sexta-feira, 28 de outubro de 2016

O ACIDENTE DO TEN. CANHOTO - AL III 9251


O 9251 foi o primeiro ALIII a chegar à Esquadra 94 na BA9. 
Na semana de 16 a 26 de Janeiro de 1966, foi desencadeada uma grande operação na zona dos Dembos a partir de Santa Eulália. Foi-me atribuído esse héli tendo como mecânico o 1o. cabo Linder, um puto porreiríssimo com 19 anos. Foi uma operação bastante dura, num terreno muito difícil, com muitas idas e vindas, evacuações, etc. Quem andou por lá sabe como é. 
Nos últimos voos notei um agravamento na acção dos pedais, que afectava consideravelmente a estabilidade de voo, defeito que considerei suficiente para não fazer as últimas colocações, reservando-me somente para trazer, como trouxe, o aparelho de regresso a Luanda, mas sem carga nem passageiros. 
Manuel J. Barbosa num destacamento
Viemos, eu e o mecânico, sempre com muita atenção e confesso um pouco apreensivos. 
Chegados a Luanda o héli foi para a manutenção e eu escrevi no livro de voo um relatório circunstanciado. Este aparelho estava destinado a ir fazer um destacamento de 1 mês em Cabinda com outro piloto, que se a memória não me falha seria o Lobato Faria. Depois de efectuados os respectivos arranjos o aparelho foi dado como apto para os voos de verificação que como é óbvio a mim competia fazer, no sábado dia 29 de Janeiro. 
Assim comecei os voos com o cabo Linder, o sarg. Vareta da manutenção e o cabo electricista Nogueira. Dois cabos especialistas recém chegados a Luanda mas não destinados à Esquadra 94, pediram-me boleia pois nunca haviam voado em héli. Não autorizei por se tratar de voos de experiência/manutenção e só admitir o pessoal qualificado e destinado a esse tipo de voo. Fazia voos curtos e aterrava na placa da Esquadra 94, mas, não me estava a agradar, pois apesar de estar bastante melhor ainda não o considerava em condições e muito menos para ir para um destacamento tão longe. Fiz, não sei, quantos voos curtos, os mecânicos iam dar um arranjo voltava a descolar e assim passei quase toda a manhã. 
Por volta do meio dia, numa das minhas aterragens, veio ter comigo ao héli, o malogrado e grande amigo Ten. Canhoto para me substituir, pois eu tinha sido chamado ao Comandante da Base, que vinha nessa tarde para Lisboa e queria tratar de um assunto pessoal comigo. 
Ainda tentei que o Canhoto não descolasse, pois eu estava mais habilitado para avalizar a situação do héli. Tirei o capacete e mesmo em fato de voo meti-me no meu carro e dirigi-me para o comando. Ouço o héli a descolar e até "insultei" mentalmente o Canhoto por não ter esperado por mim. Não cheguei a entrar no comando, porque entretanto soou a sirene da base. 
Morro dos veados
Dirigi-me para as operações para averiguar o que se passava e fiquei estarrecido. O héli tinha caído no morro dos veados (quem esteve em Luanda sabe onde é). Fui logo para lá e o cenário era dantesco. O héli totalmente destroçado, bocados calcinados espalhados por tudo quanto era sítio devido ao embate e ao incêndio. Pereceram todos os ocupantes, e aqui o insólito. 
Eram 6 corpos destroçados. 
Porquê? Porque o Canhoto deu boleia aos dois teimosos especialistas que ainda estavam na Esquadra 94.
Nunca mais esquecerei esse fatídico sábado dia 29 de Janeiro de 1966. 

Inspecção após acidente
As causas do acidente, foram apuradas pelos técnicos franceses, que estavam em Luanda, em inspecção aos hélis, como fractura do veio de transmissão do rotor de cauda, por defeito de fabrico. 
Seis meses mais tarde, a 5 de Julho, tive o meu acidente no Negage, pelas mesmas causas. Felizmente, ninguém sofreu qualquer dano físico e o aparelho não ardeu porque Graças a Deus tive a rapidez e oportunidade de cortar, atempadamente, o coupe feu e o terreno ser lamacento, o que atenuou o impacto. 
Mas acima de tudo esteve comigo a Nossa Senhora do Ar.
Relação dos mortos no acidente do 9251

Nunca é demais recordarmos aqueles " que por obras valorosas se foram da lei da morte libertando"


Por:
Manuel J. Barbosa - PIL Esqª. 94 da BA9

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A MINHA CARECADA "EXTRA"

2ª. de 1968 - 3ª. Secção 1ª. Esquadrilha
Estes últimos relatos das recrutas, nomeadamente "A carecada do Sérgio Teixeira", vieram-me avivar a memória sobre o assunto.
Como é sabido, aquando do início da recruta, um dos rituais era a passagem pela barbearia, para todos ficarem em igualdade capilar.
Recruta com o meu amigo Ricardo, ele já aluno
A partir desta, era suposto não sermos sujeitos a mais, desde que, respeitando as normas (RDM), ou salvo algum desvario superior, muitas vezes utilizado apenas e só para inferiorizar a praça, ou apenas, pretensa demonstração de poder.
Mas vamos aos factos: A minha carecada "extra"!
Decorria o último dia da recruta 2ª.68. Depois de uma manhã de "preparação", o habitual regresso antes do almoço, ao 2º. piso da Esquadrilha.
Por qualquer razão, gerou-se confusão entre as várias camaratas do piso, com movimentação de travesseiros, baldes do lixo e outros utensílios disponíveis, utilizados como arremesso em autêntica batalha.
Escusado será dizer, que o local não ficou com grande apresentação.
E claro, esta insubordinação motivou por parte do comandante da recruta, Major McBryde, formatura na parada e o indagar dos responsáveis pelo "tumulto", sob a ameaça de toda a Esquadrilha ser castigada.
Como ninguém se "cortava", eis que salta da formatura um "bufo" (era um gajo moçambicano repetente da 1ª.68), que indigitou um grupo de 6 ou 7, no qual eu era incluído (!).
Resultado:  condução do grupo para a "casa da rata", onde nos foram servir o almoço e de tarde recebemos a visita do barbeiro para o respectivo aparo capilar.
Estava reposta a ordem e a disciplina, meia dúzia pagariam pelos "desacatos" cometidos por mais de uma centena!
O regresso ao normal !
A coisa entretanto, começava a ficar preta, analisando a ordem de clausura, os mais pessimistas já viam a possibilidade de a recruta estar perdida.
Depois de passarmos a noite, mal dormida, nos novos aposentos, o começo do dia do juramento - 30/8/68 - era de incerteza, mas, para nosso sossego, acabaram por nos ir buscar e levar à esquadrilha para fardar e conduzir á parada para o juramento de bandeira... hufa !!!
Safámo-nos !
Só que, trouxemos para a semaninha de férias um novo visual capilar. À época era um tanto constrangedor, hoje não seria tanto, dado ser moda.
Algumas semanas após, já no início da especialidade, já se notava algum retorno à normalidade capilar,


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O ENJOO DO SEGURANÇA

Carlos Sequeira voando no leste de Angola
Já depois do 25 de Abril, também tive a minha "viagem atribulada", onde me aconteceu o seguinte; estando eu a fazer um transporte de pessoal da UNITA, do Massive  para o Luso, transportando o Jonas M. Savimbi e o N'zau Puna, seu comandante em chefe, acompanhado pelo Costa MMA, com o qual tenho algumas missões e peripécias que ele pode contar se assim o quiser. 
Trazíamos também a guarda pessoal dos dignitários, estes vinham no banco de trás e um deles vinha mesmo agarrado à minha cadeira! A viagem era à volta de 50 minutos. Habitualmente já saíamos tarde do Massive porque eu, como "gringo" facilitava nos ATDs, eles pediam sempre para ficar mais um pouco, ou porque faltava fazer qualquer coisa, ou porque era preciso falar com alguém que ainda não tinha chegado, enfim, à boa maneira Africana, que eu até compreendia e não me fazia rogado. 
Noite fechada, uma Lua cheia iluminava a chana como só em África. A descolagem às 19h30 foi feita na calmaria de uma noite tranquila e por nossa conta. 
Jonas Savimbi
O segurança que viajava atrás de mim ia agarrado à minha cadeira com as duas mãos, pensando eu que ele ia fascinado com as luzes avermelhadas da instrumentação do Alouette III, que diga-se de passagem, parecia a "boite" do Pica-Pau ou "Pica-Notas", como queiram. Mas, afinal ele vinha era com um cagaço daqueles, era a primeira vez que andava pendurado e ainda por cima de noite!!! Indisposto, sem alternativa manda a carga ao mar para a frente e quem lhe serviu de babete foi a gola do meu fato de voo, servindo as minhas costas de saco de enjoo. Começo por sentir um liquido quente e as bolas de "funji", que havia comido a descerem pelas costas e de seguida aquele cheiro a azedo perfumado. Lá tive que me aguentar até ao Luso, dizendo ao Costa pelo rádio, o que me estava a acontecer...ficando entre nós o sucedido, pois o coitado se fosse denunciado era capaz de pagar caro...para exemplo!


Grande abraço.


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

VIAGEM ATRIBULADA

Acabada a recruta em Abril de 1970, o curso de Operador de Comunicações e depois de Cifra, a meu pedido fui colocado na BA3 no dia 26 de Março de 1971, quinze dias após o atentado ao hangar Norte, perpetrado por um comando da ARA, (Acção Revolucionária Armada) organização clandestina afecta ao PCP, executada por (Carlos Coutinho, jornalista, Ângelo de Sousa, bancário e António Eusébio, estucador) com a ajuda interna do Aluno Piloto Ângelo de Sousa.
O ambiente era de cortar à faca, e a pressão exercida pelas chefias, tornava cada jornada de trabalho num constante sobressalto.
Ainda soldado aluno, e pela mobilização do 2º. Sargento que era responsável pelo serviço, como era o único "credenciado" fazia o serviço da cifra e no final do dia sempre que podia pirava-me para casa. Como era o que morava mais perto, sempre que havia serviço muito urgente, o oficial de dia mandava-me buscar e assim o serviço estava sempre garantido. Era uma situação de excepção, incompreendida e pouco tolerada pelos oficiais de dia que achavam que eu como soldado aluno era um privilegiado, mas como "negociado" com o Comando da Base, eu garantia o serviço 365 dias por ano, mas tinha o direito de ir a casa como qualquer outro militar e a forma encontrada era essa, chegava a casa e se tinha que ir a algum lado, deixava o contacto e a viatura apanhava-me lá. 
Outra das particularidades da BA3, era ter que cifrar/decifrar, o serviço do RCP, e por vezes quando este apertava tinha que me deslocar fora de horas ao Regimento para o entregar pessoalmente, normalmente ao oficial de dia. Se o serviço era entregue antes do jantar, o transporte que me levava, trazia os binómios cinotécnicos, (tradução) os Paras com os respectivos cães que faziam a segurança dos hangares desde o atentado.
BA3 Tancos
Sempre manifestei oposição ao transporte misto de homens e cães em veículos que não estavam preparados, (geralmente jeeps Land Rover) para a coexistência pacífica entre humanos e cães treinados para os atacar, e as minhas reclamações nunca obtiveram acolhimento até à noite em que pelas piores razões elas me deram razão.
Após decifrar várias mensagens para o BCP desloquei-me ao Regimento e entreguei-as ao Oficial de Dia, quando me preparava para regressar à BA3, fui pressionado para transportar os Soldados e os cães, fiz ver ao Capitão que o jeep era demasiado pequeno para o transporte, e a resposta foi a de que: "se me sentia apertado que fosse a pé, não tinha nenhum transporte e aquele servia perfeitamente". Esperei pacientemente pelos Soldados e pelos cães e quando os vi, três bichos enormes, pensei para comigo, é desta, para quebrar o gelo ainda perguntei se os bichos já tinham jantado, e os soldados olharam uns para os outros, e um deles respondeu contrafeito, os cães só comem uma vez por dia, respondi-lhes: espero que lhes tenham dado o suficiente... Obriguei dois dos soldados a sentarem-se atrás de nós e a colocarem os cães depois, não me apetecia levar uma dentada de um bicho daqueles, arrancámos, saímos do Regimento passando pela Porta de Armas e virando à esquerda, depois no desvio para a Base á direita, fui travando o Cabo Condutor, vai devagar que se isto der merda quero saltar imediatamente daqui, a noite estava escura como breu e uma névoa vinda do rio dificultava ainda mais a visão, os faróis iluminavam praticamente dez metros do alcatrão à nossa frente, o caminho era curto e com poucas curvas, excepção feita a uma em gancho á direita no final da pista, depois do acesso aos paióis perdidos na floresta de pinheiros que circundavam as instalações militares. A meio da curva, surgiu um veículo agrícola sem luz e quase em contramão, o condutor guinou para a berma, entrou na valeta e andámos aos tombos até ele conseguir segurar o jeep, com os baldões os cães foram atirados uns contra os outros e começaram a lutar entre si, com os tratadores a tentarem separá-los, saltei do jeep antes dele se ter imobilizado, e desatei a correr estrada fora tentando abrir a maior distância possível entre mim e a bicharada enquanto ouvia os gritos dos tratadores e o latido dos cães, depois de tudo calmo, fui o único que não foi mordido, os Paras tinham rasgões nas mãos, braços e cara, sangrando abundantemente, o condutor tinha dentadas no couro cabeludo e mãos, e a cara toda ensanguentada, arrancámos e quando chegámos à Enfermaria deixei-os lá e fui directo ao gabinete do Oficial de Dia contar-lhe o que tinha sucedido, primeiro o discurso do Capitão quando lhe disse que o jeep era demasiado pequeno para o transporte, e depois o que se passara na viagem. 
Quando cheguei à cifra fui direito ao telefone liguei para o Capitão e agradeci-lhe em nome dos três que tinham sido transportados para o hospital e informei-o que agora tinha de arranjar transporte para os que os viessem substituir e de que dera conhecimento do sucedido ao meu Oficial de Dia e que iria efectuar o respectivo registo no livro de ocorrências.
Uns tempos depois, apareceu o Oficial de dia com um oficial Paraquedista para recolher o meu depoimento e do condutor, esqueci o incidente e uns meses mais tarde, tomei conhecimento por um familiar Paraquedista, que o Capitão tinha sido condenado por negligência grosseira, e obrigado a pagar os tratamentos dos militares feridos. Como consequência desse incidente, o transporte dos binómios passou a ser efectuado em veículo restrito ao transporte de outros passageiros.

BA3 OPC ACO
1970/1975

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

41º. ENCONTRO DOS ESPECIALISTAS DO AB4


Caros companheiros do AB4.

Como sabem o nosso próximo encontro, é coordenado pelo José Ferreira "Toneta" e por mim Simão Cabral. Ah!!!!! Mas também, há várias avionetas a ajudar...

Terá lugar na aldeia de ARGOMIL, concelho de Pinhel e distrito da Guarda.
Vai ser diferente e não esperem restaurantes "Michelin" ou homens de 6 Stars.....mas vai ser mesmo diferente...e bom, esperamos.
Metam na vossa agenda o fim‑de‑semana que se inicia a 11 de Novembro......dia de S. Martinho.
Ficam já os nossos contactos : 
José Ferreira: Telf. 917 500 222  geral@despoiravent.pt
Simão Cabral: Telf. 967 615 239  simao.cabral@ petrotec.pt
Façam as vossas inscrições. Coloquem os vossos dados pessoais, como nome; especialidade; se avioneta também vem; se queres reserva de quarto e para que dias; etc.
Aproveitem a oportunidade e passem um bom fim‑de‑semana na região. 
Há aldeias e cidades bonitas e históricas, há a Serra da Estrela, excelente gastronomia, etc. 
Ah e não vamos enviar cartas convites por correio.
Venham todos .
Abraço a todos.
A Organização 2016
José Ferreira "Toneta" e Simão Cabral
Bem Hajam.


5ª FEIRA :
-Recepção dos primeiros companheiros e suas avionetas;
-Acomodação e distribuição de programa.
-Ceia tradicional da aldeia, dia "das matanças"
-Inspecção técnica à "adega"

6ª FEIRA:
-Manhã livre para uns e trabalhos para outros; kkkk
-15h Teste e treinos para o torneio de tiro aos pratos;
-16h Visita ao "Prenda" e teste da arte de "bom cavalgar"
-18h Ensaio e treino ao "general Mek"
-19h baptismo "Argomilense"
-20h Ceia tradicional "dia seguinte às matanças"

SÁBADO:
-10h Içar das bandeiras e abertura oficial do evento
-11h Missa (ainda a confirmar) alusiva ao 41º. Encontro.
-12h Boas vindas a todos os presentes. Welcome drink
-13 h Almoço Convívio
-15h Entrega de lembranças.
-17h Preparativos para o Magusto ao ar livre (??)
-18h Despedida aos Nortenhos
- serão à moda da aldeia; inspirações musicais; etc.

DOMINGO:
-Cura das ressacas;
-Petiscos
-Preparativos para o regresso.

Venham todos e cheguem felizes.


 Simão e Toneta