quinta-feira, 2 de agosto de 2018

O VAPOR ÍNDIA


Passaram recentemente, 100 anos sobre uma das maiores tragédias das forças armadas Portuguesas, numa só manhã, morreram 400 homens, e no final desse trágico dia eram mais de 2800, nos dias seguintes muitos viriam a morrer devido não só a feridas de balas e estilhaços, mas sobretudo por causa do uso pelos Alemães de granadas de compostos químicos que dizimaram as trincheiras de soldados Portugueses e Britânicos. 
Isto está documentado é referido todos os anos por esta altura. Quero falar-vos de outros combates e outras vítimas Portuguesas. 
Com o início da 1ª Grande Guerra em 28 de Julho de 1914, os navios que estavam em trânsito ou atracados em portos pertencentes ao Reino Unido, França, Império Russo e seus Aliados onde se incluía Portugal, e os pertencentes ao Império Alemão, Austro-Húngaro e seus Aliados, foram reciprocamente "Requisitados". 
Entre os vários navios nessas circunstâncias, a 10 de Julho de 1916, foi requisitado o vapor "VORWAETZ" pertencente à Companhia Austrian Lloiyd, com sede em Trieste, que fazia a carreira entre os portos de Hamburgo, na Alemanha e a Austrália, efectuando escalas em Lisboa, África Ocidental e Oriental Portuguesa e Alemã, Índias Portuguesa e Britânica, Extremo Oriente e Austrália, depois de rebatizado com o nome de Índia, sob bandeira Portuguesa, e integrado na CTME, "Companhia de Transportes Marítimos do Estado" ao efectuar uma viagem entre Londres e Cardiff, foi perseguido e torpedeado por um submarino Alemão em 29 de Março de 1918, por altura do farol de "OWRES" daí resultando 5 mortos. Lançado o SOS foi rebocado com sucesso para Portsmouth onde foi encalhado para reparação em Stokes Bay, acabando mais tarde por arder posteriormente quando estava ancorado no estuário do Tejo. 
Passaram exactamente 100 anos, sobre o acontecimento que desconhecia, ao remexer em documentos antigos da família de que sou fiel depositário, (fotografias, cartas, cadernetas militares e cédulas marítimas) para me inteirar de quantos antepassados meus já passaram como eu pelo serviço militar nos três ramos das Forças Armadas de Portugal, quando me deparei com uma certidão, e uma cédula marítima, que davam conta e registavam o acontecimento. 
Sou como a maior parte dos Portugueses, de uma família com raízes um pouco por todo o território Continental. Uma parte desses antepassados, tinham profissões ligadas ao Tejo, e ao Mar quer como pescadores, quer como embarcados com diversas profissões, e pelos documentos encontrados, verifiquei que o maquinista do vapor Índia, um dos cinco falecidos, era um Português, nascido em 18-08-1889 na Golegã, de nome, António Lourenço, casado com Soledade d'Almeida, meus avós maternos, (ficou para mim finalmente explicado o porquê da não autorização de ingressar na marinha aos dezoito anos) levando a que mais tarde já adulto, ingressasse na Força Aérea. 

Outros familiares chegados, três tios: Francisco Sousa Almeida, Artur Sousa Almeida, António Marques Asseiceiro, cumpriram serviço militar durante a Grande Guerra, sem qualquer ferimento. 
Durante a Guerra do Ultramar, os filhos e netos destes foram sucessivamente mobilizados para combater em África, num total de: 1 na FAP, em Angola, 1 nos Paras, em Angola, 4 no Exército, 1 na Guiné, e 3 em Angola, todos Portugueses anónimos que o tempo e os homens esqueceram rapidamente, e a quem os jovens de hoje ignoram, porque a mesma Pátria e a mesma Bandeira que os "mobilizou na totalidade e em força" se esqueceu rapidamente de lhes explicar o que foi crescer com o espectro da inevitabilidade duma guerra por cumprir.


Por:
OPC ACO

Sem comentários:

Enviar um comentário