sexta-feira, 3 de abril de 2015

ACIDENTE DO T6 1789

O 1789 pilotado pelo Gonçalo de Carvalho
Sobre o acidente com o T-6 1789, o que posso dizer é que o Alferes Lorena e eu, nesse dia, 19/7/1969, chegámos a Gago Coutinho para fazer a rendição do comando. 
Antes da aterragem por volta do meio dia, o piloto, talvez para marcar o estilo fez uma sessão de acrobacia. 
Após a aterragem a ordem foi almoçar, armar dois T-6 e desencadear uma acção de ataque aéreo no sul da ZML, para os lados do Chiume.
O Soares MAEQ seguiu no avião pilotado pelo Alferes Lorena, sendo o 2º. avião pilotado pelo Furriel Fidalgo.
Da missão apenas regressou um avião (o asa) do Fidalgo, informando que tinha havido um acidente com o outro avião, mas os tripulantes estavam vivos.
O acidente teria sido motivado, ao ser atingido por um estilhaço de bomba.
Devido à hora tardia, só no dia seguinte, o Fidalgo e eu seguimos num T-6 para o local do acidente, onde detectámos o avião acidentado. Após duas ou três voltas sobre o local avistámos um very light e marcámos o ponto. Passado algum tempo chegou um PV-2 e depois Helis com paraquedistas. Abandonámos a zona e regressámos a Gago Coutinho muito aliviados com a quase certeza da recuperação dos nossos camaradas com vida.
Foram de facto recuperados e evacuados de Gago Coutinho para o Luso com ferimentos ligeiros, o Soares com um golpe profundo num dos joelhos.
O Lorena, depois da comissão nunca mais o vi.
O Soares ( MTK para os amigos mais chegados) encontrei-o uma vez no Montijo.
Foi por causa deste acontecimento, que eu apelidei o Soares de "voluntarioso", embora, também fosse conhecido por “filhas boas” !

Um abraço. Mexia.

2 comentários:

  1. BM deixou um novo comentário na sua mensagem "ACIDENTE DO T6 1789 (I)":

    Dei duas passadas apenas em cima do local onde caiu para não chamar a atenção dos Turras. Na primeira volta sobre o T-6 despenhado vejo a cabina deles aberta, e na segunda volta já vi os dois em pé cá fora do avião. Saí de imediato dali, e segui rumo à Chiumbe que ficava ali perto, cerca de 8 minutos de voo, e onde tinhamos um quartel do exercito. No trajeto agarrei no meu mapa e escrevi “T-6 CAÍDO DE EMERGÊNCIA, SIGA O RUMO X”. Ao sobrevoar o quartel, que era bastante pequeno e ficava em cima de um morro, fiz uma passagem em voo lento, flaps e trem de fora, cabina aberta, tudo o que pudesse baixar a velocidade do T-6 ao máximo mas sempre a controlar a velocidade para não correr o risco de entrar em perda. Passei sobre eles com uma velocidade de cerca de 80 mph ou menos, atirei o mapa lá para baixo, recolhi trem de aterragem e flaps e fiz uma volta. Vi-os com o mapa na mão e logo de seguida o Unimog a fazer-se ao rumo que lhes indiquei. Segui então para a base em Gago Coutinho e contactei Henrique Carvalho para informar o Comandante da base e de esquadra sobre o acidente.
    A noite foi péssima, para além da preocupação pelos camaradas que ficaram entregues à sua sorte no local dos guerrilheiros, o Cabo vinha chamar-me quase de 20 em 20 minutos, “O Comandante quer falar consigo, precisa de saber mais isso ou aquilo.” Ao fim da noite mal dormida, ainda quase antes de nascer o dia descolamos para identificar o local do acidente de forma aos helicópteros resgatarem piloto e mecânico. Seguia também um PV-2, que não ia a fazer quase nada senão “show-off “ para meter medo aos Turras, uma vez que apenas eu sabia o local exato da queda. Para piorar o cenário, o T-6 havia ficado parcialmente escondido no meio das árvores. Nessa manhã quando localizamos o T-6 caído, fiquei espantado ao ver o avião completamente destruído, não queria acreditar no que via pois no dia anterior o T-6 estava praticamente inteiro no meio das árvores. Só mais tarde vim a saber que o problema que fez o avião cair, foi uma fuga de óleo que já se transformava em fogo fazendo o Lorena decidir uma aterragem de emergência em vez de seguir para a pista mais próxima. Essa mesma fuga de óleo transformou-se numa pequena chama após a queda do T-6, consumindo-o lentamente até chegar aos depósitos de combustível que acabaram por explodir passadas algumas horas.
    Após serem localizados, só lançaram o very-light quando ouviram o ruído dos helicópteros a aproximar-se, pois sabiam que estavam cercados por guerrilheiros que andaram à sua procura durante toda a noite. No dia anterior logo após o acidente, afastaram-se do avião e do local para não serem apanhados pelos turras. Acabaram por passar a noite em cima de uma árvore, em que até para urinar faziam pela perna abaixo para não denunciarem o esconderijo aos turras, que faziam tudo por tudo para os capturar.
    O resgate acabou por se dar por volta do meio-dia, foram resgatados por para-quedistas que se encontravam destacados em Ninda, entretanto não assisti ao resgate uma vez que já tínhamos retornado à Gago Coutinho. Pouco tempo depois do resgate segui com o Do-27 para Ninda com o Tenente Andrade salvo erro, para fazer a evacuação de ambos para Gago Coutinho por se encontrarem com alguns “maus tratos”. Estava aos comandos do Do-27 quando o Lorena entrou no mesmo para ser evacuado, virei-me para trás e disse-lhe apenas “ficas a dever-me uma!”, referindo-me ainda às bombas que quase me mandaram ao chão.
    O Lorena foi-se embora nesse mesmo dia para o Luso e passado pouco tempo também acabou a comissão, pelo que não voltou mais ao destacamento, tendo eu ficado sozinho em Gago Coutinho por algumas semanas ou meses até a chegada de outro piloto no destacamento.
    Depois desse dia nunca mais o vi, tendo encontrado o Lorena como piloto na TAP já passados vários anos.
    Publicada por BM

    Pelos editores
    A.Neves

    ResponderEliminar
  2. Eu fui um dos páras que fizeram o resgate. Depois fui para Gago Coutinho onde fiquei até Setembro numa bela vida junto com a malta da Forca Aerea. Com a minha Armalite fui algumas vezes caçar no Heli. Eramos todos uns putos a quem deram tanta responsabilidade.

    ResponderEliminar