quinta-feira, 17 de março de 2011

JOGO DE FUTEBOL ENTRE SOLTEIROS E CASADOS

Esta pequena história, para além de caricata, pretende fazer relembrar uma das formas em como passávamos o tempo na altura da nossa deslocação por terras do Leste Angolano, e avivar os nomes dos seus intervenientes.
Retomamos à época de Fevereiro de 1972, e fixamo-nos no “Estádio de Futebol”, o Campo das mangueiras, da cidade de Henrique de Carvalho.
Clube de Saurimo
Na Base, alguém apelou para que se organizassem duas equipas de futebol a fim de se travar um jogo entre solteiros e casados. Estas duas equipas eram constituídas essencialmente por Sargentos, e alguns já com largas “panças”.
A equipa para a qual fui alinhar, era a dos solteiros. Claro, mais jovem, com sangue na guelra porém, já havia quem não cumprisse com as boas regras de estágio – os tais sorvedouros de Whisky, e muitooos…
O nosso “team” era constituído pelo guardião Cossa, (meteorologista que todos conheciam) e, pelo Alex, (piloto particular do Governador), Carrão, Eu, João, Cibrão, Guiomar, (todos controladores), Alá, Correia, (enfermeiro), Esteves, Caixinha, Martins, e mais dois em que o tempo teima em não nos fazer lembrar dos seus nomes.
De pé: ?, Guiomar, Cibrão, João, Vitor, Carrão, Alex e Cossa-Em baixo: Valverde(?), Martins, Caixinha, Esteves, Correia e Alá
O campo, situado na parte traseira do velho “Clube de Saurimo”, apresentava-se em terra batida, esburacado, e com as balizas desprovidas de redes. Na assistência…estavam milhares!
Pelejámos para a conquista da já afirmada vitória e, no intervalo, conseguimos levar a vantagem de duas a uma bola. Pelos solteiros, marcaram o João e o Alex. Pelos casados, marcou o Amaral.
A animação era visível e, após um grande intervalo, retomámos o confronto. O momento deparava-se renhido, difícil de gerir. O entusiasmo levava a que cada equipa vencesse para se fazer do mote, o gozo da peleja.
A certa altura, deu-se a tal situação caricata…
A contornar o campo, havia uma densa vegetação contígua ao “pelado”. O jogo dançava consoante a movimentação da bola, mas para nosso espanto, a dança, inverteu-se. A bola ia para certo lado e o jogador, para outro… O guarda-redes saiu da baliza a correr a sete pés. Todos fugiam, e cada qual para o seu lado. Não havia ponto cardeal fixado e ninguém se entendia.
A bola parou de rolar, os jogadores saltaram as traves de protecção e, a assistência mantinha-se quietinha do outro lado lateral do campo, interrogando-se sobre as causas da debandada.
Quando abordei que os espectadores eram aos magotes, não apontava para pessoas – eram as abelhas que dum enxame que se tinham zangado com o nosso jogo. Enfureceram-se e atacaram todo o pessoal, e com tais ferroadas, que tivemos que parar por longos momentos.
A tropa, sempre engenhosa, foi buscar uns pneus velhos. Atearam-se, e conseguimos afugentar a bicharada, após longos minutos de “ais” e risos.
Continuado o jogo, marcaram-se mais três golos. Finalizou-se com a vitória por quatro a dois, sendo os golos desta última parte atribulada, pertença dos companheiros Alex (2) e Oliveira (1). Os solteiros, venceram os casados por margem de dois golos -- mas perdemos em ferroadas !...
Na parte final do jogo
No meio deste tipo de animação, havia sempre um reparo. O ALMOÇO.
Onde deveria ser celebrada a festa da goleada? Nas tais represas e cascatas do rio Chikapa – local aprazível e que ainda nos trás vivas recordações…
Chicapa, local do almoço

O Amigo 

Sem comentários:

Enviar um comentário