sexta-feira, 5 de junho de 2015

VERGÍLIO LEMOS 1º. CABO METRALHADOR/BOMBARDEIRO - ACONTECIMENTOS NA NOSSA GERAÇÃO


VERGÍLIO LEMOS – 1º. CABO METRALHADOR/BOMBARDEIRO
1939/1943

“…Afinal sempre conseguira realizar o grande sonho da minha vida, ser aviador militar. Depois de tantas incertezas, de tanta contrariedade, de tanta insistência com a família que se opunha ao meu alistamento, por ser ainda menor, aqui estava eu fardado, ostentando a minha águia com orgulho e até com vaidade, porque não confessá-lo.
A inspecção começara às 8 horas daquele dia 21 de Setembro de 1939, prolongou-se por longas horas, em exames médicos, psicotécnicos, testes, e os mais que o regulamento exigia.
Mas venci. Venci com aquela vontade forte que tinha e me ajudou na realização da maior ambição que tive na minha vida, acarinhada desde a adolescência, quando vi o primeiro avião bem de perto, pilotado pelo meu conterrâneo Capitão Piloto Aviador Lino Teixeira.
Foi nesse dia que nasceu em mim todo esse entusiasmo, que tantos anos volvidos, ainda que batido por todas as desilusões, não mataram ainda.”

PALAVRAS DO NOSSO ESPECIALISTA MAIS VELHINHO - PRESENTE EM TODOS OS CONVÍVIOS ANUAIS DA AEFA

     A fim de nos deliciarmos com o percurso militar do Vergílio até ao presente, lanço aqui uma retórica histórica sobre as aeronaves e estruturas militares da nossa FAP.

Hawker Fury Mk II
     Em 1939, ano em que o 1º. Cabo Vergílio Lemos ingressou nas Forças Armadas Portuguesas, tínhamos como avião de combate o Hawker Fury Mk II. Adquiriram-se três aviões em 1934 que foram servir no Grupo Independente de Aviação de Protecção de Combate, que estava sediado em Tancos. Foram abatidos ao efectivo em 1943.
 Tiger Moth
Na mesma época, na Aviação Naval, havia também o Tiger Moth utilizado para instrução elementar de pilotagem. Aviões antecessores do Chipmunk.
Entre 1940 e 1945 entram ao serviço o Junker JU 86, bombardeiro monoplano. Na antiga B.A.2 organizaram-se duas esquadrilhas de bombardeamento diurno.
Junker JU 86
Em 1942 a Aeronáutica Militar adquiriu 112 aeronaves tipo Supermarine Spitfire. Com a independência da FAP, foram transferidas para o novo Ramo. Abatidas em 1955. 
 Supermarine Spitfire
Em 1947 chegam os primeiros 28 North-American AT-6 e, em 1951 foram recebidos mais 20, tipo T-6 G Texan.
Em 1951 e com o objectivo de modernizar a instrução de voo, a Aeronáutica Militar substituiu os velhos Tiger Moth por 10 Chipmunk e, com estas aeronaves faz-se a transição da Aeronáutica Militar para a FAP.
T-6 G Texan e Chipmunk
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     Para não ser extensivo neste tipo de exposição, colocarei em resumo os modelos de aeronaves de que possuímos na actualidade, e os anos da sua aquisição: 

Atualmente em serviço:
                 
1951 – Chipmunk MK 20
1963 – Sud-Aviation SE-3160 Alouette III
1977 – Lockeed C-130
1984 – Marcel-Dassault Falcon 20
1984 – Dassault-Dornier
1987 – Lockeed P3 Orion
1988 – ASK-21
1989 – Marcel-Dassault Falcon 50
1989 – Aerospatiale Epsilon-TB 30
1993 – Dassault-Dornier Alpha-Jet


FORÇA AÉREA PORTUGUESA – RESENHA HISTÓRICA POR DATAS

     A Força Aérea Portuguesa (FAP) é o ramo das Forças Armadas Portuguesas. As suas origens remontam a 1912, altura em que começaram a ser constituídas as aviações do Exército e da Marinha. Em 1 Julho de 1952, as aviações do Exército (Aeronáutica Militar) e da Marinha (Aviação Naval) foram fundidas num ramo denominado Força Aérea Portuguesa. 
 1937 – A Aeronáutica Militar é reorganizada, passando a dispor de um comando autónomo, designado "Comando-Geral da Arma da Aeronáutica", o que a torna praticamente num ramo independente, apesar de se manter administrativamente dependente do Exército. Anexo ao Comando-Geral é criado o Comando Terrestre de Defesa Aérea. Na nova organização os principais aeródromos militares passam a ser designados Bases Aéreas.
1941 – Com o fim de defender a neutralidade e a soberania portuguesa nos Açores, juntamente com outras forças militares, começam a ser enviadas Esquadrilhas Expedicionárias para o Arquipélago.
1950 – É criado o cargo de subsecretário de Estado da Aeronáutica, na direta dependência do ministro da Defesa Nacional com o objectivo de passar a tutelar toda a aviação militar portuguesa. No entanto, o cargo só será provido quando da criação das forças aéreas como ramo independente em 1952.
1952 – Através da Lei nº 2055 de 27 de Maio de 1952 a Aeronáutica Militar é organizada como ramo independente das Forças Armadas, sendo composta por forças aéreas independentes e por forças aéreas de cooperação com o Exército e com a Marinha. A Aeronáutica Militar é administrada, no plano governamental, pelo subsecretário de Estado da Aeronáutica e comandada superiormente pelo chefe do Estado-Maior das Forças Aéreas. Na nova Aeronáutica Militar são integradas as anteriores Aeronáutica do Exército e Aviação Naval, mas esta última mantém-se à disposição da Marinha para efeitos de instrução e de emprego operacional. Considera-se este o marco da criação da Força Aérea Portuguesa.
1955 – No seio das forças aéreas, é ativado oficialmente o Batalhão de Caçadores Paraquedistas, a primeira unidade de tropas para-quedistas das Forças Armadas Portuguesas.
1956 – Através do Decreto-Lei nº 40 949 de 28 de dezembro de 1956, as forças aéreas são reorganizadas, sendo oficializado o termo "Força Aérea" (no singular) como designação oficial do ramo, em alternativa ao de "Aeronáutica Militar" que irá cair em desuso. O território nacional metropolitano e ultramarino é dividido em três grandes regiões aéreas, que passam a exercer o comando operacional das unidades aéreas estacionadas na sua área: 1.ª Região Aérea, com comando em Lisboa, abrangendo Portugal Continental, Açores, Madeira, Guiné Portuguesa e Cabo Verde; 2.ª Região Aérea, com comando em Luanda, abrangendo Angola e São Tomé e Príncipe; 3.ª Região Aérea, com comando em Lourenço Marques, abrangendo Moçambique, Índia Portuguesa, Macau e Timor-Leste. Mais tarde, dentro da 1.ª Região Aérea, são criados dois comandos semi-autónomos: Zona Aérea dos Açores e Zona Aérea da Guiné e Cabo Verde.
1958 – As Forças Aeronavais (antiga Aviação Naval) são completamente integradas na Força Aérea, deixando de ter qualquer ligação administrativa à Marinha.
1960 – São criadas as primeiras bases aéreas em Angola (Luanda e Negage).
1961 – Ataques terroristas em Luanda e no norte de Angola dão início à Guerra do Ultramar em que a Força Aérea vai ter um papel muito activo, em operações de combate, reconhecimento, evacuação de feridos e apoio logístico às tropas e população civil.
1961 – O Subsecretariado de Estado da Aeronáutica é substituído pela Secretaria de Estado da Aeronáutica, cujo titular passa a ter assento no Conselho de Ministros, se bem que ainda mantenha um estatuto governamental inferior a dos ministros do Exército e da Marinha.
1961 – O general da Força Aérea Venâncio Deslandes é nomeado Governador-Geral e Comandante-Chefe das Forças Armadas de Angola. A função de Comandante-Chefe implicava o comando conjunto dos três ramos das forças armadas no respectivo Teatro de Operações, sendo o primeiro caso na Guerra do Ultramar em que essa função foi exercida por um oficial não pertencente ao Exército.
1962 – Criação oficial das Formações Aéreas Voluntárias, organizações de milícia aérea civil auxiliar da Força Aérea na Guerra do Ultramar.
1967 - Em 12 de Outubro de 1967, o general da Força Aérea João Anacoreta de Almeida Viana assume interinamente as funções de Comandante-Chefe das Forças Armadas em Angola, cargo que virá a exercer plenamente entre Julho de 1968 e Maio de 1970.
1968 - O general da Força Aérea Venâncio Deslandes assume o cargo de Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, mantendo-se em funções até 1972.
1974 – Dá-se o golpe militar de 25 de Abril que derruba o governo de Marcelo Caetano e põe fim à Guerra do Ultramar. Na sequência da revolução são extintos os Ministérios do Exército e da Marinha, bem como a Secretaria de Estado da Aeronáutica. As Forças Armadas deixam de ficar subordinadas ao poder civil, passando à tutela do Conselho da Revolução. Os Chefes de Estado Maior dos três ramos das Forças Armadas passam a exercer o comando do ramo, com o estatuto de ministro. O Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas passa a ter o estatuto equivalente ao de Primeiro-Ministro, ficando na dependência directa do Presidente da República.
1975 - A FAP envia para Timor-Leste um destacamento de helicópteros, que ali opera em apoio das forças portuguesas (entre as quais um destacamento de pára-quedistas) até à invasão indonésia.
1975 - Com a independência dos territórios africanos portugueses, a FAP retira de África, sendo extintas a 2ª e a 3ª Regiões Aéreas. Mantém-se apenas o Comando da 1ª Região Aérea que é, pouco depois, transformado no Comando Operacional da Força Aérea.
1977 – A Força Aérea é reorganizada, sendo criado o Instituto de Altos Estudos da Força Aérea.
1978 – Entra em funcionamento a 1 de Fevereiro a Academia da Força Aérea.
1982 – Na sequência da reforma constitucional onde é extinto o Conselho da Revolução, as Forças Armadas voltam a ficar subordinadas ao poder civil. A Força Aérea Portuguesa, tal como os outros ramos, é integrada no Ministério da Defesa Nacional.

DEIXO-VOS O VERGÍLIO LEMOS COM A GERAÇÃO DE 60 e 70 E AS AERONAVES DA B.A. 6- MONTIJO À DATA DE 28/03/2015

Lembrança para o “nosso velhote”-28/3/2015
O “Homem” e a sua gente – Nossa geração
B.A.6 - Actualidade
Notas: Recolha de informação no Jornal “O Especialista” Nº. 1 – II Série – 01/3/2015 e Wikipedia sobre a FAP.
Compilação e arranjo de texto de Vítor Oliveira - Ocart    
Até breve     
O amigo


1 comentário:

  1. Este GRANDE SENHOR ESPECIALISTA merece esta e todas as homenagens possíveis e imaginárias. Já tive o prazer e o privilégio de o cumprimentar pessoalmente no dia do Especialista na OTA, e só lhe desejo que continue presente em todos os dias do Especialista futuros, Muita saúde e até sempre com um grande abraço!!

    Sérgio Durães

    1º cabo OPC 1/68

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