quinta-feira, 2 de novembro de 2017

CAGAÇO NO CAMAXILO

Camaxilo em 1964 - foto de Manuel Flórido Bem-Haja

Parece incrível mas nunca fui ao Cazombo! 
Fui ao Camaxilo uma única vez, para reparar o rádio farol pois uma daquelas habituais trovoadas queimou um dos circuitos.
Durante uma semana deu para um jogo de futebol contra o exército, que nos fornecia o pão e água. No final foi uma jantarada, no quartel do exército, cujo menu foi uma bacalhausada no forno. Um manjar dos deuses, para quem tinha passado dias a comer arroz com chouriço e chouriço com arroz, por causa de uma chuvada que nos estragou alguns víveres.
Por azar, nessa semana, o PV2 não nos levou abastecimento por motivos de uma missão.

Foi a semana mais acidentada que tive em Angola.
Durante essa estadia, numa das noites, a sentinela viu um vulto e disparou a FBP. Dado o
alarme, despertei do burro onde dormia e passei o resto da madrugada a carregar os carregadores da metralha. O sargento-ajudante de abastecimento, que lá tinha ido fazer o inventário, foi colocar-se junto aos bidons de combustível aguardando pelos acontecimentos, quando de repente um dos bidons deu um estrondo de contracção.
O homem deu um salto 
de susto e disse:- foda-se, as ajudas de custo não pagam o cagaço...e tudo terminou em bem, falso alarme.

Por:

3 comentários:

  1. Boa tarde. Suponho que por essa altura o meu irmão Jorge Bacelar, Alferes da Força aérea, teria estado aí no Camaxilo. Mais tarde, em 1972 estive eu na zona do Lunhamége/Lumbala, mas também nunca fui ao Cazombo.
    Rui Bacelar

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    1. Viva!
      Temos nas nossas relações um Jorge Bacelar PA no AB4 em 65/66, que se presume seja o seu irmão. A informação que temos é que vive em Braga. Não temos foto desse tempo.
      https://photos.google.com/u/1/share/AF1QipNcrSBVplScMTTvrXVcjAZAZFp9hmU37UOoE44_ifdAEYGOjfAQJjOAjzMWFxakIQ/photo/AF1QipO1qHPMIwN9uCl2dgwix6aLj3XghwsNoCkHjx7J?key=dlpPNmpSeEhfMUhSbV95aWZuY2xzUzJpU1dOT21n
      Um abraço

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  2. Eu estive lá em 1968 seis meses. Por causa do arroz com chouriço ou chouriço com a rroz, consegui metralhar a cabeça do Alferes do SG para autorizar que fossemos à caça grossa à noite, com uma bateria no Unimog e um farolim adequado. A partir daí foi um forrobodó. Era bife ao pequeno almoço, a meio da manhã, ao almoço, ao lanche, ao jantar, á ceia, enfim já vomitavamos carne de caça. Duma das vezes ma chana da pista como era chamada, demos com um grupo de palancas que no meio do cacimbo pareciam cavalos. Deitamos fogo à chana e dois dias depois fomos lá ver se já nascia erva. Como já havia erva fresquinha à noite fomos lá e matamos 4. Uma delas ficou sem uma pata cortada pela rajada de G-3 e eu com a ganância de a acabar de matar acabei por destruir o para-brisas com um tiro. Custou-me a brincadeira oitocentos e tal escudos e um raspanete do Capitão Mesquita que Deus o guarde. Bons tempos.

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