche para a frente, picou o avião até atingirmos uma altitude, em que do meu lado via a roda do trem a uma altura do capim, cerca de um metro, e lá fomos “rapando” o capim, a uma velocidade de 180 nós aproximadamente. Entretanto, devido ao serpentear do rio, ao atravessarmos de uma margem para outra, perdeu-se a referencia da altura do capim, e quando chegamos à outra margem, vejo a roda do meu lado a entrar pelo capim adentro, ouço um barulho ensurdecedor, do capim a bater na barriga do avião, e bocados de capim a voarem à nossa volta, cortados pelas pontas do hélice. 
Entretanto, tudo isto em instantes que me pareceram uma eternidade, o Abecassis com a minha “ajuda” puxa o manche para a barriga, e lá vai o avião a ganhar altitude, e após breves instantes o Abecassis, tremendo como varas verdes, pede-me um cigarro para tentar acalmar, e claro eu também não me encontrava lá muito calmo, até tinha dificuldade em tirar o cigarro do maço, também fumo um.
Quando acalmamos foi a vez de verificar os “estragos”, e verifico que do meu lado, entalados, no disco do travão, pedaços de capim, pergunto ao Abecassis como estava o lado dele, o que me responde, que do lado dele também tinha capim agarrado ao disco do travão. Sugiro que quando aterrássemos, ele não dirigisse o avião de imediato para a placa de estacionamento, e permanecesse uns minutos na pista, a fim de dar tempo a que eu saísse a fim de limpar os travões.
Qual não foi o meu espanto, quando saí do avião e verifiquei que havia pedaços de capim entalados no estabilizador horizontal, junto à fuselagem, e também metidos no saco da antena de VHF.
Após fazer a “limpeza”, lá nos dirigimos para a placa de estacionamento. Quando parou o motor verifiquei que cerca de um palmo da ponta do hélice para dentro se encontrava verde, como se estivesse a cortar “caldo verde”. 
No fim disto tudo, claro que o capitão Cóias, pela minha boca não soube de nada.
DO 27 "Capinando" o arvoredo - foto de Eduardo Cruz



Nota: Esta estoria poderá ter algumas imprecisões por ser escrita 34 anos após os acontecimentos.


Lisboa, 01 de Junho de 2006



terça-feira, 17 de abril de 2012

MEMÓRIA DE UMA VIAGEM PARA LUANDA

Plano da viagem Luso-Luanda
Vamos recuar quase...40 anos, mais própriamente ao dia 26-04-72, AM44Luso. O sol nasceu como nos habituou....sorridente e brilhante. No aeródromo estavam já os quatro intervenientes desta "MEMÓRIA": HELI 9333 ("primo"), o Cap. PIL Costa Santos, o EABT Edmundo Paulino e o MELEC António Borges
Após ter reunido algumas peças sobressalentes e o  Borges ter recarregado a bateria do heli, eis-nos na placa com o material e respetiva documentação para a entrega em Luanda-BA9 do heli 9333 ao país de origem. Decerto se lembram o significado do termo " primo", eram os Alouettes III "emprestados" pela África do Sul.
No aeroporto de Nova Lisboa
Descolamos com destino a Silva Porto onde aterramos após 2,05h de voo. Bonita cidade, onde reabastecemos e de seguida com mais 1 hora de voo aterramos na cidade de Nova Lisboa (Huambo), onde pernoitamos. "Era" uma cidade bonita, com ruas largas e com muitas flores e onde pela primeira vez vi mulheres cobradores nos autocarros (já na altura, muito á frente ). Eu e o Borges vimos a sede das famosas corridas automobilísticas "24 horas de Nova Lisboa" e claro que demos umas voltas pela cidade. Na manhã seguinte bem cedo, estavamos no aeroporto de Nova Lisboa para seguirmos para Santa Comba, Quibala e Luanda. Á saída de Quibala apanhamos um forte nevoeiro que em conjunto com a topografia do terreno com serras, fomos forçados a aterrar numa fazenda de nome "BUMBA". Ao aterrarmos junto a palmeiras, logo veio o capataz, um senhor de Viseu há muitos anos em Angola que foi excecional na recepção. 
Logo pela manhã queria ir fazer churrasco para comermos, mas tínhamos tomado o pequeno almoço havia pouco, mas mesmo assim levou-nos para a sua casa onde nos serviu café puro da fazenda (foto), chouriço caseiro picante, manteiga etc, etc. Para ele e esposa foi de grande alegria a nossa chegada, pois há muito que não conviviam com pessoas da metrópole, pois tinham 2 filhas a estudar em Luanda, para as quais houve tempo para escreverem cartas para nós levarmos, enquanto nós admirávamos a plantação de cafeeiros (foto). Contou-nos ainda que muita vez ia à caça para subsistência e que o café produzido na fazenda ia para Luanda para torrar e 90% dele ia para o proprietário na Alemanha.
Na fazenda Bumba
Passado o nevoeiro, eis-nos a caminho do heli para prosseguirmos viagem, quando surpresa das surpresas a turbina não pegava. Falhada a primeira tentativa, o Cap. Costa Santos aguardou um pouco,  tentou segunda vez e... nada. Entretanto o Borges verificou velas, cabos, etc,etc. e tudo estava bem. À saída de Quibala, Luanda foi informada da nossa hora de chegada (ETA), mas como ainda estávamos na referida fazenda, foi tentado via rádio a correção da ETA.  Não era conseguido contacto uma vez que estávamos rodeados de serra, que dificultava as comunicações apesar dos vários canais tentados, inclusive um avião comercial que ouviamos muito ao longe. Entretanto, o Cap. Costa Santos, que embarcava para a Metrópole no dia seguinte, ao ver o tempo passar, começou a ficar nervoso. É então que o Borges diz que se na terceira tentativa a turbina não trabalhasse, nada feito pois a bateria não aguentava mais. O Cap. Costa Santos respirou fundo, ligou a ignição e dizia: vai....vai....vai, tenho de ir para a Metrópole. A máquina não obedeceu!
E agora? 
Bem, como um Especialista nunca se atrapalha, o Borges sugere ao capataz da fazenda
Na Quibala com António Borges
arranjar baterias
 
de camioneta para ligá-las para o arranque, o que com simpatia se prontificou a fazer. O tempo passa e o Capitão vendo a Metrópole cada vez mais longe tenta uma quarta vez e... vai...vai....vai e a turbina pegou. Grande alegria para todos, tendo o Borges dito que a bateria excepcionalmente aguentou 4 arranques pois tinha-a posto à carga na véspera e estava na carga máxima. 
Após descolarmos daquela paisagem maravilhosa, era prioritário informar Luanda a nossa nova hora de chegada (ETA) o que só foi possível fazendo relé com um avião comercial. Soubemos depois que devido ao nosso atraso  e não comunicarmos via rádio, fomos dados como "desaparecidos" tendo inclusive, descolado um Puma da BA9 com combustível para nós. 
O All III entregue
Após 1,35h de voo  estávamos a chegar a Luanda e com nova peripécia, que desta vez poderia ter sido bem pior. O Capitão pediu autorização á torre para aterrar e cruzar a pista para o heliporto, o que foi concedido sem qualquer outra informação, pois todos tínhamos auscultadores e ouvimos bem a palavra "autorizado". Quando cruzávamos a pista, eis que surge da nossa direita um Cessna a descolar e o acidente só não se deu por um mero milagre porque o Capitão Costa Santos deu um ligeiro toque no manche e o Cessna passou mesmo à nossa frente.  
Começou então uma "guerra" de palavras entre Cessna/Torre/Heli. O piloto do Cessna dizia para a torre: viram o que ia acontecendo? 
A torre  comunicava   com o heli dizendo que ia reportar a nossa manobra ao que a resposta foi: pode reportar e até participar, o meu nome é... fiz o correto e fui autorizado. 
Aterramos em segurança, despedimo-nos do nosso companheiro de viagem, entregamos o heli na BA9 e na segunda-feira regressamos de Nord AB4/Luso.




sexta-feira, 13 de abril de 2012

AVIÕES DA 2ª.GUERRA MUNDIAL - MESSERSCHMITT BF 109


O Messerschmitt Bf 109, popularmente conhecido como Me 109, foi o mais famoso avião de caça alemão monoposto dos anos 1930 e 1940, com uma produção de mais de 33.000 unidades. O primeiro vôo aconteceu em Maio de 1935, tendo sido posto à prova pela primeira vez na Guerra Civil Espanhola. De 1937 até à Segunda Guerra Mundial, todas as unidades de caça foram equipadas com esta aeronave e muitas as mantiveram recebendo permanentes melhorias até ao fim da guerra. O Bf 109 serviu também, além da sua função principal de caça, como caça-bombardeiro, caça nocturno e avião de reconhecimento.

As primeiras versões eram os Bf-109 B, C e D, todos com motor menos potente que o definitivo 109 E. Grande quantidade do modelo E estava em serviço no final de Agosto de 1939, quando teve início a invasão da Polónia. De lá até 1941, este aparelho foi, de longe, o mais importante caça da Luftwaffe. Após 1942 a versão dominante foi o 109 G "Gustav", que atingiu mais de 70% do total de aparelhos recebidos pela Luftwaffe. Veja aqui a história do Messerschmitt Bf 109. (Source Squadron Signal Publications)
O Messerschmidtt Bf-109 G-14, matrícula 460 520, com o nome de guerra "Black 11".
Um veterano da Legião Condor dando instrução aos maçaricos.
Uma pausa para descontrair.
Um Messerschmidtt Bf-109 G-6/U2 encontrado pelas tropas americanas nas instalações da Henschel Aero, perto de Kassel.
Cockpit do Bf-109 G-2TROP e notas do piloto Paul Day.
Algumas pinturas usadas nos Messerschmidtt Bf-109.(Source Squadron Signal Publications, Monogram and An Illustrated History of WW2 Aircraft)

Créditos: jfs -ex-ogma.blogspot.com