segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A ANTENA DO CAZOMBO

     
Foto de Hernâni Corona
Depois do almoço, numa tarde tranquila em que o não haver nada para fazer era o habitual, tirando o OPC, que tinha de estar atento a qualquer chamada, eis que uma ambulância do Batalhão do Exército, que era ao lado do AM 43 no Cazombo, entra na unidade e condutor da que era um furriel enfermeiro, posiciona a dita ambulância perto do táxiway. A finalidade, era recolher um ferido que vinha evacuado de heli. Presumo que era um fuzileiro naval.
Bom, toda a gente a postos e afluímos ao posto de rádio para obter mais informações através do piloto do heli.
De repente, um estrondo ao lado do posto de rádio e o silêncio foi total. Saímos a correr para ver o que se passava e qual não foi o meu espanto, uma das torres que segurava a ponta da única antena dipolo de onda curta e que nos punha em contacto com Henrique de Carvalho e as outras unidades da FAP, tinha caído. O furriel enfermeiro., tinha feito mais uma manobra com a ambulância, e com o para choques traseiro , tinha esticado os cabos de sustentação da torre e claro, o resultado foi a queda da mesma.
Sabíamos que o capitão PilAv Oliveira, vinha no dia seguinte num DAKOTA para fazer o reabastecimento. Era um homem que não merecia muito a nossa simpatia, mas a coisa era reciproca e sem comunicações, as coisas seriam feias quando ele aterrasse.
Virei-me para a rapaziada e disse: camaradas, calma que tudo se arranja e a torre vai para o ar. Houve gente que duvidou e com razão, até eu, não tinha a certeza de conseguir colocar a dita cuja no ar e numa noite. 
A torre estava toda retorcida.
Saí do AM e fui ao PAD (Pelotão de Apoio Directo), falei com o comandante, que era um tenente e logo se disponibilizou a enviar os seus homens e uma viatura oficina, com todo o equipamento necessário para a recuperação da torre. Corta de uma lado, solda do outro, martelo em outro lugar, a torre foi começando a compor-se. 
A noite já ia longa e já pelas 3 horas da madrugada, faz-se a primeira tentativa de colocar a torre no sítio e ao alto, mas como era feita com um material que não oferecia grande segurança e os seu lados eram estreitos, a resistência do material era fraca, ficando ainda mais fragilizada com os remendos feitos, acreditem que não tinha a certeza da operação ser bem sucedida. Era uma torre com +/- 30 metros e de certeza que quando foi montada pela primeira vez, foi lanço a lanço e logo sendo espiada. Naquela situação, não podia operar dessa forma e tinha de a levantar de uma só vez. Amarrei os cabos de aço à torre e a diferentes alturas, com a ajuda do guincho da viatura do P.A.D. Assim, quando se começasse a puxar, as forças estavam equilibradas e a torre, teoricamente deveria erguer-se. No entanto, como não ia apoiada dos outros lados, começou a balouçar e voltou a dobrar, mas desta vez só a meio, o que foi bom.
Feita a reparação, amarrei uns paus aos tubos da torre para lhes dar mais resistência mecânica e eis que a torre se ergueu cerca das 5 horas da manhã. O resto foi simples, foi espiar e a destreza da juventude. Faltava apenas, amarrar a antena dipolo no topo. 
Este rapaz subiu à torre e colocou não no topo, mas quase, a antena.
No dia seguinte, havia comunicações e quando o capitão Oliveira aterrou, não se passou nada.
Foto de Hernâni Corona 
Era um dia igual aos outros.
Quero publicamente, deixar um abraço e o meu muito obrigado ao tenente, cujo nome não me recordo e a toda a sua equipe, que trabalhou arduamente durante uma noite inteira, para que fosse possível erguer uma torre e que à partida parecia impossível.
Escusado será dizer, que pela noite dentro se meteram umas cervejinhas...


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