quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

DESTACAMENTO DE SANTA EULÁLIA.

Revendo o meu velho álbum do tempo da FAP deparei com uma sequência de fotos que me fez lembrar com saudade os “velhos tempos”.
Santa Eulália                
Estavam destacados em Santa Eulália os seguintes aviões e pilotos:
Comandante (de bordo e do destacamento): Cap. PILAV Joaquim Cóias
Co-piloto: Sarg.Aj. PIL Alberto Pinto da Rocha (P2/59)
Alouette III 9355 - Fur.Mil. PIL Pedro Rodrigues (P1/69)
Do AB3, Negage:
Harvard Mk.IV 1728 – Alf.Mil. PILAV Armando Bessa (P2/68)
Harvard Mk.IV 1758 – O autor destas linhas - João Vidal (P2/68)
Da BA9, Luanda:
C-47A 6164 de pulverização (o famoso “Sheltox”)

A missão:
T-6 – Armados com metralhadoras e foguetes, fazer o acompanhamento e protecção ao Dakota em caso de este ser alvejado ou de ser detectada a presença de rebeldes armados.
Alouette III – Ir buscar-nos se, de repente, fossemos parar ao chão.

Dakota – Pulverizar com herbicida uma série de lavras de mandioca recentemente descobertas em certas AIL (áreas de intervenção livre) nos Dembos. 
Não me lembro que tenha sucedido nada de especial nesta operação. Lembro-me de, num voo, ter visto um grupo de homens armados a correr, de fazer uns disparos e nem sei se acertei em algum ou não – normalmente (e felizmente!) não dava para ver. 
Mas o “bom” destas operações era a noite. Sentados à mesa de jantar, ficávamos até às “tantas” a ouvir histórias de aviação. Lembro-me do Cóias a contar, com a sua energia e graça, velhas histórias passadas no seu tempo em Henrique de Carvalho. Do Alberto fiquei a saber os detalhes da morte do meu irmão, exactamente seis anos antes na Guiné e que o Alberto tinha tão dramaticamente presenciado. Nós os três “miúdos” (eu tinha 20 anos recém completados) limitávamo-nos a escutar e a aprender. Naquele tempo escutavam-se e respeitavam-se os mais velhos, mesmo que por vezes eles pudessem se dar ao luxo de “meter água”. Eram outros tempos! 
Esta “história sem história” não teria importância de maior se, ao ver as fotos destes alegres e jovens pilotos, não me tivesse apercebido que, destes cinco, eu sou o único ainda vivo.

Alferes Armando Bessa – falecido em 1971 perto de Zau Évua, Angola num DO 27.Para mim, continuam bem vivos ao lembrá-los com saudade.

Por:
João M.Vidal PIL


Coronel Joaquim Cóias – falecido em 1990 de problemas cardíacos.
Comandante Pinto da Rocha – falecido em 1992 num acidente durante o combate aos fogos.
Comandante Pedro Rodrigues – falecido em 1973 no leste de Angola num acidente com um Piper Cherokee da companhia CTA.

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