quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O SUSTO NA VIAGEM PARA O NEGAGE



Naquele dia que ia sendo fatídico, 11 de Agosto (irra, logo o 11!!!) do ano de 1969 ( eu não digo? só me saem duques!!!) descolou, da BA9, em Luanda, uma máquina fabulosa, um NordAtlas 2501, carregado de passageiros militares e suas famílias com destino ao AB3-Negage, com o intuito de efectuar o trajecto Luanda,Tôto, Negage/Maquela e S. Salvador. Esta é a vida bela que leva o aviador...
O avião, levava ainda alguns kilitos de carga, a meio da fuselagem, sendo que os passageiros iam sentados naqueles bancos de lona "suma-uma", dispostos de ambos os lados da fuselagem e da frente até à cauda, super confortáveis, em tudo semelhantes às cadeiras da 1ª. classe de um Jumbo (a dita classe executiva, onde se comia lagosta, caviar e outras iguarias, bem regadas com brancos e tintos portugas, de
altíssimaqualidade - falo com experiência própria - Champanhe, Porto, Cognac, etc!!!); só que, na FAP, não havia estes requintes atendendo ao facto de a viagem ser demasiado curta...hihihihihihihihihi
A tripulação do cockpit era composta pelo Cap. Martins Rodrigues, comandante da aeronave, tendo como coadjuvante o Copiloto Pinho ( o mailindo, o "Je" e o Flight Engeneer mecânico de vôo Fernandes ( O Bordelais, por ter nascido em Bordéus-França, a quem eu carinhosamente tratava por "sim-sim", visto que ele tinha um "tic" que fazia que ele abanasse a cabeça de cima para baixo, como se estivesse a responder a alguém, sem emitir som!!! Que será feito desse amigão?)
Como eu dizia, a bordo do Nord não havia essas mordomias....
O Nord estava equipado com UM SÓ Horizonte Artificial do lado do Comandante, do lado do Copiloto estava um buraco (o horizonte tinha ficado na praia em Luanda e não lhe apeteceu ir ao mato...hihihihih), os restantes instrumentos estavam lá, só que a MAGNAFLUX - a bússula do lado do "Skeeper" respondia com cerca de 30º de atraso em relação à do Copiloto!? Todo o resto estava nos conformes !!!
Só que, sabendo-se que o tempo no Negage estava para piloto de Cat III e não de Cat I (Cat III tem visibilidade em frente de 150m e tecto de 50' e Cat I tem visibilidade = ou > a 10Km e tecto de 200', por aqui já se pode ver a diferença)...
A MAGNAFLUX do Copiloto estava a trabalhar como manda a sapatilha.
Chegados ao Negage, quem é que dizia onde estava? Tinha ido a banhos...e vai de fazer uma aproximação GCA à Pista 14 (parece, que essa este o QFU da dita, naquela época) se eu fosse papagaio das TV's diria "naquela ALTURA"...cambada de "burróides"...


Tudo pronto, QNH introduzido e checado entre os dois altímetros, e aí vamos nós, "cantando muito bem calados", pela ladeira abaixo dada pelo GCA. A Altitude Mínima do Negage, para uma aproximação GCA era de 4105'. a 4730', olhando para fora, comecei a ver, por uns buraquitos entre as nuvens, que a terra estava muito próxima de nós e a coisa começou a cheirar-me a esturro...tendo disso dado conhecimento ao "skeeper", que continuou, logicamente, a descer segundo as indicações do Radar GCA e em cujo operador confiámos.
Mas, como filho único (pelo menos oficialmente, visto que a minha "velhota" já tinha "partido" quando eu tinha 22 meses de idade...parece, que o meu "velhote" "fabricou" qualquer coisa na Venezuela, mas isso foi problema dele !!! Actualmente sou órfão de pai e mãe e já não há remédio para o caso...hihihi
Comecei, portanto, a desconfiar que havia por ali algo de muito errado?!       
Comecei a mexer-me na cadeira e a não sentir-me bem, a olhar cada vez mais para fora e, a cerca de 4350', saindo da base inferior da nuvem, encontro-me dentro de um funil, num buraco rodeado por terra a toda a volta!!! A minha reacção imediata foi de "puxar o manche", tentando sair dali e visto que tinha velocidade para isso! O Fernandes que, sem dizer nada, estava tão atento ou mais do que eu à manobra, enfia com as manettes todas à frente (deve ter metido os 1200 cavalos em cada um dos motores!!!); o "pássaro" meteu o nariz em cima e, naquele momento, disse para comigo: porra, desta já me safei...e os outros lá atrás? De imediato, batemos com as rodas do trem principal MESMO na lomba do morro, sofrendo um empurrão para cima, como se fosse o sopro de uma explosão !!! O avião continuou a voar e a subir.
Nesse momento, o Cmt, que estava "agarrado" aos instrumentos e que de nada se tinha apercebido por tudo se ter passado tão rapidamente, começou a puxar ainda mais o manche, ao que eu lhe disse "LARGUE ESSA MERDA!!!" ao que ele obedeceu imediatamente! Para quem não sabe, a bordo de uma aeronave, as vozes devem ser dadas com firmeza e clareza e, em casos como este, com um berro, foi assim que nos safámos!
Logo que o Fernandes "meteu motor aos copos" e eu puxei, recolheu o trem e os "flaps", passei os comandos ao Comandante e vi, através de um buraco nas nuvens, que estávamos a passar por cima da estrada Negage-Púri, muito antes da Pista!? Ora, isto levou-nos a concluir que o operador do Radar-GCA se enganou na selecção do Range (alcance) do Radar e nos mandou descer muito antes, isto é, em vez de pôr o range nas 25 milhas, pôs o mesmo nas 50, mandando-nos descer muito mais longe, onde as montanhas eram mais altas!?
No momento em que cruzávamos a estrada Negage-Puri ouvi o operador do Radar dizer..."se calhar já bateram"...ao que lhe respondi que ainda estávamos a voar, que batemos no chão, mas que ainda estávamos TODOS vivos, queríamos regressar a Luanda por desconhecer o estado em que o trem se encontrava e reserva de nível de voo 60(seis zero = 6000' - com 29.92''HG = 1013.25 HectoPascals = antigos Milibares). 
O "skeeper", que era todo religioso e tinha tirado o curso "DECOLORES" da OPUS DEI, desatou a beijar a cruz de Cristo, quando se apercebeu da situação, estava eu ainda com os comandos na mão! E tinha motivo para isso: voar naquelas condições, com mau tempo, um avião INOPERATIVO, debaixo de "stress" que era apanágio de todos nós, não era caso para menos! No meu caso, possivelmente eu teria feito o mesmo... respondi-lhe, com um sorriso de gozo espiritual que, embora não tivesse comigo nenhum crucifixo, DEUS estava sempre presente na minha cabeça e que nos safámos devido a Essa Magistral Divindade!!! 
Pouco depois, pedi-lhe desculpa por lhe ter dado aquele berro e ter-lhe tirado os comandos das mãos, o comandante é sempre o "Dono e Sr. da aeronave, respondendo por isso em caso de acidente.
Seguimos viagem para Luanda, o Comandante da Base 9 estava à nossa espera, ao lado do Mercedes preto (Cor.Pil.Av. Rosa Rodrigues), com aquele ar risonho de satisfação de homem muito experiente e calejado da Busca e Salvamento nas B17, nos Açores, olhou-nos e cumprimentou-nos com um apertado abraço.
Estava completa uma das "pernas" desse voo, que seria completado na totalidade, com outro avião nessa mesma tarde, comandado pelo Cap.Pil.Nav. Pina Teixeira.








Piloto 60/70, na FAP; de 71 a 2000 na TAP(em 97 reintegrado na FAP)

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

CONVERSAS NA CIDADE Nº.6


Nota Introdutória

     Altas horas já passadas, e a tasca do comerciante continuava a servir de hospedagem aos bem-falantes aeronáuticos. Estavam pousados nas cercanias do Cine Chikapa, naquela avenida onde se situava a pastelaria Bonina, a D.G.S., a J.A.E.A….Lá bem nos limites ocidentais da cidade Saurimense.   
 Mas… o “Marrador” vai colocar os personagens em plena sessão… Tomem gosto pela conversa fiada dos “gabirus”!...
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Marrador – Depois do “marufo” entornado, da “tapioca” comida, e fumada a “liambada” na tasca do “fardex”, eis que os nossos leõezinhos ressonavam sem rosnar. Tão aéreos, tão apáticos, caíram de cú nas palhinhas…mesmo à beirinha da sanzala!... E, agradecendo ao dono amigo, a bela estadia…partiram para outras explorações, aproveitando a “pikada” sanzaleira já muito conhecida pela velha tropa dos “zingarelhos”. Escutem-lhes a canção, o lenga-lenga acostumado deste duo atribulado.

VITO – A “tapioca” estava picante!...
JOCA – E a “catchipembe” matava ratazanas!...
VITO – Hummm!...Este paladar na língua!... Seria da “liamba” mal curada?! Ou, da “mutopa” entupida?!...
JOCA – Entupido ando eu. Preciso “genisticar” o órgão. Senão, ainda rebento.
VITO – Com o teu “béu-béu” estás a dar-me ideias!...E se fôssemos até à Barragem do nosso amigalhaço Capelão?
JOCA - Pelo circuito da Sanzala de S. José?
VITO – Pela rota acostumada – cubata do Soba, para sabermos novidades da aldeia, pelo bananal, para a fotografia habitual, pelo rio, para apreciar as “mwanas phwos” e para mirar as provas olímpicas de mergulho, pelo centro das palhotas, para escolher os “cafécos” e ver a malhação no “pirão”.
JOCA – Já a tinhas estudado!... Estou a ver-te nos precipícios…Primeiro, na “cubata” do “muatan” para dissipar as calorias. Segundo, foto no bananal, para dizeres onde estiveste, armado em garanhão. Lavadeiras, com os “nés-nés” ao léu…, malhação do “pilão”?! Esta, não estou a situar?!
VITO – No pirão. És gago? Trocas os “L” pelos “R”? Será ainda o efeito do “malufo”? E as provas olímpicas, esqueceste de referi-las?!...
JOCA – Pois, enganei-me, queria exprimir a passagem de modelos com os “cafécos” de tanguinha!... Ou, sem ela!...
VITO – Com estas maldades todas, mentes turvas, acabamos por nos termos que confessar na Barragem!...
JOCA – Não. Lá não há confessionário. Só carrossel, baloiço eléctrico, jangada a vapor e formiguinhas de asa nos morros de sete andares. Estância balnear!...
VITO – Sabes trepar aos morros? Nalguns será preciso um escadote. Os bichinhos são pequenos, mas fazem prédios com vários andares. Formiga de asa, morros históricos…

Marrador – Os “ papa – léguas” caminhavam para o Norte. Passaram junto ao cemitério da cidade, tiraram a foto da praxe junto à grande bananeira – limite fronteiriço da sanzala e que dava para o desfiladeiro da Barragem. Antes, beijaram a mão ao grande “soba”, na cubata mor, fotografaram os “cafécos” e “cafécas”, e refrescaram os pés junto às lavadeiras do ngiji. Deitaram as suas graças às “tusulas”, e prosseguiram atalho até à dita Barragem construída pelas mãos do grande engenhocas religioso.

JOCA – Oihhh…Já avisto os “corvos” no balancé!...
VITO – É o Capelão, e gente da nossa “guerra” juntamente com os “cambutas”. Está tudo numa animação desgarrada. A Barragem sempre produz energia! Até oiço música de grafonola!...
JOCA – São as “kai” a balirem.
VITO – Cabras?! Aqui?
JOCA – E, são brancas.
VITO – Bem, estão com o Capelão…Estão isentas de pecados!...Vamos lá a ver se existem umas “bjecas” frescas!...
JOCA – Se há “corrente”…há energia. Se há energia, há geladeira. Se há geladeira, há bebida…
VITO – Se há, há…Se há, há!... Conversa de “chacha”!...
JOCA – Gaita!... Se não houver, tens a frescura dos morros das formigas. Cura-te. Vês o carrossel a girar? Afinal, temos o inventor “pardal” em África. Canal de água, Barragem, turbinas a funcionarem, produção de energia, luzes acesas, e divertimento para a pequenada. Sim senhor!...
VITO – Tira aqui umas fotos para enviarmos à “famelga”.
JOCA – Aqui, junto ao canal. Aqui, junto aos morros ou, com o Capelão como companhia, e também no “citulu” “apalhadado”.
VITO – Vê lá se “atacas” os sapatos depressa. Parece-me que estás a catar a “bitacaia”!...

Marrador – Depois de uma alongada com o “genérico” Capelão, soldadesca espacial e,canhikas” da cor de breu, eis que os veraneantes de fim-de-semana se colocam por discernir sobre a nova etapa a palmilhar. E, porque parar é morrer, havia que dar novo rumo ao dia…“
JOCA – Tal e qual o combinado, seguiremos até à piscina. N´est-ce pas?
VITO – Ohhh…Ouiiii!... Les petites filles sont belles !...
JOCA – Hummmm….Estás a imaginar já as meninas do Liceu a nadarem na piscina?
VITO – Circundamos o Liceu, torneamos a Capela, encetamos pela Avenida das Mangueiras, Campo da Bola, e penetramos, penetramos, pelos bambus.
JOCA – Penetraremos. Penetraremos na caminhada triunfal!... Mas, no túnel, no túnel dos bambus…consta que há lobos maus?!... UUUhhh…
VITO – Só papam meninas solitárias!...
JOCA – Esses lobos, conheço-os eu!... Alguns até andam fardados!...
VITO – Juízo na tola..Vê lá!…Acabaste de receber um alqueire de catequese com o Tenente Capelão e não te emendaste?
JOCA – OK. OK… Só natação!... Nadar, nadar. “Kha”!... Já não falo mais!...
VITO – Só natação e…só te faz bem. Não andas perro da tripa? Movimenta-te. E, o lobo mau, sou eu!

MarradorBambus, só bambus!... Terminada a avenida das Mangueiras, entrava-se na arcada das canas grossas. Todos os “franganitos voadores” tiravam a sua foto nestas paragens. Aqui, e junto à estátua do grande sertanejo, defronte à Capela. Deixemo-los caminhar para a fonte refrescante…

JOCA – Há dias passei por estas bandas com duas “canhicas” minhas conhecidas do teatro.
VITO – E…e….?
JOCA – E tínhamos ido tomar banho ao rio. Fazer um picnic à nossa maneira.
VITO – E… e….?
JOCA – E, ensaiámos a peça teatral!...
VITO – Até os crocodilos do rio cantaram em coro, certamente!...
JOCA – Mudando de tema, eis aqui à nossa frente a “turbe” dos asas caídas. Uma vintena a fazer das suas palhaçadas!.... A nossa tropa anima toda a cidade.
VITO – Olha, olha-me para aquele mergulhador! Melhor do que os “matumbitos” do riacho.   Olímpico em Munique.
Tal e qual o Mark Spitz,
JOCA – O das medalhas? Não tanto, mas também dá nas vistas!...
VITO – E, os dois do escorrega? Quem são?
JOCA - Sei lá!... Estão a alisar o zinco, tirar as farpas ao estrado. Não sabem nadar, e estão no disfarce!...
VITO – Outro mergulhador, classe!... Só competências para as meninas verem!...
JOCA – Peneirice azulada!... Não, aquele não é azul . Aquele é verde.
VITO – Arre…macho!...
JOCA – Arre!...
VITO – Vamos molhar o “trancoso”? Estão ali as nossas colegas à nossa espera!...
JOCA – Já topei. Estão a fazer que estudam, mas sempre a olharem para o “despe-despe”.
VITO – Calma. Respeita a Terezinha e a Suzete. São filhas da nossa “sargenteada”!... E, não só!
JOCA – Sim, a paisagem neste filme é superior à das quedas do Chikapa. Lá, só há barbudos!...
VITO – Muitos namoros se iniciam aqui!... Água morninha, tardes alongadas, caminhada pelo arvoredo,…tudo no compasso certo!...
JOCA – Joga a experiência já vivida, no fim de comissão!... Sempre os mesmos lugares já pisados tantas vezes!...
VITO – Como será num futuro longínquo?!... Teremos recordações destas paragens?!...

Marrador – Mais uma tarde que os nossos convivas passaram na piscina, juntamente com tantos outros companheiros de guerra, e pelas cidadãs da nobre cidade de Saurimo. Sempre os mesmos circuitos, sempre a mesma conversa, sempre os mesmos acepipes!.... Ao longo de vinte e tantos meses ou, mais!.... Envelhecia-se lentamente, amadurecia-se e,….Desfrutava-se ….Quando alguém o permitia!...
E, AGORA?!...
- Onde está o nosso Cabo
- Esse bravo do passado
- Da heróica aviação?!
- Que até com fato emprestado
- Parecia Homem honrado
- Mas no bolso, sem tostão!
Língua Quioca
Canhika  – jovem
Marufo – vinho feito da fermentação da seiva da palmeira
Malufo – vinho
Tapioca – papa de farinha de mandioca granulada e doce
Catchipembe – aguardente
Liamba – tabaco
Mutopa – cachimbo de água
Muatan – senhor
Pikada – caminho africano de 3ª. categoria
Tusula – rapariga
Kai – cabra do mato
Ngiji – rio
Citulu – chapéu
Mwana phwo – lavadeira
Kha – não
Bitacaia – parasita dos pés
Cubata – palhota
Cafécos – jovens
Kambuta – pequeno
Bjeca – cerveja
Matumbo – inculto

Anotações:
Teresinha – Jovem cidadã da cidade
Suzete – Filha de Sargento da FAP

Fotografias:
Recolha no “nosso” Blogue

Versos:
Fado do Especialista – Versos enviados por Álvaro de Jesus

 Até breve o amigo

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

OS CROCODILOS DO ALTO CUITO


Ali, no rio do Alto Cuito, havia uma espécie de prancha que saía sobre o rio. Quando havia alguém que vinha ao rio mas não tomava banho, faziam-lhe a partida do crocodilo.
Os brincalhões do exército começavam a apontar para a água a dizer: "Lá vai ele! Lá vai ele!", "Olha, parou ali!", e mencionavam o tamanho "enorme" do bicho. Claro que não havia qualquer crocodilo naquela zona do rio. Havia mais acima e mais abaixo mas ali, com tanta gente todos os dias, os bichos ficavam o mais longe possível (sob pena de se transformarem em cintos, carteiras ou sapatos).
Ora, os curiosos visitantes que permaneciam na margem, ficavam em pulgas para avistar "o enorme crocodilo". "Onde? Onde?".
- "Ali, na outra margem. Perto das ervas."
Não era fácil de avistar o animal que... não existia.
E lá vinha a partida...
- "Sobe à prancha que já vez!"
O resto já se adivinha. Ainda os incautos não tinham chegado à ponta da prancha e já um dos brincalhões vinha sobre ele a grande velocidade e acabava tudo no rio. Um banho forçado, a provocar a galhofa geral.


Mas... e o crocodilo? Era ver os forçados banhistas a esbracejar, em grande velocidade, em direcção à margem, não fosse o crocodilo estar com fome.
Talvez fosse aqui imaginado o truque dos ilusionistas que caminham sobre a água. Os nossos... corriam !
 Eu corri ! (agora, rio...de riso!)

Texto e fotos de

EH-101 MERLIN



O AgustaWestland EH-101 é um dos helicópteros que surgiu do esforço de dois países, já que foi desenvolvido entre a Westland Heicopters, no Reino Unido e a Agusta, na Itália, para aplicações militares embora também seja usado no contexto civil. Em Novembro de 1979 formou-se uma empresa,a EHIndustries-para a gestão do projecto.
EH é uma abreviatura para Elicottero Helicopter, incorporando as palavras inglesa e italiana para o termo helicóptero. 
O nome EH101 tem uma história curiosa: inicialmente chamava-se EH-101, como referência ao facto de ser o primeiro projecto da empresa. Numa comunicação interna, uma secretária trocou o I por um1 e o nome ficou.
Este helicóptero de transporte médio, trimotor, com trem de aterragem triciclo, semi-retráctil, com rodas duplas em cada unidade e rotor principal de cinco pás.

A Força Aérea adquiriu 12 unidades deste EH-101 em três variantes distinta, com o objectivo de aplica-las a três tipos de missões diferentes. A frota consiste em seis unidades vocacionadas para busca e salvamento, duas dirigidas para a fiscalização das pescas e quatro para busca e o salvamento em combate.

O EH-101 possui flutuadores de emergência, dois barcos internos para 20 pessoas, um guincho secundário e é equipado com um radar de busca da Galileo, com a capacidade de identificar e monitorizar 32 alvos de superfície em simultâneo.
A recepção oficial deste helicóptero em Portugal decorreu a 24 de Fevereiro de 2005, na Base Aérea nº6 (B.A.6) no Montijo, sendo o culminar de um longo processo iniciado em 1992, com vista á passagem de testemunho do SA-330 Puma, uma aeronave que voou 36 anos ao serviço da Força Aérea nacional.
A grande exigência da Força Aérea, para helicóptero substituto do PUMA, dizia respeito à capacidade para atingir as ilhas atlânticas, Madeira e Açores, a partir do continente português.
Assim limitou-se logo a concorrência ao helicóptero norte – americano Sikorsky-S-92.
Embora se trate de um helicóptero naval, característica identificável pela capacidade de dobrar os rotores para facilmente caber num, hangar, consegue tanto ser utilizado sobre o mar, para operações de busca e salvamento, como servir de meio de transporte para o Exército. 
Os EH-101 portugueses têm a particularidade de serem as únicas aeronaves deste modelo pintadas com uma camuflagem táctica, em tons de verde e castanho.
São utilizados em missões de busca e salvamento, mantendo-se dois sempre em alerta de 30 minutos, a partir das bases aéreas do Montijo e das Lages, e um, em alerta de uma hora, a partir do aeroporto de Porto Santo.
Características da aeronave e tripulação:
A Tripulação é composta entre 3 a 5 homens

Comprimento…. 19,30 m
Altura …………   ....6,61 m
Envergadura…..18,60 m
Velocidade Máxima ....277 Km/h
Velocidade Cruzeiro    240 Km/h
Alcance Máximo.       740 Km
Autonomia Máxima   08H30
Tecto Máximo.15.000 ft
Tecto Serviço  10.000 ft
Potência5100 HP
Capacidade para 30 Passageiros
Capacidade de levar até 16Macas

Crédito: Euro Impala/Força Aérea Portuguesa

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

UMA HISTÓRIA QUE ME MARCOU - A MORTE DO FIALHO


Aeródromo-Base nº 4, tarde do dia 3 ou 4 de Outubro de 1969.
Ao balcão do bar do nosso Clube dos Especialistas, eu e o Carlos Fialho, mecânico de avião também. Conversámos e bebemos umas cervejas. No dia 5, feriado nacional também em Angola e por maioria de razão, passava-se o dia, relaxadamente, conversas, leituras, ou simplesmente deitados a olhar para o tecto da camarata.
             


A notícia caiu de chofre: o T-6 1792 despenhara-se perto de Teixeira de Sousa, com os ocupantes: o piloto e o mecânico.
Este era o Carlos Fialho, morto, completamente carbonizado, vi fotografias. Nunca mais fui o mesmo. Houve dias em que o álcool começou a ser um refúgio.


 



© João Tomaz Parreira

COSMONAUTICA 2

Os astros percorrem as suas órbitas no espaço por força de factores mecânicos que agem movimentando-as e orientando-as sobre as cosmonaves. Como sempre também neste caso, o homem limita-se a imitar a natureza.
             A perplexidade de John Glenn, um pioneiro do espaço
Como todo o mundo se recorda Johm Glenn foi o primeiro astronauta americano a tripular um satélite em voo órbital.

A profunda impressão que a fantástica aventura suscitou no espirito deste valoroso pioneiro, inspiram-lhe comentários, de elevado significado místico, entre os quais, por motivos que a seguir se explica, escolhemos o seguinte trecho, cuja tradução diz:

“Quando fui escolhido para o programa espacial, uma das primeiras coisas que me deram foi um folheto, contendo imensa informação sobre o espaço. Dois parágrafos, referentes à imensidão do Universo, deixaram-me muito impressionado. Para compreender esses parágrafos é preciso saber o que é um ano-luz. A luz viaja a 300.000 quilómetros por segundo, o que corresponde a cerca de sete voltas à Terra em cada segundo. Se orientarmos um raio de luz em linha recta e continuar a sua trajectória por um ano, a distância percorrida será de um ano-luz- o equivalente a nove triliões e meio de quilómetros.
Citarei agora um trecho sobre o nosso Universo.” Quando nos lembramos de que a nossa galáxia tem um diâmetro de cerca de 100.000 anos-luz e o Sol é uma estrela insignificante, a cerca de 30.000 anos-luz do centro da galáxia, demorando esta a efectuar uma rotação de conjunto sobre si mesma, de 200 milhões de anos, veremos como é difícil conceber a fabulosa escala do Universo para além do nosso sistema solar.
O Universo não acaba no espaço interestelar, pois há para além de milhões de outras galáxias, todas parecendo afastar-se umas das outras a velocidades fantásticas. Os limites do Universo, telescopicamente observáveis, estendem-se no mínimo a dois triliões de anos-luz de distância da Terra, em todas as direcções.”
Estes números mostram as fantásticas dimensões do universo em relação a nós.
Como se sabe os átomos são as menores partículas conhecidas, e têm também eles uma enorme semelhança como sistema solar e com o Universo: possuem electrões que giram em torno de um núcleo em ordens regulares.
Vejamos pois aonde quero chegar. É à ordem de todo o Universo, desde a menos estrutura atómica até à coisa mais gigantesca que se possa conceber: galáxias a milhões de anos-luz de distancia, viajando em orbitas exactamente determinadas, umas em relação às outras

Poderia tudo isto ter acontecido apenas por acaso?  
Teria sido por acidente que um punhado de refugo e destroços começou de repente a formar órbitas por conta própria?
Não posso acreditar.
Houve um plano definido. Essa é uma das grandes coisas do espaço que me prova que há  um Deus. 
Algum "Poder" colocou tudo isso em órbita e assim ficou.
Continua....

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

CACIMBADOS DO CAZOMBO


Eram dois bons companheiros do Norte, tripeiros de gema: sei que trazer esta história a público, identificando-os pelos próprios nomes, não os molesto em nada. Conhecedor que sou, dos seus humildes, mas nobres sentimentos, nunca me levariam a mal. Prefiro no entanto tratá-los por Zé Tó e Tó Zé, pois espicaço a vossa curiosidade para tentar identificá-los. Não andam por estes lados do FB, mas o Antonino já me deu os seus contactos. Quero um dia abraçá-los com aquele abraço que só os cazombeiros sabem dar. Cazombo, Julho de 72.

Depois do almoço e não tendo qualquer voo previsto, resolvi fazer uma “siesta” no alojamento reservado aos pilotos. Quem conheceu, deve lembrar-se que havia umas pequenas janelas altas, protegidas com rede anti-melga. Nas traseiras havia três , quatro cadeiras de esplanada, onde a malta se sentava a beber uma“cervejolas” e cavaquear um pouco. Enquanto passava pelas brasas, ia escutando a conversa entre os dois companheiros que referi.
Tó Zé:- tens umas botas porreiras pá!
Zé Tó;- pois tenho…
Tó Zé:- era gajo para “tas” comprar! Queres vender?
Zé Tó:-baah! Querias!!!
Tó Zé:-são porreiras vendes?
Zé Tó:-baah! Querias!!!
Tó Zé:-mas vendes ou não?
Zé Tó:-baah! Querias!!!

Acabei por adormecer: acordei cerca de uma hora depois. Enquanto passava um pouco de água pela cara ouvi:
Zé Tó:- querias!!!
Tó Zé:- anda lá pá, vende-me lá essa merda!
Zé Tó:- querias!!!
Sorri, vesti os calções e circundei o edifício para me juntar aos “bacanos”.
Boas, pessoal!
Oi, responderam em uníssono.
Tó Zé:- já viste que botas porreiras tem o Zé Tó?
Eu:- já! Se ele quisesse eu comprava!
Zé Tó:- também tu com a mesma conversa deste azeiteiro?
Querias!!!
Eu:- bom, vou lá dentro buscar uma cervejinha…
Zé Tó:- traz uma “pra” mim…
Eu:- Querias!!!
                     
Cinco e meia da tarde: O Sol já de tom alaranjado beijava o horizonte para lá do Cavungo, envergonhado e confundido com o cacimbo. O Zambeze na sua mansidão preparava-se para adormecer nos meandros, para lá da pista.
Nas mesas “jaziam” dezasseis garrafas de nocal prontas para ajudar o Natálio Parola a repor o vasilhame extraviado.
Á noite, depois do jantar, continuou o baile da cerveja no bar do meu amigo e conterrâneo Nogueira.
Caros Tó Zé e Zé Tó: sei que me perdoam esta “inconfidência”. Um dia destes, numa qualquer esplanada da Foz, havemos de nos rir um pouco. ABRAÇO