quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

EDITORIAL DE RUI NEVES


Nota do Editor. 

Companheiros do AB4 -Henrique de Carvalho.
Através do Mural de Recados e de um ou dois Email's recebidos, verifico por parte de alguns Companheiros o descontentamento com o tamanho do Blog. 
Pois é, isto de um Blog é como os jornais que nós compramos… todos os dias ou semanalmente sai um e, ou compramos para o ler ou não! Aqui não se compra nem se vende mas, como um jornal, só o lê quem quer. Certamente, que cada um de vós se lêem jornais procuram aquele que mais vos agrada e como em tudo na vida só nos agrada algumas coisas. 
Gostaria muito de agradar a todos mas, não será possível. 
A ideia de criar um Site como alguns têm dado ideia, será uma possibilidade caso reúnam-se condições para tal. A criação de um Site obedece a vários factores incluindo os recursos humanos que têm de ser em maior número para se obter resultados idênticos ao de um blog. O resultado até agora do nosso Blog tem sido esplêndido, pois uma audiência de 25 visitas em média diariamente é um resultado que ultrapassou todas as expectativas de um Blogger. 
No entanto, prometo não descurar a ideia do Site e empenhar todos os esforços para melhora a forma de comunicação e entretenimento, afim de poder-mos estar num contacto ao gosto de quem gosta da Internet. Recebam um abraço e espero continuar a agradar a quem agrado. 
Rui Neves Editor do Blog

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

DESPORTO NO AB4

Caros companheiros. 
Hoje dou início a mais uma secção deste Blog. 
De certeza serão muitos os comentários, relatos e lembranças das actividades desportivas que todos vós nos podeis contar. Do Futebol, Andebol, Basquete e Natação, serão muitas as recordações de todos pois era um dos escapes e passatempo, não desprezando os benefícios físicos, que tínhamos para esquecer a distância de casa e a causa de lá estar-mos. 
Assim, para vos distrair um pouco aqui vão algumas fotografias enviadas pelo companheiro Carlos Joaquim (Quim) que não são as únicas que recebemos, mas para que o artigo não fique muito extenso!!! 
As restantes fotos estarão arquivadas no “Álbum de Recordações” no dossier de Desporto no AB4. 
Espero merecer de todos que tenham histórias e que tenham feito parte das equipes do nosso tempo que nos enviem quanto antes os textos e fotos para serem publicadas. 

Rui Neves Editor do Blog






segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

LESTE DE ANGOLA - A MINHA PRIMEIRA AVENTURA EM TERRAS ANGOLANAS


“LESTE DE ANGOLA” Memórias de um passado saudoso. 
Caros companheiros, estou convosco mais uma vez e, desta, com a minha grande aventura por terras de Angola. 
Situamos esta viagem nas minhas primeiras férias de H. de Carvalho, tiradas entre 23 de Novembro a 24 de Dezembro de 1972. Vou retirar esta minha narrativa ao conteúdo do meu roteiro – que ainda conservo na minha posse, após trinta e sete anos. 
Tinha eu vinte e três anos e delineei traçar no mapa os principais locais por onde deveria passar e conhecer. Recorri à revista “Notícia” e solicitei que publicassem o meu nome e endereço a fim de requisitar correspondentes por toda esta Nação e, com o intuito de me sentir “apoiado socialmente”. 
Surgem cartas diversas e, eu, seleccionei as correspondentes que se situavam nas cidades que desejaria percorrer. Samy Silva (Salazar), Nady Areias (Benguela), Lurdes Louro (Gabela), Lídia Marques (Porto Alexandre) e, muitas mais… Faço referência a este pormenor porque, daqui nasceu o meu casamento com uma destas amizades e, que ainda perdura nos tempos actuais. 
Nos meus planos de viagem estavam as cidades de Malanje, Duque de Bragança, Salazar, Luanda, Quibala, N. Lisboa, Sá da Bandeira, Moçamedes, Porto Alexandre, Benguela, Lobito, Novo Redondo e mais… Outros pontos de passagem e de interesse tais como: Salto do Cavalo e Pedras Negras em Pongo Andongo; Pedras Gingas, Campa do Zé do Telhado, grutas do Cacolo, Quedas do Duque de Bragança, Mussulo, Observatório da Mulemba, Barragem de Cambambe, Túmulo dos indígenas em Quibala, Ilha dos Amores em N. Lisboa, Serra da Leba e Chela e penhascos da Tundavala e Bimbe em Sá da Bandeira, porto de minério em Moçamedes, Plantas “Mirabilis” e miragens no deserto do Kalahari, Caota, Baía Azul em Benguela, Grutas e Cascata Binga de Novo Redondo, Restinga dos Flamingos no Lobito, etc, etc…
Iria sozinho nesta viagem? Planeei-a nesse sentido e, por experiência doutras vezes atrás. Livre na totalidade e, na aventura pois, assim o fizera anteriormente por terras metropolitanas e açoreanas. Porém, um nosso colega especialista propôs-me a sua companhia. 
Comprometendo-se a seguir a minha rota, aceitei incluir o estimado companheiro – José Bastos Rodrigues Soares, alcunhado de “Bacalhau” EABT. 
Vou só transcrever parte da minha narrativa, mantendo-me fiel ao texto da época, do 1º. Dia de viagem. Começa assim: “H. Carvalho – Luanda – dia 23 de Novembro de 1972 – 5ª. Feira, 1º. Dia de férias. Eu e o José Soares, conseguimos uma boleia no avião da DTA, Friendship Fokker-27, após termos feito os pedidos ao 2º. Comandante Sampaio, ao capitão Bentes e, ao Comandante da DTA, sr. Pestana. 
Foi no dia da despedida, (no AB4), do sr. Governador da Lunda, Coronel Soares Carneiro. 
Abalámos com a intenção de aterrarmos em Malanje e prosseguirmos a viagem, via terrestre, para Luanda porém, devido ao nevoeiro cerrado nas imediações de Malanje, alterou-se a rota com aterragem em Luanda. Chegados à capital, fizemos a apresentação e hospedagem numa pensão. Saiu um passeio nocturno pela cidade e … "chi-chi-cama”. 
Companheiros e amigos de longa data, nos próximos episódios serão descritas as viagens e aventuras pelos longos 5.255 Km de estrada. 

Um até breve Vítor Oliveira - Ocart


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

AINDA E SEMPRE ANGOLA

Ainda e sempre Angola, num presente feito de passado …

O título desta crónica, bem poderia dar lugar a um relato que representasse um passado não tão distante assim, feito de alguns idealismos, contrastando com um presente que convida por vezes ao esquecimento, mesmo que feito de memórias. 
As décadas de 60 e 70 foram o filão da Força Aérea no que toca à “fabricação” de Especialistas. 
Ser voluntário era moda e a Força Aérea era o escape, a fuga esperada do quotidiano, o gosto pelo desconhecido e o estatuto que se poderia adquirir. Havia ainda alguma escolha, com opções diversas entre especialidades. Só mesmo quase no final da recruta se definiam as posições futuras. 
Na Ota, onde quase todos nós chegámos um dia cheio de esperança, para se fazer um pouco de história e traçar o futuro. 
O destino, esse ficava por conta do acaso ou talvez não. Não sei se escolhi ser o que fui mas tive muito orgulho sendo quem fui e como fui. 
Inacreditavelmente quis o tal destino que após a recruta, me visse com uma viagem marcada, após os tais 15 dias de Férias, para os Açores. 
Lembrei-me da BA 4, mas depressa percebi que afinal o meu destino seria o HM BA4 [Hospital Militar da Base Aérea N.º 4]. Este era considerado um Hospital dos chamados de retaguarda, que na altura recebia os feridos do Ultramar. Conheci por lá dois dos mais famosos combatentes [feridos em combate], do Ultramar; o Marcolino e o Setenta. 
As enfermeiras que na altura faziam a diferença também por lá andavam. Recordo-me da Cristina, da Céu, da Antonieta e da Fernanda. Se teria sido um sonho, estar ali, não sei, só os 6 anos de Força Aérea que eu esperava vencer, me dariam o veredicto. 
Foi agradável passar 1 ano na florida Terra Chã, conhecer ao pormenor Angra do Heroísmo, desfrutar de boas paisagens e muito divertimento. Ver as Largadas à Corda, conhecer a pesca da Baleia e ir até à praia da Silveira num passeio a pé, por canadas íngremes era um regalo. As compras nas Lajes, o whisky, os pirex´s, o tabaco americano, os Ray Ban os zipp´s e as parker´s, quem não se lembra disso?! Claro que o curso de Enfermagem um dos mais conseguidos na altura em todos os ramos das Forças Armadas, seguia calmamente como eu esperava. 
Mas … e como há sempre um mas, de repente vejo-me de malas aviadas a caminho do Continente e lá estou eu a fazer a apresentação em Monte Real. Ali tive o prazer de conviver com alguns companheiros já regressados do Ultramar, que contavam as suas histórias. Lembro-me do Campos, um grande amigo. Eram os nossos serões na BA 5. 
Não consegui desfrutar de todos os prazeres que a periferia da Base nos proporcionava já que num ápice, me vejo mobilizado para a 2ª. RA ou seja, Angola. 
Mais 15 dias de Férias e voilá …lá vou eu a caminho de Luanda. Estadia curta nesta cidade, obviamente na BA 9, mas a suficiente para conhecer a Mutamba, o Mussulo e a Marginal. 
Falava-se muita na altura do BO e do Marçal também. Ah e a célebre Portugália, sempre frequentada pelos cambistas de ocasião onde se trocavam os nossos escudos por outros que não os nossos. 
De repente lá estou eu a caminho de Henrique de Carvalho. Lembro-me daquela chegada, a malta à espera na placa, procurando substituto. Era um frenesim quando chegavam os maçaricos, como eu o era naquela altura. 
Fui substituir o Rolo e logo ali encontrei o meu “pai”, o Bilinhos. Para aqueles que se desmemorizaram já, essa relação era atribuída pelo nosso número de matrícula. Na altura eu era o n.º 222/70 e o Bilinhos o n.º 222/69. Fiquem bem entregue sem dúvida. 
O que se seguia à chegada já todos nós conhecemos. O arrumar dos sacos a visita de reconhecimento ao Aeródromo, o almoço, no meu caso, no Clube, onde por aquele instrumento das Caldas com boa cerveja era tragado, no cimo de uma cadeira, ao som desconcertante dos presentes, com arremesso das tais bolinhas de miolo de pão. 
À noite lá vinha a praxe do costume e estavam assim feitas as apresentações formais a todos os presentes, passando a ser mais um elemento da espécie. 
Pois mas nem tudo era assim tão divertido como possa parecer. Aqui havia algumas barreiras, impostas pelos que se assumiam como os líderes da “tribo”. Haviam alguns excessos que só o tempo apagava ou fazia esmorecer. 
No AB 4 cada época definia uma classe e se dissesse que entre a década de 60 e a década de 70 houve uma abissal diferença de pessoas e atitudes, não mentiria. Essas diferenças acabaram por ser transladas para os tempos de hoje mas com outras cambiantes. 
De facto foi um percurso sinuoso mas nem por isso infrutífero para quem se decidiu a traçar uma linha e a segui-la na íntegra. 
Angola fazia a diferença. 
Os costumes, as oportunidades, os dias o convívio eram a tónica. E … por aqui me fico sendo que, se for caso disso, esta minha narrativa terá a sua continuidade!

Virgílio Oliveira 1.º Cabo ENF

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

LEMBRO-ME - A MINHA CHEGADA AO AB4

Lembro-me de quando cheguei a Henrique de Carvalho nos primeiros dias de Janeiro de 1971, numa sexta-feira, e logo que foram abertas as portas do avião que me transportou de Luanda, senti um estranho cheiro mas não desagradável. Ao sair, olhei em redor, apreciei o hangar, os poucos aviões no terminal, a pista, a torre de controlo, e os companheiros ansiosos por saber quem é que íamos substituir. 
Um de farda creme perguntou-me: Ó maçarico qual a tua especialidade e quem vens substituir? 
Era o Agante, ao qual eu lhe disse que era de abastecimento e que vinha substituir o Rego. 
E disse-me: Se ele cá estivesse estavas lixado mas, não te safas porque eu fiquei encarregado de dar conta de ti. E assim foi; entregou-me o RAMFA e disse-me: Logo á noite tem de ter essa porra na tola e dá cá a tua mala que eu vou-te levar á barraca. 
E assim lá fui agarrado ao pesado Ramfa e ele com a minha mala até á camarata. Lá deixei num armário os meus pertences e fomos fazer a apresentação no Comando onde o Agante me fez preencher um toque de ordem para no fim-de-semana fazer-mos o reconhecimento á cidade, e de seguida fomos para o Clube porque era hora de almoço. “De notar que não larguei mais o Ramfa.” 
Quando entramos no clube e antes de almoçar, pediu atenção a todos e apresentou-me: “Aqui está o maçarico substituto do Rego e porque ele chegou já depois dele se ter ido embora para o puto, tem de ser bem regado.” Fiquei a ver onde as modas paravam, mas disse-me para sentar e almoçar. Depois do almoço pediu novamente atenção e disse-me:” Ou mamas uma litrada do das Caldas ou vais ao lago”. Pensei que fosse vinho ou cerveja e prontifiquei-me a beber o tal néctar que por sinal era cerveja e eu estava com calor. Mamei até ao fim a rodar em cima da mesa acompanhado pela célebre canção do ”Teri”. 
Depois foi a apresentação na Esquadra de Abastecimento ao Sr Capitão Maia, que logo no primeiro encontro simpatizei e fiquei satisfeito de ter um Comandante de Esquadra como aquele que estava á minha frente. Seguiu-se a apresentação do Sargento Carvalho e do restante pessoal incluindo um senhor do armazém que o Agante por malandrice me apresentou o Sr Capitão; de imediato bati-lhe uma grande palada o que todos se desmancharam a rir… Só depois me apercebi que era de nome Mário Capitão e que era o encarregado do armazém. 
Ao jantar, perguntaram-me se tinha trazido algo de comer assim como enchidos ou outras coisas. Como não levei nada, tive de comprar uma grade de cervejas para a praxe. Regressados á camarata, eu e os companheiros que chegaram comigo reunimos as cervejas e os petiscos para iniciar a praxe. 
Acusados em tribunal pelo desplante de sermos invasores do território dos cacimbados, teríamos de repartir os bens alimentares com todo o tribunal. E assim foi… uma grande patuscada passando assim a fazer parte da família indígena do AB4. 
No dia seguinte, sábado, depois do almoço lá fomos para a apresentação da cidade. O Agante foi no autocarro dos Sargentos enquanto eu e tantos companheiros fomos na camioneta de banco corridos; uma Mercedes. 
Pela picada fora pois de estrada pouco tinha, ao ver aquela terra vermelha cor de fogo percebi que o cheiro estranho que senti no dia anterior era uma mistura de odores do capim e daquele barro que me iria fazer companhia por dois longos anos e mais alguns meses. A apresentação da cidade foi muito simples pois como podem ver na foto fomos logo agarrados pelas predilectas loiras normalíssimas. 
Porque este texto já vai longo, fico-me só pelos dois primeiros dias. 
Espero assim que os meus companheiros nos enviem também as vossas histórias para recordar-mos momentos de amizade que ao longo de 35 anos passados não nos esquecemos do companheirismo que havia naquela unidade. 

Um abraço a todos
Rui Neves
Editor do Blog