quinta-feira, 19 de março de 2009

LESTE DE ANGOLA - FÉRIAS EM SALAZAR

“LESTE DE ANGOLA” Memórias de um passado saudoso.
Prosseguindo na nossa rota (eu, e o José Soares), arrancámos para o 2º. dia de férias, em 24 de Novembro de 1972 – 6ª. feira.
“De Luanda, tínhamos como destino a cidade de Salazar agora, N´Dalatando, capital do Cuanza Norte. 
Logo ás primeiras horas da manhã, alugámos um táxi em direcção à saída de Luanda para o Dondo. Ficámos na estrada de Catete, num sítio que nos indicava a única saída para o nosso percurso. 
Pouco tempo depois, conseguimos uma boleia num “Peugeot 404” até ao Dondo, vila industrial e povoação conhecida pelas proximidades da maior barragem de Angola – Cambambe, fixada no rio Cuanza, o mesmo que desagua a poucos quilómetros a Sul de Luanda, Barra do Cuanza. 
Lembro-me que esta vila possuía um clima demasiado quente e húmido e, os cafés com esplanada , à beira estrada, ficavam sempre sobrelotados de camionistas a matar a sede com as célebres canecas de litro de cerveja. Eu próprio, me satisfiz com este refrescante pelas várias vezes que por ali passei. 
No Dondo, partiam duas estradas com direcções opostas. Uma, para Nova Lisboa outra, para Salazar.
De novo, tomámos outra boleia num “Olympia” e, pelo caminho, observámos plantações de algodão, cafeeiros, diversos macacos a cruzarem frequentemente a estrada, o curioso imbondeiro - árvore secular e de tronco afunilado – gigante, que mais parecia um candelabro… Subimos os morros de Salazar pelas curvas e contra curvas, palmilhando verdadeiras minas de precioso mármore. Estes morros são como mantos verdejantes que contornam toda a cidade. Nas suas matas e, à noite, os indígenas de raça quimbundo acendiam fogueiras para afastarem os leões que por ali ainda circundavam. Nos nossos voos de H. de Carvalho para Luanda e, vice-versa, sobrevoávamos estes morros porém, só eu reconhecia o terreno porque, percorri-o de comboio e de automóvel, por diversas vezes. 
Piscina de Salazar
Chegados a Salazar, hospedámo-nos na Pensão “Ultramar” onde pernoitámos, depois de termos contactado com uma correspondente minha, a qual nos ofereceu o seu carro para passeios pelos arredores. Continuámos nesta cidade pelo Sábado e Domingo, percorrendo os vários locais aprazíveis. Tínhamos um “Mazda 1 300” para desfrutarmos e, assim, fomos visitar um lugar paradisíaco chamado “Quilombo”, sítio muito frequentado para pic-nics. Entrámos em convívio com os familiares desta correspondente, fomos bem recebidos e, à noitinha fomos ao cinema. 
Nesta cidade, havia uma Residência intitulada “Turismo”, cujo proprietário era irmão dum Sargento que esteve connosco em H. Carvalho. Explorava também, uma Bomba de gasolina e, era muito conhecido nestas paragens. Tive o prazer de ter repousado nesta Residência porém, saiu-me caro!... 
Entretanto, o Zé estava a ficar aborrecido de permanecer muito tempo no mesmo local pois, quem mais aproveitava era eu. A correspondente era minha e, o namorisco era meu. O tempo para mim passava-se agradavelmente mas, o Soares não estava para esperas. Combinámos a partida para 27 – 2ª. feira e, será a partir desse dia que continuarei a minha narrativa por terras de Quibala, Stª. Comba, Alto Hama e Nova Lisboa.” De referir que a correspondente de Salazar foi a mulher com quem vi a casar. Uma Bracarense de gema… 
O Zé Soares, encontra-se no Rio de Janeiro a passar férias em casa dos tios. Tios esses, que nos recolheram em Luanda, no final da viagem, no Natal de 1972.

Até breve
O amigo Vítor Oliveira – Ocart 

quarta-feira, 4 de março de 2009

QUANDO O "ASA NEGRA" NOS QUIS TRAMAR !



Julgo que foi em 1971, nas comemorações do dia do Movimento Nacional Feminino.
Este movimento promoveu no Ringue de Henrique de Carvalho, um encontro de andebol e outro de futebol de salão, entre o AB4 e o Batalhão. 
Foi acontecimento domingueiro e estiveram presentes as chamadas "forças vivas". Até aqui tudo normal, só que alguém mais "letrado", da equipa de andebol, sugere: - pessoal, hoje vamos fazer algo diferente, vamos entrar em campo e no círculo central vamos fazer a saudação á assistência! (com punho fechado...não sei se "alguém" o sugeriu ?!) 
Assim foi, o jogo foi feito, o resultado não faço ideia qual foi, também nunca foi assim muito importante. O prémio de presença (cachet) foram praí meia dúzia de garrafas de Whisky oferta do MNF, que somadas a outras tantas da equipa de futebol de salão, foram ao fim da tarde destroçadas no Clube, julgo, que com mais algumas oferecidas pelo Simão "o girente" do nosso Clube. 
Escusado será dizer, que deste encontro no clube resultaram muitas "cabras", coisa normal naqueles tempos!!!!!
A semana seguinte na Base decorria normalmente, quando somos informados de que tinha chegado ao comando uma participação do ASA NEGRA contra a equipa de andebol, porque tínhamos feito no referido jogo, a saudação do "poder negro" ... se calhar até fizemos!
Esse grande "democrata", conforme se veio a verificar após o 25 de Abril, e de quem alguns sofreram na pele, incluindo pilotos, para não falar nos "desgraçados" do Batalhão, tinha acordado e pensado: ai os espertinhos da Base ! Vou tramá-los !
A coisa começa a ficar feia! Num primeiro inquérito realizado pelo nosso Comando, lógicamente ninguém se descose, ninguém sabe de nada, apesar de se começar a constar de que iríamos ser inquiridos pela DGS. Entretanto, e felizmente, outras "forças" vieram em nossa ajuda e o assunto acabou por ser arquivado.
Do resumo da contenda, sobraram para além das referidas "cabras", o susto, a solidariedade e a saborosa "vitória" ante o famoso, pelos piores motivos,  Asa Negra.
A.Neves, A.Braga e Simão "pastando as cabras" .


A. Neves

domingo, 1 de março de 2009

SIMÃO CABRAL EM HENRIQUE DE CARVALHO

Caros Camaradas de Armas! 
Este simpático (!!!!!) rapaz, para aqueles que já não se lembram, é o Simão Cabral. 
Eu mesmo!! 
Alguns de vós, já viram estas fotos, mas muitos ainda não! 
Não envio mais, pois muitos dos emails, não têm memória para as receber! 
Mas por estas duas, já podem ver como está o antigo AB4. 
Não chorem!! 

Um abração 
J. Simão Cabral
HC 24/9/2007

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

EDITORIAL DE RUI NEVES


Nota do Editor. 

Companheiros do AB4 -Henrique de Carvalho.
Através do Mural de Recados e de um ou dois Email's recebidos, verifico por parte de alguns Companheiros o descontentamento com o tamanho do Blog. 
Pois é, isto de um Blog é como os jornais que nós compramos… todos os dias ou semanalmente sai um e, ou compramos para o ler ou não! Aqui não se compra nem se vende mas, como um jornal, só o lê quem quer. Certamente, que cada um de vós se lêem jornais procuram aquele que mais vos agrada e como em tudo na vida só nos agrada algumas coisas. 
Gostaria muito de agradar a todos mas, não será possível. 
A ideia de criar um Site como alguns têm dado ideia, será uma possibilidade caso reúnam-se condições para tal. A criação de um Site obedece a vários factores incluindo os recursos humanos que têm de ser em maior número para se obter resultados idênticos ao de um blog. O resultado até agora do nosso Blog tem sido esplêndido, pois uma audiência de 25 visitas em média diariamente é um resultado que ultrapassou todas as expectativas de um Blogger. 
No entanto, prometo não descurar a ideia do Site e empenhar todos os esforços para melhora a forma de comunicação e entretenimento, afim de poder-mos estar num contacto ao gosto de quem gosta da Internet. Recebam um abraço e espero continuar a agradar a quem agrado. 
Rui Neves Editor do Blog

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

DESPORTO NO AB4

Caros companheiros. 
Hoje dou início a mais uma secção deste Blog. 
De certeza serão muitos os comentários, relatos e lembranças das actividades desportivas que todos vós nos podeis contar. Do Futebol, Andebol, Basquete e Natação, serão muitas as recordações de todos pois era um dos escapes e passatempo, não desprezando os benefícios físicos, que tínhamos para esquecer a distância de casa e a causa de lá estar-mos. 
Assim, para vos distrair um pouco aqui vão algumas fotografias enviadas pelo companheiro Carlos Joaquim (Quim) que não são as únicas que recebemos, mas para que o artigo não fique muito extenso!!! 
As restantes fotos estarão arquivadas no “Álbum de Recordações” no dossier de Desporto no AB4. 
Espero merecer de todos que tenham histórias e que tenham feito parte das equipes do nosso tempo que nos enviem quanto antes os textos e fotos para serem publicadas. 

Rui Neves Editor do Blog






segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

LESTE DE ANGOLA - A MINHA PRIMEIRA AVENTURA EM TERRAS ANGOLANAS

“LESTE DE ANGOLA” Memórias de um passado saudoso. 
Caros companheiros, estou convosco mais uma vez e, desta, com a minha grande aventura por terras de Angola. 

Situamos esta viagem nas minhas primeiras férias de H. de Carvalho, tiradas entre 23 de Novembro a 24 de Dezembro de 1972. Vou retirar esta minha narrativa ao conteúdo do meu roteiro – que ainda conservo na minha posse, após trinta e sete anos. 
Tinha eu vinte e três anos e delineei traçar no mapa os principais locais por onde deveria passar e conhecer. Recorri à revista “Notícia” e solicitei que publicassem o meu nome e endereço a fim de requisitar correspondentes por toda esta Nação e, com o intuito de me sentir “apoiado socialmente”. 
Surgem cartas diversas e, eu, seleccionei as correspondentes que se situavam nas cidades que desejaria percorrer. Samy Silva (Salazar), Nady Areias (Benguela), Lurdes Louro (Gabela), Lídia Marques (Porto Alexandre) e, muitas mais… Faço referência a este pormenor porque, daqui nasceu o meu casamento com uma destas amizades e, que ainda perdura nos tempos actuais. 
Nos meus planos de viagem estavam as cidades de Malanje, Duque de Bragança, Salazar, Luanda, Quibala, N. Lisboa, Sá da Bandeira, Moçamedes, Porto Alexandre, Benguela, Lobito, Novo Redondo e mais… Outros pontos de passagem e de interesse tais como: Salto do Cavalo e Pedras Negras em Pongo Andongo; Pedras Gingas, Campa do Zé do Telhado, grutas do Cacolo, Quedas do Duque de Bragança, Mussulo, Observatório da Mulemba, Barragem de Cambambe, Túmulo dos indígenas em Quibala, Ilha dos Amores em N. Lisboa, Serra da Leba e Chela e penhascos da Tundavala e Bimbe em Sá da Bandeira, porto de minério em Moçamedes, Plantas “Mirabilis” e miragens no deserto do Kalahari, Caota, Baía Azul em Benguela, Grutas e Cascata Binga de Novo Redondo, Restinga dos Flamingos no Lobito, etc, etc…

Iria sozinho nesta viagem? Planeei-a nesse sentido e, por experiência doutras vezes atrás. Livre na totalidade e, na aventura pois, assim o fizera anteriormente por terras metropolitanas e açoreanas. Porém, um nosso colega especialista propôs-me a sua companhia. 
Comprometendo-se a seguir a minha rota, aceitei incluir o estimado companheiro – José Bastos Rodrigues Soares, alcunhado de “Bacalhau” EABT. 
Vou só transcrever parte da minha narrativa, mantendo-me fiel ao texto da época, do 1º. Dia de viagem. Começa assim: “H. Carvalho – Luanda – dia 23 de Novembro de 1972 – 5ª. Feira, 1º. Dia de férias. Eu e o José Soares, conseguimos uma boleia no avião da DTA, Friendship Fokker-27, após termos feito os pedidos ao 2º. Comandante Sampaio, ao capitão Bentes e, ao Comandante da DTA, sr. Pestana. 
Foi no dia da despedida, (no AB4), do sr. Governador da Lunda, Coronel Soares Carneiro. 
Abalámos com a intenção de aterrarmos em Malanje e prosseguirmos a viagem, via terrestre, para Luanda porém, devido ao nevoeiro cerrado nas imediações de Malanje, alterou-se a rota com aterragem em Luanda. Chegados à capital, fizemos a apresentação e hospedagem numa pensão. Saiu um passeio nocturno pela cidade e … "chi-chi-cama”. 
Companheiros e amigos de longa data, nos próximos episódios serão descritas as viagens e aventuras pelos longos 5.255 Km de estrada. 

Um até breve Vítor Oliveira - Ocart


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

AINDA E SEMPRE ANGOLA

Ainda e sempre Angola, num presente feito de passado …

O título desta crónica, bem poderia dar lugar a um relato que representasse um passado não tão distante assim, feito de alguns idealismos, contrastando com um presente que convida por vezes ao esquecimento, mesmo que feito de memórias. 
As décadas de 60 e 70 foram o filão da Força Aérea no que toca à “fabricação” de Especialistas. 
Ser voluntário era moda e a Força Aérea era o escape, a fuga esperada do quotidiano, o gosto pelo desconhecido e o estatuto que se poderia adquirir. Havia ainda alguma escolha, com opções diversas entre especialidades. Só mesmo quase no final da recruta se definiam as posições futuras. 
Na Ota, onde quase todos nós chegámos um dia cheio de esperança, para se fazer um pouco de história e traçar o futuro. 
O destino, esse ficava por conta do acaso ou talvez não. Não sei se escolhi ser o que fui mas tive muito orgulho sendo quem fui e como fui. 
Inacreditavelmente quis o tal destino que após a recruta, me visse com uma viagem marcada, após os tais 15 dias de Férias, para os Açores. 
Lembrei-me da BA 4, mas depressa percebi que afinal o meu destino seria o HM BA4 [Hospital Militar da Base Aérea N.º 4]. Este era considerado um Hospital dos chamados de retaguarda, que na altura recebia os feridos do Ultramar. Conheci por lá dois dos mais famosos combatentes [feridos em combate], do Ultramar; o Marcolino e o Setenta. 
As enfermeiras que na altura faziam a diferença também por lá andavam. Recordo-me da Cristina, da Céu, da Antonieta e da Fernanda. Se teria sido um sonho, estar ali, não sei, só os 6 anos de Força Aérea que eu esperava vencer, me dariam o veredicto. 
Foi agradável passar 1 ano na florida Terra Chã, conhecer ao pormenor Angra do Heroísmo, desfrutar de boas paisagens e muito divertimento. Ver as Largadas à Corda, conhecer a pesca da Baleia e ir até à praia da Silveira num passeio a pé, por canadas íngremes era um regalo. As compras nas Lajes, o whisky, os pirex´s, o tabaco americano, os Ray Ban os zipp´s e as parker´s, quem não se lembra disso?! Claro que o curso de Enfermagem um dos mais conseguidos na altura em todos os ramos das Forças Armadas, seguia calmamente como eu esperava. 
Mas … e como há sempre um mas, de repente vejo-me de malas aviadas a caminho do Continente e lá estou eu a fazer a apresentação em Monte Real. Ali tive o prazer de conviver com alguns companheiros já regressados do Ultramar, que contavam as suas histórias. Lembro-me do Campos, um grande amigo. Eram os nossos serões na BA 5. 
Não consegui desfrutar de todos os prazeres que a periferia da Base nos proporcionava já que num ápice, me vejo mobilizado para a 2ª. RA ou seja, Angola. 
Mais 15 dias de Férias e voilá …lá vou eu a caminho de Luanda. Estadia curta nesta cidade, obviamente na BA 9, mas a suficiente para conhecer a Mutamba, o Mussulo e a Marginal. 
Falava-se muita na altura do BO e do Marçal também. Ah e a célebre Portugália, sempre frequentada pelos cambistas de ocasião onde se trocavam os nossos escudos por outros que não os nossos. 
De repente lá estou eu a caminho de Henrique de Carvalho. Lembro-me daquela chegada, a malta à espera na placa, procurando substituto. Era um frenesim quando chegavam os maçaricos, como eu o era naquela altura. 
Fui substituir o Rolo e logo ali encontrei o meu “pai”, o Bilinhos. Para aqueles que se desmemorizaram já, essa relação era atribuída pelo nosso número de matrícula. Na altura eu era o n.º 222/70 e o Bilinhos o n.º 222/69. Fiquem bem entregue sem dúvida. 
O que se seguia à chegada já todos nós conhecemos. O arrumar dos sacos a visita de reconhecimento ao Aeródromo, o almoço, no meu caso, no Clube, onde por aquele instrumento das Caldas com boa cerveja era tragado, no cimo de uma cadeira, ao som desconcertante dos presentes, com arremesso das tais bolinhas de miolo de pão. 
À noite lá vinha a praxe do costume e estavam assim feitas as apresentações formais a todos os presentes, passando a ser mais um elemento da espécie. 
Pois mas nem tudo era assim tão divertido como possa parecer. Aqui havia algumas barreiras, impostas pelos que se assumiam como os líderes da “tribo”. Haviam alguns excessos que só o tempo apagava ou fazia esmorecer. 
No AB 4 cada época definia uma classe e se dissesse que entre a década de 60 e a década de 70 houve uma abissal diferença de pessoas e atitudes, não mentiria. Essas diferenças acabaram por ser transladas para os tempos de hoje mas com outras cambiantes. 
De facto foi um percurso sinuoso mas nem por isso infrutífero para quem se decidiu a traçar uma linha e a segui-la na íntegra. 
Angola fazia a diferença. 
Os costumes, as oportunidades, os dias o convívio eram a tónica. E … por aqui me fico sendo que, se for caso disso, esta minha narrativa terá a sua continuidade!

Virgílio Oliveira 1.º Cabo ENF

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

LEMBRO-ME - A MINHA CHEGADA AO AB4

Lembro-me de quando cheguei a Henrique de Carvalho nos primeiros dias de Janeiro de 1971, numa sexta-feira, e logo que foram abertas as portas do avião que me transportou de Luanda, senti um estranho cheiro mas não desagradável. 
Ao sair, olhei em redor, apreciei o hangar, os poucos aviões no terminal, a pista, a torre de controlo, e os companheiros ansiosos por saber quem é que íamos substituir. 
Um de farda creme perguntou-me: Ó maçarico qual a tua especialidade e quem vens substituir? 
Era o Agante, ao qual eu lhe disse que era de abastecimento e que vinha substituir o Rego. 
E disse-me: Se ele cá estivesse estavas lixado mas, não te safas porque eu fiquei encarregado de dar conta de ti. E assim foi; entregou-me o RAMFA e disse-me: Logo á noite tem de ter essa porra na tola e dá cá a tua mala que eu vou-te levar á "barraca". 
E assim lá fui agarrado ao pesado Ramfa e ele com a minha mala até á camarata. Lá deixei num armário os meus pertences e fomos fazer a apresentação no Comando onde o Agante me fez preencher um toque de ordem para no fim-de-semana fazer-mos o reconhecimento á cidade, e de seguida fomos para o Clube porque era hora de almoço. “De notar que não larguei mais o Ramfa. 
Quando entramos no clube e antes de almoçar, pediu atenção a todos e apresentou-me: “Aqui está o maçarico substituto do Rego e porque ele chegou já depois dele se ter ido embora para o puto, tem de ser bem regado.” 
Fiquei a ver onde as modas paravam, mas disse-me para sentar e almoçar.
Depois do almoço pediu novamente atenção e disse-me:” Ou mamas uma litrada no das Caldas ou vais ao lago”. Pensei que fosse vinho ou cerveja e prontifiquei-me a beber o tal néctar que por sinal era cerveja e eu estava com calor. Mamei até ao fim a rodar em cima da mesa acompanhado pela célebre canção do ”
Teri”. 

Depois foi a apresentação na Esquadra de Abastecimento ao Sr Capitão Maia, que logo no primeiro encontro simpatizei e fiquei satisfeito de ter um Comandante de Esquadra como aquele que estava á minha frente. Seguiu-se a apresentação do Sargento Carvalho e do restante pessoal incluindo um senhor do armazém que o Agante por malandrice me apresentou o Sr. Capitão; de imediato bati-lhe uma grande palada o que todos se desmancharam a rir… Só depois me apercebi que era de nome Mário Capitão e que era o encarregado do armazém. 
Ao jantar, perguntaram-me se tinha trazido algo de comer assim como enchidos ou outras coisas. Como não levei nada, tive de comprar uma grade de cervejas para a praxe. Regressados á camarata, eu e os companheiros que chegaram comigo reunimos as cervejas e os petiscos para iniciar a praxe. 
Acusados em tribunal pelo desplante de sermos invasores do território dos cacimbados, teríamos de repartir os bens alimentares com todo o tribunal. E assim foi… uma grande patuscada passando assim a fazer parte da família indígena do AB4. 
No dia seguinte, sábado, depois do almoço lá fomos para a apresentação da cidade. O Agante foi no autocarro enquanto eu e tantos companheiros fomos na camioneta de banco corridos; uma Mercedes. 
Pela picada fora pois de estrada pouco tinha, ao ver aquela terra vermelha cor de fogo percebi que o cheiro estranho que senti no dia anterior era uma mistura de odores do capim e daquele barro que me iria fazer companhia por dois longos anos e mais alguns meses.
A apresentação da cidade foi muito simples pois como podem ver na foto fomos logo agarrados pelas predilectas loiras normalíssimas. 

Porque este texto já vai longo, fico-me só pelos dois primeiros dias. 
Espero assim que os meus companheiros nos enviem também as vossas histórias para recordar-mos momentos de amizade que ao longo de 35 anos passados não nos esquecemos do companheirismo que havia naquela unidade. 

Um abraço a todos
Rui Neves
Editor do Blog

domingo, 25 de janeiro de 2009

LESTE DE ANGOLA - CONJUNTOS DO AB4

“LESTE DE ANGOLA” Memórias de um passado saudoso. Situamos esta recordação nos finais de 1971 e princípios de 1972 na cidade de H. de Carvalho, actual Saurimo.


Volto a referir os Açores, B.A.4, Base donde me desloquei para Angola, após treze meses de tirocínio pois, é a aqui que assenta a raiz da minha narrativa. Com conhecimento de um artista em artesanato, solicitei-lhe a construção de uma viola com incrustações em osso de baleia e, com outros ornamentos característicos da ilha Terceira.

Viola com total elaboração manual, de som maravilhoso, e que passados trinta e nove anos, ainda a mantenho na sala de estar – afinada mas, silenciosa… Parti para Angola convicto de que iria aprender, praticar uns acordes e, passar os longos meses (36) com mais uma ocupação… Na camarata e, nas horas livres, dedicava tempo infinito no martelar das cordas porém, o avanço no saber era lento!... Um dia, certo especialista ao tomar conhecimento deste “Donovan”, resolveu convidar-me para o conjunto musical do A.B.4. Faltava um guitarrista e, não havendo mais ninguém naquela ocasião, fui eu o escolhido e convidado. Humildemente referi que era um aprendiz de pouca valia, mas a solicitação foi tamanha que resolvi aceitar -- tendo como Mestre o nosso “Bilinho” – José Abílio Gonçalves Almeida.

Formámos o conjunto, cuja equipa constava do Abílio, Bicker, Álvaro Jesus, eu e, o que me convidou (o do lacinho, penteadinho e com bigodinho). Não recordo o nome desse companheiro musical nem, do conjunto. Fomos uma sombra dos “Vampiros do A.B.4 – Velhinhos de 64”, dos célebres Tomanel Raposo, Jaime Lemos, Carlos Catarro e Mário Mendes. Reuníamos para ensaio numa salinha das comunicações, edifício situado perto da Torre de Controle e, posteriormente, fomos para as instalações onde se guardavam as descargas dos aviões, junto aos estacionamentos dos “Fockers” da DTA/TAAG e do Nord Atlas. Mesmo assim, ainda fizemos diversas actuações na Base e, na cidade. As fotos mostram a actuação no festival “Cacimbo” e, recordo que o nosso conjunto teve o privilégio de abrilhantar o casamento do saudoso Rui Dinis, na esplanada do Hotel “Pereira & Rodrigues”. Consta que havia uns desacordes, provavelmente meus, -- mas, perdoaram-me!... Há peripécias de menor importância contudo, passados tantos anos, dá vontade de reavê-las.
Os elementos do conjunto e, alguém mais, encontravam-se noutro edifício, perto da enfermaria, a “patuscar” e a beber umas “cucas” e “nocais – da loira tropical” quando, de repente, passou na dianteira do “Bilinho” uma das gigantes libelinhas angolanas. Ainda sóbrio, atira a manápula e saca a libelinha, colocando-a numa sandes que, momentos antes, iniciara comer. Trinca a sandes com o novo recheio, olha para nós com expectativa, mastiga lentamente, torna-se pálido, incentivamo-lo prometendo-lhe recompensa “cervejal “ porém, o “home” desistiu… Tinha-se ficado pela primeira trinca… Enfim, bom na música mas, fraco no apetite!
Vão longe estas memórias, mas saudáveis de recordar… Estes são temas para mais alguém prolongar porque, escrever dá saúde à mente. Deixo-vos algumas fotos inseridas na narrativa outras, no álbum de H. Carvalho 

Até breve. Vítor Oliveira – Ocart
Recebido por Mail

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

ENCONTRO COM ADÃO SANTOS "SOVIÉTICO"


ADÃO ALBERTO ALMEIDA SANTOS
OPC (AB4 de 67 a 69) Respondeu ao nosso contacto assim:
Muito bom dia caro Rui Neves. Informo que ainda não tenho e-mail privado.  
Quanto ao Blog, confesso que não tenho acedido, mas tenho apreciado todos os e-mails que me são enviados, contendo fotos de locais onde estive ou passei, fazendo-me relembrar bons tempos. 
Quanto a fotos de Especialistas (especialista não mexe nem que lhe passe um caralho pela boca, a acreditar no Major Tomás) como na generalidade são posteriores a Maio de 69 não me permitem reconhecer ninguém, mas nunca se sabe se a partir delas ainda posso vir a identificar e encontrar alguém que esteve no Leste de Angola. 
O que recebo do Álvaro Barroso, essas sim, recordam-me muitos amigos e companheiros. 
Claro que há fotos de Pilotos que todos nós conhecemos, independentemente de termos estado em Angola em 67, 68, 69, 70, 71, 72 ou 73, e há também o Selvagem vísivel na foto do Camaxilo 73-74 que fazia parte da matilha de cães que me acompanhavam na caça às perdizes com a Remington de 5 tiros e carregada com zagalotes porque não havia chumbo de caça. Cumprimentos e votos de bom ano. Neste momento não tenho comigo uma foto tirada à porta do edifício vísivel na foto, sentado em calções e com uma G-3 nas mãos em 1968, e outra rodeado da matilha em que figurava a célebre Diana que foi morta a tiro um dia à noite porque foi confundida com uma gazela. 
Cumprimentos e bom ano. Almeida Santos (Russo ou Soviético como era conhecido) O/C (ORTRA e OTC) de 13/06/1965 a 13/06/1969


Recebido Por Email
Nota do Editor: O Companheiro Almeida Santos foi convidado a enviar-nos elementos para a rúbrica " Companheiro da Quinzena"
Rui Neves