
A alimentação era outro problema. Antes de ser feito o refeitório no aeródromo, a Força Aérea chegou a usar o Restaurante Pic-Nic, do Sr. Silvares Mendes (Aníbal), como messe. Assim era quando eu lá cheguei. O Sr. Mendes era uma excelente pessoa que andava sempre de calções. Ainda me lembro bem dele.
O Sr. Mendes punha-nos à vontade, e nós éramos tratados mais como filhos do que como clientes. O Sr. Mendes era atencioso e mimava-nos sempre que podia. Comíamos em mesas de quatro lugares e em cada mesa ele punha uma pequena jarra com flores frescas. Um grande erro!...
Nós, pessoal “desterrado”, com cerca de 20 anos de idade e com uma imaginação fértil, descarregávamos stress e irreverência em cima do Sr. Mendes. Éramos mauzinhos! Educados q. b. mas mauzinhos.
Os mais antigos tinham “muita experiência” e uma grande lata. Assim de repente lembro-me do Zé Feijó, do Teixeira de Sousa e do Jorge Oliveira. Com estes três por perto ninguém andava triste.
Uma coisa de que o Sr. Mendes não gostava era que lhe... comessem as flores.
A primeira vez que assisti a essa cena, fartei-me de rir. “Já provaste as amarelas?” – perguntava um de boca cheia, ainda a mastigá-las. “Ó Sr. Mendes, ainda tem destas flores cor-de-laranja?” – gritava outro, levantando na mão um caule já quase sem pétalas. Uma pândega completa.
O Sr. Mendes, desesperado pela razia que lhe fazíamos nas jarras, baixava-se junto à mesa (ficando com a cabeça à altura das nossas) e implorava que não lhe comecemos as flores. O seu pedido quase nunca era atendido mas ele nunca desistiu de alindar as mesas com as flores. No seu entender, estas davam um ar requintado à sala. E davam!
A primeira vez que assisti a essa cena, fartei-me de rir. “Já provaste as amarelas?” – perguntava um de boca cheia, ainda a mastigá-las. “Ó Sr. Mendes, ainda tem destas flores cor-de-laranja?” – gritava outro, levantando na mão um caule já quase sem pétalas. Uma pândega completa.
O Sr. Mendes, desesperado pela razia que lhe fazíamos nas jarras, baixava-se junto à mesa (ficando com a cabeça à altura das nossas) e implorava que não lhe comecemos as flores. O seu pedido quase nunca era atendido mas ele nunca desistiu de alindar as mesas com as flores. No seu entender, estas davam um ar requintado à sala. E davam!
Eu, pessoalmente, preferia as flores amarelas (embora fossem um pouco ácidas). Gostos!...
Ao fim destes anos é com muita nostalgia que relembro aqueles tempos de loucura e a grande ternura e paciência do Sr. Mendes para com aquela cambada de bárbaros devoradores de flores.
O Sr. Silvares Mendes, que já naquela altura era um homem “maduro”, já não deverá estar entre nós. Esteja ou não, eu quero dizer: “Obrigado, Senhor Mendes.”
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