quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

ACIDENTE DO SKYMASTER 7502, EM S. TOMÉ.





No dia 23 de novembro de 1962, sexta-feira, por volta das três horas da madrugada, com chuva fraca, levantou voo do modesto Aeródromo Trânsito 2, da cidade de São Tomé, capital da então província ultramarina de São Tomé e Príncipe, o quadrimotor Douglas C-54D, Skymaster, registado como sendo o avião 7502 da Força Aérea Portuguesa, oriundo de Luanda e com destino final a Lisboa.

Com a lotação completa, trinta e dois passageiros, entre militares e civis, e com carga máxima, muito pesado e sem a velocidade necessária numa pista relativamente curta, saiu na direção do interior da ilha e não do mar, mas não conseguiu ganhar altura bastante para adquirir sustentação que permitisse superar as copas das árvores pelo que começou a roçar-lhes até perder altitude e se despenhar no solo, perto da praia da Roça Boa Entrada, a 3 quilómetros de distância, explodindo, já que estava atestado de combustível.


Num instante foi um inferno! Arrepiante, chocante, aterrador e o que se passou a seguir, indiscritível, até…
A Força Aérea Portuguesa perdeu 12 dos seus mais dedicados e briosos profissionais, cujos nomes respeitosamente recordam-se a seguir.

O resultado, na perda de vidas humanas, foi medonho! Em termos militares foram 12 os falecidos (dez tripulantes e dois passageiros) e, nos civis, 8, adultos e criança! 
Esta catástrofe atingiu de forma brutal jovens artistas do Teatro ABC, que tinham ido a Angola, participar em espetáculos dedicados aos militares portugueses, dado estar-se em plena Guerra Colonial.







Já antes, em 31 de janeiro de 1951, a aeronave 282, com as mesmas caraterísticas técnicas e registo USAAF 42-72477, despenhou-se no mar logo após levantar voo em treino noturno e por caudas desconhecidas, da Base Aérea das Lages, na Ilha Terceira, Açores, no sentido da Praia da Vitória, tendo morrido os seus 14 ocupantes, todos militares.
Foram 17 os aviões deste modelo que, ao serviço da Força Aérea, estiveram a operar em Portugal de 1947 a 1973.

SOBREVIVENTES:
JOÃO OLIVEIRA AMARAL
Alferes Mecânico Material Terrestre 
FRANCISCO COSTA SIMÕES
Alferes Serviço Geral 
JOSÉ VINHAS RIBEIRO
1º Cabo 866/A 
AVELINO ALMEIDA GONÇALVES
1º Cabo 369/RD
EVARISTO DIAS JOAQUIM
Soldado 128/60 
JOSÉ REBELO FERREIRA
Soldado 130/60 
FRANCISCO GONÇALVES MARRAFA
Soldado 106/60 
DAVID PEREIRA DA COSTA
Soldado 1101/60 
CARLOS CARVALHO MIRA
Soldado 115/61 
DELFIM PEREIRA
Soldado 120/61 
JOSÉ SOUSA LEITE
Soldado 122/59 
ANTÓNIO SILVA
Contramestre do Teatro ABC

Nota: este registo só foi possível graças à preciosa colaboração, que muito agradeço, das seguintes entidades: Arquivo Central da Força Aérea, Arquivo Histórico da Força Aérea, Hemeroteca Municipal de Lisboa e Radiotelevisão Portuguesa. Foram, ainda, consultados os seguintes periódicos: JORNAIS - Diário de Lisboa, Diário de Notícias e O Século. REVISTAS - Flama, Mais Alto e Século Ilustrado.

Em Blog Alberto Helder

Sem comentários:

Enviar um comentário