sexta-feira, 28 de outubro de 2016

O ACIDENTE DO TEN. CANHOTO - AL III 9251


O 9251 foi o primeiro ALIII a chegar à Esquadra 94 na BA9. 
Na semana de 16 a 26 de Janeiro de 1966, foi desencadeada uma grande operação na zona dos Dembos a partir de Santa Eulália. Foi-me atribuído esse héli tendo como mecânico o 1o. cabo Linder, um puto porreiríssimo com 19 anos. Foi uma operação bastante dura, num terreno muito difícil, com muitas idas e vindas, evacuações, etc. Quem andou por lá sabe como é. 
Nos últimos voos notei um agravamento na acção dos pedais, que afectava consideravelmente a estabilidade de voo, defeito que considerei suficiente para não fazer as últimas colocações, reservando-me somente para trazer, como trouxe, o aparelho de regresso a Luanda, mas sem carga nem passageiros. 
Manuel J. Barbosa num destacamento
Viemos, eu e o mecânico, sempre com muita atenção e confesso um pouco apreensivos. 
Chegados a Luanda o héli foi para a manutenção e eu escrevi no livro de voo um relatório circunstanciado. Este aparelho estava destinado a ir fazer um destacamento de 1 mês em Cabinda com outro piloto, que se a memória não me falha seria o Lobato Faria. Depois de efectuados os respectivos arranjos o aparelho foi dado como apto para os voos de verificação que como é óbvio a mim competia fazer, no sábado dia 29 de Janeiro. 
Assim comecei os voos com o cabo Linder, o sarg. Vareta da manutenção e o cabo electricista Nogueira. Dois cabos especialistas recém chegados a Luanda mas não destinados à Esquadra 94, pediram-me boleia pois nunca haviam voado em héli. Não autorizei por se tratar de voos de experiência/manutenção e só admitir o pessoal qualificado e destinado a esse tipo de voo. Fazia voos curtos e aterrava na placa da Esquadra 94, mas, não me estava a agradar, pois apesar de estar bastante melhor ainda não o considerava em condições e muito menos para ir para um destacamento tão longe. Fiz, não sei, quantos voos curtos, os mecânicos iam dar um arranjo voltava a descolar e assim passei quase toda a manhã. 
Por volta do meio dia, numa das minhas aterragens, veio ter comigo ao héli, o malogrado e grande amigo Ten. Canhoto para me substituir, pois eu tinha sido chamado ao Comandante da Base, que vinha nessa tarde para Lisboa e queria tratar de um assunto pessoal comigo. 
Ainda tentei que o Canhoto não descolasse, pois eu estava mais habilitado para avalizar a situação do héli. Tirei o capacete e mesmo em fato de voo meti-me no meu carro e dirigi-me para o comando. Ouço o héli a descolar e até "insultei" mentalmente o Canhoto por não ter esperado por mim. Não cheguei a entrar no comando, porque entretanto soou a sirene da base. 
Morro dos veados
Dirigi-me para as operações para averiguar o que se passava e fiquei estarrecido. O héli tinha caído no morro dos veados (quem esteve em Luanda sabe onde é). Fui logo para lá e o cenário era dantesco. O héli totalmente destroçado, bocados calcinados espalhados por tudo quanto era sítio devido ao embate e ao incêndio. Pereceram todos os ocupantes, e aqui o insólito. 
Eram 6 corpos destroçados. 
Porquê? Porque o Canhoto deu boleia aos dois teimosos especialistas que ainda estavam na Esquadra 94.
Nunca mais esquecerei esse fatídico sábado dia 29 de Janeiro de 1966. 

Inspecção após acidente
As causas do acidente, foram apuradas pelos técnicos franceses, que estavam em Luanda, em inspecção aos hélis, como fractura do veio de transmissão do rotor de cauda, por defeito de fabrico. 
Seis meses mais tarde, a 5 de Julho, tive o meu acidente no Negage, pelas mesmas causas. Felizmente, ninguém sofreu qualquer dano físico e o aparelho não ardeu porque Graças a Deus tive a rapidez e oportunidade de cortar, atempadamente, o coupe feu e o terreno ser lamacento, o que atenuou o impacto. 
Mas acima de tudo esteve comigo a Nossa Senhora do Ar.
Relação dos mortos no acidente do 9251

Nunca é demais recordarmos aqueles " que por obras valorosas se foram da lei da morte libertando"


Por:
Manuel J. Barbosa - PIL Esqª. 94 da BA9

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A MINHA CARECADA "EXTRA"

2ª. de 1968 - 2ª. Secção 1ª. Esquadrilha
Estes últimos relatos das recrutas, nomeadamente "A carecada do Sérgio Teixeira", vieram-me avivar a memória sobre o assunto.
Como é sabido, aquando do início da recruta, um dos rituais era a passagem pela barbearia, para todos ficarem em igualdade capilar.
Recruta com o meu amigo Ricardo,
ele já aluno
A partir desta, era suposto não sermos sujeitos a mais, desde que, respeitando as normas (RDM), ou salvo algum desvario superior, muitas vezes utilizado apenas e só para inferiorizar a praça, ou apenas, pretensa demonstração de poder.
Mas vamos aos factos: A minha carecada "extra"!
Decorria o último dia da recruta 2ª.68. Depois de uma manhã de "preparação", o habitual regresso antes do almoço, ao 2º. piso da Esquadrilha.
Por qualquer razão, gerou-se confusão entre as várias camaratas do piso, com movimentação de travesseiros, baldes do lixo e outros utensílios disponíveis, utilizados como arremesso em autêntica batalha.
Escusado será dizer, que o local não ficou com grande apresentação.
E claro, esta insubordinação motivou por parte do comandante da recruta, Major McBryde, formatura na parada e o indagar dos responsáveis pelo "tumulto", sob a ameaça de toda a Esquadrilha ser castigada.
Como ninguém se "cortava", eis que salta da formatura um "bufo" (era um gajo moçambicano repetente da 1ª.68), que indigitou um grupo de 6 ou 7, no qual eu era incluído (!).
Resultado:  condução do grupo para a "casa da rata", onde nos foram servir o almoço e de tarde recebemos a visita do barbeiro para o respectivo aparo capilar.
Estava reposta a ordem e a disciplina, meia dúzia pagariam pelos "desacatos" cometidos por mais de uma centena!
O regresso ao normal !
A coisa entretanto, começava a ficar preta, analisando a ordem de clausura, os mais pessimistas já viam a possibilidade de a recruta estar perdida.
Depois de passarmos a noite, mal dormida, nos novos aposentos, o começo do dia do juramento - 30/8/68 - era de incerteza, mas, para nosso sossego, acabaram por nos ir buscar e levar à esquadrilha para fardar e conduzir á parada para o juramento de bandeira... ufa !!!
Safá-mo-nos !
Só que, trouxemos para a semaninha de férias um novo visual capilar. À época era um tanto constrangedor, hoje não seria tanto, dado ser moda.
Algumas semanas após, já no início da especialidade, já se notava algum retorno à normalidade capilar,


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O ENJOO DO SEGURANÇA

Carlos Sequeira voando no leste de Angola
Já depois do 25 de Abril, também tive a minha "viagem atribulada", onde me aconteceu o seguinte; estando eu a fazer um transporte de pessoal da UNITA, do Massive  para o Luso, transportando o Jonas M. Savimbi e o N'zau Puna, seu comandante em chefe, acompanhado pelo Costa MMA, com o qual tenho algumas missões e peripécias que ele pode contar se assim o quiser. 
Trazíamos também a guarda pessoal dos dignitários, estes vinham no banco de trás e um deles vinha mesmo agarrado à minha cadeira! A viagem era à volta de 50 minutos. Habitualmente já saíamos tarde do Massive porque eu, como "gringo" facilitava nos ATDs, eles pediam sempre para ficar mais um pouco, ou porque faltava fazer qualquer coisa, ou porque era preciso falar com alguém que ainda não tinha chegado, enfim, à boa maneira Africana, que eu até compreendia e não me fazia rogado. 
Noite fechada, uma Lua cheia iluminava a chana como só em África. A descolagem às 19h30 foi feita na calmaria de uma noite tranquila e por nossa conta. 
Jonas Savimbi
O segurança que viajava atrás de mim ia agarrado à minha cadeira com as duas mãos, pensando eu que ele ia fascinado com as luzes avermelhadas da instrumentação do Alouette III, que diga-se de passagem, parecia a "boite" do Pica-Pau ou "Pica-Notas", como queiram. Mas, afinal ele vinha era com um cagaço daqueles, era a primeira vez que andava pendurado e ainda por cima de noite!!! Indisposto, sem alternativa manda a carga ao mar para a frente e quem lhe serviu de babete foi a gola do meu fato de voo, servindo as minhas costas de saco de enjoo. Começo por sentir um liquido quente e as bolas de "funji", que havia comido a descerem pelas costas e de seguida aquele cheiro a azedo perfumado. Lá tive que me aguentar até ao Luso, dizendo ao Costa pelo rádio, o que me estava a acontecer...ficando entre nós o sucedido, pois o coitado se fosse denunciado era capaz de pagar caro...para exemplo!


Grande abraço.


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

VIAGEM ATRIBULADA

Acabada a recruta em Abril de 1970, o curso de Operador de Comunicações e depois de Cifra, a meu pedido fui colocado na BA3 no dia 26 de Março de 1971, quinze dias após o atentado ao hangar Norte, perpetrado por um comando da ARA, (Acção Revolucionária Armada) organização clandestina afecta ao PCP, executada por (Carlos Coutinho, jornalista, Ângelo de Sousa, bancário e António Eusébio, estucador) com a ajuda interna do Aluno Piloto Ângelo de Sousa.
O ambiente era de cortar à faca, e a pressão exercida pelas chefias, tornava cada jornada de trabalho num constante sobressalto.
Ainda soldado aluno, e pela mobilização do 2º. Sargento que era responsável pelo serviço, como era o único "credenciado" fazia o serviço da cifra e no final do dia sempre que podia pirava-me para casa. Como era o que morava mais perto, sempre que havia serviço muito urgente, o oficial de dia mandava-me buscar e assim o serviço estava sempre garantido. Era uma situação de excepção, incompreendida e pouco tolerada pelos oficiais de dia que achavam que eu como soldado aluno era um privilegiado, mas como "negociado" com o Comando da Base, eu garantia o serviço 365 dias por ano, mas tinha o direito de ir a casa como qualquer outro militar e a forma encontrada era essa, chegava a casa e se tinha que ir a algum lado, deixava o contacto e a viatura apanhava-me lá. 
Outra das particularidades da BA3, era ter que cifrar/decifrar, o serviço do RCP, e por vezes quando este apertava tinha que me deslocar fora de horas ao Regimento para o entregar pessoalmente, normalmente ao oficial de dia. Se o serviço era entregue antes do jantar, o transporte que me levava, trazia os binómios cinotécnicos, (tradução) os Paras com os respectivos cães que faziam a segurança dos hangares desde o atentado.
BA3 Tancos
Sempre manifestei oposição ao transporte misto de homens e cães em veículos que não estavam preparados, (geralmente jeeps Land Rover) para a coexistência pacífica entre humanos e cães treinados para os atacar, e as minhas reclamações nunca obtiveram acolhimento até à noite em que pelas piores razões elas me deram razão.
Após decifrar várias mensagens para o BCP desloquei-me ao Regimento e entreguei-as ao Oficial de Dia, quando me preparava para regressar à BA3, fui pressionado para transportar os Soldados e os cães, fiz ver ao Capitão que o jeep era demasiado pequeno para o transporte, e a resposta foi a de que: "se me sentia apertado que fosse a pé, não tinha nenhum transporte e aquele servia perfeitamente". Esperei pacientemente pelos Soldados e pelos cães e quando os vi, três bichos enormes, pensei para comigo, é desta, para quebrar o gelo ainda perguntei se os bichos já tinham jantado, e os soldados olharam uns para os outros, e um deles respondeu contrafeito, os cães só comem uma vez por dia, respondi-lhes: espero que lhes tenham dado o suficiente... Obriguei dois dos soldados a sentarem-se atrás de nós e a colocarem os cães depois, não me apetecia levar uma dentada de um bicho daqueles, arrancámos, saímos do Regimento passando pela Porta de Armas e virando à esquerda, depois no desvio para a Base á direita, fui travando o Cabo Condutor, vai devagar que se isto der merda quero saltar imediatamente daqui, a noite estava escura como breu e uma névoa vinda do rio dificultava ainda mais a visão, os faróis iluminavam praticamente dez metros do alcatrão à nossa frente, o caminho era curto e com poucas curvas, excepção feita a uma em gancho á direita no final da pista, depois do acesso aos paióis perdidos na floresta de pinheiros que circundavam as instalações militares. A meio da curva, surgiu um veículo agrícola sem luz e quase em contramão, o condutor guinou para a berma, entrou na valeta e andámos aos tombos até ele conseguir segurar o jeep, com os baldões os cães foram atirados uns contra os outros e começaram a lutar entre si, com os tratadores a tentarem separá-los, saltei do jeep antes dele se ter imobilizado, e desatei a correr estrada fora tentando abrir a maior distância possível entre mim e a bicharada enquanto ouvia os gritos dos tratadores e o latido dos cães, depois de tudo calmo, fui o único que não foi mordido, os Paras tinham rasgões nas mãos, braços e cara, sangrando abundantemente, o condutor tinha dentadas no couro cabeludo e mãos, e a cara toda ensanguentada, arrancámos e quando chegámos à Enfermaria deixei-os lá e fui directo ao gabinete do Oficial de Dia contar-lhe o que tinha sucedido, primeiro o discurso do Capitão quando lhe disse que o jeep era demasiado pequeno para o transporte, e depois o que se passara na viagem. 
Quando cheguei à cifra fui direito ao telefone liguei para o Capitão e agradeci-lhe em nome dos três que tinham sido transportados para o hospital e informei-o que agora tinha de arranjar transporte para os que os viessem substituir e de que dera conhecimento do sucedido ao meu Oficial de Dia e que iria efectuar o respectivo registo no livro de ocorrências.
Uns tempos depois, apareceu o Oficial de dia com um oficial Paraquedista para recolher o meu depoimento e do condutor, esqueci o incidente e uns meses mais tarde, tomei conhecimento por um familiar Paraquedista, que o Capitão tinha sido condenado por negligência grosseira, e obrigado a pagar os tratamentos dos militares feridos. Como consequência desse incidente, o transporte dos binómios passou a ser efectuado em veículo restrito ao transporte de outros passageiros.

BA3 OPC ACO
1970/1975

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

41º. ENCONTRO DOS ESPECIALISTAS DO AB4


Caros companheiros do AB4.

Como sabem o nosso próximo encontro, é coordenado pelo José Ferreira "Toneta" e por mim Simão Cabral. Ah!!!!! Mas também, há várias avionetas a ajudar...

Terá lugar na aldeia de ARGOMIL, concelho de Pinhel e distrito da Guarda.
Vai ser diferente e não esperem restaurantes "Michelin" ou homens de 6 Stars.....mas vai ser mesmo diferente...e bom, esperamos.
Metam na vossa agenda o fim‑de‑semana que se inicia a 11 de Novembro......dia de S. Martinho.
Ficam já os nossos contactos : 
José Ferreira: Telf. 917 500 222  geral@despoiravent.pt
Simão Cabral: Telf. 967 615 239  simao.cabral@ petrotec.pt
Façam as vossas inscrições. Coloquem os vossos dados pessoais, como nome; especialidade; se avioneta também vem; se queres reserva de quarto e para que dias; etc.
Aproveitem a oportunidade e passem um bom fim‑de‑semana na região. 
Há aldeias e cidades bonitas e históricas, há a Serra da Estrela, excelente gastronomia, etc. 
Ah e não vamos enviar cartas convites por correio.
Venham todos .
Abraço a todos.
A Organização 2016
José Ferreira "Toneta" e Simão Cabral
Bem Hajam.


5ª FEIRA :
-Recepção dos primeiros companheiros e suas avionetas;
-Acomodação e distribuição de programa.
-Ceia tradicional da aldeia, dia "das matanças"
-Inspecção técnica à "adega"

6ª FEIRA:
-Manhã livre para uns e trabalhos para outros; kkkk
-15h Teste e treinos para o torneio de tiro aos pratos;
-16h Visita ao "Prenda" e teste da arte de "bom cavalgar"
-18h Ensaio e treino ao "general Mek"
-19h baptismo "Argomilense"
-20h Ceia tradicional "dia seguinte às matanças"

SÁBADO:
-10h Içar das bandeiras e abertura oficial do evento
-11h Missa (ainda a confirmar) alusiva ao 41º. Encontro.
-12h Boas vindas a todos os presentes. Welcome drink
-13 h Almoço Convívio
-15h Entrega de lembranças.
-17h Preparativos para o Magusto ao ar livre (??)
-18h Despedida aos Nortenhos
- serão à moda da aldeia; inspirações musicais; etc.

DOMINGO:
-Cura das ressacas;
-Petiscos
-Preparativos para o regresso.

Venham todos e cheguem felizes.


 Simão e Toneta


sexta-feira, 30 de setembro de 2016

BA2 OTA - JURAMENTO DE BANDEIRA DA ER 3ª./70 E NOVOS PILOTOS DE HELICÓPTERO DO PH1/69

De braço erguido, os soldados recrutas repetem a fórmula do juramento

JURAMENTO DE BANDEIRA E ENTREGA DE DIPLOMAS
B.A. Nº. 2 – OTA – 18/DEZEMBRO/1970
Juramento de Bandeira da Escola de Recrutas 3/70




“Na Base Aérea nº. 2 (Ota), realizou-se no dia 18 de Dezembro de 1970 o juramento de bandeira dos cursos de oficiais e sargentos e de soldados alunos recrutas especialistas.Presidiu à cerimónia o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea interino, general Almeida Viana, com a presença do Subchefe do Estado-Maior da Força Aérea, general Dias Costa, e dos directores dos Serviços de Pessoal e de Instrução da Força Aérea, brigadeiros Braz de Oliveira e Diogo Neto, e outros oficiais. 
Depois de ter passado revista à guarda de honra, comandada pelo capitão Fausto da Cruz, o general Almeida Viana, acompanhado pelas individualidades presentes, dirigiu-se para a tribuna de honra.
A iniciar as cerimónias, usou da palavra o comandante da Unidade, coronel piloto aviador Jorge Manuel Brochado de Miranda, de cujas palavras arquivamos abaixo algumas passagens.
Em seguida, o alferes Ribeiro Santos dirigiu uma exortação aos soldados recrutas.
Procedeu-se depois ao acto solene do juramento de bandeira, a que se seguiu a entrega de prémios e diplomas. No final as forças em parada, sob o comando do tenente-coronel Vargas, desfilaram em continência perante a tribuna de honra.
As altas individualidades presentes em continência à Bandeira

Ao encerrar as cerimónias os soldados recrutas fizeram demonstrações de manejo de armas a pé firme e em marcha, a que se seguiram demonstrações de treino físico-militar e luta individual”.

ALOCUÇÃO PROFERIDA PELO COMANDANTE DA B.A.2 – CORONEL BROCHADO DE MIRANDA
“Perante nós temos também 301 soldados alunos que se encontram a meio de um curso de formação e 268 outros que já o completaram e vão dentro de instantes receber o respectivo diploma, consagração oficial e pública do seu êxito. Serão em breve lançados nas unidades da Força Aérea onde irão participar de forma mais ou menos activa e directa no esforço nacional de defesa da Pátria.   
Não é todavia por terem terminado um curso e recebido um diploma que estão preparados para tal. Defender a Pátria é algo mais do que repelir pela violência as agressões que contra ela se cometam. É também trabalhar sob todos os aspectos para a engrandecer e fortalecer. Todo aquele que se cultiva e adquire conhecimentos e experiência contribui para essa finalidade.
Há pois que continuar sem desfalecimentos ou limitações em trabalho de aperfeiçoamento permanente tendo sempre presente que, para o militar, tudo o que não for um êxito completo pode constituir um fracasso total.
Compete à BA2 a ingente tarefa de instruir, através de cursos de formação, de promoção ou de sub-especialização, a quase totalidade do pessoal técnico da Força Aérea, dos quadros permanente e não permanente, bem como a preparação final dos pilotos destinados às bases equipadas com aviões de caça.
Por decisão superior aproveita-se este dia para se proceder à distribuição de prémios relativos ao campeonato de tiro da Força Aérea, recentemente realizado, nas três modalidades de pistola de guerra, espingarda de guerra e tiro aos pratos.
A Base Aérea Nº.2 orgulha-se de ter alcançado uma classificação honrosa para o que aliás pertinazmente trabalhou.  
Distribuição de diplomas e prémios








A selecção que a representou nasceu de um aproveitamento final de valores que emergiram após o cumprimento de um programa de tiro anual, que depois receberam o treino suplementar adequado, e não do exclusivo chamamento de atiradores consagrados já do anterior conhecidos.” 

Pormenor da demonstração da luta corpo-a-corpo



ALOCUÇÃO PROFERIDA PELO ALFERES RIBEIRO DOS SANTOS

Da exortação patriótica proferida pelo alferes Ribeiro dos Santos, transcrevemos algumas passagens:
“Dentro de instantes e frente à gloriosa Bandeira, augusto símbolo da Pátria, dareis por realizado o primeiro passo para a meta que a vós próprios já jurastes atingir: honrar a Pátria que vos viu nascer e honrar a Força Aérea a que pertenceis, com a generosidade e a grandeza que emerge da vossa juventude e do facto de serdes Portugueses.
A vida não é tempo que passa, mas sim obra que fica. Como tal, tem que ter um conteúdo e ser realização tão perfeita quanto possível de um ideal.
Os valores em qualquer profissão erguem altivamente a cabeça para se ufanarem da sua actividade: um grande médico, um bom advogado, um juiz sabedor e íntegro, um engenheiro competente, um agricultor ou um industrial empreendedor, um perfeito militar revelam amor à carreira, denotam orgulho pela sua profissão.
A consciência de serdes um valor positivo, integrado na utilidade social de uma função, eis o que se espera de vós.
Valor, Lealdade e Patriotismo são virtudes de que não vos podeis alhear. 
Não estão connosco os que buscam uma vantagem em vez de um posto desinteressado de combate, os que não sentem em si nem dedicação para servir a Pátria nem disposição para sacrificar-se pelo bem comum.” 



BASE AÉREA Nº. 3 – NOVOS PILOTOS DE HELICÓPTERO



Na Base Aérea nº.3 (Tancos) efectuou-se no dia 15 de Janeiro de 1971 a entrega de “brevets” a 16 novos pilotos de helicópteros, do PH1/69.
Brigadeiro Diogo Neto e Com. da BA3     
Na sala de reuniões do Comando realizou-se uma sessão presidida pelo Director do Serviço de Instrução, brigadeiro Diogo Neto, ladeado pelos 1º e 2º. Comandantes da Unidade, tenentes-coronéis Gomes dos Santos e Orlando Amaral.
Abriu a sessão o comandante da BA3 que agradeceu a presença do Director do Serviço de Instrução e enalteceu o significado do dia para os novos pilotos.
Usou depois da palavra o Comandante da Esquadra 33, capitão Vellez Caldas que pronunciou uma patriótica exortação, terminando por afirmar estar certo de que os novos pilotos continuariam a demonstrar que a juventude portuguesa mantem intactas as qualidades que fizeram de Portugal um país orgulhoso da sua história e serenamente confiante no futuro.
Seguiu-se a cerimónia da colocação dos “brevets” ao peito dos novos pilotos, acto a que procederam os seus instrutores, como é já tradicional na Força Aérea.
A encerrar, o brigadeiro Diogo Neto dirigiu palavras de muito apreço aos novos pilotos, desejando que as suas acções no Ultramar fossem coroadas dos melhores êxitos.
O Comandante da BA3 


     VOO SEM REDE…
Alocução do Asp. Alf. Pil. Av. José Manuel Leite de Sá

José Manuel Leite Sá recebendo o brevet
“Torre de Tancos: Tenha atenção ao Hotel 9285, que prossegue com aluno em V.S.”.
“Nabo 85 descola”!
Mais leve que inicialmente, o helicóptero sobe à vertical e, em breve, não é mais que uma mancha, emoldurada de luzes, na noite escura.
Lá dentro, agarrado aos comandos, vai um aluno piloto. Na subida, sente que lhe falta qualquer coisa. Sim, aquele disco monocórdio que o instrutor lhe martelava aos ouvidos, deixou de se ouvir.
Agora, este silêncio pouco habitual fá-lo recordar-se desses conselhos: “Olhe a velocidade!...Olhe o pranchamento!...Meta passo!...Olhe para fora!...Concentre-se!      Descontraia-se!!!”.
Entretanto o voo vai prosseguindo, impecável, os instrumentos “colados”, o aluno quer demonstrar a si próprio que é capaz de manter os parâmetros de voo correctamente. O olhar, ora perscrutando a noite à procura de outros pontos luminosos em movimento, ora fixando os instrumentos e as luzes avisadoras: ele sabe que “há sempre uma emergência desconhecida que espera por si”, mas está completamente seguro, confia no aparelho e na instrução que lhe foi tão cuidadosamente ministrada.
Tem confiança, mas não alimenta excessos perniciosos, usa mas não abusa da sua proficiência na máquina.
Quando tinha o instrutor ao lado, e não respondia imediatamente a qualquer pergunta, pagava “ventoinhas”, agora, por qualquer hesitação pagará um tributo bem mais elevado!
Cada voo é o complemento de uma actividade solidária em que todos, sem discriminação de postos, desempenhando cabalmente as funções que lhe estão confiadas, contribuem para a segurança e bom rendimento da pilotagem.
A disciplina é a mola propulsora de todo este trabalho interdependente onde a capacidade de dirigir e a de obedecer se fundem para a consecução de um fim: a maior rentabilidade do trabalho comum.
E o aluno vai voando, concentrado na sua tarefa, sem esquecer que ele é também um elo dessa cadeia. Se alguma anomalia se verificar durante o voo, deve registá-la no livro, não vá o próximo utente da máquina sofrer algum percalço.
Estas cogitações não impedem contudo, que o voo vá seguindo com a mesma eficiência, mas, numa volta, a velocidade desce ligeiramente, e então, o subconsciente, pressuroso, faz ouvir o tal disco que o instrutor conseguiu gravar ao longo de cada voo: “Olhe a velocidade!...Olhe o pranchamneto !...”
Com suavidade e coordenação absoluta o aluno vai avançando cada vez mais, já sente o voo e, inebriado pelo espectáculo maravilhoso que lhe é dado contemplar, aquela sincronização de movimentos que patenteia em cada manobra, dão-lhe a impressão de ser uma peça, a peça que falta à máquina para voar sozinha!...
Já no final, acende o farol e fá-lo incidir no local de aterragem. Está prestes a tocar, actua com esmero. Lá ao fundo está um instrutor que diz: “aquele é o meu craque”!
E, quando o instrutor mostra confiança no aluno, este faz tudo para não desmerecer dela.
Agora, já depois de tudo desligado, faz a autocrítica do voo e sente-se satisfeito!
O teste aproxima-se e o Cap. Caldas não é nenhuma “pera-doce”. Mas ele está apto a enfrentar todas as situações e o teste não é meta final, é apenas uma barreira que se transpõe, nesta dura maratona que é o dia de um piloto! “

Notas: Recolha de informação na Revista “Mais Alto” nº. 141 – Janeiro 1971

Até breve                                                                                   
O amigo 

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

CHEGADA A HENRIQUE DE CARVALHO

Chegada do Nord- foto de Anselmo Cardão
Cheguei ao AB4, a 20 de Setembro de 1971, uma Segunda-Feira que nunca irei esquecer, era o fim de uma longa manhã de calor, muito barulho e vários sustos, passada entre os TAM da BA9 e o Nordatlas que me transportara por entre caixas de fruta, peixe dito fresco, sacos de frangos e outras coisas que nem consegui identificar.
O meu ar apreensivo arrancou sorrisos ao meu companheiro de viagem já com mais de meia comissão cumprida, enquanto íamos sustendo a carga a cada movimento mais brusco do avião, quando aterrámos ele ainda me disse: Prepara-te para a recepção pouco amistosa, isto depois de eu ter dito que vinha aumentar o efectivo, e não, render alguém com a a comissão já terminada.
À chegada tínhamos uma turba de especialistas, que passavam revista às guias de marcha, para verificarem qual a nossa situação; se vínhamos render alguém, preencher vagas no quadro, ou aumentar o efectivo, assim que me viram a guia de marcha, passaram a outros e deixaram-me em paz que era o que eu mais desejava.
Comando Operacional - foto de Rui Neves
Peguei nas mochilas e zarpei para o posto de rádio que presumi fosse no edifício com as antenas, tinha de entregar rapidamente a alguém responsável pela cifra, o material classificado de um curso de cifra que frequentara e que transportara desde Lisboa, que me obrigara a ir à "António Maria Cardoso", (para os mais distraídos, a sede da PIDE) onde passei horas fechado numa sala à espera que me dessem um questionário e um documento para assinar, onde por entre outros impropérios “jurava por minha honra defender com a própria vida, não divulgar, ou de qualquer outro modo dar a conhecer o conteúdo do curso que iria fazer ou do material que me fosse entregue para utilizar ou transportar” assim como não me separar do mesmo até o entregar pessoalmente aos responsáveis pelas cifras do Comando da 2ª.Região Aérea e AB4. Era o que transportava numa das mochilas e que me obrigara a andar sob escolta e a ir dormir no BCP21, na semana que levei a instruir o pessoal de Luanda, e que tinha sido motivo de desconfiança de toda a gente por me verem sempre acompanhado de dois PA'S que só me largaram quando entrei no avião.
Percorri o corredor do edifício seguindo o som de transmissões em código Morse, e ao espreitar pelo postigo da porta azul blindada, deparei com um sargento com quem tinha trabalhado no Continente, avancei de peito aberto porta dentro com as “imbambas” às costas e estendi a mão atirando com um ar satisfeito por ver finalmente uma cara conhecida,"então como vão essas arbitragens e essa "Bíblia" (tradução) o jornal desportivo "A Bola"?
O sargento, levantou a cabeça do jornal, olhou pelo canto do olho a cara pouco mais que em pânico dos presentes, e disparou: o nosso cabo vai pegar nas "imbambas" dar meia volta, sair e fechar a porta pedir licença para entrar e apresentar-se como manda o RDM, ou então embrulho-o numa folha azul de 25 linhas e dou-lhe o máximo da minha competência!", levantando o jornal, não sem antes voltar a olhar pelo canto do olho, para confirmar, que toda a gente ouvira o que ele dissera.
O autor á porta do Clube
Imediatamente percebi que dera com os burrinhos na água, o único culpado da situação era eu, nunca deveria ter baixado a guarda e o impacto que sofri foi demolidor, peguei nas imbambas, dei meia volta e saí, fechei a porta, abri o postigo e pedi licença para entrar, pousei tudo no chão e fiz a apresentação regulamentar aguardando em posição de sentido. O sargento olhou os presentes com ar dominador, levantou-se e estendeu-me a mão atirando magnânimo:"Então como está o "Puto"? (tradução) pelo seu tamanho minúsculo, o Continente era assim chamado em Angola, mantive a posição de sentido, e deixei arrefecer-lhe o entusiasmo, passados segundos respondi: Cumpri a obrigatoriedade da apresentação como manda o RDM, os apertos de mão guardo-os para os amigos, e afinal enganei-me, pois não vejo aqui ninguém digno desse nome, se não deseja mais nada gostaria de ser dispensado para efectuar a entrega do material de cifra que transporto e da guia de marcha na secretaria do pessoal. O sargento baixou a mão com uma cara de poucos amigos, mas não havia volta a dar, eu tinha feito o que regulamentarmente me era exigido, mas com este gesto irrefletido, acabara de me incompatibilizar definitiva e irremediavelmente com as chefias, o que me conduziria a uma luta solitária incerta, que só acabaria no dia em que saí de Carvalho para Luanda vinte e oito meses e meio depois.

Henrique de Carvalho 20/09/1971
OPC ACO

domingo, 4 de setembro de 2016

JONAS SAVIMBI



ESTÓRIAS DE MISSÃO DE UM OFICIAL DA FORÇA AÉREA: ANGOLA – 1992

Durante a campanha aérea da ONU para as Primeiras Eleições Livres em Angola (1992), os dias passaram num carrossel de aterragens e descolagens. A ONU geriu e levou a bom porto a maior operação aérea jamais organizada de suporte a atos eleitorais supervisionados por aquela organização. Algo que, na altura, parecia ser um passo maior que a perna, só foi possível devido ao empenho dos dez oficiais da Força Aérea Portuguesa, destacados para Angola para ajudarem na gestão daquela atividade aérea. Os elementos da FAP fizeram parte de uma grande equipa com 25.000 pessoas, angolanas e estrangeiras, que de alguma forma participaram para o sucesso daquele ato eleitoral, dos quais constavam cerca de 800 observadores internacionais.
Por razões de segurança, durante os dois dias em que decorreram as eleições legislativas Angolanas, 29 e 30 de Setembro de 1992, o Governo Angolano interditou o espaço aéreo a voos internacionais e encerrou as fronteiras terrestres, marítimas e fluviais.
Os Angolanos votaram em massa, ultrapassando as previsões mais otimistas, com 92% dos eleitores inscritos (4 milhões e 400 mil pessoas) a exercerem pela primeira vez o dever de voto. O número surpreendeu, já que se admitia uma taxa de abstenção na casa dos 20% a 30%. Os angolanos escolhiam entre 19 partidos, quem os iria governar.
No dia 01 de Outubro, depois do ato eleitoral, era a loucura total em Luena. Todas aquelas urnas de voto tinham de ser rapidamente retiradas dos vários locais e trazidas para a capital do Moxico, de onde seguiriam de imediato para Luanda em C-130. O que havia levado semanas a montar, levava agora horas a desmontar.
Segundo os acordos de Bicesse, que travaram o conflito entre a UNITA e o MPLA e abriram espaço ao ato eleitoral, os resultados eleitorais só deveriam ser formalmente anunciados no dia 08 de Outubro. Contudo, a comunicação social divulgou-os conforme se ia sabendo os resultados parciais. 
No dia 3 de Outubro, Jonas Savimbi (então líder da UNITA) dirigiu uma «Mensagem à Nação», na qual expressava que não aceitava os resultados das eleições, por ter havido fraude. A violência escalou consideravelmente e o PNUD de Luena decidiu ativar o plano de evacuação que tinha elaborado. Luanda parecia continuar no controlo das forças governamentais, sendo a melhor saída para uma evacuação internacional. Decidiu-se voar para Luanda no dia 05 de Outubro. Entretanto, na capital do País, a situação de segurança estava a degradar-se de dia para dia. Após tratar de toda a burocracia da ONU, os militares portugueses receberam instruções para sair imediatamente de Luanda e regressar a Portugal no dia 08 de Outubro. Partiríamos nessa mesma tarde, num voo comercial que estava, obviamente, lotado, ao ponto de não haver catering para todos os passageiros. Cerca de 20 minutos após a descolagem de Luanda, o comandante de bordo utilizou o sistema de som para fazer um pequeno anúncio:
- “Senhoras e senhores passageiros, informamos que, por motivos de segurança, o Aeroporto Internacional de Luanda acabou de fechar a todo o tráfego aéreo, sem data anunciada para reabrir.”
Tínhamos conseguido sair de Luanda ”In Extremis”!
Quando, na tarde do dia seguinte desembarcámos em Lisboa, veio a notícia:
Os oficiais da UNITA abandonaram as (unificadas) Forças Armadas Angolanas e regressavam às suas anteriores posições. Tinha recomeçado a guerra civil Angolana. O governo português estava agora preocupado com a segurança dos nossos cidadãos que residiam em Angola. A Força Aérea preparou os seus (na altura) paraquedistas e os C-130, para retirarem os portugueses que estivessem em Angola e quisessem sair.
No início do mês de novembro de 1992, as Forças Armadas Portuguesas lançaram a “Operação Repatriamento”, com o objetivo de retirar de Angola os cidadãos portugueses que ali não desejassem permanecer. As Tropas Paraquedistas Portuguesas não tiveram de atuar, mas as aeronaves da FAP evacuaram de Angola cerca de 2 500 portugueses. O conflito interno Angolano assumia agora uma violência redobrada, inflamado por novas desconfianças e ódios.
A Guerra Civil Angolana só viria a finalizar com a morte em combate de Jonas Savimbi, num local muito próximo de Luena, no ano de 2002. O povo Angolano sofreu um conflito fratricida, durante 27 anos, com uma ligeira interrupção de “paz podre” para se fazerem eleições em 1992.

A experiência angariada naquela missão das Nações Unidas seria, décadas mais tarde, primordial na resolução de problemas numas outras eleições, igualmente problemáticas. Mas isso será matéria para uma outra “Estória de Missão ao serviço da ONU”.


(O texto e os desenhos são extratos de um projeto de livro, da autoria de Paulo Gonçalves – Tenente-Coronel TOCART – sobre “Estórias de missão ao serviço da ONU”)



Os editores do Blog agradecem ao Sr.Ten.Coronel Paulo Gonçalves, a cedência das suas estórias vividas em terras do Moxico. Vinte e poucos anos após, representando uma nova geração da FAP, os seus relatos fazem-nos retroceder no tempo e recordar algumas das vivências, que marcaram a nossa geração. Bem Haja.