sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

MORREU O TOMÁS .

O testemunho do Rui Baptista (RB), por sinal, muito bem escrito, despertou em mim uma certa nostalgia dos tempos passados nos longínquos anos de 1967 a 1969, na Base Aérea 2, na Ota. E para falar e recordar, para o bem e para o mal, do nosso TOMÁS (patentes, fica para posterior explicação), tenho que dividir em duas partes, enquanto aluno e posteriormente como Especialista MMA, como monitor no GITE (Grupo Instrução de Técnicos Especialistas).
Acabada a recruta em Agosto de 1967, a minha situação de aluno, foi igual a tantos milhares de alunos que pela “casa” passou, com o terror do TOMÁS, sempre pronto a mandar o aluno para a barbearia ou a engrossar a lista de reforços de fim-de-semana, ou melhor dizendo eram os célebres reforços “à Benfica”.
Das inúmeras tiradas, já referidas pelo RB…“Eu como especialistas ao pequeno-
Reforço á "benfica" !
almoço”, “o especialista para mim é papel” (enquanto amarrotava uma folha de papel entre as mãos), “ò aluno, eu estou-te a ver”, “tu aí, anda cá – reforço fim-de-semana”, eu vi arrancar botões das camisas e dizer “ò aluno não vês que tens o botão a cair”, reforço de fim-de-semana. Quero aqui expressar que fiz “reforços à Benfica” não por causa do TOMÁS, mas sim de outros “artistas”, entre eles do Tenente Mineiro, boa prenda.
Mas o inverno de 1967, trouxe uma enorme calamidade que foram as cheias na noite de 25 para 26 de Novembro, por coincidência, estava a cumprir um “reforço à Benfica” e chovia tanto, mas tanto, que na rendição passei pela guarita e não a vi. (Bairro dos Sargentos).
Mas vêm as cheias a propósito, pois foram “Os queridos alunos” que durante muitos dias nas semanas seguintes foram para as vilas e aldeias em redor da Ota, limpar e desobstruir o lamaçal que se produziu. A mim tocou-me andar em Alenquer e em Quintas onde morreram dezenas de pessoas. Mas com o mal de uns é sempre o bem de alguém, pois o nosso Major TOMÁS foi promovido a Ten.Coronel, por mérito de muitos de nós. Adiante.
Terminada a especialidade, fui colocado no GITE, como monitor de Sistemas e aqui a minha situação modificou-se em relação ao TenCor Tomás, sempre cordato, pudera, tinha ali os alunos à mão para descarregar a sua “bílis”, mas aqui assisti, por coincidência, a um facto que não será do conhecimento da maioria dos “Zés Especiais”, um telefonema do Major Noronha a lamentar-se que não tinha a escala de fim-de-semana completa e apelava aos “bons préstimos” do Tomás. Aqui entrava a caça ao aluno para os “reforços à Benfica”, ou seja um passava por mansinho o outro era o terror. Adiante
Em Outubro de 1968, começa a falar-se de mais um Torneio/jogo de Andebol e surpreendentemente sou chamado ao Tomás, fiquei como podem calcular a dizer para os meus botões, o que se passa, devo estar lixado. Fiquei um pouco mais descansado quando me apercebo que também tinha chamado o Saramago (MAEQ), um “carrapau setubalense” também monitor.
Começou a falar do jogo e nós/eu cheio de “lata”, proponho que façamos uma
A equipa dos Especialistas
equipa do GITE para jogar com outra equipa de alunos.
Resposta pronta do Tomás, mas “que misturas são estas oficiais e cabos, nem pensar”.
Sem pensar respondi, se não for assim a equipa do Senhor vai perder e sei que não gosta de perder. Horas depois percebi, que queria fazer uma equipa com o Curso de Alunos/Cadetes e constava que havia um jogador internacional do FC Porto. Arriscou e perdeu.
As duas equipes na final
Os ESPECIAIS, com o malogrado Carlos Fialho (MMA) monitor de Motores,
Recebendo medalha
ganharam o jogo por 9-7, para gáudio das centenas de alunos do ano 1968, que assistiram ao jogo só para ver o nosso Tomás a perder.
Ele, ficou em “brasa” e tenho a convicção que se não fosse a presença do novel Comandante da Base Rangel de Lima, que constava lhe tinha tirado algum protagonismo, teria havido um “protesto de jogo”, “recurso ao disciplinar” ou outra qualquer artimanha.
Mas, a minha passagem pela Ota ainda teria mais um acontecimento trágico, o Sismo de 1969, em 28 de Fevereiro de 1969 pelas 02:40 horas, que atingiu o Sul do País e a região de Lisboa. Acordámos todos em sobressalto com os armários metálicos da camarata dos adidos a dançarem, já aguardava passagem para Angola.
Á distância de cerca de 45 anos, podemos compreender algumas situações para lidar com a nossa juventude, mas ele (Tomás) ficou com a fama que outros “anjinhos”, também as fizeram e passaram por bonzinhos.
Morreu o Tomás, já há cerca de 3 anos e pelo testemunho que então recolhi, não acabou muito bem, numa cama do Hospital da Força Aérea no Lumiar.
Morreu o Tomás
Descanse em Paz
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